quinta-feira, 14 de maio de 2009

E A LUTA CONTINUA

Minha amiga disse que anda preocupada com a proximidade do Dia dos Namorados e por isso tomou uma decisão: vai fisgar alguém até o dia 11 de junho. Quer ganhar presente no dia 12 de qualquer jeito.
Pra isso ela montou uma estratégia que parece até o War: cercar por todos os lados as fronteiras e dominar um país, ganhar um país. Acho que era esse o objetivo do War, né? Sou péssima estrategista.
Bem, ela tem saído de 5a-feira a domingo. E quando fica em casa, se conecta e só Deus sabe o tanto de cadastro em site de relacionamento que ela tem. Outro dia achou um amigo de um amigo o maior gatinho, através do Orkut. Não sossegou enquanto não conseguiu falar com o rapazinho por msn.
Conversa vai, conversa vem e decidiram se conhecer. Mas como era a 1a vez que ia conhecer alguém cujos primeiros contatos eram on line, ela achou melhor me falar sobre o cara e também aonde iriam.
Perfil do pretendente. Devo adiantar que não consigo ser imparcial e dei meus pitacos. É que tem umas coisas que me fazem tirar conclusões (preconceito é o nome disso?) mas geralmente eu não erro. Vamos lá: o cara tem 39 anos e NUNCA namorou . Está desempregado (é engenheiro e trabalhava algum tempo fazendo freelas como consultor. FREELA. Um nome bonito pra "bico", né?) e no momento está trabalhando como autônomo. Continua fazendo bico, certo? Ok, a situação do país tá grave e não é todo mundo que tem um emprego pra chamar de seu. Só que toda vez que minha amiga falava com ele, a criatura tava chegando da praia ou da oficina (tem moto). Acendeu a luzinha vermelha: 39 anos na lata e nunca namorou? Deve ter "pobrema". E também parece ser metido a garotão: praia em plena dia de semana? O dia todo?
Marcaram de se encontrar e ele sugeriu um barzinho perto da casa dela. Provavelmente não tava a fim de ter trabalho de levá-la pra casa, caso não rolasse interesse.
Sendo fiela às palavras dela, havia anos que minha querida amiga não conversava com alguém com idades mental e cronológica tão inversamente proporcionais. Garotão da zona sul de 18 anos é intelectual perto da criatura. Falou sobre moto, sobre acidente de moto, sobre como sempre foi a ovelha negra da família (o irmão é médico, assim como o pai. A irmã é uma publicitária de sucesso). Pelo que entendi, vive de mesadinha da mãe. Mora no Leblon num apartamento "da família".
A cada 5 minutos perguntava se ela estava nervosa, se estava tímida. E uma curiosidade: sempre que perguntava alguma coisa sobre ela (tipo, já foi casada?), ela respondia e ele "Na época você tinha o cabelo com esse corte?". Perguntava outra coisa e "e seu cabelo, estava de que cor?". Até que disse que ela deveria ficar linda de cabelos longos e com reflexos loiros. Ou seja: ela ficaria linda se fosse TOTALMENTE diferente do é agora, né?
Quando ela me falou isso, fui honesta: muito me agrada saber que um cara com QI de ostra não se interessou por você.
Depois ela me mostrou uma foto da criatura e entendi um pouco as perguntas sobre cabelo. Deve ser algum tipo de recalque: ele é careca.
Ah! Ela também me contou que enquanto combinavam a qual bar iriam, ele falou "tem de ser um que aceite cartão. To meio quebrado". Gente, O-D-E-I-O esses comentários. Pra mim é o equivalente a dizer "estou com flatulência". Po! Tá duro? Sugere de cara um lugar que seja barato ou pesquisa antes se lá aceita cartão. Não precisa dizer o motivo.
O encontro durou pouco tempo: de 9:30 às 11:00h. Ela não aguentava mais aquele papo e foi ao banheiro. De lá, me ligou pedindo socorro. Pediu que eu ligasse para o celular dela em 10 minutos. Boa amiga que sou, obedeci.
Ela atendeu e começou a falar, dramática: mas o que houve? E você, como está? Não fica assim. Vou pra aí agora. Vou, sim. Você não tá bem, não pode ficar sozinha.
Desligou, disse que era uma amiga que acabara de terminar um noivado e que ela tinha de ir lá dar uma força.
O garotão pediu a conta e a acompanhou até em casa. Não foi surpresa alguma a criatura não ter sido educada e falar algo do tipo "adorei te conhecer". 2 beijinhos e tchau.
Pelo que ela falou, não ia rolar beijo nem na base da porrada porque não rolou a menor atração, mas não custa um agradinho,né? Os dois conversaram amenidades por msn, não custa fingir que não foi uma decepção. Concordo com ela.
Depois do encontro, o cara não falou nem "oi" com ela no msn. Falta de educação é o fim do mundo. Falei que ela tinha o prazo de 1 semana pra ele falar pelo menos: olá, tudo bem? Não falou e ela bloqueou o mal-educado.
Ontem ela me disse que foi desastroso esse encontro mas hoje vai sair com outro que conheceu pela internet. Perguntei "e aí?" e a resposta foi : A LUTA CONTINUA, COMPANHEIRA!