sábado, 26 de março de 2016

Meu pai ainda é o meu sol

(...)
Você é meu sol
Um metro e sessenta de cinco
De sol
E quase o ano inteiro
Os dias foram noites
Noites para mim...

Meu sorriso se foi
Minha canção também
Eu jurei por Deus
Não morrer por amor
E continuar a viver...

(...)

- Girassol, Ira! 


sábado, 26 de dezembro de 2015

Meu presente de Natal


Eu acho o Natal meio chato. Na verdade, acho um saco. Só é um pouquinho legal quando a gente faz amigo-oculto lá em casa. Aí, sim eu gosto.

Só que ninguém gosta de tirar meu nome. Mas, pelo que dizem, não é nada pessoal, não: é que, segundo a lenda, eu tenho tudo e é muito difícil escolher um presente pra mim.

Quando me perguntam o que quero ganhar, respondo "me dá qualquer coisa". Mas a verdade é que sou mesmo chata e nem sempre gosto de ganhar ''qualquer coisa". Bem, sou chata mas não sou insensível,né? O "qualquer coisa" que eu quero dizer é um presente escolhido com carinho.Pra mim, qualquer presente dado com carinho é o melhor do mundo. Mas a verdade é que todo ano a espinha da galera se arrepia só de pensar que pode tirar meu nome no amigo-oculto.

Fazia tanto tempo que eu não ganhava um presente, digo um presente especial. Um presente cuja vontade de me presentear fosse muito maior do que o valor dele em si.

Este ano eu ganhei. E foi o presente mais bonito do mundo. Do jeito que eu adoro: dado com carinho e cheio de ritual.

Ritual de amigo-oculto é aquele pra lá de batido: a pessoa começa a falar sobre a pessoa sorteada... "O meu amigo-oculto é isso, é aquilo...".
Foi assim que ganhei meu presente. O melhor do mundo.

"Meu amigo oculto é a pessoa mais importante da minha vida. Meu amigo oculto é o amor da minha vida: a minha filha Aline". Com essas palavras, meu pai me entregou uma caixa com um sabonete líquido e um creme hidratante. Só que eu nem olhei direito para a caixa. Eu só consegui sentir a eternidade daquele momento. Logo eu, que quero que o tempo passe logo porque acho que tudo é um saco, e o minuto seguinte será melhor e menos tedioso. Naqueles minutos eternos, achei o Natal a data mais bonita do mundo. Naqueles minutinhos o mundo ficou mais leve, mais colorido.

Se ficou mesmo, não sei. Deve ter ficado, mas pra falar a verdade, não prestei muita atenção. Eu só consegui pensar que aquele era o melhor presente do mundo. O mais precioso que eu ganhei na vida inteira.

A tal lenda não é lenda: eu realmente tenho tudo.



                                                         (Este texto foi publicado originalmente em dezembro de 2008. Ontem foi o Natal de 2015 e foi o 1o Natal sem ele, meu pai, meu grande amor. Se eu já não gostava de Natais, agora então... 
Mas este ano fiz questão de estar junto de pessoas queridas. Falei "Feliz Natal" como havia muito não falava, falei com a alma, sabe?  Fui para a ceia da "Grande Família", ou melhor, para a casa do Osmar, sogro da minha irmã.
É uma família especial, daquelas que a gente tem certeza de que não colocou no nosso caminho a toa. E eu realmente não sei o que teria sido de mim, da minha mãe e da minha irmã sem eles durante nosso "Tsunami emocional".  Finalmente consegui abraçar cada um deles e falar o "obrigada" que eu tanto queria, pelo tanto que eles fizeram pela Gi, pelas meninas, pelo Érick, pela minha mãe e também por mim. Osmar, tia Léia e seu exército, seus gladiadores (filhos, noras, genro, netos e agregados), que tanto lutaram pela vida da Gi e do Érick; que amenizaram minha dor; que nos acolheram. 
Perder meu pai me transformou de tal forma que jamais serei inteira novamente. Mas essa transformação se deu tanto de uma maneira negativa (meu sorriso não será nunca mais completo) quanto de um jeito positivo: nunca, mas nunca mais mesmo verei as coisas sob apenas um ângulo. Sofrer essa dor e estar junto àquela família me fez enxergar que eu não sou nada, que  minha vida não vale absolutamente nada, se eu não puder, da maneira que for, ajudar alguém. 
Afinal, de Simões, Mattos e louco, felizmente, os bons sempre têm um pouco.).

