quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

AO MEU TIO BETINHO.



A Luciana me pediu para falar sobre o Tio Betinho. Pensei em algumas coisas para dizer aqui. Mas hoje estamos aqui somente entre amigos, portanto, não há nada de novo, nenhuma novidade: todos os conhecem. Por isso, resolvi falar PARA ele:

Tio, você realmente é um cara "do contra", ? Passou a vida aqui na Terra sendo apressado - quem nunca o ouviu chamar 'Iyone, vamos. Iyone!' ?

E logo na hora de partir você não teve pressa. Ao contrário, você escolheu partir lenta e gradualmente. Foram vinte e poucos dias de grande angústia, muita ansiedade e lágrimas, muitas delas.


Por outro lado, nestes dias vocês nos proporcionou a oportunidade de nos despedir. Você nos proporcionou a oportunidade - veja que contraditório! - de refletir sobre a vida. 
Sobretudo, meu Tio, você nos proporcionou a oportunidade de praticarmos o desapego. Desapego da matéria, do corpo material.

Hoje estamos tristes, mas certamente temos mais consciência de que estamos apenas de passagem por este mundo, temos certeza de que este corpo que hoje velamos é apenas um instrumento. Você não é - e isso nos consola - este corpo: você é muito mais! Você é a lembrança que vamos levar para sempre.

Você é o menino que saiu cedo de Paraty, mas que nunca deixou Paraty sair de você. Você é o amigo do Charlinhos, do Caiquinho e de tantos outros. Você é o irmão da Tia Hélcia, do Tio Claudinho, do meu paizinho (que, por razões emocionais, não pôde vir). Você é o pai da Luciana, da Juliana e o maridão da Tia Iyone. Você é o paulistano mais Rubro-Negro que eu jamais conheci!

Ontem, Paraty foi dormir mais triste porque perdeu o cara solidário, que dava apoio a todo conhecido que aqui em São Paulo estivesse. E hoje, apesar de toda tristeza, temos dois grandes motivos para agradecer a Deus: 
O 1o. é pela oportunidade de termos convivido com você. Ser da sua família (e isso a Tia Hélcia, o Tio Claudinho, meu paizinho, a Juju, a Lu e a Tia, eu tenho certeza, concordam comigo) é um privilégio. O 2o motivo é por Deus ter dado fim ao seu sofrimento, o sofrimento do seu corpo material. Você é muito mais do que este corpo, lembra?

Então, meu Tio, vai com Deus. Vai ser eterno no Infinito.

QUALQUER DIA, AMIGO, A GENTE VAI SE ENCONTRAR.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

HOJE

Hoje não vou falar de mim, não vou falar daquele rapazinho que faz meus olhos brilharem, não vou dizer nada engraçado.
Hoje é dia que não era pra existir, é dia que não faz Sol e nem sentido, dia sem porquê.
Minha família e eu estamos tristes e a todo minuto lembrando dos bons momentos que vivemos ao lado do meu querido Tio Betinho.
QUALQUER DIA, AMIGO, A GENTE VAI SE ENCONTRAR.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Frases de efeito bomba

