domingo, 29 de março de 2009

TEM COISA QUE EXISTE SÓ PRA SACANEAR

To tentando colocar em prática aquela história de não colocar minha felicidade nas mãos de ninguém. Espero conseguir, porque é a atitude mais sensata e também o melhor jeito de se viver em paz.
Quero também acabar com aquela palhaçada de fantasiar, de fazer planos e saber que um beijo quente não tem absolutamente nada a ver com afeto.
Não vou bancar a "analisada" e resolvida dizendo que posso muito bem viver sem alguém do meu lado porque eu sou feliz comigo mesmo. Mas vou fazer um esforço bem grande pra parar com essa mania de fantasiar. Não quero endurecer meu coração e nem fazer como algumas mulheres que dizem que aprenderam a viver o momento, aproveitar o momento do prazer e depois "see you, baby". Não acredito nesse discurso. Pra mim, é tudo mentira: elas até se divertem um pouquinho mas tomam remédio pra dormir só pra não terem de pensar se aquilo as está fazendo feliz. São umas mentirosas descaradas que mentem para elas mesmas enquanto contam suas façanhas sexuais para as amigas. Mas eu pretendo nunca mais encher os ouvidos de minhas amigas com dores de cotovelo.
Não minto dizendo que posso ser feliz sem alguém ao meu lado. Todo mundo quer isso desde que o mundo é mundo. Só que quero continuar aprendendo a ser feliz sozinha para então abrir as portas para o outro. E então sermos felizes juntos.
Se você perceber que estou sentada na janela esperando por ele (qualquer um), te dou autorização para enumerar os vários tombos que levei. Você está autorizado a me dar até uns tapas e falar toda a verdade: o quanto aquele ali não presta atenção em mim, o quanto o outro de lá é frio e evasivo. Também fique à vontade para me lembrar há quanto tempo aquele cretino não me convida para ir ao barzinho da moda e nem mesmo uma água de coco: os convites são sempre para irmos pra cama. Fale sem anestesia, por favor, levando em conta nossa intimidade, que ele nunca cogitou um passeio na praia ou na Lagoa, à tarde, de mãos dadas. Muitíssimo pelo contrário: programas entre mim e ele são sempre à noite. Na minha ou na casa dele. Me diga a verdade. Mas, por favor, leve em consideração que o coração não ouve conselho algum, ok?
Também farei minha parte lembrando sempre que até agora ninguém me preencheu o vazio eterno da minha alma, aquele que me faz achar que sempre falta alguma coisa mesmo quando tudo está tão direitinho na minha vida.
Sim, eu tenho um vazio imenso em mim. Um vazio que ja me intrigou muito: não entendia porque mesmo tendo tudo pra ser feliz, eu sentia que faltava algo.Durante muito tempo isso me aborreceu, me deprimiu, fodeu minha cabeça.
Vou lembrar 3 vezes ao dia que quando fiz 30 anos decidi que ou eu me aceitava do jeito que era ou seria uma daquelas amargas, que não têm esperança e que acabam ficando com a aura cinza. Deus me livre ter a aura cinza!
Resolvi que ia me aceitar do jeitinho esquisitinho e único que eu era desde sempre. E entendi que tem coisas que existem só pra sacanear a gente. Esse meu vazio é uma dessas coisas. O propósito dele não é ser preenchido, nem por carreira brilhante, nem por filhos lindos de bochechas rosadas e nem por um grande amor. O vazio existe só pra me sacanear, e o destino dele é ser vazio.
O meu vazio vai sempre existir e, por mais que meu lado pisciniano insista em acreditar que qualquer hora vou ser amada do jeito que todos querem ser, vou é dar atenção ao meu lado capricorniano, pois ele sabe perfeitamente que não vai ser um namoradinho que vai me dar aquilo que sempre me faltou.
Sei que um ou outro pode me fazer feliz com uma coisinha boba ou com várias coisas bobas. Mas não será ele e nem ninguém que vai preencher o vazio que mora aqui no meu peito ou na minha alma, sei lá.
Então é isso, vou parar já com fantasias sobre o dia que serei feliz por completo, afinal, pra falar a verdade, nem acredito que alguém possa ser feliz por completo. Imagine eu, que tenho um vazio que adora gritar bem alto que nasceu comigo e só me livrarei dele quando morrer.
Ah, claro, equanto isso, vou vivendo um dia de cada vez e descobrindo felicidades por aí...

Pós-bazar...


