domingo, 22 de dezembro de 2013

COMPANHEIROS DE 2013

Atualização da lista de LIVROS LIDOS (EM 2013)

* Melancia - Marian Keys - jan
* Sushi - Marian Keys - -março
* A Senhora das Velas - Agnaldo Silva - abril
* Casório? - Marian Keys - abril
* O mundo de Sofia - NÃO TERMINEI PORQUE ACHEI CHAAAATO
* As cinco pessoas que você encontra no céu -Mitch Albom - maio
* Travessia - maio
* Mas ele diz que me ama - maio
* O manual do canalha - vários autores - maio
* O caçador de pipas - Khaled Hosseini - junho
* Gordas e gostosas - junho (enésima vez. Praticamente um livro de cabeçeira)
* Elite da Tropa - Luis E. Soares, o gostoso do Capitão Pimentel e Andre Oliveira - junho (li pela 2a vez)
* A menina que roubava livros - Markus Zusak- julho
* Meninas Inseparáveis - Lori Lansens - julho
* É agora ou nunca! - Marian Keys - agosto (li pela 2a vez)
* Olga - Fernando Morais - agosto
* Eu estou OK, Você está OK - agosto
* Hoje Acordei gorda - Stella Florence - agosto (enésima vez, devo admitir)
* A caixa preta - Amoz Oz - agosto/ setembro
* Mamãe, por que sou gorda? - outubro
* Correndo com tesouras - Outubro


LIVROS QUE QUERO LER:
* Na praia
* Muito longe de casa - Ishmael Beah
* O Anjo pornográfico - Ruy Castro
* Férias
* Vergonha dos pés - Fernanda Young

sábado, 12 de outubro de 2013

Minha oração a Nossa Senhora Aparecida

Nasci em Aparecida, no Estado de SP. Meu nascimento estava previsto para o dia 14 de Fevereiro, mas no dia 3 de Janeiro, mamãe começou a "sentir o bebê mexer muito" e foi levada ao médico que a acompanhava, em Guaratinguetá (o hospital de Paraty era - ainda é - um lixo). Pois bem, o médico naquele dia não estava na cidade. Naquele dia ele atendia em Aparecida. Foram meus pais, minha Dinda Marina e meu Tio Zé Luiz para lá. 40 dias antes do esperado, cheguei ao mundo. Todo nascimento é especial, é, por si, um milagre da vida. O meu, modéstia às favas, foi um bocadinho mais milagroso, pois foi na cidade onde fica o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Sou abençoada por ela, tenho absoluta certeza.
E hoje é o dia dedicado a ela, minha Mãezinha preta. Minha oração a ela é pessoal, informal e sucinta:
"Obrigada, Mãezinha" e "Mãezinha, me cubra com seu manto". Não é falta de respeito, é a informalidade que os próximos se permitem. E meu amor a Ela não precisa de rituais.
Hoje, 12 de Outubro de 2013, falarei o dia todo: Mãezinha, obrigada por todos os momentos que, mesmo sem pedir, você me cobriu com seu manto. Obrigada pela mãe que aqui na Terra toma conta de mim e cumpre o Seu papel. Obrigada porque eu tenho tudo aquilo que preciso para ser feliz. E obrigada, sobretudo, pelos momentos difíceis por que passo de vez em quando, porque são nestas horas que minha fé se renova e eu me entrego à sua proteção".

Aos mais formais, deixo aqui registrada também a "oração oficial". Que as benção da Virgem Maria possam abençoar a todos que leem este blog.


Senhora Aparecida, eu renovo, neste momento a minha consagração.Eu vos consagro os meus trabalhos, sofrimentos e alegrias, o meu corpo, a minha alma e toda a minha vida. Eu vos consagro a minha família! Ó Senhora Aparecida, livrai-nos de todo o mal, das doenças e do pecado. Abençoai as nossas famílias, os doentes, as criancinhas. Abençoai a Santa Igreja, o Papa e os bispos, os sacerdotes e ministros, religiosos e leigos. Abençoai a nossa paróquia, o nosso pároco. Senhora Aparecida, lembrai-vos que sois Padroeira poderosa da nossa Pátria! Abençoai o nosso governo. Abençoai, protegei, salvai o vosso Brasil! E dai-nos a vossa bênção.

terça-feira, 23 de julho de 2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

MEDO DE (A)MAR



Outro dia escrevi sobre o mar e o fascínio que ele exerce sobre mim. Aí a Lisa deixou um comentário falando de um filme, MAR ADENTRO . Na hora não me lembrei se já tinha visto, mas dias depois uma pessoa me fez lembrar do filme. Embora a condição seja parecida, felizmente o desejo dele não é igual ao do protagonista. Fiquei com as lembranças do filme, que vi há algum tempo, o fato de a Lisa tê-lo mencionado, enfim, um monte de assunto martelando na cabeça. SÃO TANTOS OS MISTÉRIOS DESSA VIDA, né?


