terça-feira, 12 de outubro de 2010

DIA DE FESTA: SALVE NOSSA SENHORA APARECIDA



Senhora Aparecida, eu renovo, neste momento a minha consagração.Eu vos consagro os meus trabalhos, sofrimentos e alegrias, o meu corpo, a minha alma e toda a minha vida. Eu vos consagro a minha família! Ó Senhora Aparecida, livrai-nos de todo o mal, das doenças e do pecado. Abençoai as nossas famílias, os doentes, as criancinhas. Abençoai a Santa Igreja, o Papa e os bispos, os sacerdotes e ministros, religiosos e leigos. Abençoai a nossa paróquia, o nosso pároco. Senhora Aparecida, lembrai-vos que sois Padroeira poderosa da nossa Pátria! Abençoai o nosso governo. Abençoai, protegei, salvai o vosso Brasil! E dai-nos a vossa bênção.

domingo, 10 de outubro de 2010

A menina sem-vergonha



Era uma vez uma menina que gostava das letras e das palavras. Ela tinha bonecas, bichos de pelúcia e muitos outros brinquedos. Mas gostava mesmo era dos livros da estante.
Essa menina aprendeu a ler muito cedo e dizem que até hoje se sai muito melhor com as palavras escritas do que com as faladas. Deve ser porque ela escrevia muito, desde sempre. Mas não gostava tanto assim de falar.
Quando ela foi para a escola, já tinha lido todos os livros infantis e achava os colegas de classe meio burrinhos, afinal, nem sabiam escrever o nome direito. Enquanto eles aprendiam a ler um texto até o final, ela já escrevia suas próprias estórias. E coloria suas histórias, porque de vez em quando ela já achava a vida meio chata.
Uma coisa que eu não falei é que a menina sempre foi meio tímida e tinha muita vergonha de mostrar o que escrevia para outras pessoas. Às vezes ela mostrava para sua mãe, que dizia que eram as estórias mais belas do mundo. E o pai da menina achava tão bonito ver a menina lendo e escrevendo sem parar, que ele nunca mais parou de comprar livros e revistas em quadrinhos.
Um dia, a menina teve uma professora que adorava ler suas redações. Então, ela perdeu um pouco (mas só um pouco) da vergonha e escrevia bastante nas aulas dessa professora.
A menina cresceu e continuava achando lindas as palavras escritas. E por isso ela um dia criou um blog, que substituiu as folhas de papel. A menina, que já não é mais tão menina assim, continuou escrevendo e não mostrando pra ninguém. Mas um dia ela se descuidou e quando percebeu, várias pessoas viraram leitoras do blog, que era pra ser secreto.
De um dia para o outro, a menina passou a receber comentários nos textos. Na maioria das vezes eram elogios, mas ela ficava com tanta vergonha... Depois da vergonha veio a sensação de responsabilidade de agradar. Aí escrever ficou meio chato.
O que fazer, então, se a menina precisa escrever para não enlouquecer? A saída foi escrever fingindo que ninguém ia ler. Deu certo.
Escrever pra ninguém ler não é perda de tempo. Ou é? Depende do objetivo de quem escreve. Eu não escrevo pra ganhar prêmios. Pra mim, escrever é como respirar, é como tomar um remédio que faz bem pra alma.
Demorei a perder a vergonha de dividir meus textos com outras pessoas. Mas no dia que percebi que essas “outras pessoas” não eram só leitores e sim amigos, pois entraram na minha vida de um jeito especial, tudo ficou mais fácil. Exceto escrever. Porque escrever é dolorido, é solitário e muito revelador.
Ah! A menina sou eu, tá?
E a menina aqui tem aprendido muito ao dividir suas histórias, estórias e ideias. Não consigo imaginar viver mais sem isso.
Por isso, hoje, depois de 30 mil visitas em pouco mais de 1 ano, senti uma vontade imensa de mandar um beijo bem carinhoso pra você, que me ajudou a ser meio sem-vergonha e não ter vergonha disso.
Então, aos 80 e poucos seguidores, e também aqueles que passam por aqui em silêncio, mando um abraço bem apertado e cheio de carinho. Sem vergonha nenhuma.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

MENINO LINDO, ENTENDA MEU SILÊNCIO DE HOJE


Preciso do teu silêncio
cúmplice sobre minhas falhas.
Não fale.
Um sopro, a menor vogal
pode me desamparar.
E se eu abrir a boca
minha alma vai rachar.
O silêncio, aprendo,
pode construir.
É um modo denso/tenso - de coexistir.
Calar, às vezes, é fina forma de amar.

. Affonso Romano de Sant´Anna

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

MOMENTO POESIA

A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns usam palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.

Uns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.

A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem mas fingem que não.
E tem quem nunca
usa a roupa certa para a ocasião.

Tem os que se ajeitam bem
com poucas peças.
Outros se enrolam
em um vocabulário de muitas .
Tem gente que estraga tudo que usa.

E você, com quais palavras se veste?
Com quais palavras você se despe?

- A palavra é uma roupa /Viviane Mosé

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Dilemas de Amor / AG

E para onde vão os amores perdidos?
Não os que derram errado,
mas aqueles desencontrados,
os não correspondidos?

Será que vão fora,
se perdem no dia-a-dia
ou estão na Aurora,
em forma de poesia?

Os amores do passado
(Dos nossos tempos de criança)
São reciclados
qual sementes de esperança?

Ontem parei e fiquei pensando
Procurei muito, procurei...
Acho que continuo amando
os amores que amei.

sábado, 18 de setembro de 2010

SEM AMIZADE E NEM CHOPE

Ele me liga sempre na hora da novela e eu nem reclamo. Abaixo a TV, acendo um cigarro, bebo Coca Light e a gente conversa sobre tudo o que sabe que não vai fazer junto.
De vez em quando o assunto acaba e a gente finge que não percebe, aí fala de coisas que já falou, pergunto quanto foi o jogo e de repente lembro de alguma coisa engraçada que a gente fez naquele dia.
Ele reclama de tédio, me fala que não faz fisioterapia há não sei quantos meses e eu digo que tá errado. Depois falo que isso é problema dele e não vou mais me meter. Mas me meto perguntando se tem feito exercício pro pulmão. Ele diz que o papo tá chato e fala que lembrou de mim outro dia. Aí eu derreto.
De vez em quando esqueço que tem coisas que não se deve perguntar e quando vi, já perguntei. "Tem saído com alguém?" E fecho os olhos (que nem retardada, confesso) com medo de ouvir que sim, que eu não faço mais parte da vida dele. Mas ele sabe que eu morro de ciúmes de quem já não é mais meu e quebra meu galho: diz que não, que não tem saído com ninguém. Derreto de novo.
De vez em quando ele some. Semanas sem nem ao menos um telefonema e eu penso que deve ter conhecido uma vadia qualquer, uma idiota qualquer que não vai entender as manias chatas dele, que eu aprendi gostar.
Eu sei que deveria reclamar do sumiço, mas, quer saber?, nem reparei que já fazia tanto tempo desde a última vez que nos vimos. Aí penso que ele tá tão presente em mim, no que eu faço, que nem deu tempo de morrer de saudade. Logo eu, que vivo morrendo de saudades.
Mas a grande verdade é que nem os sumiços ou a demora em nos ver de novo, nada disso atrapalha a gente, que não tem nem um relacionamento e nem consegue ficar mais de 1 mês sem se falar. A gente não tem nada um com o outro. Nem um pau há entre nós dois. E olha que não sou daquelas que acreditam que dá pra viver numa boa sem um bom sexo.
Tem gente que acha que dá pra ter um "pinto amigo", que é aquele amigo que te liga de vez em quando, que vem na nossa casa todo cheirosinho, só pra dar uma trepadinha e vai embora me deixando com um sorriso feliz no rosto.
Ok, confesso que com esse "tem gente" aí de cima eu quis dizer: eu acho que dá pra ter um amigo e transar de vez em quando com ele sem esperar que ele me ligue no dia seguinte. Mas a verdade é que de um tempo pra cá ando romântica e descobri que dá pra viver um tempo sem pau. Sem homem, nunca. Mas sem pau dá pra viver. Pelo menos por um tempo. Eu acho.
Tenho preferido ele, que me liga e me faz esquecer o resto do mundo naquelas duas horinhas em que somos amigos e às vezes falamos que nem dois namoradinhos. Namorados que se cuidam bem mas ainda não foram pra cama. Volto a ter 16 anos. Eita tempo bom aquele: beijo na boca, de vez em quando uma mão mais ousada e só. Afinal, tá cedo pro resto. E o resto, no caso, é sexo. Tem hora que é cedo pro sexo.
Com ele eu tenho 15, 16 anos, sou virgem e só vou deixar de sê-lo quando tiver certeza de que apareceu o homem certo. E todo mundo sabe que o homem certo não aparece nunca. Então, aproveito pra curtir e falar com ele por telefone sem pressa de dar pra ninguém.
Ele me liga sempre na hora da novela mas eu não tô nem aí. Ele me faz morrer de rir, diz que minha voz é bonita por telefone e que um dia vai me chamar pra tomar um chopp num bar super transado, aqui pertinho de casa. E eu não vou a esse bar com nenhum outro cara do mundo, porque este bar tá reservado pra eu ir com ele. Um dia.
Se eu contar, ninguém acredita, mas curto muito tudo o que ele faz pra mim. É praticamente nada, mas é pra mim, e mulher gosta dessas coisas de exclusividade. Me derreto.
Não que eu fique na janela esperando o telefone tocar, tenho lá minhas recaídas por um ex que me visita de vez em quando. Mas com ele tudo é mais legal, porque eu sei que não vai doer. Não vou chorar por ele. Não vou ter um ataque de ciúmes se o vir com uma vadia qualquer num bar qualquer da Lapa. Não existiu pau entre nós dois, portanto, não vai havar o sentimento de posse e nem aquela vozinha no ouvido "desgraçado, me comeu e agora tá aí com essa biscate".
Mulher não segura a onda de ver outra ao lado do dono do pau que passou duas horas com ela, bricando na cama (ou no sofá, ou no chuveiro, ou sei lá onde mais), chamando de gostosa e dizendo "ai, que delícia" . Sente logo vontade de tomar satisfação, xingar e puxar os cabelos da vaca. E não adianta insistir: não conto se já fiz isso e nem quantas vezes desejei ter feito. Eu não desço do salto e não conto minhas derrotas.
Não adianta que não vou falar nada dessas intimidades cheias de fluídos e sons. Comecei falando dele, que diz que não é meu amigo mas me liga e diz que me adora, mas não me chama nem prum chope sábado à noite. Um chato, como pode se ver.

domingo, 12 de setembro de 2010

ANIVERSÁRIO DA MULHER DA MINHA VIDA

Hoje é aniversário da minha Mãe, a Dona Geninha. Aquela que ainda hoje me afaga os cabelos e diz que amahã de manhã eu vou me sair muito bem.