Não gosto de rotina: fazer todo dia o mesmo trajeto pro trabalho, sair pra almoçar todos os dias no mesmo horário, no mesmo restaurante. Como não posso me dar ao luxo de mudar de emprego a cada 6 meses e assim conhecer um monte de gente nova, eu faço o que posso pra sair do piloto automático: tem dia que vou trabalhar de ônibus, tem dia que pego a praia e peço para passarmos pela praia. Em vez de almoçar, pego um livro pra ler e por aí vai... tento não repetir as coisas, acho que é pra não morrer de tédio.
Meus amigos também são ecléticos: tenho o melhor amigo para falar besteira, outro pra pedir conselho, uma amiga certinha pra ir à exposições, outra meio porra-louca pra ir pra Lapa. Assim, vou dando nuances diferentes pra minha vida não ser assim tão linear.
Só tem uma coisa que não muda: meu instinto eterno de acabar com as coisas antes que se tornem “sérias”, pra valer. To falando de relacionamentos, claro. Toda vez que a coisa parece estar no caminho certo, um bichinho auto-destrutivo ou super-protetor (depende do ponto de vista ou da linha de terapia de quem quiser analisar) dá um jeito de estragar tudo.
Adquiri um talento incrível para isso: estragar as coisas virou minha especialidade. Se por um lado parece coisa de gente doida (e não é?) ao mesmo tempo vejo como o melhor jeito de não sofrer. Faço isso pra enxergar logo qual é o tamanho do cérebro do cara e quão parecido ele é com todos os outros que já estiveram no meu caderninho de telefone.
Vou te falar uma coisa: chega a ser engraçado como os homens são mesmo todos iguais. Falo isso sem mágoa ou amargura. É quase científico: experimenta falar uma das minhas frases-kamikazes que você vai me dar razão. Sim, eu falo sempre as mesmas frases, mostrando assim que aprendi alguma coisa com o sexo oposto. Falo as mesmas frases para os mais diferentes caras. E a reação é sempre muito parecida: o sujeito vira praticamente um maratonista. Corre trocentos quilômetros e depois desaparece do mapa. Nem no Google eu o encontro mais.
As tais frases são, ao meu ver, ingênuas, mas produzem um efeito devastador. “A gente combina pra caramba”, “Minha mâe vai adorar te conhecer” ou “Lá é lindo. No feriado da semana que vem a gente podia ir lá”. Na maioria das vezes eu tenho certeza de que o cara (que é até gente boa e tem um papo legal) e eu somos totalmente diferentes e também jamais teria coragem de apresentar um “Zé-Ninguém-em-potencial-na-minha-vida-amorosa” para minha família. Mas eles sempre acreditam nisso e metem o pé.
Quando vejo que a figura não me liga há 3 dias, constato, numa felicidade amarga porém esnobe que eu estava certíssima. O cara não era nada daquilo que falava. Sinto um misto de alívio e preguiça, pois sei que vou ter de começar do zero com outro. E eu morro de preguiça de conhecer alguém, e contar as mesmas coisas sobre mim, e esconder as mesmas coisas sobre mim, e explicar que aquela não é minha prima de verdade, que é a gente é amiga há muitos anos e por isso se considera prima e... nossa! Quanta trabalheira para, depois da 1ª ou 2ª frase no estilo “Ou dá ou desce”, o cara odiar o dia que me conheceu.
Gostaria muito de conseguir mudar esse meu comportamento-padrão, mas é mais forte do que eu, é um vício, eu diria. A sensação de constatar que eu estava certa, que ele não merecia ouvir coisas tão íntimas como “passei a tarde toda pensando em você” , parece uma medalha. Acertei de novo: o alvo era a maior furada!
Tem uns que fingem que  não ouviram e insistem em continuar na história. Aí eu vejo que ele é mais vivido, deve pensar “vou empurrar com a barriga”. Já cheguei a pensar que esses que não desistiam da 1ª bateria de testes eram mais maduros ou, quem sabe, estavam mesmo a fim. Deve ser meu lado pisciano insistindo em dar as caras e me fazendo ter uns surtos românticos.
A 2ª bateria de testes consiste em dizer “estou com tanta saudade de você”, “passa aqui em casa hoje” ou “você ta virando muito especial pra mim”. Se não fosse eu a protagonista, acharia engraçado o desfecho e as conseqüências dessas frases tão meigas, tão carinhosas. Mas como sou eu que fico no “ora veja”, não acho lá muito engraçado: o cara ouve que estou com saudade e entende “eu quero casar com você”. Falo pra ele passar lá em casa e ele entende que é pra pedir a minha mão em casamento aos meus pais, que nem moram comigo.
Muitas vezes quem ta a fim de meter o pé sou eu mesma, e uso essas granadas faladas só pra ter a certeza de que ele nunca mais vai me ligar ou me atender. E que vai me bloquear no MSN. É o jeito que encontrei de me proteger de homem medroso ou machista. Porque eu acho que um sujeito que perde o interesse só porque sabe que ali a partida já ta ganha é um machista com cérebro de ervilha. E também acho que o cara que treme de pavor por saber que eu to ficando a fim dele é um medroso. “Ficar a fim” é ficar a fim de sair, de dormir junto, de sair pra jantar. Não é ficar a fim de escolher os padrinhos ou a Igreja.
Medroso ou machista, não importa, no fundo ele é um pretensioso. É muita pretensão achar que quero ter um filho dele só porque ele me despertou um sentimentozinho à toa. É um descaramento achar que tudo bem dormir na minha cama, fumar no meu quarto com a janela trancada, ler meu jornal antes de mim, mas andar de mãos dadas na orla requer mais intimidade. Vai se catar.
Com funciona a mente de uma criatura assim? Como ele pode me enxergar tão assustadora só porque falei que lembrei dele ontem à tarde? Caramba! É tão difícil sacar que eu também tenho vários medos, e o de me envolver demais é o maior deles? Será que ele não é inteligente o bastante pra sacar que mulher também tem medo de assumir compromisso? Acho uma sacanagem de incluir na lista daquelas que querem casar a todo custo: eu já cassei uma vez, não quero mais. Acho uma injustiça me ver como uma louca de “trinta e uns anos” cujo relógio biológico implora por um filho: eu não quero filho, cacete. Não percebeu?
E também não adianta você me perguntar o que eu quero. Não sei, droga. Não sei mesmo. Ta bom assim do jeito que ta, eu só queria que ficasse melhor. Mas e se não ficar? Será que a graça estar em não conviver? Ou é justamente o contrário: o convívio tira os medos e tudo fica mais gostoso ainda? Melhor parar por aqui, porque isso é o famoso “quem nasceu primeiro?”.
Quem sabe um dia eu aprendo a conviver bem com a rotina? Quem sabe um dia eu não pare de estragar tudo? Ou quem sabe aquele carinha que vive dando em cima de mim não é exatamente o que não tem medo de ouvir frases-kamikazes?

domingo, 6 de novembro de 2011

PARABÉNS

Hoje é aniversário de uma querida leitora, a Mônica. Jamais poderia deixar de deixar aqui meu abraço carinhoso a esta lindona.

Quinha, te adoro!!!!

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

VESTIR-SE DE ALTO ASTRAL

 Por mais que a gente queira se destacar, ser única, diferente, enfim, a grande verdade é que mulher é tudo igual. Que bom.
 Meu último texto foi sobre como ando meio pra baixo, desanimada (aproveito para beijar carinhosamente quem deixou recadinho de "força, Aline". Vocẽs são demais!). Tudo bem que os problemas não podem ser resolvidos assim, de uma hora para outra, mas na maioria das vezes dá pra gente dar uma amenizada. E nada melhor do que umas "comprinhas" para levantar o astral.
 Conheci uma loja, a Adelaide & Dagmar, que é uma fofura e com roupas que são a minha cara (mesmo que você não more aqui em Paraty, vale a visita ao site pois tem lojinha virtual). Comprei "umas coisinhas" que me fizeram me sentir linda. E nada melhor do que se sentir linda para ficar bem humorada, né? 
 Claro que sair por aí gastando não faz ninguém mais feliz e nem resolve os problemas. Mas quem é que não tem problema? 
 Outra coisa que me faz feliz é ler, seja um bom livro, uma revista ou uma poesia. E esta que reproduzi abaixo tem tudo a ver com o assunto.