A Lisa falou também que tem medo de morrer afogada e por isso prefere contemplar o mar de longe. Outra curiosidade: desde criancinha eu tinha um pesadelo que envolvia o mar. Um pesadelo recorrente, daqueles que Freud deve explicar direitinho. Eram ondas e mais ondas destruindo a praia em que eu estava com minha família ou amigos.

Um dia, estava numa locadora com um namorado e apontei para um DVD, Mar em fúria. Ele fez uma cara séria e falou "esse não".

Filminho, pipoca, vinho e uns beijinhos depois, ele disse que queria me falar uma coisa. Disse que desde criança tinha pesadelos horríveis com ondas gigantes que destruíam a praia onde ele estava. Pra ele foi uma confissão, um desabafo, já que nunca falara sobre isso com ninguém (e só estava me falando porque só de olhar para a capa do DVD ele se lembrou da sensação de medo que sentia quando tinha os tais sonhos). Pra mim foi uma baita surpresa, afinal, eu também tinha isso e detalhamos um para o outro o cenário e a sensação.

Demos risada, pois geralmente os casais constroem os sonhos juntos. Com a gente foi diferente: a gente compartilhava um pesadelo, desde a infância.

A carinha linda dele ficou ainda mais espantada quando expliquei como dei fim àquela sensação chata: fui ver o filme Mar em fúria, pois sabia que ia ter muita onda gigante, muita tempestade. Ou eu não aguentaria e sairia no primeiro relâmpago, ou ficaria "curada". Me chamou de louca, claro. Quando o filme estava em cartaz, o "namorido" também me achou louca, pois era testemunha das inúmeras noites em que eu acordava falando "aquele pesadelo de novo".

Bem, pra resumir a história, foi uma terapia de choque mas deu resultado.

Hoje em dia tenho medo da violência, medo de que aconteça algo ruim com aqueles que amo, enfim, medos "normais". Tenho também um pouquinho de amar e não ser amada. Medo do mar? Nem em sonho eu tolero.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