Mãe, na falta de palavras mais exatas, recorro à poesia do Rei Roberto. Te amo.


Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você
Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
E me conte uma história bonita
E me faça dormir

Só queria ouvir sua voz
Me dizendo sorrindo
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino

Apesar de distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem
Me afagando os cabelos
Você certamente diria
Amanhã de manhã você vai se sair muito bem
Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição
Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado, eu sorria
E, nas horas difíceis
Podia apertar sua mão

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
Muito embora você sempre acha que eu ainda sou
Toda vez que eu te abraço e te beijo

Sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você...

sábado, 11 de setembro de 2010

Eu não sei esperar. Eu não acredito em bruxo.

Eu queria te trazer pra mim. Eu que não sei negociar nada e me perco sempre nessa ansiedade de tanto te querer. Não sei por onde você anda, também não sei onde estou porque estou perdida na vontade que não passa de te trazer pra mim.

Eu que já não sentia saudade, sinto falta de deitar com você e de me perder em você.
Eu não sei se minha vida tem a ver com a sua e não vou perder meu tempo pensando nessas coisas que as cartas de algum tarot podem me responder. Eu não acredito em pra sempre e desprezo o que dizem os bruxos.

Eu, que quero sempre tanto, não vou pra janela esperar um novo amor: há amor demais onde estou. Eu estou em você.

Minha natureza é sozinha, preciso de momentos que são só meus e disso não abro mão. E não abro mão de te querer. Eu te procuro demais. Eu me precipito demais. Eu me mostro demais. Eu te quero demais.

Não vou deixar o tempo te trazer: eu não sei esperar. Minhas palavras mal contidas não te servem e nem me servem mais.

Eu não sei fingir ter calma, olhar você ir e não voltar. Eu não sei ver você ir embora de mim. A vontade me apressa e vai me fazer gritar seu nome, feito louca, movida pela minha razão. Quem sabe assim você olha pra mim.

Não escondo a vontade, eu já esperei demais. Vou chegar na sua casa, tarde da noite, fazer barulho na sua porta, sem roupa e sem juízo: quem sabe assim você olha pra mim.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Confio no outro. Sempre.

Pouco, ou nada, me importo aonde vou chegar: há incertezas demais em tudo. Por isso não escolho os caminho pelas paisagens, mas pelos aprendizados que enxergo neles. Se me perder, não me envergonho de voltar. E recomeçar a caminhada. Quantas vezes precisar.
Eu só me importo com o que fazem comigo, com meu coração ou com minha alma. Porque não me escondo e assim estou exposta. Sou presa fácil, mas me recuso a desconfiar do próximo. Confio no outro como um menino confia no pai.

A REFORMA ORTOGRÁFICA EXPLICADINHA

Diretamente do Blog da Ny, aquela fofa, uma dica imperdível: "A Reforma Ortográfica em Versinhos”.


Os autores são o Mauricio de Sousa e sua irmã, a poetisa Yara Maura Silva, autora dos versos. O livro é da Editora Abril, custa apenas R$ 9,95, tem 48 páginas, e é recomendado para crianças entre 7 e 11 anos. Ou para aqueles que querem entender melhor as novas regras que o polêmico (e desnecessário, segundo minha humilde opinião) Acordo Ortográfico.

No livro, os personagens da Turma da Mônica explicam as novas regras ortográficas da lingua portuguesa de maneira divertida, através de versinhos e lindas ilustrações. E mostram quais outros países também falam o português.

Aliás, vocês sabem que países também têm o Português como língua oficial?
* Portugal;
* Ilha da Madeira:
* Arquipélago dos Açores;
* Brasil;
* Moçambique;
* Angola;
* Guiné-Bissau;
*Cabo Verde e
* São Tomé e Príncipe.

Existem ainda lugares que utilizam a língua de forma não oficial, assim o idioma é falado por uma restrita parcela da população, são eles: Macau, Goa (um estado da Índia) e Timor Leste na Oceania. (fonte: Mundo Educação)

Obrigada à Ny pela dica, que repasso a vocês.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Passos/ AG

Um amor passado
Quando passa na calçada
nunca passa em branco espaço.

Há sempre um
"não sei o quê"
que, se não passa despercebido,
passa pela emoção.

Hoje (e talvez sempre!)
se passo próximo de um amor passado,
acho graça,
acho engraçado.
Fico embaraçado.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Mulheres comuns que vestem manequim GG assumem papel de Top Model no Dia de Modelo promovido pelo Blog Mulherão


Encontro de 15 gordinhas acontece em um estúdio no bairro do Botafogo no dia 25 de setembro, sábado. Muito sutiã bordado, plumas e autoestima e a presença da consagrada modelo plus size Andrea Boschim


Dia 25 de setembro acontece no Rio de Janeiro a terceira edição do Dia de Modelo Plus Size promovido pelo Blog Mulherão. A proposta do evento é reunir 15 mulheres comuns, que usam do manequim 44 ao 56, para uma sessão de fotos que inclui cliques de lingerie e plumas.

O Dia de Modelo foi criado pela jornalista paulistana Renata Poskus Vaz, uma das organizadoras do Fashion Weekend Plus Size, evento de moda que teve a sua segunda edição em julho deste ano e contou com a participação de 15 grifes, 40 modelos GG e 600 pessoas na platéia, no Senac Lapa Fasutolo, em São Paulo.
Já o evento do Rio de Janeiro não tem a pretensão de formar modelos profissionais, o objetivo é conferir à mulheres comuns o gostinho de ser modelo por um dia, com maquiagem, cabelo, empréstimos de roupas e acessórios, com tratamento digno de estrela e as orientações de uma modelo plus size profissional. Além de fotografarem, essas mulheres de peso confraternizam, tomam um lanchinho caprichado juntas e fazem amizade.
Para mais informações entre em contato:
Renata Poskus Vaz
(11) 7744-6626


domingo, 5 de setembro de 2010

Geração "Sex and the City"

Tem um assunto que, vira e mexe, é tema de loooongas conversas: vale a pena ser uma "Mulher independente"?
Durante esta semana o tema esteve na minha cabeça mais do que nunca, embora deva adiantar que não me considero, em absoluto, uma "mulher independente".
Há alguns meses uma queria amiga minha, a Aline Souza, escreveu sobre as desventuras de fazer parte da ''geração Sex and the City". Ela se questionava se valeu a pena ter investido tanto em estudo e nunca ter aprendido a fazer arroz se hoje, na casa dos "30" está sozinha.
Assim como ela, também faço parte dessa geração que compra o sapato que está a fim, tem um emprego legal, sai com o cara que está a fim e não precisa ficar se explicando pra ninguém.
Só que o glamou dessa vida acaba na página 2. Pelo que percebo, saindo às ruas, em vez de Carries e Samanthas Jhones, esbarramos mesmo nas várias mocinhas em busca de seu Príncipe encantado. E se ele não for assim tão príncipe, tudo bem: ela já não é tão mocinha e por isso acha que não dá pra escolher muito. É que nem fim de feira.
Acho isso o fim do mundo. Sei lá, nunca tive sonho de me casar e ter filhos. Nada contra, só nunca fui de pensar muito no assunto. Já fui casada e posso dizer que não é a minha praia. Há outras formas de viver com o cara que eu amo.
Sendo honesta, no fundo, meu sonho mesmo sempre foi viver um grande amor. Sabe daqueles que você fica tonta? Perde o sono, a fome, a voz. Esse mesmo. E quando coincide de ele também viver este grande amor comigo, aí então é bom demais.
Claro que às vezes rola de um dos dois não sentir coisa de jeito igual. Mesmo assim tá valendo: eu gosto pra caramba de viver paixões.
Aliás, depois que faz 30 anos, a gente descobre que o grande amor da nossa vida é a gente mesma. E isso faz toda diferença em nossas escolhas e definições.
Minha mãe não me criou nem para ser livre e nem para ser dona de casa. Minha mãe me criou para ser feliz.
Com marido, sem marido, com ou sem carteira assinada, o importante era estar confortável com as escolhas que eu fizesse.
Como toda mãe, a minha é muito sábia e sempre disse que eu deveria, sim, aprender a cozinhar: para mim mesma ou para quem quer que fosse. Deveria também aprender a limpar a casa, afinal, morar numa casa imunda não é nada inteligente. Dentro desse compromisso de "apenas’’ ser feliz, fui vivendo: aprendi outras línguas, estudei e li pra caramba! Acabei (adivinhe!) me tornando uma “mulher independente”.
E isso é bom? Não sei: nunca fui de outro jeito.
Sim, eu sei, dizem as más línguas que “homem tem medo de mulher independente”. E daí? Eu não me relacionaria mesmo com homens medrosos ou que tentassem mudar minha personalidade.
Pô! Deu um trabalhão me transformar em quem eu sou hoje... não vou mudar só pra agradar alguém. Pra falar a verdade, não quero nem agradar. Só quero poder ser eu mesma, expor minhas idéias, seja com minhas amigas ou com um carinha interessante.
Não gosto quando dizem que eu deveria agir assim, ou ser menos assim, ou sei lá o quê. Porque pra mim ter um emprego com salário bom e poder ir aos lugares com os próprios pés não é defeito.
Já ouvi algumas vezes que sou "distante", que deveria ser mais romântica. Puxa, logo eu que adoro um colo, um cafuné do meu gatinho! Também gosto quando abrem a porta do carro, dou valor às datas. Isso não é ser romântica?
E já que comecei a falar de mim, vou entregar o jogo: assisto programa de fofoca, prefiro não dividir conta de restaurante, não pego no chinelo pra matar barata. Viu? Talvez não haja tanta diferença entre mim (e milhares de mulheres desta geração) e outras mulheres que optaram por serem mães, donas-de-casa ou simplesmente viverem para o marido e para os filhos. A pequena diferença entre nós não é motivo nem de orgulho e nem de vergonha.
Se eu vou me arrepender de não ter filhos? Não tenho como saber agora.
Também sei que não vou morrer de solidão por não envelhecer ao lado de alguém: quem tem amigos, família boa e muitos livros não tem tempo para se sentir sozinha.
E quem gosta da própria companhia dá risada quando perguntam se você não se sente só.
Solidão para mim seria me perder de mim mesma.