 

A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns usam palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.

Uns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.

A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem mas fingem que não.
E tem quem nunca
usa a roupa certa para a ocasião.

Tem os que se ajeitam bem
com poucas peças.
Outros se enrolam
em um vocabulário de muitas .
Tem gente que estraga tudo que usa.

E você, com quais palavras se veste?
Com quais palavras você se despe?

( A palavra é uma roupa /Viviane Mosé)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

DESNORTEADA

Faz tempo que não escrevo nada novo, né? É que os últimos meses foram tão difíceis pra mim: perdi emprego, namorado, fui embora do Rio... enfim, minha vida virou do avesso e ainda não me acostumei.
Ando meio deprimida, totalmente entediada e isto cria um bloqueio imenso de criatividade.
Não sei dizer exatamente como estou, só sei que perdi o rumo e esperança hoje em dia é uma palavra apenas, não mais um sentimento.
Tenho levado uma vida bastante imbecil. Tal qual este texto aqui.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

SOBRE CARÊNCIAS, CRÍTICAS, ELOGIOS.

Oi, Fê,

Estou melhor, não tenho outra escolha, né? Não adianta ficar putinha só porque o cara não está mais a fim de mim. Imagine se eu fosse ficar com raiva de todos os que não se interessaram por mim. Caralho! Nunca mais ia sorrir na vida. Vida besta!
Dessa vez não estou me fazendo de vítima, ou seja, não perguntei "o que eu fiz/ tenho de errado?".
Não ria, mas eu acho que o novo remédio (da depressão) está fazendo efeito. HAHAHAHAHA até eu ri dessa, mas é sério. Meu médico disse que levaria uns 6 meses para notar o efeito. Tem mais ou menos esse tempo. Tenho prestado atenção nas minhas reações e elas estão muito mais light. Exceto no trânsito, mas aí é querer muito.
Você sabe que tenho um problema sério em relação à minha auto-imagem, né? E por mais óbvio que possa parecer pra quem me conhece, só agora tenho percebido que sou muito crítica comigo mesma. Não me enxergo como as outras pessoas me enxergam. Eu vejo uma mulher gorda quando me olho no espelho. Talvez me vejam como uma gordinha, mas eu me vejo como uma obesa. Só que não adianta ninguém dizer que não: eu insisto nisso. Juro que não é teimosia, é certeza. Deve ser doença.
Semana passada estava experimentando roupas na "nossa" loja e um vestido ficou legal em mim. Aí a vendedora falou "claro,com esse corpão!" Fiquei olhando pra ela, aí ela falou : o que foi? Deu pra ver que ela ficou meio assustada com o olhar que eu dei. Na verdade, eu é que tava assustada com o comentário dela.
O vestido é aquele estampado, com a combinação vinho, que você gostou, lembra? Ela falou: dá até pra usar só a "combinação". Aliás, seu eu tivesse essas pernas, eu só ía usar a combinação". Menina, fiquei sem saber o que falar: elogios ainda me embaraçam.
No dia seguinte (essa é em primeira mão)fui ao cirurgião plástico. Foi a Ana que indicou. Falei "Dr., quero uma barriga de quem faz 3 mil abdominais por dia. Sei que vai ter que ser plástica no abdomen, mas não tem problema porque eu sei que a cicatriz fica escondida".
Enquanto me examinava ficou me olhando, olhando, apertando... E eu lá, naquela situação constrangedora só pensava "o cara deve estar fazendo a conta de quantos litros de gordura vai tirar e como vai fazer pra costurar tanta pelanca". Aí ele simplesmente falou que plástica nem pensar: não tem nem pele pra tirar. E os abdominais estão fazendo efeito, sim. Me deu até parabéns. Senti uma vontade de pedir pra ele escrever aquilo. Juro que eu ia registrar em Cartório.
Ele sugeriu que fizéssemos a lipo nas costas (onde não fiz ainda), pois é um lugar que adora acumular gordura.
Falei que pensava que a única solução fosse uma plástica. Aí ele falou "Vamos nos concentrar nas costas pra te dar mais suavidade. Você tem um corpão. Não inventa defeito". Amiga, dá pra acreditar? Em dois dias, duas pessoas falaram que tenho "corpão". Fiquei pensando e acho que eles não têm motivos pra falar isso do nada, por invenção. Principalmente o médico, né? A plástica é o dobro do preço da lipo.
Bem, falei tudo isso pra dizer que tenho prestado atenção em mim, nas minhas reações, respostas... Tenho sido muito crítica comigo mesma. Acho que enquanto eu não tratar bem de mim mesma, não vai adiantar eu estar com ninguém ao meu lado: porque ninguém vai me tratar do jeito que só eu posso fazer. Enquanto eu mesma não me der carinho, vou continuar vendo coisas onde não existe nada, ou seja, qualquer gesto um pouco mais carinhoso de um cara (como foi o caso do rapazinho lá, que sempre me tratou super bem) eu já enxergo como uma declaração de amor. O nome disso é carência. E carência interna, que só pode ser abrandada por mim mesma.
PS: em vez de fazer a lipo, marquei hora com um terapeuta.

