quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Caso João de Deus: uma aula triste de como desqualificar vítimas

Mais de 500. Esse é o número de relatos contra o médium João de Deus registradas até agora. Tudo isso, desde o dia 7 de dezembro, quando o programa "Conversa com Bial" divulgou entrevistas com as primeiras mulheres que denunciaram abuso. Esse número continua crescendo. As mulheres que fazem denúncias são, além de vítimas, admiráveis. Imagina mexer numa dor dessas? E o medo? E a exposição? Tem que ter muita coragem. Mas o que a defesa de João de Deus faz agora? Acusa as mulheres. Desqualifica as vítimas. Esse pode ser uma tática (questionável) de advogados. Mas muitos vão na onda. E.. duvidam. Pensam: "aí tem coisa".  Sim, o caso precisa ser investigado com todo cuidado. Mas 500 m... - Veja mais em https://ninalemos.blogosfera.uol.com.br/2018/12/19/caso-joao-de-deus-uma-aula-triste-de-como-desqualificar-vitimas/?cmpid=copiaecola

sexta-feira, 23 de março de 2018

A FALTA QUE VOCÊ ME FAZ, MEU VELHO

    Este mês faz três anos que meu pai foi morar no céu. Este mês faz três anos que minha vida perdeu o norte. Três anos sem você que, do seu jeitinho único, nos fazia pensar que éramos nos que cuidávamos de você. Faz três anos que descobrimos que era você quem cuidava de cada um de nós, era você quem agregava nossa família. Vivíamos unidos por você, malandrinho.
    Até você partir, eu era sua filhinha, mas um telefonema me transformou em adulta e todos os desgostos e responsabilidades peculiares caíram em meu colo. E, além de tudo, eu tive de aprender a viver sem você. Logo eu, que sempre achei isso impossível: como viver num mundo onde você não existe, pai? 
    Por vezes, esqueço e não é que acabo vendo você ali deitado, ouvindo seu radinho. Para mim, a qualquer momento você vai chegar aqui em casa dizendo que comprou minha Coca Zero. Mas nada disso vai acontecer. Não vamos mais nos abraçar, assistir o Mengão jogar ou ouvir nossas músicas juntos. Agora eu sou adulta e não tenho mais meu paizinho. Como na canção do Roberto, "sem você minha alegria é triste". Por isso essas lágrimas no rosto de vez em quando. Não fique triste quando isso acontecer. Deve ser o amor transbordando. 
    A gente era uma boa dupla, né? Você me dava sentido à vida e eu te fazia sorrir. Mesmo em meio às suas tristezas, eu te fazia sorrir. E saber disso me fazia grande, importante. Eu era especial para você. 
    E você era meu pai, meu amigo, meu filhinho, meu ídolo. Você sempre será o amor da minha vida. Não importa em qual dimensão esteja. 
    Pai, embora dizer adeus para você tenha sido a coisa mais triste do mundo, eu sabia que fui a melhor filha do mundo, a filha sob medida pra você. Diante de seu corpo eu cantei nossa música, prometi que ia cuidar de seus amados aqui na Terra e jurei que ia continuar sendo aquela mulher forte que você sempre admirou. Sobretudo, diante de seu corpo, eu tive a certeza de que nunca deixei para depois o carinho, o beijo, o abraço. Nunca deixei de dizer e demonstrar o quanto te amo. Eu me despedi de você com o coração limpo.     
   Ali éramos pai e filha se despedindo sem uma única palavra não dita, sem um único assunto não resolvido. Pai e filha, mãe e filho, amiga e amigo, fã e ídolo.
   Continue sua caminhada nesta sua nova condição. Continue sua evolução espiritual. Mas, sempre que der, olha pra mim aqui. E promete que vamos nos reencontrar na próxima vida, porque que nosso amor é grande demais para uma única existência.