terça-feira, 28 de junho de 2011

O Otimismo e a Esperança

Estou num momento meio chatinho, uma experiência que nunca vivi.
A primeira reação à notícia que me pegou totalmente desprevenida foi o choque. Aí, o meu "querido de plantão" falou uma frase que mexeu bastante comigo e me deu um gás danado. Ele disse assim "Algumas vezes as coisas acontecem na vida da gente para nos tirar da zona de conforto". Bingo! Estava mesmo nesta tal zona de conforto que tem dois lados: o positivo é que é um caminho que já conhecemos, um lugar que já nos é familiar, portanto nos deixa tranquilos. O lado negativo é que algumas vezes estacionamos, nos acostumamos e não nos sentimos motivados. Continuamos como autômatos, fazendo tudo no piloto automático.
Para uma alma agitada como a minha, isso é meio tedioso. Mas para a necessidade que tenho de me sentir segura, é tudo o que preciso.
Na primeira noite pós-notícia, dormi pouco. Só conseguia cochilar quando me lembrava das palavras desse meu amigo. Nas noites seguintes voltei ao bom e velho Rivotril.
Tenho andado muito ansiosa, agitada e com uma vontade louca de adiantar o relógio, fazer o calendário disparar e resolver logo o que tem de ser resolvido.
De vez em quando tenho certeza de que vou tirar de letra: eu sempre tirei de letra esse setor da minha vida. Em outras... ah, em outras me sinto pra baixo, pessimista, quase paranoica.
O meu equivalente a livros de auto-ajuda é a (boa) literatura, e foi a ela a quem recorri em busca de algo que pudesse sossegar, ao menos momentaneamente, meu coração ansioso por natureza.
Achei um texto que uma Professora da faculdade me deu de presente, junto com um bilhetinho. Acho que foi na época da formatura. Penso que será uma espécie de oração para estes dias conturbados e cheios de expectativa.

"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto de otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: e no meio do inverno eu descobri um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural.
Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos (...): morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança..."

Trecho da crônica o Otimismo e a esperança, de Rubens Alves, publicado no livro Conserto Para Corpo e Alma.
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