Beijos da sua amiga de sempre,

sábado, 8 de outubro de 2011

Trecho do livro Equador

"Tentou analisar o que sentia. Raiva, sim raiva- uma raiva estúpida, sem juízo nem legitimidade. Inveja, uma inveja irracional e que não controlava. E uma tristeza, um vazio, vindo lá de dentro, de uma voz que lhe dizia "nunca serás feliz assim, nunca terás uma mulher assim a quem possa chamar tua. Cada um faz o seu destino e tu fizeste o teu...". De repente, sentia-se mal consigo mesmo. Mal com a sua vida, mal com a sua pessoa, mal com a sua tão auto-admirada liberdade... Sentia-se um animal estranho, uma ave de rapina entre um rebanho feliz."

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Da série "JÁ SOU BEM CRESCIDINHA PRA ACREDITAR NO QUE NÃO VAI ACONTECER"


Pra ser sincero eu não espero de você
Mais do que educação,
Beijo sem paixão,
Crime sem castigo,
Aperto de mãos,
Apenas bons amigos...

Pra ser sincero eu não espero que você
Minta
Não se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo
Nós dois temos os mesmos defeitos:
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.

(...)
Pra ser sincero não espero que você
Me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses
Num desses encontros casuais
Talvez eu diga, meu amigo,
Pra ser sincero, prazer em vê-lo
Até mais...

sábado, 20 de agosto de 2011

“A inveja é uma emoção dolorosa”



Constatação de uma matéria da Revista Istoé Ed. 2064 04/Jun. 2009 e disponível neste blog aqui

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CONTROL C/ CONTROL V


Há mais de um ano escrevi o texto abaixo, sobre "cópias" de textos meus. Hoje, mais uma vez, me deparei com situação parecida. Sou inteligente e sem vaidade o bastante para falar que muito do que escrevo sofre influência de autores a quem admiro. Mas influência é bem diferente de cópia, né? E cópia inclui mudar a ordem da frase, usar sinônimos e outros "truques baratos" para dar uma disfarçada e não confessar que rolou um "Control C/ Control V". À pergunta que já me intriga há tempos ("Qual a graça de ser uma mera copiadora de textos alheios?") acrescento: como se sente a pessoa que recebe o elogio por algo que ela não fez? 




Dias desses encontrei um blog que é praticamente a cópia deste aqui. Vários textos são quase uma cópia dos meus.
Talvez devesse me sentir orgulhosa por saber que tem alguém que curte tanto o que escrevo a ponto de copiar parágrafos inteiros. Mas não, não vejo como uma "homenagem". Apenas pergunto: qual a graça de fingir que um texto é seu?
Uma das motivações que me levam a manter este espacinho é que vira e mexe recebo comentários do tipo "Aline, você escreveu exatamente o que eu sempre tive vontade" ou "Menina, você colocou em palavras todos os meus conflitos". Isso significa que os assuntos, dilemas e paranoias não são exclusividades minhas. Ao contrário: escrevo sobre minhas experiências e impressões que são também a de muitas mulheres.
Escrever é tarefa solitária e por vezes sofrida. É preciso confrontar monstros internos, relembrar assuntos que pareciam esquecidos mas que ainda assombram. Porém, com o uso da criatividade é possível encontrar algo gostoso: falar de uma maneira diferente sobre assuntos tão batidos, tão frequentes. Usando criatividade e, claro,bom humor.
Ser escritora é dolorido, pois exige entrega, exposição e confrontos. Qual a graça de ser uma mera copiadora de textos alheios?

PEQUENO GRANDE AMOR/ MARTHA MEDEIROS

Porque não é fácil esquecer você, deixo meu lado romantiquinha falar e publico este poema da Martha Medeiros:


Pequeno grande amor
que gerou toda sorte de reflexão
Se fosse apenas um pequeno amor
passaria longe do meu epicentro
Se fosse um grandíssimo amor
estaria tudo ao meu redor devastado
Mas foi um pequeno grande amor
daqueles que têm tamanhos para todos os lados
e só podem ser medidos por dentro.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

DELICADAS, AS AMIZADES - AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA


"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"
"Quanto de verdade suporta um amigo?"
"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
Mas amizade, convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa que ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequoias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.
A gente pensa que amizade é coisa só de seres humanos. Não é. Os animais curtem amizades; alguns, o amor, e outros chegam à paixão extrema por seus donos. E, no entanto, amigos, alguns cães se mordem, quase se arrancam as orelhas num ou noutro embate, às vezes por uma cadela no cio, às vezes por nada.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

CONCURSO "EU AMO ESCREVER"/ SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!!!

LEITORES AMADOS,
COLOQUEI NOVAMENTE ESTE POST PORQUE MEUS VOTINHOS ESTÃO TÃO MINGUADOS... 
VOCÊS TÊM FEITO A "LIÇÃO DE CASA"? BORA TODO MUNDO VOTANDO EM MIM (PODE VOTAR TODO DIA!!!!) E DIVULGANDO PROS AMIGOS, AMIGAS, INIMIGOS, CHEFES, EMPREGADOS... 




Você já sabe que me inscrevi num concurso de contos promovido pelo site "Eu amo escrever" e que preciso de muitos, muitos votos.
No início, estava meio complicado para votar - o site enfrentou problemas, além de ter colocado um sistema de votação meio chatinho.
Você tentou votar nesta blogueira aqui e não conseguiu? Seus problemas acabaram: bastar acessar este link e votar no conto Sob Medida clicando nos coraçõezinhos que estão abaixo do título.