sábado, 4 de setembro de 2010

DE REPENTE, VOCÊ NEM ACONTECEU



Que bom que você não se lembra de nosso 1o. encontro. Que bom que você não se lembra de nosso primeiro beijo e nem da nossa primeira vez. Que bom que você não se lembra dos torpedos que te mandei. Que bom que também não se lembra do torpedo que você me mandou dizendo olhava pra Lua e se lembrava de mim. Que bom que não se lembra dos meus arrepios quando suas mãos grandes me tocavam.
Que bom que você pensava que eu me entregava a você como a qualquer outro. Que bom que você não levou a sério o "eu te amo" dito depois de algumas taças de vinho. Que bom que certamente você nem se lembra disso. Que bom que você já esqueceu meus segredos. Que bom que você não sabe que eu não consegui beijar ninguém mais enquanto havia algo entre nós.
Que bom que você não tem fotos minhas no seu álbum. Que bom que você não entendeu o quanto eu gostei de você. Que bom que você estava dormindo naquela vez que eu chorei porque percebi já havia acabado o encanto.
Que bom que você não me viu triste ontem, antes de ontem e nem em outros dias.
Que bom que você não se lembra mais do meu corpo. Que bom que você não se deu conta do quanto era forte e verdadeiro os carinhos que eu fazia em você.
Que bom que você não vem mais aqui. Que bom que eu não existo mais.
Quem sabe assim, qualquer hora, eu perceba que nenhuma das minhas lembranças tenham acontecido e que minha saudade não faz sentido.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Nunca por inteiro

Fazia muito tempo que eu não ficava alegre por alguém me ligar domingo à tarde. E eu fiquei hoje. Alegre, mas só isso. Nada comparado ao que já fui. Pode não parecer, mas eu já fui muito feliz. É estranho me lembrar disso porque hoje tenho a impressão de que um sorrisão não combina com meu rosto. Quando sorrio, o sorriso vem artificial. Mas ficar alegre já foi um grande passo, uma vitória e tanto. Pode ser o início, pelo menos. 

Ontem contaram uma piada tão engraçada, daquelas que a gente tem de ser inteligente pra poder rir, e eu ri alto. Ri demorado. Só parei quando lembrei que não ia poder contá-la pra você. Eu sempre fazia isso, lembra? Tudo o que eu via de legal, de engraçado ou sei lá o que, eu contava pra você. E nós dois ríamos juntos um tempão. Você me fazia rir de quase tudo. Eu era feliz naquele tempo da gente juntos. É foda ver que estraguei tudo por causa do medo eterno de me mostrar. 

O carinha que me ligou hoje à tarde foi aquele que conheci antes do Natal. A gente se fala sempre, mas desde a semana passada a gente tem se visto também. Todo dia. E ontem ele disse que gosta de mim. Quem diria, hein? Uma pessoa que me conhece há mais de três meses e que tem estado comigo vários dias seguidos consegue gostar de mim. É estranho pra mim, não estou acostumada. O pior é que se bobear estou gostando dele também. Ainda não sei, mas parece que estou. Mesmo assim, não estou feliz. É que me interessar por alguém me faz lembrar de você. E toda vez que eu me lembro de você, cai uma lágrima. Nem é dos olhos, às vezes é da alma. 

Ainda que o tempo sempre cure as dores, a que você me fez sentir ainda está meio viva. Desde que você foi embora, tem sempre alguém me dizendo que, com o tempo, a dor passa. Acabei acreditando. Mas é a maior mentira do mundo: o tempo só me faz ver que estraguei um romance lindo por medo. E eu, que nasci sentindo medo de tudo, principalmente, de quem se aproximasse demais de mim, acabei me tornando medrosa e chorona. Você nunca me fez chorar quando estávamos juntos. E isso é o mais irônico, porque eu preciso demais de você toda vez que eu choro. Você já foi tudo pra mim algumas vezes. De outras vezes, eu não me lembro de mim, acho que eu era você o tempo todo. Hoje eu não sou e nem estou com você, mas também não estou comigo. Eu quase não sou eu, porque não consigo ser inteira. Já não conseguia ao seu lado, mas sem você é bem mais esquisito. Não ser eu mesma quer dizer que não sou inteira. Tenho medo de ser inteira em alguma coisa. Não consigo ser inteiramente triste também. Por isso eu acho que toda essa história já vai acabar. De repente já até acabou. Se eu tiver coragem, vou chegar mais perto de mim mesma só pra ver o que ainda ainda resta muito de você. Se eu tiver sorte, não vou encontrar quase nada.

domingo, 29 de agosto de 2010

DOS NOSSOS MALES (Quintana outra vez)

A nós bastem nossos próprios ais,
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

BOM DEMAIS PRA SER VERDADE



Dia 04/09 vai rolar um programa imperdível: o BAZAR BOM DEMAIS PRA SER VERDADE.

Depois de dois dias de triagens das roupas, as organizadoras Ana, do Hoje Vou Assim Off , a Patrícia Kolinski, blogueira e apresentadora do programa Tamanho Único do canal GNT e a Julia Moralez, do Nosso Armário (só fera, hein?) reuniram peças incríveis! Só pra dar um gostinho, vai ter roupinhas de marcas como Alexandre Herchcovitch, Victor Dzenk, Forum, Farm, Leeloo, Espaço Fashion, Homem de Barro, saias e blusas lindas da Maria Garcia, Huis Clois, Isabela Capeto, Maria Bonita Extra, Cantão, Shop 126, Ellus; além de bolsas e sapatos lindos...e tudo com preços inacreditáveis!! E tem pra todos os tamanhos: P, M e G, pra ninguém ficar de fora!

Então é isso: anota na agenda e avisa para as amigas : dia 04 de setembro, na Casa da Matriz, de 14:oo às 20h.

Parte da renda do bazar será destinada a Associação Viva Cazuza, que cuida de portadores de HIV. Uma ótima desculpa pra comprar, comprar e comprar, não é?

E se quiser levar marido, filho, namorado, aproveite que no segundo andar tem duas máquinas antigas de flipper para distrair a ala masculina além do bar. Pronto! Programão pra família toda.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

DESEJOS

Quero a alegria dos meninos que jogam bola.
Quero a leveza dos que não se importam,
a certeza dos que dizem sim,
a segurança de quem tem um colo.
A coragem dos suicidas.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

SOBRE MULHERES E O QUE ELAS ACHAM QUE SABEM

Há alguns dias estava com um grupo de amigas e amigas de amigas. Falamos sobre o que um grupo de mulheres fala: não sei quem pôs silicone; fulana se separou; aquela outra viajou; uma ta de dieta; a outra não beija na boca há dois meses. Quando começamos a falar sobre relacionamentos, o assunto rendeu.

É claro que eu falei (eu falo pra caramba!) mas também prestei atenção e depois fiquei pensando sobre tudo o que foi falado ali. Dá pra resumir assim: homens e mulheres, que já deixaram de falar a mesma língua há um tempão, agora também estão morando em planetas diferentes. É sério: havia umas 8 mulheres ali e ninguém tava se entendendo com o parceiro. E isso me chamou muita atenção, porque eu tinha umas teorias e vi muitas delas se desfarelando.

Uma das minhas teorias é de que mulher bonita (muito bonita, sabe?) tem sempre um namorado (marido, ficante) muito apaixonado. Pois naquele grupinho estava uma das mulheres mais gatas que conheço (e conheço há muito tempo, portanto sei que além de linda, é gente boa, inteligente) e eu sempre achei que os caras eram doidos por ela. Aí ela fala uma meia dúzia de grosserias que um ex fez com ela nos 2 anos de namoro e eu pensei "esse homem é louco! Tinha de rastejar aos pés dela.". Teoria 1 foi pras cucuias mesmo quando ela disse que não tem dado sorte com os caras e que eles somem depois do 3º ou 4º encontro. Ou depois de transar, o que vier primeiro.

Teoria 2: mulher da minha geração não cai mais naquelas coisas antigas, do tipo "tenho de me fazer de difícil ou ele vai me achar uma galinha" ou "tenho certeza de que ele vai se separar da mulher e ficar comigo". Pois eu ouvi essas e outras pérolas em pouco mais de 2 horas de conversa com mulheres mais ou menos da minha idade, com roupas da moda e todas com nível superior completíssimo, algumas até com MBA. Fiquei com vontade de ligar para todos os jornais e fazer um anúncio: É TUDO MENTIRA ESSE PAPO DE EMANCIPAÇÃO FEMININA. AS MULHERES DE HOJE PENSAM IGUALZINHO PENSAVAM AS DE 30, 40, 50 ANOS ATRÁS! E quanto mais eu penso em tudo o que falamos naquele dia, mais eu tenho certeza de que não existe essa porra de "mulher independente" de que tanto falam. Não existe sequer o papo de "direitos iguais". E isso porque elas próprias não aprenderam nada sobre a vida e continuam ouvindo os ecos do que diziam nossas avós.

