sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Recaída

Queria muito saber quem foi a imbecil que teve a (maldita) ideia de queimar soutiens e entrar numas de que as mulheres tem de ter os mesmos direitos (e deveres!) que os homens.
Pois eu acho que foi uma palhaçada isso, viu? Tava tudo indo tão bem: a mulher, desde a época das cavernas, ficava em casa, cuidando das crianças, numa boa, enquanto o homem saía pra trazer comida. Durante séculos, pouca coisa mudou: a mulher continuava em casa, cuidando das crianças e o homem trazia a grana e a comida.
Pra que essa palhaçada de direitos iguais? Po! que saco!
Aposto que a mulherada que sonha em ser independente nunca passou pelo trauma que eu andei vivendo nos últimos dias.
Minha máquina de lavar parou de funcionar e tentei chamar 3 técnicos pra consertá-la. Todos os 3 marcaram hora e não apareceram. E minha casa foi sendo inundada por roupas e mais roupas sujas. Roupa de banho. Roupa de ginástica. Roupa de cama. Roupa de todos os tipos.
Ontem, finalmente, apareceu um técnico aqui. Sábado, 9 horas da madrugada e eu aqui esperando pelo meu salvador. E salvador de verdade: em dois minutos descobriu que o "problema" era um fio desconectado. Sim, eu estava havia 1 mês e meio soterrada de roupa suja por causa de 1 fio... Tenho certeza de que se houvesse um homem aqui nesta casa ele já teria descoberto isso.
Mas não! Aqui nesta casa só tem uma mulher que ganha o próprio salário, paga as contas, faz as compras do supermercado, tem que encontrar tempo pra fazer depilação, escova definitiva e manicure. Vamos combinar que é muita coisa pra uma pessoa só, né? E vamos ser honestas: se tiver que escolher dentre estas funcões, você também optaria pelas mais importantes: aquelas que se fazem dentro de um salão. Mulher é pra isso.
Se possível fosse, anunciaria nos classificados "Troco de vida com você que tem um homem dentro de casa".
É isso aí: tô abrindo mão de décadas de blablablá feministas e tô disposta a virar uma frágil mulherzinha com um homem ao lado. Um homem que saiba consertar máquina de lavar, instalar ar-condicionado e filtro da Polishop.
Avisa aí pros seus amigos que tem uma mulher aqui (gostosinha, por sinal) super a fim de viver à sombra dele. Porque eu tô a fim é de sossego. Danem-se as feministas, direitos conquistados e outros "bulshits" da vida: eu quero um homem pra instalar meu filtro da Polishop já.
E também não quero nunca mais ter que descer às 10 da noite pra comprar água mineral.

PS: Se ele não souber consertar máquina de lavar, não tem problema, pois anotei o telefone do técnico que descobre graves problemas de fios desconectados.

PS2: Ele também não precisa saber instalar ar-condicionado, pois o amigo do técnico sabe e já tô com o telefone dele aqui.

PS3: Acabei de dar uma lida no manual do filtro e parecer ser fácil de instalar.

Gente, esquece tudo! Só quero um homem para as coisas de sempre mesmo.

PRA MÔNICA, DE NOVO, COM CARINHO

Hoje é aniversário da querida Mônica, uma blogueira fofa e por quem tenho um carinho imenso.
Moniquinha, viu que dia lindo tá fazendo hoje? É porque você é um Sol na vida de muita gente.
Milhões de beijos.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Saudades e sumiços