Ah! tem também o texto Hei, me tira daqui! que bateu os recordes de comentários aqui no blog. Para votar nele, adivinhe, clique neste link.


É possível votar mais de uma vez, mas não no mesmo dia. Isto quer dizer que: VOU ENCHER LEMBRAR VOCÊS VÁRIAS VEZES, TÁ? Quem sabe não venço pelo cansaço? hehehehe 


Se você também gosta de escrever, se inscreve lá! Um dos prêmios é ter o conto publicado. Chique, né? Veja as informações aqui.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Tenho o maior medo de me comportar co...

Tenho o maior medo de me comportar como aquelas mulheres que imploram por amor, fazem chantagem emocional e usam todas as armas (baixas) pro cara voltar. Meu nariz empinado não me deixaria jamais fazer nada parecido, mas que eu tinha vontade de um dia ter essa coragem, isso eu tinha.
De implorar pra você ficar comigo hoje. De chorar pra você não atender mais os telefonemas dela. De fazer birra pra você voltar pra mim.
Mas isso é pra mulher que tem coragem de se expor, pra mulher que não tem medo de parecer ridícula implorando amor. Eu, com esse racionalismo capricorniano embutido no meu DNA, não consigo fazer nada disso. Por um único motivo: aprendi que amor não se pede e nem se cobra.
Você é que deveria deixar de ser tonto e perceber que eu faria qualquer loucura por você, por seu amor. Mas você nem presta atenção direito em mim.
Mas se um dia eu tivesse coragem, faria uma cena daquelas. Ligaria pra você no meio da madrugada e falaria "hei, você deveria estar aqui comigo, já que me fez virar um bichinho apaixonado".
Hei, seu idiota, dá pra olhar pra mim como mulher, apesar da minha falta de jeito em ser feminina e delicada?
Hei, você fez eu me apaixonar e agora é muito eu pedir um abraço carinhoso?
Faz um favor? Me beija com mais carinho e menos tesão. Me beija sem descer logo essa boca pros meus peitos, seu idiota. Eu quero carinho. O seu carinho.
Mas amor é coisa que vem sem cobrança e se cobrança houver, não é amor.
E eu sinto raiva de mim porque sei que tem coisa que a gente só descobre que é bom depois de provar. E eu não dou chance de você provar meu lado carente, meu lado que quer mais do que tesão. Eu não dou chance pra você me ver como uma mulherzinha apaixonada, ansiosa por carinho e que sonha com um grande amor.
Coisa complicada esse lance de amor. E eu não levo muito jeito com isso, ou passo por cima ou puxo o freio muito antes da hora. Tudo porque eu tenho o maior medo de me comportar com uma mulherzinha apaixonada.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Calmaria


Feliz eu não estou. Estou, digamos, feliz. O que parece ser a mesma coisa. Mas o que eu quero dizer é que não estou Feliz, com letra maiúscula, ou então "Feliz!" com ponto de exclamação.
Acabo de perceber que estou isso mesmo: feliz. Na minha. Tranquila.

Pois é, voltei ao normal. Ao meu normal, é bom que se diga. Acordo de mau humor, chego atrasada, tomo Coca light no café da manhã... Tudo voltou a ser do jeito que é. E eu acho isso uma delícia porque é menos cansativo, sabe? É bem mais fácil ser eu mesma quando não estou com ninguém por perto. Ninguém importante, que me faça disparar o coração. Até porque quando isso acontece não rola ser eu mesma. Tenho até medo de falar pro carinha que escrevo no blog e ele dar no pé por perceber que eu tenho mil dilemas e sou carente.
Mas no momento, estou na minha. O mundo se acabando em crise financeira e aquecimento global e eu na minha, calma. Calma do meu jeito peculiar. Nossa! Como é bom isso! Como é bom ter defeitos, ser paranóica, ciumenta, ter insônia, tomar um Rivotril pra acabar com a insônia.
Essa paz estava me fazendo falta. O bom do fim de uma paixão é essa calmaria que fica em mim.
Ok, pé na bunda dói, ninguém gosta, mas tem o lado bom de ficar sozinha: eu fico na paz, me preocupo menos com o que pensam (na verdade, com o que ele pensa,né?) de mim, que tipo de música eu devo gostar, qual programa devo assistir.
No final de semana passado eu já estava assim, só que não sabia e pensei que estava triste, na verdade estava do meu jeito. Sem alegria forçada. Viva a melancolia! Eu sou assim: sou melancólica, não tenho talento pra alegria, sou séria. E agora eu posso ser tudo isso porque não tem ninguém (importante) comigo.
Sexta-feira comprei uns livros que jamais compraria perto de alguém (dele). E foi bom pra caramba estar sozinha e ler umas páginas e poder chorar horrores, soluçar um monte. O livro era triste, dolorido. Na verdade, era um clichê danado, mas um clichê que tocou meu coração e me fez pensar na minha irmã, nas minhas amigas. Em como eu amo cada uma delas e como eu faria sacrifícios por elas e... ah, essas coisas de mulher. Amizade verdadeira de mulher é coisa que dispensa (por não haver, talvez) explicação. E como eu chorei. E chorei à vontade, sem medo de ficar com olheiras no dia seguinte.
Essas coisas a gente não faz quando está com alguém, pelo menos eu não o deixaria me ver com os olhos inchados e ainda me explicar "este livro é tão bonito...". No mínimo, eu inventaria uma outra desculpa. Até parece que eu ia deixá-lo me vir chorando por causa de um livro, até parece.
Mas como ele não está, eu posso chorar a hora que quiser. E posso também rir. Ou então ficar quieta porque não estou a fim de falar. Eu sou meio esquisita assim mesmo, viu? Não é toda hora que tenho vontade de conversar. E como eu acho isso uma esquisitice tamanha, sempre tento mudar. Mudar pra ele. Só que tenho de ficar me policiando, me vigiando: são tantas esquisitices que não é brincadeira. Ou seja, quando ele está eu quero sempre ser diferente, ser melhor, mais legal, mais inteligente, mais normal. Acabo cansada toda vez que me apaixono. Dá um trabalho incrível fingir que sou uma garota normal, que não pensa o tempo todo em tudo.
Sim, eu finjo o tempo todo quando estou apaixonada porque só um louco iria se interessar por uma esquisita como eu, né? É automático isso: me apaixono e começa uma encenação sem fim. bbbAté que, por um motivo ou outro (ou eu ou ele se manda, por exemplo), a paixão acaba e eu caio em mim: posso ser eu mesma. O engraçado é que logo que isso acontece, olho pra ele de um jeito diferente e penso : como pude me apaixonar por um cara tão... tão... tão esquisito?