Saí do restaurante meio chateada, mas aí lembrei da amiga linda e sem sorte. Senti um misto de perplexidade e identificação: isso também acontece comigo. E finalmente pensei "bom, então a culpa não é minha, né?". Constatação redentora essa, viu?

Já estava achando que estava me sentindo mais leve depois de perceber que eles somem sempre, não importa se é comigo ou com a mulher mais gata do pedaço... Parei em frente a uma banca de revistas e levei um susto: para qualquer capa que eu olhasse, o assunto era sexo e relacionamento. E os títulos das matérias eram mais ou menos assim "Dicas para ele ligar no dia seguinte"; "Sexo quentíssimo sempre"; "O segredo de uma superpaqueradora para fisgar o gato". Fui pra casa achando que o mundo ta muito complicado.

Não resisti e fui para o site de uma das revistas. Aí é que o bicho pegou mesmo! Era tanto "truque", tantas dicas, tanto manual... Esquece tudo: eu tenho sorte no amor, sim. Afinal, nunca precisei fazer nada daquilo pra ter um namorado legal ao meu lado. Ainda bem, pois não sei o que seria de mim se tivesse de passar azeite trufado como perfume para chamar atenção de um cara que gosta de cozinhar. Verdade! Tá lá na matérias sobre "superpaqueradoras".

Se mais cedo eu já estava indignada com as mulheres por ainda acreditarem nos discursos de nossas avós, dessa vez fiquei foi muito puta da vida: havia uma enquete (com as respostas) "O que eu fiz para surpreender meu homem". Po! cair no papo de que o cara vai se separar da mulher com quem ta casado há anos é burrice, mas o amor faz a gente mesmo. Mas vem cá, precisa ficar ridícula? Dá uma olhada nos testemunhos das leitoras: "Algemei meu amor na cama durante a noite. Quando acordou, passou o dia fazendo todas as minhas vontades em troca da liberdade" ; "Preparei um autêntico Ceviche, um prato peruano, e me vesti de deusa inca, com cocar e mantos coloridos. Por baixo da fantasia nadinha"; "Copiei uma cena do filme Cidade de Deus: banana quente nela. ui!".

Fico pensando se essas coisas são verdade ou se é invenção de quem ta lá na redação sendo pressionado pelo chefe e tendo de fechar a matéria dentro do prazo. E será que quem escreve isso dá risada? Ou será que acredita? E quem lê? Será que tenta imitar ou acha tudo uma palhaçada sem fim? Gente, será que alguém tenta imitar? Será que existe gente que acha que é de uma corda de academia que precisa pra ser "boa de cama"?

Bom, felizmente nunca fui (ou desejei ser) uma "superpaqueradora", nunca tentei fazer nada parecido com as dicas dessas revistas e também acho que o Kama Sutra é útil lá para os indianos (mas eu não preciso). Agora só resta torcer para não começarem a escrever essas baboseiras para os homens. E se escreverem, que nunca nenhum tente fazer nada parecido comigo. Excitante é ser espontâneo. Simples assim.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SOBRE 4as-FEIRAS E PIJAMAS DE FLANELA

Tenho aproximadamente 332 defeitos. Teimosia, inquietações, ceticismo... O maior deles, porém, é a dificuldade de dizer o que eu sinto. Consigo sentir mas não consigo falar. Na maioria das vezes, opto por escrever.
Então, aqui estou eu mais uma vez a escrever o que deveria falar e aí está você, a ler o que deveria ouvir. E se você não ler, acho ainda melhor: expor-me muito me assusta.
Eu queria dizer que foi bom você aparecer meio assim, do nada. E que gostei do jeito que você me olhava enquanto conversávamos. Mas eu não sei falar isso. Eu tento fazer você perceber isso quebrando as formalidades. "Tá na geladeira, pega lá". Você vai lá e pega e eu me sinto feliz porque te deixei à vontade.
Ficamos os dois à vontade: nem eu arrumei a cama de hóspedes e nem você usou pijama. Pra mim isso é um avanço e tanto, pode acreditar. Tá vendo esse cabelo vermelho, corte moderno, jeito descolado? Tudo isso é só do lado de fora. Sou careta e tenho vergonha de tirar a roupa na frente dos outros. Geralmente leva tempo.
Não tenho grandes segredos pra te contar, meus sentimentos costumam crescer aos poucos, percebendo a reciprocidade. Portanto, não há perigo no que ando sentindo. Uma saudadezinha aqui, uma vontade de te ver numa 4a-feira. E dar risada disso, sem ninguém entender porquê.
Eu não quero me casar com você, muito menos ser sua amiga colorida. Eu não quero dar nome a porra nenhuma entre nós dois.
Não quero fazer gênero, bancar a femme fatale, nada dessas palhaçadas. Eu finjo mal pra caramba e você iria pensar " Gozou porra nenhuma. Tá é querendo me agradar". Mas eu não quero te agradar, quero é ser agradável pra você, de um jeito leve, natural. Ando farta das coisas forçadas, da falta de naturalidade. Não gosto de silicones nas minhas relações. Sejam quais forem.
Eu não te conheço e você não me conhece. Sou uma menina gostosinha e gente boa, com quem você foi gentil, mas até aí nada demais: você é gentil com o flanelinha e, se bobear, com a moça do telemarketing.
Eu queria ter falado mais de mim e ouvido mais de você, mas vinho dá um sono depois, né? Ou será que o "depois" é sonolento sempre: com ou sem vinho?
Por isso eu só te abracei apertado. E quando acordei no meio da noite, fiquei te olhando, tão lindo, dormindo pesado. Tão lindo. E te abracei de leve pra não te acordar. Eu não quero te assustar.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

SÓ PRA ESQUECER


Por que você, por uns minutos, não se esquece dos meus discursos, do muro alto que construí ao meu redor, da minha mania de ser forte sempre?
Esquece tudo isso e me pega no colo. Não precisa falar nada, só me faz esquecer o mundo lá fora.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

SINTO SUA FALTA

Nada como um bom papo-cabeça com um lesado pra fundir ainda mais uma cabeça lesada.






domingo, 8 de agosto de 2010

amigos


Não fui à Flip deste ano. Senti falta da injeção de magia que esta Feira Literária me dá anualmente. Estou estudando para um concurso público e, caso seja aprovada, terei estabilidade financeira e viverei a burocracia do serviço público diariamente. Tenho medo de perder-me de mim mesma e ser engolida pelo trabalho mecânico. Mas isso é outro assunto.

Hoje vim aqui para registrar que me recuso a morrer de tédio dentre as apostilas de Direito Constitucional ou Legislação e esqueci, por uma tarde inteira, do mundo e suas exigências: reli meus poetas e escritores amados.

Diante de um texto (do Affonso Romano de Santana, comigo na foto), senti uma vontade imensa de dar um abraço na minha amiga de infância, Glícia, uma vocacionada à amizade.


DELICADAS, AS AMIZADES
- Affonso Romano de Santanna

"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"
"Quanto de verdade suporta um amigo?"
"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
Mas amizade, convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa que ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequoias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.
A gente pensa que amizade é coisa só de seres humanos. Não é. Os animais curtem amizades; alguns, o amor, e outros chegam à paixão extrema por seus donos. E, no entanto, amigos, alguns cães se mordem, quase se arrancam as orelhas num ou noutro embate, às vezes por uma cadela no cio, às vezes por nada.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.

O homem da minha vida. Ou O MELHOR PAI DO MUNDO É MEU

Hoje é Dia dos Pais registro aqui minha homenagem a todos aqueles que sabem ser pais de verdade. Costumo dizer que meço o caráter de um homem pelo amor e dedicação aos seus filhos. E, sempre que posso, aconselho: seja um pai presente e você vai ver o quanto isso compensa.
Acho mesmo que uma pessoa que tem um bom pai tem mais chances de ser feliz.

Eu tenho o pai que toda pessoa merecia ter. Seria bom se você pudesse ser, por um dia ao menos, filho/ filha dele. Pai-amigo, pai-pai, pai-filho, Pai. Com todos os significados que cabem dentro desta palavra.

Poderia ficar horas falando sobre como ele é bom, carinhoso, mas pensar nele me emociona e olha o resultado: já estou com os olhos cheios d´agua. Então, o melhor a fazer é transcrever a letra de uma das músicas que está no CD que dei de presente pra ele certa vez. A canção diz quase tudo.

"Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esta canção
Fiz bem mais pela beleza
de um senhor com uma grandeza
além da imaginação.

Não é porque ele é meu pai
Que eu o exalto tanto assim.
É que pela minha idade
esse anjo de bondade
Ainda cuida bem de mim:
Me aconselha a todo instante,
Me dá carinho, dá amor

Ele é um raro diamante
de indiscutível valor
É meu amigo do peito e
Eu tenho orgulho de falar:
Esse homem tão direito
Diplomado em respeito
É um exemplo em nosso lar.

Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esses versos
É que ele se sobressai
Entre os pais do Universo.

Queria ser mais que um poeta
Nessa rima que se encerra
E essa canção ser um troféu,
Pois pra mim é Deus no céu
E o meu pai aqui na Terra."

