quinta-feira, 26 de maio de 2011

PARA NACÍLIA

Ando muito sem tempo de escrever, mas recebi um recadinho da Nacília e achei este texto do Xexeo bem apropriado para respondê-la. A ela e a todos que pensam "ué, a Aline sumiu!". 


oi Aline sou eu mais uma vezes Nacilia,todos os dias dou uma passadinha aqui pra ler seus post,tenho andado meio preocupa,vejo que pra nossa tristesa(seus seguidores) vc não tem postado.Espero que esteja tudo bem com você,que deus continue iluminando seu caminho.
Abraços de uma grande fã. 





"Cronistas escrevem para serem amados. Duvido que algum escreva para irritar o leitor. Para receber mensagens dizendo “como foi medíocre seu texto de hoje”. A gente gosta quando o e-mail, a carta, o encontro na rua termine com “Você escreveu exatamente o que eu pensava”, “Eu me identifiquei muito com o que você disse hoje”, “Como é que você teve essa ideia genial?”. 

No domingo passado, achei que tive uma boa ideia, uma ideia genial, e reproduzi, neste espaço, uma briga de casal que tinha captado na rua por meio de uma conversa no telefone celular. O que eu queria era, de uma maneira original, comentar o hábito cada vez mais frequente de as pessoas gritarem ao telefone conversas que deveriam ser particulares. 

Definitivamente, não agradei. O primeiro sinal veio de um comentário curto e grosso aqui no blog. “Achei sua crônica muito fraquinha.” Cheguei a pensar que ninguém mais teria tanto poder de síntese, mas só até ler o segundo comentário: “Fraquíssima!”. E, a partir daí, a coisa só desandou: “Qualquer criança faz um negócio melhor do que esse que você escreveu”. 

O meu domingo estava acabado, e o cronista que vos fala passou a sofrer aquilo que mais teme: a rejeição. “Utiliza-se um espaço no jornal pra isso?”, indagava um leitor. “O jornalismo brasileiro desde muito tempo tem carência de bons e verdadeiros cronistas”, alertava outro. 

“Xexéo já foi bem melhor”, disse um leitor (ex-leitor?) nostálgico. “Que coluna xexelenta!”, avaliou outro, bulindo com meu sobrenome. 

Parei de ler o que me chegava logo depois de tomar conhecimento da mais agressiva de todas as mensagens: “Você deve receber um ótimo salário. Mas escreve uma porcaria de crônica como esta, digna de quem realmente não tinha nada para escrever, praticamente um rascunho mal feito no banheiro e que nem para papel higiênico serve. Lamentável!” 

Antes de pensar seriamente em aposentadoria ou rascunhar um texto que pedisse desculpa aos leitores por ter sido tão ruim, encontrei uma nesga de carinho em um dos comentários (eu estava mentindo e, na verdade, continuei lendo as críticas): “Essa foi fraca. Digna de quem tinha prazo, mas não tinha ideia. Mas tenha certeza de que você acerta mais do que erra. Vou aguardar a próxima.” 

Bem, pelo menos mantive um leitor. Já estava acreditando que aqueles 17 que costumam me acompanhar tinham desistido. Ficou um para “aguardar a próxima”. Não é pouca coisa. 

Cronistas não gostam de ser rejeitados. Podem ser incompreendidos, mas fracos, fraquíssimos, nunca. O que poderia conter aquele texto sobre uma briga de casal que irritou tanto os leitores? Só tenho uma explicação. Continuo amado, como todo cronista acha que é. É que naquele domingo, naquele específico domingo, o leitor acordou de mau humor."





É isso aí, Nacília, está tudo bem, sim, só que não tenho tido muito assunto interessante nos últimos tempos. Beijos.