sábado, 9 de julho de 2011

FLIP 2011



A Flip 2011 começou 4a-feira, dia 06, e desde então muita coisa já aconteceu por aqui em Paraty.

Neste ano houve mudanças estruturais (os palcos não estão no Centro Histórico) e também há uma ampla (e ótima) programação paralela. Seguem algumas dicas (clique no nome para ver o link com a programação completa):


Folha de São Paulo tem um espaço para debates, a Casa Folha, instalada na rua da Matriz, no centro histórico. Os destaques são Ferreira Goular, Xico Sá, Laerte e Antônio Prata;

A Casa Sesc (na Rua do Comércio) apresenta os projetos Palco Giratório Sonora Brasil, com apresentações de teatro e música, além de sessões de vídeos, programação infantil e o lançamento dos livros vencedores do Prêmio SESC de Literatura 2010;

Na mesma rua a Casa do Instituto Moreira Salles na Flipque trará ao público uma exposição de fotos de Thomaz Farkas - recorte da exposição realizada esse ano no IMS-SP – e a gravação do primeiro programa Prefácios, da Rádio Batuta, que entrevistará autores presentes na Flip como João Ubal Ribeiro, Laura Restrepo, valter hugo mãe e Pola Oloixarac.

Ah, tem também a Off Flip, que já é tão tradicional quanto a "prima" oficial.

Então é isso: tem programação para todo mundo e não vale se lamentar por não ter conseguido comprar ingresso.

PS: Minhas sobrinhas se apresentaram ontem na Flipinha. A tia-coruja aqui ainda está emocionada.

terça-feira, 28 de junho de 2011

QUEM VAI VOTAR NO MEU CONTO?Amo Escrever

Eu Amo Escrever

Eu também não sei


Como se eu já não fosse complicada o suficiente, você ainda faz isso comigo. Faz um monte de coisas comigo. Só coisa pra me deixar mais complicada, mais doida, mais boba, mais cega. Se essas coisas que você faz comigo não fossem tão boas às vezes, eu ia te odiar. O problema é que de vez em quando, por tudo isso que eu sinto por você, eu sei que ainda tô viva e nessas horas eu acho uma delícia essa náusea que você me dá. E a vertigem que eu sinto quando eu penso em você, e a risada de vergonha que eu dou quando eu vejo que você me viu. Até a saudade que eu tenho quando você vai embora, até isso eu acho melhor do que não sentir nada.

Eu passei tanto tempo não sentindo nada e parece que resolvi sentir tudo, de uma vez só. É por isso que eu sinto tanto medo do jeito que você me olha, do jeito que você me lê. Você nunca vai me ler do jeito certo, do jeito que era pra ler, porque você não entrou nessa porra desse barco junto comigo. Eu entrei sozinha e porque quis. Só que agora tá me dando vertigem e não tem ninguém que me convença a sair fora. E você, o que faz? Você não me ajuda a parar. Você vai lá, remexe mais o mar e a onda fica maior e meu barco balança ainda mais. O aceno que você me dá de longe só me faz ver que eu tô sempre do lado errado de tudo.

Aí você me pergunta, minha amiga me pergunta, um monte de amigo me pergunta "por que você continua aí?". Porque eu não sei como se volta, eu não sei ir embora na hora certa, eu sempre passo da medida. Tento convencer todo mundo que tá tudo sob controle e você não manda em mim e eu só vim porque eu quis. Só que ninguém acredita mais em mim. Nem eu mesma esperava me ver assim, com cara de quem descobriu um segredo, com jeito de quem tá sempre na boa. Eu e meus amigos nos acostumamos a me ver na merda, entendeu? Sem reclamar, sem brigar com o mundo inteiro, sempre com alguém ao lado, mas na merda. E agora ninguém entende o que aconteceu e ninguém pode me ajudar. E eu também não quero que ninguém me ajude, que ninguém me tire daqui. Deixa eu ficar na sua janela mais um pouco. Não me faz repetir, não me faz implorar pra ficar aqui. Deixa eu ir ficando, ficando, até ir descendo aos poucos. Nada de solavancos, nada de repente. Deixa eu sair suave da sua vida, não me empurra.