Cléber de Oliveira Mello, meu pai. Meu amor. Meu amigo. Meu tudo na vida.
Serei sempre sua filhinha, menina carente e indefesa que, mesmo sendo já uma mulher, uma batalhadora, ainda precisa do seu abraço e seu colo.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Heranças

Gosto de escrever isso é óbvio, caso contrário não teria criado este espacinho aqui. Às vezes me perguntam de quem "herdei" este dom. A resposta está sempre na ponta da língua: tenho escritores na minha família.
Na verdade, a gente é uma soma de nossos ancestrais. De um herdamos o jeito de pensar, de agir, o gosto por isso ou por aquilo. De outro, herdamos o formato dos olhos, a altura e por aí vai.
No meu caso, herdei muitos aspectos físicos da família do meu paizinho: o tipo de corpo, os olhos, a pele branquinha, o nariz e até os precoces cabelos brancos. E se Deus me ajudar, hei de ter o gene que faz a pele da minha avó e das minhas tias paternas. Pele que só conhece rugas depois dos 70 anos. Colágeno puro! Coisa de matar de inveja.
Mas a ligação com a escrita vem tanto do lado paterno quanto do materno. Pra ser mais exata, o que eu trago das duas famílias é o hábito da leitura. Afinal, só escreve bem quem lê. Bons autores e bastante. No meu caso, ler despertou a vontade de escrever. E como pretendo escrever melhor, procuro sempre ler.
Na hora de escolher o que cursar na faculdade, sempre tive em mente fazer Letras. Por curiosidades do destino, tentei outros três cursos antes de, finalmente, estudar o que sempre desejei. Entrei primeiro no curso de Comércio Exterior. Adorava toda a parte teórica (política, sociologia e Inglês), mas chorava nas aulas de Matemática Financeira. Desisti porque não era minha praia. Fui cursar Comunicação, crente que estava no caminho certo, mas, apesar de escrever bastante, sentia falta da teoria do "bem escrever" e me desiludi com alguns professores que maltratavam nossa Língua (pecado sem perdão pra mim). Depois fiz 1 semana de Administração de Empresas. Não me pergunte o motivo. Deve ter sido algum chá de cogumelo que tomei sem saber.
Finalmente, em 2001, ingressei na Faculdade de Letras. Sabe quando você para e pensa "é isso"? Pois é, eu pensei assim mesmo: é disso o que eu preciso. Fiz Português-Literatura, pois já falava um Inglês e o fato de ter contato com as teorias da Literatura me fascinava.
Mas minha ligação com a escrita vem desde sempre. Minha mãe conta que eu escrevia "livros" toda semana. No colégio sempre participava de concurso de Redação (e ficava bem colocada). Aliás, minha amada professora de Português, Adélia, até hoje guarda redações que eu escrevia.
Como morava em Paraty, cidade pequena, todas as professoras sabiam que eu era sobrinha de uma professora de Português e de Literatura que até hoje é muito querida, tanto por sua doçura quanto por sua capacidade de transformar o fato mais bobo, mais cotidiano (como diria Bandeira), em um conto, em uma crônica ou um poema de arrepiar qualquer um. Infelizmente não tive aulas com ela. Bem, não tive aula com ela no colégio, porque conversar sobre o livro que ela está lendo é melhor do que muita aula que já tive com professores de Universidade. O nome dela é Marina. A minha Tia Marina, minha Dinda Marina, a primeira poeta que conheci. Nasceu poeta, segundo minha mãe conta.
Lá em Paraty todos sabiam também que eu era neta de uma outra professora muito querida e respeitada, a Dona Cininha. Pra mim, Vovó Cininha.
Dizem que eu não tinha como fugir da paixão pelos livros e pelas letras, uma vez que carrego (pelo menos eu torço pra caramba pra isso) os gens dessas mulheres que parecem amigas das palavras. Se você ouvisse um discurso da Vovó Cininha ou da Dinda Marina você saberia o porquê de eu torcer para a genética falar alto. Claro que rola um medinho das comparações, mas como sempre digo, não me levo muito a sério e não escrevo para os outros, escrevo principalmente para mim.
Pois bem, formei-me em Letras, embora certa de que não iria seguir os passos delas, que exerceram uma das profissões que mais admiro : o magistério. Nunca me senti preparada para ir para a sala de aula. Cursei Letras por uma necessidade quase física mesmo. Foi por pura realização pessoal que ralei cinco anos estudando. Realizei um sonho e tenho orgulho de dizer qual minha formação.
Há uns dois anos fiz uma montagem de duas fotografias: a do 1a dia de aula, no Pré-Escolar (nem existe mais isso) e a famosa foto de Beca. Ficou um trabalho legal e achei que minha avó iria gostar de tê-la. Mandei pra ela com um bilhete.
Gente, a velha chorou, vocês não tem noção do quanto. O mais engraçado é que dias depois ela pediu pro meu pai fazer um quadro, não com a foto (que foi para um lindo portarretrato), mas com o bilhete. Eu já sabia disso: me saio melhor com as palavras do que nas fotografias. Mas quem quer ser bonita quando é capaz de seduzir com a escrita? Brincadeiras à parte, achei curioso aquilo e perguntei o porquê "É que você me homenageou de uma forma tão bonita que senti vontade que todos que entrassem na minha casa lessem aquilo. Queria que vissem como você escreve bem e como, de uma certa forma, eu a influenciei" foi a resposta da Vovó Cininha. Não somos, definitivamente, humildes nessa família.
Meses depois, Vovó Cininha escreveu suas memórias num livro. Falou sobre algumas histórias da família, colocou fotos dos pais, dos irmãos e assim registrou mais de 80 anos de lembranças, ainda fresquinhas.
Quando peguei o meu exemplar, fiquei uns 5 minutos sem saber o que dizer. Foi emoção pura: minha avó transformou o presente que dei a ela numa homenagem a mim. Ela diz que a homenageada foi ela, mas eu bato o pé e digo que fui eu.
Como também herdei dela a personalidade forte, que defende seu ponto de vista mesmo que o mundo prove que é o oposto, combinamos de não falar mais no assunto. E num longo e afetuoso abraço nos agradecemos mutuamente uma à outra.


PS: Meus pais não são assim, como dizer?, muito chegados a livros. Mas foram meus maiores incentivadores. Minha mãe tem um orgulho danado de dizer que em vez de comprar o lanche na escola, eu comprava gibis da Turma da Mônica. Já o meu pai comprava todas as coleções de livros infantis que ele visse. E também me dava dinheiro para comprar mais gibis.


CAPA DO LIVRO DA VOVÓ CININHA



COMENTÁRIO DA MINHA AVÓ SOBRE O BILHETE QUE ESCREVI





HOMENAGEM DA NETA PARA A AVÓ E DA AVÓ PARA A NETA





sexta-feira, 16 de julho de 2010

Dois

Minha amiga, aquela que tem que se decidir entre 2 carinhas(DOIS! Gente, num mundo com tão pouco homem, ela se dá ao luxo de ter 02)me ligou ontem. Precisava conversar sobre os 02 carinhas. DOIS.
Marcamos um chopp. Depois da minha ginástica (não posso faltar às aulas. Pra mim, qualquer 50 calorias queimadas já tá de bom tamanho). Depois de 15 minutos de conversa,porém,minhas inúmeras perguntas (Que perfume você usa? Quantas vezes malha por semana? Me conta logo o segredo pra ter DOIS na sua cola, mulher!) perderam o sentido e saquei que minha querida amiga tem dois grandes problemas. Ou duas grandes piadas.
Não vou citar os nomes dos rapazes e pra ficar mais fácil de entender, vou chamá-los de Número 1 (está a fim dela. 35 anos.Advogado) e Número 2 (recém-separado.3 filhos. Sentimento por ela indefinido).
O drama da minha amiga é mais ou menos assim:
O Número 1, semana passada, estava chaaaato demais. Tava na expectativa pelo resultado de uma entrevista de emprego e não tinha outro assunto. Em plena 3a-feira à tarde, ligou pra ela dizendo que tava na maior ressaca. Ligou depois dizendo que tava com saudade e blablabla. Aí falou que "queria desabafar".
Sei que tenho minhas esquisitices, mas pô, ligar pra desabafar é foda,né? Ando muito egoísta e não tenho lá muita vocação pra me envolver com problemas dos outros. Em linhas gerais, o que eu quero dizer é que não tenho o menor saco de ter um cara ao meu lado desabafando porra nenhuma. Nota zero pra mim no quesito companheirismo.
Dias depois, o Número 1 ligou de novo, mas ela tinha saído com o Número 2 e ela não podia atender. O cara tomou chá de sumiço. Segundo ela, "sob as bençãos de Deus e do Espírito Santo".
Mas antes ele conseguiu deixá-la irritada, via MSN: "quase passei na sua casa ontem". Quando ela disse que não estava em casa porque tinha ido ao cinema, ele ficou putinho,dizendo que só com ele que ela não ia ao cinema e um monte de bobeira. Depois perguntou "e ele como vai?". Sem entender nada, ela perguntou "que ele?".Não respondeu. Depois ficou falando um monte de coisa sem sentido e minha amiga entendeu: tava bêbado. Eram 3 da tarde e o cara tava bêbado. Ele falta ao trabalho, bebe pra caramba e ainda tem necessidade de desabafar. Socorro!
Segundo ela, o "outro", o Número 2, continua lindo! Se falam todos os dias e ela jurou que não tá encanada com ele. Ou seja, tá curtindo sem maiores expectativas. Dei risada porque ela me disse que ele é um "pacote completo" (filhos, ex-mulher, ex casa)e isso mata ela de preguiça.
O cara é um fofo com ela mas nunca a convida para os programas dele. Ela é apaixonadona pelo cara. O resultado disso é que ela vive sempre na espera, parece que fica programando os convites que vai fazer ao cara. Coisas de paixonite. E quando o assunto é esse nem adianta opinar.
Eles vão se ver hoje. Amanhã é dia de roupa sem decote: o cara continua com o hábito de morder o pescoço dela. Pela carinha dela, ela também continua com o hábito de adorar.
Minha amiga está entre um alcoólatra carente e uma mandíbula gigante. Assim como você, eu também posso enumerar uma lista de motivos pra ela desistir dos dois, das duas furadas que ela levou pra vida dela. Mas você acredita mesmo que uma mulher apaixonadona ouve a razão?

