terça-feira, 9 de julho de 2013

MEDO DE (A)MAR



Outro dia escrevi sobre o mar e o fascínio que ele exerce sobre mim. Aí a Lisa deixou um comentário falando de um filme, MAR ADENTRO . Na hora não me lembrei se já tinha visto, mas dias depois uma pessoa me fez lembrar do filme. Embora a condição seja parecida, felizmente o desejo dele não é igual ao do protagonista. Fiquei com as lembranças do filme, que vi há algum tempo, o fato de a Lisa tê-lo mencionado, enfim, um monte de assunto martelando na cabeça. SÃO TANTOS OS MISTÉRIOS DESSA VIDA, né?


A Lisa falou também que tem medo de morrer afogada e por isso prefere contemplar o mar de longe. Outra curiosidade: desde criancinha eu tinha um pesadelo que envolvia o mar. Um pesadelo recorrente, daqueles que Freud deve explicar direitinho. Eram ondas e mais ondas destruindo a praia em que eu estava com minha família ou amigos.

Um dia, estava numa locadora com um namorado e apontei para um DVD, Mar em fúria. Ele fez uma cara séria e falou "esse não".

Filminho, pipoca, vinho e uns beijinhos depois, ele disse que queria me falar uma coisa. Disse que desde criança tinha pesadelos horríveis com ondas gigantes que destruíam a praia onde ele estava. Pra ele foi uma confissão, um desabafo, já que nunca falara sobre isso com ninguém (e só estava me falando porque só de olhar para a capa do DVD ele se lembrou da sensação de medo que sentia quando tinha os tais sonhos). Pra mim foi uma baita surpresa, afinal, eu também tinha isso e detalhamos um para o outro o cenário e a sensação.

Demos risada, pois geralmente os casais constroem os sonhos juntos. Com a gente foi diferente: a gente compartilhava um pesadelo, desde a infância.

A carinha linda dele ficou ainda mais espantada quando expliquei como dei fim àquela sensação chata: fui ver o filme Mar em fúria, pois sabia que ia ter muita onda gigante, muita tempestade. Ou eu não aguentaria e sairia no primeiro relâmpago, ou ficaria "curada". Me chamou de louca, claro. Quando o filme estava em cartaz, o "namorido" também me achou louca, pois era testemunha das inúmeras noites em que eu acordava falando "aquele pesadelo de novo".

Bem, pra resumir a história, foi uma terapia de choque mas deu resultado.

Hoje em dia tenho medo da violência, medo de que aconteça algo ruim com aqueles que amo, enfim, medos "normais". Tenho também um pouquinho de amar e não ser amada. Medo do mar? Nem em sonho eu tolero.