O Otimismo e a Esperança

Estou num momento meio chatinho, uma experiência que nunca vivi.
A primeira reação à notícia que me pegou totalmente desprevenida foi o choque. Aí, o meu "querido de plantão" falou uma frase que mexeu bastante comigo e me deu um gás danado. Ele disse assim "Algumas vezes as coisas acontecem na vida da gente para nos tirar da zona de conforto". Bingo! Estava mesmo nesta tal zona de conforto que tem dois lados: o positivo é que é um caminho que já conhecemos, um lugar que já nos é familiar, portanto nos deixa tranquilos. O lado negativo é que algumas vezes estacionamos, nos acostumamos e não nos sentimos motivados. Continuamos como autômatos, fazendo tudo no piloto automático.
Para uma alma agitada como a minha, isso é meio tedioso. Mas para a necessidade que tenho de me sentir segura, é tudo o que preciso.
Na primeira noite pós-notícia, dormi pouco. Só conseguia cochilar quando me lembrava das palavras desse meu amigo. Nas noites seguintes voltei ao bom e velho Rivotril.
Tenho andado muito ansiosa, agitada e com uma vontade louca de adiantar o relógio, fazer o calendário disparar e resolver logo o que tem de ser resolvido.
De vez em quando tenho certeza de que vou tirar de letra: eu sempre tirei de letra esse setor da minha vida. Em outras... ah, em outras me sinto pra baixo, pessimista, quase paranoica.
O meu equivalente a livros de auto-ajuda é a (boa) literatura, e foi a ela a quem recorri em busca de algo que pudesse sossegar, ao menos momentaneamente, meu coração ansioso por natureza.
Achei um texto que uma Professora da faculdade me deu de presente, junto com um bilhetinho. Acho que foi na época da formatura. Penso que será uma espécie de oração para estes dias conturbados e cheios de expectativa.

"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto de otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: e no meio do inverno eu descobri um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural.
Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos (...): morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança..."

Trecho da crônica o Otimismo e a esperança, de Rubens Alves, publicado no livro Conserto Para Corpo e Alma.
Leia mais sobre o autor aqui

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Bourbon Festival Paraty 2011


DIA 17/06 - Sexta-feira
- Palco da Matriz -
21h30 - Roberto Fonseca
23h00 - Richard Bona
00h30 - Funk Como Le Gusta
DIA 18/06 -  Sábado
- Palco Santa Rita -
16h00 - Danny Vincent Blues Band - part. Guippo, Natália Alvi e Marcos Ottaviano
- Palco da Matriz -
21h30 - Miranda Kassin + André Frateschi
23h00 - Playing for Change
00h30 - Erica Falls

Dia 19/06 - Domingo
- Palco Santa Rita -
16h00 - Rhandal Jazz Trio
17h30 - Paulinho Lima & Super Soul - part. Marcio Eiras
- Palco da Matriz - 19h00 - Jane Monheit
20h30 - Oito do Bem
22h00 - Maria Gadú

FONTE: www.bourbonfestivalparaty.com.br/

segunda-feira, 13 de junho de 2011

HOJE O GOOGLE ME COMOVEU





O Google, aquele danadinho sem o qual não vivemos mais, hoje me comoveu: em vez do logo tradicional, estampou uma gravura do brilhante Fernando Pessoa.
É que hoje, 13 de Junho, é aniversário deste monstro lusitano (de coração) das palavras. E hoje em Portugal a comemoração é dupla: também é feriado por causa de Santo Antônio. Que, aliás, bem podia me dar uma forcinha e me "desencalhar",né? 

sábado, 11 de junho de 2011

FLIP 2011 - Oswald de Andrade, o homenageado





A FLIP, em sua 9a. edição, já faz parte do calendário cultural do Brasil e do exterior.
Sua vasta programação não se restringe apenas às palestras e nem à Literatura: Durante cinco dias acontecem shows, apresentações de teatro, dança, oficinas literárias e de desenho... Uma verdadeira festa cultural.


Neste ano o homenageado é o modernista Oswald de Andrade,um dos protagonistas da "Semana de 22". 

Precursor da Tropicália e da “poesia marginal” dos anos 70, Oswald escreveu, entre outros, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), Pau Brasil (1925) e Manifesto Antropófago (1928). Com Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) apresentou a prosa experimental ao Brasil. 
A homenagem, claro, abordará a Semana de 22, a Antropofagia e o Nativismo Pau-Brasil, mas não só: visa mostrar que “Ainda há muito a explorar sobre este pensador de uma miscigenação sem nostalgia da identidade (bem à frente, portanto, do atual discurso multicultural), o crítico da civilização técnica e, sobretudo, o criador de uma poética que restaura o arcaico para se libertar do passado”, acrescenta Costa Pinto, curador da Flip, que faz mais comentários sobre a escolha do homenageado no Blog da Flip


É isso aí: já foi dada a largada para esta fantástica Festa Literária, dia 06 passado começaram as vendas dos ingressos (eu já garanti  3 mesas na Tenda dos Autores!), agora é só aguardar (ansiosamente,porque a blogueira aqui é compulsiva e ansiosa) as possíveis desistências, encaixes de última hora e, principalmente,  o show de abertura. Vai ficar de fora?



quinta-feira, 2 de junho de 2011

ALGO SE QUEBROU/ AG



Algo se quebrou.
Dizem que nessa hora, devem-se juntar os cacos.
Pra quê?
Colar o que se partiu não é tê-lo de volta,
é só reformar.

Um copo quebrado, mesmo que se cole,
não é mais um copo:
é um copo quebrado colado.
Nunca mais apenas um copo.