Faz tempo que não te ligo, né? Não, não é falta de interesse. Você me conhece bem demais pra eu mentir assim, na cara dura. Sabe o que é? Um amigo passou uma tarde de domingo inteirinha me consolando, fazendo carinho na minha auto-estima que estava em frangalhos. Por sua causa, desnecessário dizer.
Então, num dos 332 conselhos que ele me deu, um foi este: suma por um tempo. "Como assim? Cê tá maluco? Acha que eu aguento mais de 1 dia sem falar com ele?". E aí veio a (longa) explicação. É isso aí: você não aguenta ficar mais de um dia, mulher. Você não dá tempo pra ele sentir saudade de você.
Caraca! Foi profunda essa, hein? E ainda completou: já pensou que ele pode não aguentar receber mais notícias suas? Chorei nessa hora. Imaginar que você não tá nem aí pro monte de coisa que eu tenho todo dia pra contar me doeu. Aí aproveitei que já tava triste mesmo e chorei feito, feito... feito eu choro quando tô triste.
E por isso dei um tempo daquela pegação no seu pé. E sumi.
Sumi porque não há futuro em nós dois.
Sumi porque não há nada mais que eu possa fazer: não saberia reconquistar você. Pode me chamar de medrosa, mas prefiro sumir a ouvir aquela frase que mata só de pensar "Conheci uma pessoa...". Não! Não fale isso, é só o que peço.
Não sumi por ter a auto-estima baixa e nem por coisas do gênero. Sumi para ter só lembranças boas de nós dois. A saudade talvez faça mais por nós dois. Separadamente.

domingo, 25 de outubro de 2009

FALA LOGO

Você saiu há 15 minutos daqui e eu já estou com aquela coisa de saudade que você sempre deixa em mim. E mais um dia não consegui falar o que tenho que falar pra você. Não sei se vou conseguir, mas vou me esforçar muito, pode ter certeza. Vou me esforçar tanto que vai ter que ser da próxima vez que a gente se encontrar. Vou falar que tô confusa e ainda não é hora de me envolver demais com outro cara. Talvez até invente um trauma mal curado, um amor não esquecido. Sei lá, um draminha cai bem nessa hora. A culpa não é sua, acredite. A culpa é minha e dessa mania que eu tenho de acabar logo com o que tá bom. Acabar antes que fique muito bom e eu acabe relaxando e entrando de cabeça.


Prefiro acabar assim, enquanto tá tudo superficial. Mesmo que de superficial não tenha nada. Mas eu vou continuar fingindo que é comum pra mim dormir com um cara que acabei de conhecer, que na minha vida mando eu e que não acredito mais em relacionamentos sérios.


Você não pode ser de verdade. A qualquer minuto, tenho certeza, vou descobrir uma cagada sua. Você me trata bem demais pra ser de verdade. Liga quando diz que vai ligar, me surpreende com telefonemas no meio da tarde tediosa que, por sua causa, vira uma tarde especial.



Mas eu prefiro que você se mostre logo. Mostra que só tá a fim de curtir, sem compromisso e dizer que não tá a fim de compromisso sério. Diz logo que não tá preparado para nada sério, que viveu "preso" muito tempo e que preza a liberdade. Diz logo, eu tô esperando. Eu espero sempre isso. Se não for agora, eu sei que vai ser daqui 1 semana, 1 mês. E será sem anestesia. Na lata : você é muito especial, mas...



Se você não falar, vou acabar acreditando que seu abraço é feito de carinho e desejo. Vou acreditar que você está na minha. E a gente sabe que não, você não está na minha. Você está por aí, em vários lugares. Longe de mim.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Moço, me dá aí dois quilos de humildade, por favor.

