quinta-feira, 1 de julho de 2010

Tempo, tempo, tempo, mano velho...

Bastou passar os olhos nas capas de revistas que estão nas bancas pra eu ver dois assuntos que estão sempre em pauta. Um deles é traição.
Nos últimos dias conversei com algumas amigas e várias delas falaram sobre a dor de ser traída e suas complicações. Impossível não me lembrar de quando isso aconteceu comigo e ver como o tempo, de fato, cura tudo.
Impossível também não pensar em como tudo o que acontece com a gente acontece na medida exata para nossa felicidade. Como diz minha Dinda, tudo é obra divina.
Claro que eu preferia que aquilo não tivesse acontecido, mas aconteceu e não havia o que fazer. Então eu passei a pedir a Deus para tirar aquela tristeza de mim. E eu sabia que era questão de tempo, embora seja afobada e deteste frases do tipo "dê tempo ao tempo". Se você tivesse passado por alguma coisa parecida, também ia querer que o tempo passasse logo.
O legal é que passou. Tudo sempre passa. E acho que é exatamente aí que está o segredo de viver bem: lembrar que tudo acaba. E que de tudo, só fica o amor.
Há 12 anos quando um incêndio destruiu a mercearia dos meus pais, passei a dar menos importância ainda às coisas materiais. Em vez de sofrer, eu só pensava em como Deus havia sido muito bom por não ter permitido que ninguém tivesse se machucado. Enfrentaria mil incêndios sem me abalar mas não aguentaria perder um dos meus pais.
Perder uma "sobrinha" e uma prima em menos de 3 meses foi um golpe muito mais duro que tudo o que imaginei na vida. Mas eu pensava em como Deus foi generoso por ter permitido que eu convivesse com a Vanessa por 10 anos e com a Lili por quase 20 anos. Passei a dar ainda mais valor aos meus amigos.
Por ter sobrevivido a esses 3 episódios tão doloridos em minha vida, sabia que era questão de tempo superar a tristeza de ver um relacionamento ir pelo ralo. Muitas vezes, quando eu estava bem triste, mas triste mesmo, eu falava "Olha, Deus, já tá na hora de acabar com isso, hein? Já tá ficando monótono." . Mas em nenhum momento quis dar uma de durona e dizer que não tava sofrendo ou então fingir que poderia aguentar aquilo sozinha. Ao contrário do que sempre faço, pedi ajuda a todos: meus pais, meus amigos...
Hoje o saldo disso é que os laços com essas pessoas ficaram mais fortes e eu me livrei de uma pessoa que jamais me faria feliz, pois éramos diferentes em tudo: nosso humor era diferente, nossos gostos eram diferentes e, principalmente, nossos valores eram diferentes.
Todas essas diferenças construíram um muro entre a gente e, quando percebi, não nos víamos mais.
Doeu ver vários sonhos se acabarem antes de nascerem, foi difícil me ver fora do álbum de fotos dele, mas durou pouco tempo. Ou melhor, durou o tempo suficiente para me fazer ver que tudo o que acontece com a gente acontece na medida exata para nossa felicidade.