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Otimismo x Esperança - Rubens Alves



"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto de otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: e no meio do inverno eu descobri um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural.
Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos (...): morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança..."

Trecho da crônica o Otimismo e a esperança, de Rubens Alves, publicado no livro Conserto Para Corpo e Alma.
Leia mais sobre o autor aqui

domingo, 24 de maio de 2015

Sobre olhares, saudades e meu velho

Esta é uma das fotos mais bonitas que já fiz: o registro da troca de olhares entre neta e avô. Neta que já era apaixonada sem ao menos ter idade para entender o que é amar. Avô que revivia, através das netas, a infância feliz que proporcionou às filhas com o incrível amor que sempre sentiu e demonstrou por elas.

Esse aí é meu pai: calado, cúmplice, afetuoso. Essa bebê é a Liv. Mas podia ser a Gi, a Lara, minha mãe ou eu... porque era desse jeito que ele, enxergando pouco, olhava para nós, as mulheres da sua vida. 


Sob seu olhar, aprendi a fazer embaixadinha, amar o Flamengo e pilotar motos. Nossos domingos eram de música "de velho": Althemar Dutra, Roberto Carlos, Luis Ayrão e Julio Iglesias. Quando ele colocava Nelson Gonçalves, eu saía de perto porque "Naquela Mesa" me fazia chorar: eu sempre tive medo de meu pai morrer. 


Em nossa despedida, cantei baixinho em seu ouvido a música "Meu querido, meu velho, meu amigo". Sempre que tocava essa música, a gente parava o que estava fazendo e dançava na sala. Fizemos isso tantas vezes e a última foi em fevereiro, uns 20 dias antes de tudo acontecer: 
Eu já te falei de tudo/ Mas tudo isso é pouco/ Diante do que sinto...

Ele gostava que eu o chamasse assim: meu velho. Claro que o "paiê" era campeão, mas se eu o quisesse deixar todo bobo, era só falar "Ô, meu velho!"


É, meu velho, que porra foi essa que aconteceu com nossa família? (Ih! Essa era a hora que ele me olhava torto: quando eu falava palavrão).Fomos devastados por um Tsunami emocional. Puta que pariu, como eu sinto sua falta! Como eu tenho sofrido de saudade. 


Pela primeira vez na vida, conheci a solidão. Você me fazia companhia mesmo quando estávamos longe: bastava um telefonema para ouvir "filha, estava pensando em você". 

Ainda evitamos, aqui em casa, falar muito sobre o acidente, mas quando é inevitável, digo que você está em paz, que D´us sabe o que faz e aquele monte de blá blá blá que se tornou meu discurso-armadura. Repito esse discurso várias vezes ao dia - não sei se é para me convencer ou para não chorar na frente deles. Temos feito isso direto: ninguém chora na frente do outro, que é pra não fazer o outro sofrer ainda mais. Acho que aprendemos isso com você: camuflar a dor.  

Pai, eu sei que a vida estava difícil para você: sua vista, os tios Betinho e Claudinho... Mas lembra de um cartão antigo no qual escrevi 
"Se mil vidas eu tivesse, mil vidas eu daria"?, então,pai, se eu pudesse, sofreria todas as suas dores, só para ver você sorrindo.   

Sua ausência parece queimadura na pele. Tenho dificuldade em olhar para a frente e lembrar que agora estou num mundo que não tem você. É estranho não ser mais filha - eu não estava preparada para virar adulta. Mas eu sou teimosa e vou ser sempre, sempre, sempre, a sua filhinha. Sua filhinha amada e queridinha. Seu colo ainda é meu lugar preferido. E toda vez que o mundo estiver muito complicado, vou lembrar de seu olhar, que diz tanto.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

O meu pai


Há 1 mês o grande amor da minha vida foi embora deste mundo físico.

E eu, que sou feita de ossos e Cléber; de órgãos e Cléber; de células e Cléber; de sentimentos e Cléber, jamais serei inteira novamente.

Mas por tanto amor que dele recebi, estou de pé ajudando na recuperação de minha irmã e de meu cunhado e dando força à minha mãe e minhas sobrinhas.

Ele foi o melhor pai do mundo. Eu fui a melhor filha que um pai pode querer ter: jamais dei motivo de preocupação, dizia sempre "eu te amo, velho" e não houve uma única pendência entre nós dois. 


Fomos pai e filha, no mais belo e profundo significado desta relação.

Eu acho que todo mundo merecia ter um pai tão maravilhoso como o meu.