SOBRE FINGIMENTOS E MACHISMOS

Amiga,

tenho imenso respeito por você, mas fiquei meio chocada com aquele seu papo de ontem. Quanto machismo, menina moderna e carioca! Jura que você acredita que toda mulher tem de se fazer de frágil e dependente para manter um homem ao lado? Você acha fácil deixar de ter opinião própria e jogar as responsabilidades na mão dele?
Dessa vez eu não vou seguir seu conselho. Imagine você, logo eu que vivo te perguntando as coisas! Mas desta vez não vai dar. Pra mim, cada pessoa tem um dom diferente: umas gostam de matemática, outras adoram trabalhar com vendas, outras preferem trabalhar sozinhas. Umas optam por viver sob as asas dos pais, outras querem ganhar o mundo. Vovô Gouvêa dizia sempre: existe muita qualidade de gente por aí.
Ouvindo você defender com tanto afinco sua vida de esposa-mãe-dona de casa, percebi que seus conselhos são muito bons, mas para quem pretende ter filhos e viver da mesada do marido. Não é meu caso, já que tenho carteira assinada e diploma.
Ser esposa exemplar ou ter uma profissão não é mérito e nem demérito, é apenas questão de escolhas. E há de se respeitá-las, pois toda escolha demanda em consequências e cobra um preço. Você sabe disso. Eu também pago um preço por não ter sido uma esposa mais dedicada. É que aquilo não era pra mim e não consegui fingir mais do que 3 dias. Por mais que eu quisesse tentar, não dava pra esconder minhas frustrações. Eu sempre fui assim, minhas infelicidades sempre foram sardas em minha pele branca.
Ontem, mesmo que eu não falasse nada, você perceberia minha fisionomia de horror enquanto você provava, quase cientificamente, que o homem gosta de mulher submissa e fútil. Mulher que pensa, segundo sua teoria, dá trabalho demais e assusta os homens.
Amiga, tive uma vontade louca de te matar. Ou de me matar, porque naquela hora tive certeza de que vou morrer sem nunca mais ouvir um homem dizer que me ama.
Em relação àquele comentário sobre mim, tenho uma correção a fazer: não preciso fazer de conta, deixar o homem achar que sou frágil. Sabe por quê? Porque sou mesmo a pessoa mais frágil do mundo. E se você fosse um dos homens com quem me relacionei, veria que isso assusta muito mais do a tendência a ser indepedente que já nasceu comigo. Você ficaria espantada em saber como minhas fragilidades e carências são infinitas. Curiosamente elas não me fazem acreditar que minha felicidade está na mão do outro.
Não dá pra julgar nossas escolhas ou objetivos, por isso me sinto obrigada a repetir TENHO IMENSO RESPEITO POR VOCÊ. Mesmo estando ainda meio atordoada por ver tanto machismo no seu estilo de vida, que eu considerava o melhor way of life do mundo.
Nunca, nem naquele momento extremamente delicado que passei uns 5 anos atrás, me envolvi com um cara só para falar "o meu namorado". Não sei se isso é graças ao meu medo de homens machistas ou à terapia. Só sei que sempre evitei homens que preferiam meus peitos às minhas conversas. Claro que adoro que meu homem me ache gostosa, mas ele também tem que me admirar. Não viveria bem com um cara que pensasse que sou tão fragilzinha a ponto de não saber tomar decisões. Odeio quem me subestima.
Fico curiosa: você vive numa boa assim? Não lhe parece meio constrangedor saber que seu marido não confia no seu intelecto? E, mais importante, não rola uma dose de culpa por ser mais um dos ítens com que ele precisa se preocupar?
Eu tenho um grande medo de ser um motivo a mais de preocupação para meu companheiro. Talvez fale sobre isso na terapia hoje à noite.
Outra correção a meu respeito: não estou por aí beijando várias bocas procurando o cara certo. Estou, sim, disponível para viver uma paixão. Acredite: eu procuro um grande amor. Marido já tive.

1 beijo imenso da sua amiga,

domingo, 30 de junho de 2013

Já no clima da FLIP


Nem literatura é coisa para intelectual e nem a Flip é só para adultos.
Flipinha é destinada aos leitores mirins e tem uma programação "de gente grande". 
E esta foto ilustra direitinho o astral da festa dos pequenos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O QUE TE FAZ FELIZ?


Eu não preciso de muitas coisas pra ser feliz. Não que eu seja daquelas criaturas iluminadas que se contentem com "uma casinha, um cachorro, um jardim e um amor pra dormir juntinho". Eu preciso de bem mais do que isso, claro. Mas minhas necessidades são pequenas, poucas, furtivas.

Um final de tarde na Lagoa me faz feliz pra sempre. Um dia sem compromissos, ouvindo "Onde brilhem os olhos seus" é um dia feliz pra mim. Horas conversando com minhas amigas, bebendo um chopinho ou uma coca light me embriaga de tanta felicidade.

Já fui mais exigente. Já desejei conhecer o mundo inteiro, sair todos os sábados à noite, dançar até as pernas doerem. Já quis viver um grande amor, já quis viver para sempre ao lado do meu grande amor. Ai... como eu já quis coisas que me pareciam ser o auge da felicidade.

Hoje gosto de tranquilidade, de um bom livro e, claro, uns beijinhos dados por alguém que saiba me beijar. Sim, porque apesar de mais modesta, não fiquei menos exigente: beijo de quem não sabe beijar do jeito que eu gosto não entra na lista daquilo que me faz feliz.

Quando eu queria tudo, geralmente conseguia. Mas continuava com aquela sensação de que faltava alguma coisa: faltava o sol mais quente no final de semana na praia. Faltava uma lareira no chalé na serra. Faltava o vinho pra combinar com aquele prato.

Todas essas faltas me faziam sentir um vazio, um vazio tão grande que não me deixava curtir todo o resto.

Tive um namorado que me amava tanto e fazia coisinhas tão fofas pra me agradar: bilhetinhos escondidos na minha bolsa. Chocolate ao leite na mesa do escritório. Eram tantos os agrados, os mimos que eu até me sentia feliz. Mas eu tinha sempre a impressão de que faltava alguma coisa. Então, aquele amor todo que ele tinha por mim acabava me deixando meio triste.