Tem hora que só a razão e os bons modos que aprendi (aprendi?) me impedem de bater em alguém. Ou em mim mesma, já que o problema é comigo. Embora eu ache que o mundo todo esteja errado.
Só meu lado racional não me deixa fazer o que mais desejo de vez em quando: pular da janela, me jogar na frente de um ônibus. Ou dormir por muito, muito tempo, até a tristeza passar. E como ela não passa, me vejo por aí desejando quebrar tudo pela casa, atropelar alguém, me lixar pro que pensam de mim. A consciência me freia e, resignada, passo meu blush e um batom cor de boca e vou por aí com a tristeza camuflada.
Quando sinto essa tristeza de agora, quase não suporto acordar. Detesto o sol entrando pela minha janela e sinto que vou explodir em lágrimas. Mas já não choro há tanto tempo. Não adianta chorar quando a tristeza é daquelas muito, muito grandes. Chorar, nessas horas, só aumenta o desespero, porque me faz lembrar que não vai resolver porra nenhuma.
Além de saber que não resolve, ainda tem o agravante: como uma criatura nariz empinado como eu, arrogante como eu vai explicar que passou horas chorando? Arrogância é isso aí: esconder até o que mora em mim, o que é tatuado em mim. Meu nariz empinado, meu ar de quem vence todas jamais me permite dizer nem que peguei o caminho errado. Imagine deixar que vejam como sou quase só tristeza. Tem gente que vive experiência de quase morte; eu vivo experiência de quase vida, que é quando dou um jeito de maquiar minha tristeza. Seja gastando uma grana no shopping, seja viajando pela Europa ou só dizendo que tá tudo bem. Mas quase nunca tá tudo bem.
O bombeiro consertou o vazamento do banheiro e paguei com cheque. Chegaram as cortinas novas e ficaram ótimas. O marceneiro fez uma mesinha de centro linda, do jeito que eu desenhei. Mas e daí? Não sorri de verdade. Não senti nem uma pontinha de alegria.
Ontem fui à uma festa ótima. Hoje vou ver uma peça de teatro cujo texto já conheço e adoro. Pode ser que fique quase feliz, afinal, teatro com ele tem tudo pra ser o melhor programa do mundo. Pode ser que me alegre. Mas só de pensar que posso ficar felizinha, já fico mais triste do que antes, porque depois de um surto de alegria vem a tristeza de sempre. Vem como nunca. Dá vontade de não ir só pra não ter que voltar. Amanhã tenho dentista, e me parece um programa bem mais animador, afinal, à minha tristeza somam-se o desconforto da anestesia e a dor (física) de quando o efeito passa. Sentir dor não me faz lembrar da tristeza que sempre volta. Ou que nunca vai.
Tá decidido: não vou ao teatro. Ele nem vai se importar e isso me deixa triste pra cacete. Vou ficar aqui, de frente pra TV, letárgica. Triste profissional.
Ser adulto é isso. É dar bom dia pro vizinho no elevador, pagar conta pelo site do banco, esquecer da consulta com o médico. Fazer tudo isso com uma vontade tremenda de morrer, de dormir um tempão, de atropelar alguém. É viver com uma tristeza involuntária sempre renascendo no peito. E não deixar a vida parar: tenho livros pra ler, gaveta pra arrumar.
Se ao menos eu conseguisse chorar. Sei lá pra quê, mas só pra aliviar um pouco. Talvez fosse um caminho, já tentei tanta coisa: bebida, exercício, jogo.... Sou dispersa demais para me concentrar num jogo e cartas e partidas de buraco são eternas e me deixam aflita. Bebida me dá ressaca, sem contar que é sempre assim : beber e ligar pra ele. Por isso a corrida me agrada. Quando pego o tênis, eu quero mesmo é fugir de mim. É na hora da corrida que fico um pouco mais esperançosa, porque botei na cabeça que um dia vou conseguir mesmo correr tanto, mas tanto que vou me deixar pra trás. E quando eu estiver bem longe de mim, vou ser igual àquelas pessoas que são mais vivas do que eu, que tem sempre alguma coisa pra comemorar
Quem sabe um dia não vou acordar cinco vezes no meio da noite pra pensar. Nem vou deitar pensando, acordar pensando. Outro sinal da minha arrogância: eu penso porque quero entender. Mas não entendo nada e isso me enche de mais tristeza, de tanta tristeza que me dá vontade de sair daqui de mim. Eu quero ir embora de mim e pensar menos, e ser humilde e deixar que os outros entendam aquilo tudo que não é feito pra ser entendido.

domingo, 18 de outubro de 2009

PRA UM HOMEM DE PRETO. COM CARINHO

Meu amor, boa sorte
Vai sem medo,
sem destino certo
Espero que você
Volte para casa
São e salvo.
Eu passo noites em claro
Rezo pra livrar você do mal
(...)
A saudade doi

São Jorge de janeiro
Meu guerreiro
Ao seu lado.

