quinta-feira, 12 de agosto de 2010

SOBRE 4as-FEIRAS E PIJAMAS DE FLANELA

Tenho aproximadamente 332 defeitos. Teimosia, inquietações, ceticismo... O maior deles, porém, é a dificuldade de dizer o que eu sinto. Consigo sentir mas não consigo falar. Na maioria das vezes, opto por escrever.
Então, aqui estou eu mais uma vez a escrever o que deveria falar e aí está você, a ler o que deveria ouvir. E se você não ler, acho ainda melhor: expor-me muito me assusta.
Eu queria dizer que foi bom você aparecer meio assim, do nada. E que gostei do jeito que você me olhava enquanto conversávamos. Mas eu não sei falar isso. Eu tento fazer você perceber isso quebrando as formalidades. "Tá na geladeira, pega lá". Você vai lá e pega e eu me sinto feliz porque te deixei à vontade.
Ficamos os dois à vontade: nem eu arrumei a cama de hóspedes e nem você usou pijama. Pra mim isso é um avanço e tanto, pode acreditar. Tá vendo esse cabelo vermelho, corte moderno, jeito descolado? Tudo isso é só do lado de fora. Sou careta e tenho vergonha de tirar a roupa na frente dos outros. Geralmente leva tempo.
Não tenho grandes segredos pra te contar, meus sentimentos costumam crescer aos poucos, percebendo a reciprocidade. Portanto, não há perigo no que ando sentindo. Uma saudadezinha aqui, uma vontade de te ver numa 4a-feira. E dar risada disso, sem ninguém entender porquê.
Eu não quero me casar com você, muito menos ser sua amiga colorida. Eu não quero dar nome a porra nenhuma entre nós dois.
Não quero fazer gênero, bancar a femme fatale, nada dessas palhaçadas. Eu finjo mal pra caramba e você iria pensar " Gozou porra nenhuma. Tá é querendo me agradar". Mas eu não quero te agradar, quero é ser agradável pra você, de um jeito leve, natural. Ando farta das coisas forçadas, da falta de naturalidade. Não gosto de silicones nas minhas relações. Sejam quais forem.
Eu não te conheço e você não me conhece. Sou uma menina gostosinha e gente boa, com quem você foi gentil, mas até aí nada demais: você é gentil com o flanelinha e, se bobear, com a moça do telemarketing.
Eu queria ter falado mais de mim e ouvido mais de você, mas vinho dá um sono depois, né? Ou será que o "depois" é sonolento sempre: com ou sem vinho?
Por isso eu só te abracei apertado. E quando acordei no meio da noite, fiquei te olhando, tão lindo, dormindo pesado. Tão lindo. E te abracei de leve pra não te acordar. Eu não quero te assustar.