Não, não vou colar cacos
Vou seguir em frente,
levo na memória o tempo que ele foi inteiro.

E sigo em frente:
num olhar mais atento, encontro,
encontro com certeza,
algo menos frágil.

domingo, 29 de maio de 2011

AO CAZÉ. 20 ANOS DE SAUDADES

Há exatos 20 anos, um cara "alegre e extrovertido" se foi. Eu e meus amigos de Paraty fomos marcados, cada um a seu modo, por esta tragédia.
É bem provável que muitos nem se lembrem desta data, mas o que realmente importa é que suas piadas, seu sorriso cativante e suas histórias engraçadas ainda estão vivas em nossos corações. Mesmo que de vez em quando bata uma saudade danada...
E na falta de palavras mais adequadas, recorro à música da Legião Urbana. Afinal, a Legião compôs todas as trilhas sonoras daquela turma de jovens, felizes, imortais. Até que bebida, direção e uma sucessão de erros se encontraram e levaram o Cazé embora da gente.




É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais

Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora...
Cedo demais!

Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer...

Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais...

Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou
Cedo demais

- Legião Urbana

quinta-feira, 26 de maio de 2011

NOTÍCIAS SOBRE MIM

Eu que que não senti frio no Inverno passado, não vi flores na Primavera passada e muito menos me bronzeei no Verão que acabou. Meus interesses eram outros e acho que consegui meu maior objetivo: deixei grande parte daquele meu orgulho besta pra trás, me desfiz de tralhas - materiais e em forma de pessoas, provei do meu veneno cruel. Olho pro espelho e vejo uma pessoa bem mais em paz; com o mundo e comigo mesma.
Hoje nem reclamo mais quando dá tudo errado, apenas vou vivendo. Não mudei muito, só o necessário para sorrir diante de uma flor ou da chuva que cai.

PARA NACÍLIA

Ando muito sem tempo de escrever, mas recebi um recadinho da Nacília e achei este texto do Xexeo bem apropriado para respondê-la. A ela e a todos que pensam "ué, a Aline sumiu!". 


oi Aline sou eu mais uma vezes Nacilia,todos os dias dou uma passadinha aqui pra ler seus post,tenho andado meio preocupa,vejo que pra nossa tristesa(seus seguidores) vc não tem postado.Espero que esteja tudo bem com você,que deus continue iluminando seu caminho.
Abraços de uma grande fã. 





"Cronistas escrevem para serem amados. Duvido que algum escreva para irritar o leitor. Para receber mensagens dizendo “como foi medíocre seu texto de hoje”. A gente gosta quando o e-mail, a carta, o encontro na rua termine com “Você escreveu exatamente o que eu pensava”, “Eu me identifiquei muito com o que você disse hoje”, “Como é que você teve essa ideia genial?”. 

No domingo passado, achei que tive uma boa ideia, uma ideia genial, e reproduzi, neste espaço, uma briga de casal que tinha captado na rua por meio de uma conversa no telefone celular. O que eu queria era, de uma maneira original, comentar o hábito cada vez mais frequente de as pessoas gritarem ao telefone conversas que deveriam ser particulares. 

Definitivamente, não agradei. O primeiro sinal veio de um comentário curto e grosso aqui no blog. “Achei sua crônica muito fraquinha.” Cheguei a pensar que ninguém mais teria tanto poder de síntese, mas só até ler o segundo comentário: “Fraquíssima!”. E, a partir daí, a coisa só desandou: “Qualquer criança faz um negócio melhor do que esse que você escreveu”. 

O meu domingo estava acabado, e o cronista que vos fala passou a sofrer aquilo que mais teme: a rejeição. “Utiliza-se um espaço no jornal pra isso?”, indagava um leitor. “O jornalismo brasileiro desde muito tempo tem carência de bons e verdadeiros cronistas”, alertava outro. 

“Xexéo já foi bem melhor”, disse um leitor (ex-leitor?) nostálgico. “Que coluna xexelenta!”, avaliou outro, bulindo com meu sobrenome. 

Parei de ler o que me chegava logo depois de tomar conhecimento da mais agressiva de todas as mensagens: “Você deve receber um ótimo salário. Mas escreve uma porcaria de crônica como esta, digna de quem realmente não tinha nada para escrever, praticamente um rascunho mal feito no banheiro e que nem para papel higiênico serve. Lamentável!” 

Antes de pensar seriamente em aposentadoria ou rascunhar um texto que pedisse desculpa aos leitores por ter sido tão ruim, encontrei uma nesga de carinho em um dos comentários (eu estava mentindo e, na verdade, continuei lendo as críticas): “Essa foi fraca. Digna de quem tinha prazo, mas não tinha ideia. Mas tenha certeza de que você acerta mais do que erra. Vou aguardar a próxima.” 

Bem, pelo menos mantive um leitor. Já estava acreditando que aqueles 17 que costumam me acompanhar tinham desistido. Ficou um para “aguardar a próxima”. Não é pouca coisa. 

Cronistas não gostam de ser rejeitados. Podem ser incompreendidos, mas fracos, fraquíssimos, nunca. O que poderia conter aquele texto sobre uma briga de casal que irritou tanto os leitores? Só tenho uma explicação. Continuo amado, como todo cronista acha que é. É que naquele domingo, naquele específico domingo, o leitor acordou de mau humor."





É isso aí, Nacília, está tudo bem, sim, só que não tenho tido muito assunto interessante nos últimos tempos. Beijos.