Por isso o sol nunca desiste
Você não pode ficar triste
O Rio continua lindo, lindo!
Lindo de morrer
Lindo de viver
Lindo, lindo...

(...)

Onde quer que esteja,
Deus te proteja.
Cuide-se bem.
(...)

(COPACABANA BOY - RITA LEE)

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Eu acredito em quem fala bem de mim

Há algum tempo, recebi este texto de presente de um namorado. Na 1ª leitura, disse que ele era louco. Na 2ª leitura perguntei se ele tinha "aprontado alguma". Só depois é que reparei como coloco sempre empecilho para ser feliz. Aliás, vejo tanta amiga minha fazendo isso.

Durante um tempo na terapia, trabalhei essa questão. Confesso que demorei a aceitar as felicidades sem culpa ou justificativas. Hoje em dia eu tenho quase certeza de que mereço muito ser feliz. E até acredito que quem escreveu esta carta não era lá muito exagerado, como eu pensei na época.

"Será que você nunca reparou que pra mim não importa quanto você pesa? Em vez de tentar adivinhar isso, prefiro te abraçar e acariciar seu corpo macio. Aliás, adoro ver seu ritual de passagem de cremes: nas pernas, nos braços, na barriga. E quando você pede ajuda pra alcançar as costas, aí eu adoro ainda mais você.

Não sei seu manequim e nem me interessa. Sei o tamanho da sua cintura pelas minhas mãos e isso basta. E se alguma vendedora de roupa me perguntar seu tamanho vou responder: do tamanho exato para caber no meu abraço e dividir minha cama.

Aliás, foi uma resposta parecida que dei quando meu irmão perguntou como você era: do jeito que eu gosto. É, menina encanada com o peso e com o manequim, você é do jeito que eu gosto. Nunca reparou nisso, né? Por isso me deixa sozinho em casa e vai pra academia suar.

Não estou reclamando de você se cuidar. Eu só quero que você se goste desse jeito aí que você já é. E se você não acredita que é tudo isso, pergunta pra mim. Pra mim, viu? E não para nenhuma daquelas suas amigas do trabalho ou da faculdade ou sei lá de onde. Nenhuma mulher confessa para um homem que outra mulher é linda.

Para de me chamar de exagerado: eu acho você linda e pronto. Eu te olho diferente do que você se olha. Você está presa a padrões de beleza, já eu prefiro olhar pra você e descobrir cada dia um detalhe que te faz diferente e bela. Por exemplo, quando você toma uma decisão e nem me consulta: vai lá e faz. Eu faço cara de chateado mas acho um charme você saber o que quer. Também gosto de ouvir que eu não mando em você. Ah, e sua carinha de brava?É a coisa mais sexy que já inventaram. Aposto que tem amiga sua que treina na frente do espelho pra ficar igual.

Quer ver você me deixar com os quatro pneus arriados? É só dizer "Tô com fome de doce" e devorar aquela barra de chocolate sozinha, em 10 minutos. Quando você abre o armário e diz que não tem roupa e fica olhando pra 3 mil vestidos e saias e calças, eu penso "vou casar com essa mulher".

Mas sabe o que me atrai mesmo em você? É que mesmo dizendo que é muito branca, que tem celulite desde que nasceu e que precisa de outra lipo, contraditoriamente você desfila pela casa sem roupa, numa naturalidade que me deixa perplexo. Eu amo ver você nua, ver suas pernas brancas, não ver nem marquinha de biquine. Outras mulheres precisam de marquinha de biquine para serem sensuais. Você não. Você só precisa ser você. De cabelo castanho ou vermelho, longo ou curtinho. Você está sempre na moda. Você merece sempre uma poesia. E eu sou louco por você.