Várias vezes quando saía de férias, eu me pegava pensando: mas é só isso? Era uma parada incompreensível, porque eu passava meses escolhendo o roteiro da viagem, os programas que não podia perder de jeito nenhum, levava as roupas mais transadas do meu já transado guarda-roupa. Mas a pergunta insatisfeita sempre me pegava de surpresa: mas é só isso?

Quando recebi o diploma da Cultura Inglesa, um dos grandes objetivos que almejei conseguir antes dos 25 anos (eu tenho essa mania de traçar metas "antes de tal coisa". Me formei na Cultura aos 22), pensei "o que tem demais nisso?". Minhas conquistas pareciam aquela música do Raul Seixas : mas foi tão fácil conseguir e eu me pergunto e agora e daí?

Olha, não pense que eu era aquela eterna insatisfeita que não vê graça em nada. Eu só queria mais. Mais do que aquilo, mais do que a vitória do momento.

Sei lá como, acho que foi aos poucos, entendi que vitórias não são necessariamente passaporte para a felicidade. E, contraditoriamente, passei a achar o máximo realizar sonhos. Embora seja muito fácil realizar um sonho, me peguei valorizando pra caramba cada uma de minhas conquistas.

Ainda tenho sonhos pra caramba pra realizar, mas saí daquela paranoia de que só seria feliz quando todos eles estivessem ali, concretinhos, palpáveis. Passei a admirar o processo que envolve a realização de um grande desejo.

Embora não seja uma pessoa de alma zen, hoje sou muito mais calma. Nossa! Isso foi uma grande mentira: calma, eu? Não engano ninguém,né? Mas estou menos ansiosa em busca dos meus objetivos. Até porque não faço a menor ideia do que eu quero, não sei qual caminho quero seguir.

E, ironia das ironias, essa minha minha falta de rota me faz ver o mundo de um jeito mais gostoso. Mais simples.

Se antes eu achava que faltava algo em tudo o que fazia, hoje vejo muito mais graça e alegria no dia a dia: terminar uma aula de corrida me faz feliz. Fazer toda minha série de musculação me faz feliz. E é uma felicidade interna, daquelas que quase me completam o vazio que nasceu comigo.

Tenho umas felicidades engraçadas, quase esquisitas. Sou a pessoa mais feliz do mundo quando a Liv vem se aconchegando no meu colo e fala "coinho da Dida é bom...". Ou então quando a Lara me acorda cedo, deita ao meu lado e fala "acorda Dinda, acorda. Faz meu Toddy". Bem, com não virei santa, invariavelmente quando ela me acorda eu to mal humorada e falo "sai daqui". Mas aí ela me olha nos olhos e ... Lá vou eu fazer a mamadeira da afilhada sentindo que nunca vai haver coisa que me faça mais feliz. E enquanto esquento o leite, penso que o vazio que existiu sempre em mim era o espaço certinho para caber a Liv e a Lara.

E assim começo um dia feliz, com o coração preenchido, e com a certeza de não preciso muito mais do que meus livros, meus cds, minhas amigas de verdade e minhas sobrinhas para ser tão verdadeiramente feliz.


PS: Colo de mãe e de pai não entra na lista, afinal, é hour concurs no quesito É DISSO QUE PRECISO PRA SER COMPLETA.

terça-feira, 30 de abril de 2013

DE PROPÓSITO. SÓ DE SACANAGEM. SÓ PRA CONTRARIAR

Outro dia uma amiga minha falou de como é importante - diria vital - a gente ser teimosa e, em vez de dizer simplesmente "é o destino", a gente ir lá e fazer o que tem que ser feito.
É muito cômodo cruzarmos os braços, fazer cara de coitadinha e dizer "não tenho sorte". Ok, eu sei que quebro a cara com um monte de coisa que faço, que não concretizei metade de meus sonhos. Mas eu tento. E assim consegui um monte de coisa que nem imaginava. Fiz e tenho coisas que nunca me passaram pela cabeça, mas que hoje me preenchem e me dão ainda mais vontade e coragem de chegar aonde eu já desejei, de conquistar aquilo que sonho desde sempre.
E quando tudo dá errado, em vez de me lamentar, reclamar com Deus ou dizer "não era pra ser", eu digo pra mim mesma "Vou conseguir de propósito".
E é isso que tenho feito. Se estou meio tristinha, sem vontade de sair, mas é sábado à noite, pego o telefone, ligo pra minha amiga e falo "Vamos, né? Hoje vamos sair de propósito, só pra contrariar".
Olha, renderiam mil histórias (legais, engraçadas, tragicômicas) aqui no blog os desfechos dessa nossa teimosia em ser feliz, desses dias em que a gente sai só pra sacanear a vontade de ficar em casa, vendo TV.

