sexta-feira, 3 de abril de 2009

Uma carta e um segredo

Querida Juliana,

Eu não publico "ipsis litteris" o que acontece comigo ou com minhas amigas aqui no blog. Seria uma baita exposição, além de não me exigir nenhum exercício de raciocício criativo, concorda?
Escrever exatamente o que se passa é coisa para Historiador. Eu não sou historiadora, eu sou é metida a escritora. Meus texto são uma "colcha de retalhos" composta de experiências que vivi , que ESCUTEI e que também só PENSEI.
Você ficaria muito desapontada se eu revelasse que muitas vezes conto que fui eu que fiz tal coisa mas na verdade foi uma amiga? O contrário também rola: digo que foi outra pessoa mas fui euzinha quem protagonizou a história. Seja trágica, seja cômica. O bom de poder escrever é que a gente é personagem ou narrador, depende do humor, depende do dia.
Eu não sou tão mal-humorada assim. Às vezes eu sou até bastante "easy going".
Vejo o lado bom da vida pelo menos uma vez por dia. Nem que seja por olhar as fotos das minhas sobrinhas, que são as mais lindas e amorosas do mundo.
Tem dia que eu tenho vontade de nunca mais escrever nada triste, mas acho que é meu jeito mesmo. Já disse em algum lugar que eu tenho uma alma melancólica e que não gosto de felicidades falsas, daquelas que a gente consegue com Prozac ou com um olhar bem fútil da vida.
Querida, se você soubesse como eu não sou fútil ou mal agradecida com a vida... se você soubesse o valor que eu dou por uma coisinha à toa, bem bobinha mesmo, como poder segurar a mão de alguém à noite, pra minha tristeza passar. De vez em quando tem uma tristeza teimosa que me abraça e fica aqui comigo um tempão. Mas aí eu vou pra casa da minha mãe e ela faz uma comidinha gostosa, meu pai se senta pra escutar música comigo e, de repente, sou a pessoa mais feliz do mundo.
Vou contar um segredo, mas prometa guardá-lo bem guardado, tá? Eu sou dramática à beça. Bem, muito mais quando escrevo do que quando a vivo a vida de verdade. Minha vida eu cuido de maneira muito prática, porque acredito que quem faz os problemas e as infelicidades é a gente mesma. Mas, como eu gosto de um drama, capricho na dose usando as palavras escritas.
Talvez pareça uma maneira meio estranha de se viver (ou de se escrever), mas é que, pode reparar, quando a gente dramatiza, quando a gente exagera, acaba criando uma caricatura. E acaba rindo também. As maiores descobertas que fiz na vida foram feitas quando consegui rir de mim mesma. E vamos combinar que tem de ser muito bem-humorada pra fazer isso.
Guarda esse segredo com você e prometa-me mais uma coisa: você vai ler outros textos meus. Tem uns que são quase engraçados. E também vai continuar visitando meu blog.
Quem sabe, Ju, de vez em quando eu seja mesmo um tanto injusta com a vida? Quem sabe eu devesse ver o lado rosa da vida mais vezes ao dia? Quem sabe dramatizar não é um jeito de pedir colo? E aí você vai concordar comigo: sou bem convincente, afinal, já conquistei uma leitora que vem aqui só pra saber como estou.

1 beijo,

Aline