domingo, 11 de julho de 2010

Luluzinha´s Jam Session

Nunca mais eu bebo. Dessa vez é sério: não bebo mais durante a semana, muito menos o tanto que bebi ontem. Mas é que Luluzinha´s Jam Session pede vinho, mais vinho e conversa até ficar rouca. Ou até a vizinha reclamar, aquela vaca.
Ontem foi desabafo geral. Cara, tá todo mundo infeliz! Cada uma do seu jeito, mas todas com problemas, todas tristes.
Foi quase um campeonato pra saber quem tá mais fodida. Claro que só falamos de homens e relacionamentos. Bem, na verdade, falamos de homens e NÃO-RELACIONAMENTOS. Nuvenzinha negra na área.
Eu, que sempre conto minhas histórias como se fossem piadas (geralmente elas fazem parte do "seria cômico se não fosse trágico". Ou "seria trágico se não fosse de matar de rir"?), até chorei. Culpa do vinho e não do rapazinho que me deu um fora. Já não choro por causa de foras desde os 18 anos: acostumei.
Mentira, não acostumei,não. Na verdade eu tô triste pra caramba porque eu até que gostava dele.
Tava péssima ontem e quando vi que minhas amigas estavam com pena de mim, aí fodeu de vez. Chorei mesmo. Po! Elas sabem que o papel delas é levantar minha moral, é falar "Gata, quem perdeu foi ele" ou "amiga, ele é um babaca, maior mauricinho. Não sei o que vc viu nele". Pô! O papel de amiga é esse: falar mal do cara que cagou na nossa cabeça. Mas ela fizeram umas carinhas de penalizadas e aquilo foi pior que tudo.
Assim que passar essa ressaca maldita, vou ligar pras "luluzinhas" e dizer que pior do que dor de cotovelo é não ouvir das amigas que amanhã é vida nova, que sou legal pra caramba, sou bonita e tá assim de carinha querendo me consolar. Portanto, da próxima vez, elas já sabem o que me dizer.
Vou ligar logo que essa dor de cabeça deixar. Nunca mais eu bebo.

domingo, 4 de julho de 2010

Me tira daqui

Hei, Príncipe! Hei, você mesmo! Olha pra cá. Sou eu!


Não tá me reconhecendo? Olha, tudo bem: sei que não tenho olhar frágil, nem uso laço de fita no cabelo, nem tenho o andar suave, mas sou eu, acredita.


Me tira daqui. Me salva desse castelo assombrado. Só você pode me salvar.
Ok, sei que fui eu mesma quem construiu esta torre inalcançável pra ficar isolada, mas agora eu quero descer. Olha pra cá que eu tô falando com você.


Eu sei que foi burrice envenenar minha própria maçã e por isso mereço dormir este sono de 100 anos, mas seu beijo pode me despertar. Só seu beijo.


Puxa! O que custa você acreditar em mim? O fato de eu não usar sapatinho de cristal não quer dizer que deva ser condenada a ficar à mercê de dragões malvados. Olha, não é fácil usar sapatinhos de cristais. Principalmente quando se calça 39. Mas, vai por mim: sou eu mesma. Sua Princesa.


Para. Não precisa jogar na cara que não tenho absolutamente nada de Princesa, já sei disso há muito, muito tempo. E, pra seu governo, vivi muito bem até agora assim. Ser Princesa é muito desgastante quando se tem que ganhar o próprio salário, pagar mil contas e tudo o mais. Sim, rapazinho, eu mato um dragão por dia. Mesmo assim eu preciso que você me salve.
Me tira daqui, cara. Já tô perdendo a paciência e esse lance de ficar suplicando não faz minha cabeça. Além do mais, se eu precisar insistir muito vou acabar me convencendo de que é mentira essa estória de ter meu próprio Príncipe. Quebra meu galho e me tira daqui.


Me salva desse mar de lama, onde tem um monte de sapo que só serve pra uma noite e também pra me sentir culpada. Olha, embarquei nessa de ser salva pelo Príncipe porque me falaram maravilhas sobre você e seus nobres colegas. Adorei aquela parte do “Felizes para sempre”. Agora você tem de colaborar. Pra te falar a verdade, eu até que me dou bem com alguns dos sapos deste imenso brejo que cerca minha vida, por isso mantenho o telefone deles na minha agenda. Eletrônica. Afinal, sou uma Princesa (sou?) moderna.


Ai, ai, ai. Como é? Vai ficar aí parado enquanto eu vejo todas as outras Princesas se dando bem? Vai fingir que não é com você que eu tô falando, enquanto vejo daqui de cima o Grande Baile cheio de casaizinhos dançando lindamente? Pô! Que sacanagem.


Bateu uma dúvida agora. Responde aí: você tem várias Princesas ao longo da vida ou será que existe uma Princesinha feita sob medida pra você? Tô perguntando isso porque eu já descobri que na minha vida só existe um Príncipe (você!), por isso os outros têm cara (alguns têm, inclusive, caráter) de sapo. Olha só, raciocina comigo: se você tem sua Princesa-metade (e obviamente sou eu) como você sai por aí beijando todas as outras? Ah, deixa disso: não tô com ciúmes. É curiosidade. Será que você não se sente perdido também? Será que não te dá aquela sensação de que seu pedaço de bolo veio sem recheio, ou que seu Sundae tem menos calda de chocolate? Sim, porque é exatamente isso o que eu sinto: na minha caixa sempre falta um bombom. Meu biscoito tem menos cobertura. É assim que eu sinto o mundo. 


Mentira! Não sinto o mundo todo assim, só o que diz respeito a beijos e aquelas outras coisas tão gostosas quanto bombom ou sorvete. Sinto que falta o melhor, falta o complemento. Por isso os classifiquei de sapos. E você, que me fará sentir finalmente o gostinho daquilo que tava faltando, eu chamo de Príncipe.


Vai continuar ai, né? Já entendi: se eu quiser descer daqui dessa torre gelada, que eu desça com meus pés. Até que você tem razão: fui eu que subi sozinha. Mas, puxa vida, custa me ajudar?


Ah! Quer saber de uma coisa? Agora quem não quer que você me salve, sou eu, tá legal? Fica aí, assiste seu futebol, toma sua cerveja que eu me arrumo. Já fiz coisas muito mais difícil do que despertar de sono de 100 anos. Não preciso de beijo de ninguém.


Eu só queria saber porque você não quis me salvar. Será que laço no cabelo é fundamental? Princesa de cabelo curto pintado de vermelho não tem chances de ser salva? Ou será que a tal aparência frágil e indefesa é que é fundamental? Mulher que sabe descer de torre sozinha tem mais é que ficar com sapo. É isso? Tenho de ser mais calminha, mais passiva e viver à sua sombra? É isso que, no fundo, esperam da gente.


Príncipe, eu queria de verdade que você me salvasse de todos aqueles feitiços, dragões e sapos horríveis. Queria mesmo. Mas se o preço a pagar é perder minha identidade e ser do jeito que dizem que eu tenho de ser; é me comportar como boa moça e só fazer o que me permitem, bem, se o preço é este, lamento informá-lo, mas eu tô fora!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tempo, tempo, tempo, mano velho...

Bastou passar os olhos nas capas de revistas que estão nas bancas pra eu ver dois assuntos que estão sempre em pauta. Um deles é traição.
Nos últimos dias conversei com algumas amigas e várias delas falaram sobre a dor de ser traída e suas complicações. Impossível não me lembrar de quando isso aconteceu comigo e ver como o tempo, de fato, cura tudo.
Impossível também não pensar em como tudo o que acontece com a gente acontece na medida exata para nossa felicidade. Como diz minha Dinda, tudo é obra divina.
Claro que eu preferia que aquilo não tivesse acontecido, mas aconteceu e não havia o que fazer. Então eu passei a pedir a Deus para tirar aquela tristeza de mim. E eu sabia que era questão de tempo, embora seja afobada e deteste frases do tipo "dê tempo ao tempo". Se você tivesse passado por alguma coisa parecida, também ia querer que o tempo passasse logo.
O legal é que passou. Tudo sempre passa. E acho que é exatamente aí que está o segredo de viver bem: lembrar que tudo acaba. E que de tudo, só fica o amor.
Há 12 anos quando um incêndio destruiu a mercearia dos meus pais, passei a dar menos importância ainda às coisas materiais. Em vez de sofrer, eu só pensava em como Deus havia sido muito bom por não ter permitido que ninguém tivesse se machucado. Enfrentaria mil incêndios sem me abalar mas não aguentaria perder um dos meus pais.
Perder uma "sobrinha" e uma prima em menos de 3 meses foi um golpe muito mais duro que tudo o que imaginei na vida. Mas eu pensava em como Deus foi generoso por ter permitido que eu convivesse com a Vanessa por 10 anos e com a Lili por quase 20 anos. Passei a dar ainda mais valor aos meus amigos.
Por ter sobrevivido a esses 3 episódios tão doloridos em minha vida, sabia que era questão de tempo superar a tristeza de ver um relacionamento ir pelo ralo. Muitas vezes, quando eu estava bem triste, mas triste mesmo, eu falava "Olha, Deus, já tá na hora de acabar com isso, hein? Já tá ficando monótono." . Mas em nenhum momento quis dar uma de durona e dizer que não tava sofrendo ou então fingir que poderia aguentar aquilo sozinha. Ao contrário do que sempre faço, pedi ajuda a todos: meus pais, meus amigos...
Hoje o saldo disso é que os laços com essas pessoas ficaram mais fortes e eu me livrei de uma pessoa que jamais me faria feliz, pois éramos diferentes em tudo: nosso humor era diferente, nossos gostos eram diferentes e, principalmente, nossos valores eram diferentes.
Todas essas diferenças construíram um muro entre a gente e, quando percebi, não nos víamos mais.
Doeu ver vários sonhos se acabarem antes de nascerem, foi difícil me ver fora do álbum de fotos dele, mas durou pouco tempo. Ou melhor, durou o tempo suficiente para me fazer ver que tudo o que acontece com a gente acontece na medida exata para nossa felicidade.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

O AUTORRETRATO

No retrato que me faço
- traço a traço -
às vezes me pinto nuvem,
às vezes me pinto árvore...