domingo, 31 de março de 2013

PERSONAGENS

Parei de sentir dor por um tempo e minha vida ficou cinza, árida. Fiquei um tempo sem perceber um monte de coisa da vida e fazia isso consciente. Eu tinha (e tenho e vou ter sempre!) um grande medo de sofrer. E pra não sofrer, eu parei de querer ver sentido em tudo.
Mas aí vieram aqueles fantasmas de sempre, o romantismo descarado e sem talento pra ficar na dele: voltei a pensar, a questionar e aí fodeu de vez. Meu grande inimigo mora em mim. Uns chamam de vocação, dom, talento. Eu chamo de fodição. Eu odeio saber escrever, saber pensar, saber sentir o mundo todo desse jeito que eu sinto.
Eu odeio saber como transformar uma quase-tragédia num texto engraçadinho só pra não dizer que sou uma azarada e tudo na minha vida chega de um jeito, digamos, mais difícil. Se pudesse escolher, não floreava minha dor e nem a tranformava numa historinha bonitinha.
Já tentei fugir dessa mania que nasceu comigo de pensar minha história com olhos de quem está de fora e fazer de mim mesma uma personagem mais legal, mais interessante. Só que manias são mais fortes do que eu. Meus vícios são mais fortes do que eu e quando fico muito tempo sem escrever, fico chata.
Eu não gosto de escrever, acredite você ou não. Eu preciso escrever. É diferente, não acha? E não escrevo pra ninguém ler, não. Escrevo pra me aturar, porque eu mesma não me aturo.
Desde que assumi que meu coração não pode viver vazio, passei a sentir mais. E isso faz acender a luzinha vermelha: CUIDADO, SOFRIMENTO A VISTA.
Tenho medo desse sofrimento que pode embarcar em qualquer estação. Tenho medo do sofrimento que se sentou ao meu lado. E tenho medo, muito medo, de pensar no sofrimento disfarçado, que está logo ali.
Ouço de vez em quando "você é corajosa, se expõe tanto. Não tem medo?". Tenho, tenho medo de tudo. E mais ainda de me confundir com as personagens. Pensando bem, melhor que seja assim, porque meu maior medo é o de perceber que minha vida é chata, entediante. Por isso nas minhas estórias serei sempre a personagem que vive todas as emoções. E que fica com o mocinho no final.

sábado, 30 de março de 2013

A DONA DA BOLA




NÃO POSTEI ESTAS FOTOS PARA ESCREVER SOBRE ISSO OU AQUILO. O MOTIVO É UM SÓ: ESTOU ME SENTINDO FEIA. ENTÃO, EM VEZ DE OLHAR PARA O ESPELHO, OLHO PRA TELA DO COMPUTADOR. 
O BOM DE SER DONA DE BLOG É ISSO: FAÇO O QUE EU QUERO. E HOJE EU QUERO ME VER BONITA.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Qualquer Lua

Por motivos desconhecidos, eu adoro a Lua.
É um baita clichê e certamente meu lado metido a fashion e vanguarda torce o nariz para meu hábito de olhar pro céu "só pra ver como a Lua tá hoje". Faço isso quase todas as noites.
Detesto essas coisas melosas que, de tanto ser romântico, vira brega.
Não tem nada de original gostar da Lua e eu adoro ser original. Que mico! Acabei aqui, escrevendo sobre o que qualquer um escreveria.
Mas o que eu posso fazer se uma Lua, seja qual for, me hipnotiza?
Já tentei entender o porquê disso: me lembro de algo? de alguém? Não, não me vem nenhuma memória especial à mente quando vejo a Lua.
Sendo bem honesta, só sei distinguir a Lua Cheia das demais e nunca tive paciência para aprender qual é a Nova, a Minguante ou a Crescente.
Um dia li um poema do Manuel Bandeira e desisti que encontrar sentido para o poder que este satélite tem sobre mim. Bandeira não era de ficar enfeitando as coisas, adoçando o que não tem doce.
Eu tinha uns 14 ou 15 anos e lembro que achei a coisa mais linda do mundo ele descrevê-la como "demissionária de atribuições românticas". No alvo!
Uma Lua sem frescura. Era essa a Lua que eu queria. É essa que me fascina porque adoro não precisar de explicações. Adoro os verbos intransitivos. Meus sentimentos são intransitivos.
Desde então, passei só a curtir o efeito da Lua em mim. Não quero explicações de onde vem essa atração, esse fascínio.
E mesmo que, num ataque de cafonice, eu já tenha quase morrido de nostalgia olhando da minha janela a Lua mais bonita do mundo, pra mim ela nunca é triste. Ela é só a Lua, minha grande paixão.

