domingo, 5 de setembro de 2010

Geração "Sex and the City"

Tem um assunto que, vira e mexe, é tema de loooongas conversas: vale a pena ser uma "Mulher independente"?
Durante esta semana o tema esteve na minha cabeça mais do que nunca, embora deva adiantar que não me considero, em absoluto, uma "mulher independente".
Há alguns meses uma queria amiga minha, a Aline Souza, escreveu sobre as desventuras de fazer parte da ''geração Sex and the City". Ela se questionava se valeu a pena ter investido tanto em estudo e nunca ter aprendido a fazer arroz se hoje, na casa dos "30" está sozinha.
Assim como ela, também faço parte dessa geração que compra o sapato que está a fim, tem um emprego legal, sai com o cara que está a fim e não precisa ficar se explicando pra ninguém.
Só que o glamou dessa vida acaba na página 2. Pelo que percebo, saindo às ruas, em vez de Carries e Samanthas Jhones, esbarramos mesmo nas várias mocinhas em busca de seu Príncipe encantado. E se ele não for assim tão príncipe, tudo bem: ela já não é tão mocinha e por isso acha que não dá pra escolher muito. É que nem fim de feira.
Acho isso o fim do mundo. Sei lá, nunca tive sonho de me casar e ter filhos. Nada contra, só nunca fui de pensar muito no assunto. Já fui casada e posso dizer que não é a minha praia. Há outras formas de viver com o cara que eu amo.
Sendo honesta, no fundo, meu sonho mesmo sempre foi viver um grande amor. Sabe daqueles que você fica tonta? Perde o sono, a fome, a voz. Esse mesmo. E quando coincide de ele também viver este grande amor comigo, aí então é bom demais.
Claro que às vezes rola de um dos dois não sentir coisa de jeito igual. Mesmo assim tá valendo: eu gosto pra caramba de viver paixões.
Aliás, depois que faz 30 anos, a gente descobre que o grande amor da nossa vida é a gente mesma. E isso faz toda diferença em nossas escolhas e definições.
Minha mãe não me criou nem para ser livre e nem para ser dona de casa. Minha mãe me criou para ser feliz.
Com marido, sem marido, com ou sem carteira assinada, o importante era estar confortável com as escolhas que eu fizesse.
Como toda mãe, a minha é muito sábia e sempre disse que eu deveria, sim, aprender a cozinhar: para mim mesma ou para quem quer que fosse. Deveria também aprender a limpar a casa, afinal, morar numa casa imunda não é nada inteligente. Dentro desse compromisso de "apenas’’ ser feliz, fui vivendo: aprendi outras línguas, estudei e li pra caramba! Acabei (adivinhe!) me tornando uma “mulher independente”.
E isso é bom? Não sei: nunca fui de outro jeito.
Sim, eu sei, dizem as más línguas que “homem tem medo de mulher independente”. E daí? Eu não me relacionaria mesmo com homens medrosos ou que tentassem mudar minha personalidade.
Pô! Deu um trabalhão me transformar em quem eu sou hoje... não vou mudar só pra agradar alguém. Pra falar a verdade, não quero nem agradar. Só quero poder ser eu mesma, expor minhas idéias, seja com minhas amigas ou com um carinha interessante.
Não gosto quando dizem que eu deveria agir assim, ou ser menos assim, ou sei lá o quê. Porque pra mim ter um emprego com salário bom e poder ir aos lugares com os próprios pés não é defeito.
Já ouvi algumas vezes que sou "distante", que deveria ser mais romântica. Puxa, logo eu que adoro um colo, um cafuné do meu gatinho! Também gosto quando abrem a porta do carro, dou valor às datas. Isso não é ser romântica?
E já que comecei a falar de mim, vou entregar o jogo: assisto programa de fofoca, prefiro não dividir conta de restaurante, não pego no chinelo pra matar barata. Viu? Talvez não haja tanta diferença entre mim (e milhares de mulheres desta geração) e outras mulheres que optaram por serem mães, donas-de-casa ou simplesmente viverem para o marido e para os filhos. A pequena diferença entre nós não é motivo nem de orgulho e nem de vergonha.
Se eu vou me arrepender de não ter filhos? Não tenho como saber agora.
Também sei que não vou morrer de solidão por não envelhecer ao lado de alguém: quem tem amigos, família boa e muitos livros não tem tempo para se sentir sozinha.
E quem gosta da própria companhia dá risada quando perguntam se você não se sente só.
Solidão para mim seria me perder de mim mesma.