às vezes me pinto coisas
de que nem há mais lembrança...
ou coisas que não existem
mas que um dia existirão...

e, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
minha eterna semelhança,

no final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

Mario Quintana (Apontamentos de História Sobrenatural)

Uma talzinha na sua cama

Sou capaz de apostar que você fez uma faxina daquelas para apagar qualquer rastro meu e não irritar a nova mocinha que vai dividir sua cama a partir de agora. Guardou minhas fotos lá no fundo da gaveta pra ela não ficar com ciúme de como eu saio bem em fotografias, especialmente quando o fotógrafo é você. É certo que ela perguntaria, com uma curiosidade quase esnobe, quem é aquela branquela, sem peito e de cabelo curto que insiste em ser linda quando está nas fotos que você faz. Será que você falaria que é sua ex-namorada? Ou mandaria aquela frase que tanto me irritava: é uma amiga, você não conhece. No início você se referia a mim como amiga, lembra? Eu fazia uma cara de brava e você fingia que nem percebia. E dava um beijo bem molhado, quase como um pedido de desculpa. Eu desculpava porque uma coisa que não aprendi foi ficar brava com você por muito tempo. Agora é outra que serve de modelo pra você. E minha curiosidade também esnobe me faz ter vontade de saber se ela tem tatuagem, se tem bundão ou simplesmente se é mais bonita do que eu. E quando eu penso muito nisso, fico pau da vida. Porque eu acho que qualquer outra mulher é sempre mais bonita do que eu, mesmo que eu garanta que sou autoconfiante e diga que minha inteligência me faz ser mais interessante do que qualquer biscate que te dê mole. E nem adianta dizer que ela não é biscate. Você sabe: qualquer mulher ao seu lado que não seja eu vira logo biscate, piriguete, ou vaca mesmo.

Será que a faxineira limpou bem a sala e não deixou nem um fio vermelho do meu cabelo no tapete? Torço para que tenha, pelo menos, uma coisinha minha que esfregue na cara da nova mocinha que um dia eu estive por aí. Que era eu quem dormia enrolada no edredom quando, em pleno julho, você ligava o ar condicionado. Por mais que pareça, isso que eu sinto agora não é despeito. E nem saudade, é só vontade de fazê-la saber que um dia tudo isso que você faz com ela, fez comigo também. Porque eu odeio pensar que agora é outra que dorme com a TV ligada e acorda com beijo no pescoço. Será que a mocinha gosta do seu abraço? Será que ela dá o devido valor aos seus braços imensos, que sabiam me abraçar do jeito exato que eu preciso pra ser feliz? Vai ver essa vaca aí nem percebe como um abraço desses é precioso. Ela talvez nem precise dele pra ser feliz.

Eu adoraria ser daquelas pessoas civilizadas que desejam ao ex-namorado toda a felicidade do mundo e que diz que fica feliz por ver o outro bem. Mas eu não sou civilizada e nem faço questão de bancar a educadinha. Por isso eu acho que a vaca que está com você agora não merece ser abraçada por seus braços enormes e muito menos ganhar seus beijos e suas marcas.

Se educada eu fosse, diria que torço pra que ela seja bem mais simples do que eu e saiba dizer a coisa certa e nunca te deixar embaraçado quando, cheio de planos pra nós dois, eu dizia que não dava mesmo pra viajar naquele final de semana porque tinha de trabalhar. Mas eu quero mesmo é que você não tenha vontade de viajar com ela, que deve ser meio burrinha e não sabe conversar sobre literatura. Se eu fosse menos presa ao passado, teria esquecido um pouco a dor que aquele outro imortalizou em mim e teria te curtido mais. Teria me entregado mais a você, que, de vez em quando, ficava assustado com minha frieza. Uma frieza que jamais existiu, que era só um jeito de eu fingir que não morreria no dia que tudo entre nós acabasse. Disfarce, puro disfarce. Não dá nem pra reclamar com você: sou boa atriz e você não tinha como adivinhar que eu era só sua, que muito antes de perceber, eu já estava mesmo entregue a você. Coloquei minha vida nas suas mãos, só não deixei você perceber. Disfarçada de super mulher, disse que era melhor assim: você seguir sua vida e eu a minha. O problema é que minha vida ficou aí com você, que agora deve estar dividindo com ela o lençol que compramos juntos. Se a vida fosse do jeito certo, a gente se esbarraria num sábado à noite qualquer, num barzinho do nosso bairro, cada um com um bando de amigos que parecem só falar besteira, e a gente ia se cumprimentar, aos poucos se afastar dos amigos fúteis e, já que houve caipirinhas e chopps, eu ia te falar que, apesar de ter conhecido um cara ótimo, que adora ler e me recomenda livros cult, eu queria mesmo era estar com você. Aí você ia mandar eu ficar quietinha e ia me beijar aquele beijo com gosto de chopp e tudo seria do jeito que deveria ter sido, não fosse meu jeito esquisito de sempre fugir do amor quando ele dá o ar da graça. E, em vez da mocinha, era eu quem estaria aí na sua cama, nessa madrugada gelada.

domingo, 13 de junho de 2010

FAZ UM TEMPÃO

Resolvi reler aquele livro que ganhei de amigo-oculto no Natal de 2003. Tomei o maior susto: seu cartão de Natal. Nosso último Natal. Você abriu seu presente, sorriu ao ler o cartão, mas não fez questão de guardá-lo, como fazia com tudo que ganhava de mim. Era um sinal, mas eu não reparei. Na verdade reparei, sim, mas era mais fácil fingir que tava tudo bem. Peguei o cartão e coloquei-o dentro do livro. Dias depois, achei a coincidência irônica: aquela também era uma estória de separação por desencontros. Hoje, tanto tempo depois, vou reler o livro pois já não me lembro muito da estória. De repente, senti sua falta. Fazia muito tempo que não lembrava de você. Não te amo mais há muito tempo, mas senti sua falta. Falta das coisas da gente. Tanto tempo depois, ainda lembro bem de nossa história. E essa lembrança de tanta coisa bonita é triste, porque não acabou por falta de amor: cada um pegou um avião diferente, desembarcou em terminais diferentes. E se a gente tivesse comprado bilhete junto? Como seria o hoje? Lembro de coisas sem ordem cronológica, como quem vê um álbum aleatoriamente. A primeira viagem de férias. O meu aniversário na casa nova. A tentativa de reatar viajando para o lugar de sempre. A última briga, sei lá porquê, vem mais vezes à minha cabeça: fui dormir na sala pra poder chorar em paz, pra você não desistir de ir só por pena de tudo que ia deixar pra trás. Doeu abandonarmos tantos sonhos. Sinto falta do filho que não tivemos, da tatuagem incompleta e da TV eternamente ligada no futebol. Também da sua mania de não dormir no escuro e de implicar com meu banho muito quente. Tenho saudade da gente e do tempo que nada era por educação ou obrigação. Lembra? Houve um tempo que a gente era espontâneo e carinhoso pra caramba. Saudade da salada da Chaika, do carinho "pé com pé", do beijo que a gente não podia negar depois da briga. Trato é trato: tem que beijar mesmo se estiver com raiva. Raiva? Que raiva, já passou... São dessas coisas que eu sinto saudade. Mas hoje é só saudade/ lembrança. E uma curiosidade imensa: por que você passou por mim e nem me cumprimentou?

sexta-feira, 11 de junho de 2010

FRASES DE CHICO XAVIER

Frases do médium Chico Xavier que inspiram, consolam e trazem paz

A Revista Cláudia, na edição de Abril, trouxe uma matéria muito interessante sobre a vida do Mestre Chico Xavier. Uma parte que gostei muito foi a seleção de frases do médium, comentadas pelas seguintes pessoas: Marcel Souto Maior, biógrafo de Chico; Mario Sergio Cortella, filósofo; Dulce Critelli, filósofa; Coen Sensei, monja da Comunidade Zen Budista; Lidia Weber, psicóloga; Lidia Aratangy, psicoterapeuta; e Guiomar Alvanese, diretora do Centro Espírita Perseverança, em São Paulo.

Isto mostra o quanto a sabedoria de Chico Xavier ultrapassou religiões e culturas. Abaixo estão as frases comentadas. Vale a pena refletir.


"A virtude mais difícil de ser posta em prática é o perdão. Perdoar exige um esforço de autossuperação muito grande"
Dulce Critelli diz: “Chico convida as pessoas a se corrigirem em seus desatinos”. Para ela, perdoar requer humildade. A pessoa ofendida precisa reconhecer que teve alguma participação no mal que sofreu. Também deve renunciar à prepotência de imaginar que só o outro erra. “Temos de reconhecer que não somos intocáveis como deuses e abrir mão da supremacia em que o erro do outro nos coloca.”

"Casamento, para ser sólido, há de ser uma união de almas afins, mas, sem espírito de tolerância, casamento algum vai adiante"
Marcel afirma que tolerância é uma das palavras-chave da cartilha de Chico. “Ele ensinou a respeitar as diferenças, a administrar os desencontros da rotina conjugal.” Na união de almas, Lidia Aratangy lê uma ressalva: “Se ultrapassar os limites, a tolerância vira conformismo e submissão – e isso não pode existir entre almas que se casam de verdade”.