"(...)Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite."

- Manuel Bandeira

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SOBRE EXIGÊNCIAS, PREGUIÇAS E O QUE NÃO SEI FAZER.


Li uma crônica da Martha Medeiros sobre o livro do Francisco Bosco, Banalogias. Entre outros comentários, um me chamou atenção. No livro, o filho do João Bosco fala de como uma dança pode perder toda a leveza e o prazer por causa das exigências: o cavalheiro tem de conduzir a dama, ambos tem de pensar no próximo passo e estar atentos ao ritmo. Caramba! É muita coisa pra pensar enquanto se quer só se divertir.
Eu, que sou a falta de ritmo em pessoa, sempre me recusei a fazer aulas de dança. Adoro dançar, embora não saiba fazê-lo. Eu mexo o corpo, sinto o ritmo da música, e pra mim isto é dançar. Se não com o corpo, pelo menos com a alma, que é onde a música me toca. Danem-se minhas saídas do ritmo ou a falta de um passo bonito. Dançar me faz sentir livre e vamos combinar que não dá pra ser livre pensando se a coreografia está certa, se acertei o passo, se quem me olha tá achando bonito.
Já perdemos tanto de nossa espontaneidade no dia a dia, será que não dá pra esquecer regras na hora de dançar? Bem, eu esqueço (de propósito) regras a toda hora. E isso me dá um prazer danado. Claro que não sou nenhuma irresponsável que avança o sinal vermelho ou que fura fila. Isso não é deixar as regras de lado, é ser educado, gentil. Depois da liberdade, uma das coisas que mais gosto é de gentilezas. Mas como tava falando, adoro esquecer regras, principalmente aquelas que me fazem parecer ser outra pessoa. Não gosto quando uma pessoa se contrai tanto que eu acabo pensando que ela é de um jeito tão diferente do que é.
Eu sou o avesso de um monte de coisa e juro que não é de propósito. Talvez seja até por preguiça. Tenho preguiça de ser a melhor em tudo, tenho preguiça de ser organizadinha, tenho preguiça de ser intelectual. Tenho horror de pessoas boas em tudo, daquelas que se sentavam na 1ª carteira da classe, que tiravam 10 em todas as matérias e nunca esqueciam o material em casa. Pra dar uma noção de como não fui uma aluna aplicada, tinha uma época que eu não tinha nem mochila: guardava meu material na mochila do meu primo. Lápis eu nunca tive mesmo, aliás, nem lápis, nem borracha e quase nunca caneta. Pedia emprestado e juro que todos os dias ouvia um sermão de um ou outro colega "A Aline nunca tem nada". E olha que meu pai tinha papelaria, hein? Eu tinha tudo, mas deixava em casa. Por quê? Porque eu escrevia pra caramba antes de dormir. Escrevia que nem escrevo aqui, só que na época era no caderno. Aí, na manhã seguinte, esquecia de juntar o material.
Eu ria quando via aquelas meninas com estojos cheios de lapiseiras, canetas coloridas, borrachas perfumadas, réguas, liquid paper. Gente, quando escrevia algo errado eu riscava a palavra. Liquid paper era o fim da picada, atestado de organização máxima, daquela que lá pelos 40 anos vira TOC.
Sou preguiçosa e desorganizada para aprender a dançar, para aprender a cozinhar pratos especiais e muito mais para seguir modismos e fazer o que dizem que é fashion. Das imposições de fora, a única que me contaminou foi a mania de querer ser magra. As outras não tem a menor chance comigo. Sabe por quê? Porque eu gosto de desperdiçar tempo livre, gosto de não ler o livro que é Best seller , gosto até de não saber dançar como dizem que é o certo. Porque nem sempre o certo faz bem, muitas vezes é o errado que dá mais prazer.