"Sem amor, não saberemos o que fazer com tanta conquista"
O homem já encurtou as distâncias, dividiu o átomo, interpretou o segredo da Lua e das estrelas”, diz Guiomar. Essas conquistas tanto podem tornar a Terra um mundo de delícias materiais como um inferno de dores morais. Sem amor, elas se esvaziam, não trazem segurança e paz.”

"Quando olho para uma pessoa, não estou olhando a sua condição sexual, estou olhando para alguém que me cabe respeitar, seja qual for a sua opção em matéria de sexo"
Para Guiomar, Chico atinha-se à alma, conhecia o ser humano e suas opções. “Ele repetia as palavras de Emmanuel, seu mentor: ‘A união sexual traduz a permuta sublime de energias perispirituais, simboliza alimento divino para a inteligência e o coração’. E sempre lembrava que essa permuta não se restringe à relação entre heterossexuais.”

"Agradeço todas as dificuldades que enfrentei. Não fosse por elas, não teria saído do lugar... As facilidades nos impedem de caminhar"
Marcel recorda que Chico era grato às dores e aos obstáculos da vida, considerava-os instrumentos de crescimento. Encarava os adversários como amigos estimulantes e definia suas doenças (catarata e angina) como enfermeiras. Em vez de se abater, ele se sentia instigado por tudo isso.”

"O homem que sabe envelhecer é uma luz para a comunidade"
Cortella interpreta o ensinamento do médium mineiro assim: “Iluminar caminhos em uma sociedade marcada pela pressa das ações e superficialidade das relações é tarefa dos mais idosos que tenham sido capazes de não perder a vitalidade mental nem a persistência moral. Os que sabem envelhecer adquirem uma sabedoria que tem como fonte não a extensão do tempo, medida em anos, e sim a intensidade da vivência, medida em sentimentos”.

"Ninguém tem o direito de se omitir. Cultivar uma flor, não poluir, estampar um sorriso, proferir palavras de esperança – isso pode parecer insignificante, mas não é"
Segundo Cortella, é um alerta para os riscos do biocídio, representado pelo desequilíbrio ambiental e humano e pelas pequenas mortes cotidianas da esperança e paz espiritual. “O ditado antigo ainda vale: ‘Os ausentes não têm razão!’ O que parece distração da vida prática e produtiva é o que nos dá sentido para não apodrecermos o futuro.”

"Os espíritos ainda não encontraram uma palavra para definir a dor de um coração de mãe quando perde um filho"
Para a ciência, a perda de um filho causa o maior desconforto emocional que podemos suportar. Para Lidia Weber, é dilacerante presenciar a morte daquele que deveria sucedê-la; uma dor que não termina”. Daí, é fácil entender por que os espíritos não explicam essa dor e por que Chico dizia que a oração da mãe arrebenta as portas do céu.

"Tudo passa, mas o remorso faz com que o tempo pare dentro da gente... O relógio não espera ninguém, já a consciência se recusa a avançar..."
Dulce explica que o remorso nos paralisa. “Ficamos cara a cara com os nossos erros. O ideal seria que ele nos fizesse agir para retificar o malfeito. Mas, por vergonha, o encobrimos a ponto de esquecer o que fizemos.” Ela diz que devemos nos absolver: “Sem nos perdoar, o remorso só nos fará queimar no arrependimento, sem chance de recomeçar”.

"Emmanuel sempre me disse: “Chico, quando você não tiver uma palavra que auxilie, procure não abrir a boca"
Quando criança, em vez de reclamar ou maldizer, Chico punha água na boca e afirmava ser a água da paz. Só a en­golia, conta Marcel, na hora em que passava a vontade de vociferar. O médium viveu o tempo todo com essa água na boca: “Trabalhou duro para fazer bom uso da palavra em livros e conversas com os visitantes do centro espírita”.

"Choro é para de quando em quando. Esse negócio de chorar todo dia não dá!"
Dulce explica: “Chico nos alerta contra a vitimização e impotência em que nos instalamos ao termos pena de nós”. É claro, diz ela, que ao chorar revelamos quanto somos afetados pelo problema e que aquilo que nos faz sofrer é importante. Mas pode ser só um meio de chamar a atenção.

"Façamos uma campanha contra a violência, a começar por nós. Tenhamos mais paciência em casa, no trânsito...
A monja Coen vê semelhanças entre essa lição e as do líder indiano Mahatma Gandhi, que dizia que devemos ser a paz que queremos no mundo. “Só atingimos isso com alicerces seguros”, afirma. Para chegar lá, ela sugere que sejamos corretos em ações, palavras, meio de vida, pensamentos, memória, concentração, esforço e meditação. Coen lembra ainda que “paz não é passividade, é atitude”.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

POSSO FALAR?

Minhas duas últimas semanas foram do tipo "tudo ao mesmo tempo? Será que eu aguento?": pela primeira vez na vida fiquei desempregada (além da preocupação com grana, ficar em casa sem nada para fazer é quase um castigo para quem é ligada na tomada, como eu) e meu afilhado passou 12 dias na UTI por causa da Dengue (momento Marketing Social: a Dengue mata, identifique e acabe com os focos do mosquito Aedes Egypt).
Mas não, não quero esquecer estes dias de tensão, aflição e insegurança. Ao contrário, quero lembrar-me deles para sempre, pois acredito que tenho a obrigação de aprender com os momentos delicados pelos quais eu passo. Quero ser uma pessoa melhor depois de cada dor. E toda vez que passo por algum episódio de perda, doença ou coisas do gênero, me vem à cabeça uma poesia chamada "Certas tardes", do Affonso Romano de Sant´anna, que fala assim : "
(...) Deus botou essas tardes na minha frente/ Para me ferir,/ Me extasiar./ Às vezes me distraio. Deus insiste: põe/ As tardes de novo em minha frente / Para que eu aprenda a morrer."

Abusadinha que sou, já senti vontade de falar com o poeta e sugerir que ele fizesse uma pequena alteração. Minha versão seria assim:
" (...) Deus insiste: põe/ As tardes de novo em minha frente / Para que eu aprenda a VIVER."

É que eu realmente acho que, tal como essas tardes do poema, os momentos difíceis por quais eu passo são "avisos" para eu aprender a viver de verdade. E isso quer dizer me preocupar com o que é importante, vital, indispensável. Minhas desavenças com a balança ou outras implicâncias com minha aparência são distrações que me fazem desviar do caminho da felicidade. Essas preocupações não me acrescentam nada, apenas me fazem sofrer e esquecer de tudo o que já tenho, já conquistei.

Se eu fosse enumerar quantas vezes me distraí pensando "quando emagrecer vou ser mais feliz" ou "se eu ganhasse mais minha vida seria melhor"... Quanta energia desperdiçada, quantas lágrimas inúteis.


Por que estou falando sobre isso? Por dois motivos. O primeiro foi porque ontem almocei com duas amigas e uma hora o assunto descambou, claro, para o quesito "aparência". Uma falou sobre a culpa que estava sentindo por ter enchido o prato de carboidratos. A outra disse que o namorado vive implicando com o imenso culote que ela "cultiva". Quando tentei argumentar que não é pecado sair da dieta, principalmente num sábado. Culpa engorda mais do que pizza com amigas ou que homem que não gosta do corpo da namorada não gosta mesmo é da namorada, quase fui linchada e acusada de traidora do movimento que todas nós mulheres participamos, o da eterna insatisfação com o corpo. Tentei argumentar que até bem pouco tempo eu também levantava a bandeira do "Só vou ser feliz de verdade quando ficar bem magrinha" e que meu lema era "não me elogie: eu sou gorda". E que passei a me amar quando entendi que há coisas na vida que valem bem mais do que um corpo esbelto. Só que elas não me ouviram e continuaram falando sobre como é triste não conseguir perder 2 kg, como é horrível ter 30 e tantos anos e não estar rica e independente financeiramente ("Pagar aluguel pra mim é a maior prova da minha derrota profissional"). Minhas amigas me assustaram por se mostrarem tão insatisfeitas com suas vidas. Perguntei se elas já pensaram em fazer terapia para tentar entender o motivo de tanta culpa, tanta cobrança. Uma disse que terapia é cara e para pagar ela teria de parar de malhar com personal trainner. Eu, que também já preferi ficar magra a ter uma cabeça legal, falei que tem hora que é realmente preciso escolher o que vai ser mais útil.

Todo esse papo me fez lembrar de como eu gastei tempo e dinheiro tentando entrar na "Maravilhosa terra dos magros e lindos". E de como foi gratificante descobrir que o passaporte para um mundo mais feliz é a tão falada autoestima: desde que cultivei a minha não me para nenhuma terra de sonhos, mas vivo de um jeito mais tranquilo, e que é bem mais fácil viver bem com o que tenho do que sofrer pelo que gostaria de ter.

Insatisfação, baixa autoestima, culpa... esses são temas recorrentes nos comentários das leitoras do outro blog para onde escrevo, o Mulherão, e este foi o segundo motivo de eu estar escrevendo tudo isso.
Tem menina que acha que se virar modelo GG vai ser mais feliz e a vida será um mar de rosas, um paraíso. Pizzas e chocolates serão itens obrigatórios na sobremesa. Exercícios físicos e dietas serão banidos do vocabulário. Também não será necessário olhar para dentro de si e tentar descobrir se existe algum motivo emocional para ter começado a engordar. Ela será aceita por todo mundo e, quem sabe, até por ela mesma.

Tem menina que jura de pé junto que é feliz com o peso que tem porque, afinal de contas, tem um namorado/ marido apaixonado. Como se isso fosse uma espécie de selo de garantia: sorria, você já tem seu namorado/ marido e não precisa se cuidar. Mas é tão perigoso colocar a felicidade nas mãos do outro..

À noite uma de minhas amiga me ligou. Ficara pensativa o restante da tarde e estava curiosa, queria saber se era verdade que passei a gostar dos meus pneuzinhos. Respondi que não, que meus pneuzinhos ainda me incomodam. Só que tenho tantas outras coisas para ocupar minha cabeça...