Ainda estou sob os efeitos do bazar Hoje Vou Assim Off.
Comprei "algumas" coisinhas lindas, conheci pessoas bacanas e vi que, definitivamente, AMO moda.

sábado, 28 de março de 2009

Sucesso

O Bazar "Hoje Vou Assim Off" foi um sucesso!
Mas vez de eu ficar a falar o quanto tinha roupa bacana, gente bonita e tal e tal, é melhor ver as fotos.


Ana Carolina deu até entrevista pra TVE

sexta-feira, 27 de março de 2009

Amanhã eu vou assim.



A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns usam palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.

Uns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.

A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem mas fingem que não.
E tem quem nunca
usa a roupa certa para a ocasião.

Tem os que se ajeitam bem
com poucas peças.
Outros se enrolam
em um vocabulário de muitas .
Tem gente que estraga tudo que usa.

E você, com quais palavras se veste?
Com quais palavras você se despe?

- A palavra é uma roupa /Viviane Mosé





Sábado vai ser dia de Bazar do Hoje Vou Assim OFF http://hojevouassimoff.blogspot.com/, gente!

Ana trabalhou feito louca: etiquetou e catalogou 700 peças. Não foi tarefa fácil, mas com seu sorriso lindo que contagia qualquer um, contou com a ajuda de "voluntários": amigos antigos e novos que embarcaram no sonho dela. Como já escreveu Cazuza: QUEM TEM UM SONHO NÃO DANÇA.

Certamente amanhã vamos ver que, com boa vontade e muita determinação, é possível criar algo legal e diferente no Rio. Quem sabe um futuro palco de encontros, oportunidades e novos projetos? Nós, que embarcamos no sonho dela, vamos nos realizar com o sucesso certo do Bazar.

Portanto, amanhã, já sabemos qual vai ser nosso ponto de encontro:

28/03 de 14h às 21h
Centro de Cultura Hombu, na Av. Mem de Sá, 33, Lapa, de 14h às 21h.
A poucos minutos do metrô da Cinelândia. Próximo aos Arcos da Lapa. Na mesma calçada da Pizzaria Guanabara da Lapa. Tem vários pontos de ônibus perto. Para estacionar, usem os estacionamentos da rua Teotônio Regadas, ao lado da Sala Cecília Meireles, que é a rua do restaurante Ernesto e da Escadaria da Lapa.

Ninguém é só uma coisa...

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as milhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
Eu piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
Mas um dia afinal eu toparei comigo...
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo.



Mário Raul de Morais de Andrade, Mário de Andrade (São Paulo - 9 de outubro de 1893 - São Paulo 25 de fevereiro de 1945), foi escritor, poeta, crítico de arte, musicólogo e ensaista. Foi uma das figuras mais importantes para o modernismo brasileiro, junto com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e outros, com participação fundamental na Semana de arte moderna de 22. Mário é considerado o maior intelectual brasileiro do século XX. Estudou profundamente o folclore e as raizes brasileiras. É o autor de Macunaíma e Paulicéia Desvairada.

É AMANHÃ!


MULHER PENSA?

PIOR DO QUE UMA MULHER QUE PENSA, É UMA MULHER QUE ESCREVE AQUILO QUE PENSA.
- TATI BERNARDI

quinta-feira, 26 de março de 2009

OBRIGADA, MÃE




"Eu já sabia". É a melhor frase pra definir o agradecimento que faço à minha Mãe do Céu, Nossa Senhora Aparecida:

A CIRURGIA DA MINHA MÃE DA TERRA CORREU ÀS MIL MARAVILHAS E ESTAMOS TODOS ALIVIADOS E AGRADECIDOS POR MAIS ESTA GRAÇA.

Ou eu estou muito frágil ou você não foi lá muito gentil comigo

RECEBI ESTE TEXTO COMO SENDO DE AUTORIA DA MARTHA MEDEIROS. NÃO TIVE TEMPO DE PESQUISAR PRA SABER SE É MESMO DELA, MAS CAIU COMO UM LUVA PARA O DIA DE HOJE, QUE ESTOU FRÁGIL E VOCÊ FALOU COISAS QUE, DE CERTA FORMA ME MAGORAM. COMO DETESTO MÁGOAS OU MALES-ENTENDIDOS, PUBLIQUEI. SE EXISTE UM TEXTO NESTE BLOG INTEIRINHO DEDICADO A UMA PESSOA, É ESTE. NÃO FOI ESCRITO POR MIM, MAS SINTO COMO SE FOSSE ESCRITO PRA MIM. DE MIM PRA VOCÊ. COM O CARINHO DE SEMPRE. SIM, CARINHO, AFETO E QUERER BEM NÃO SE DILUEM DE UMA HORA PRA OUTRA. "Deixei a porta aberta e você entrou. Ou será que abri a porta justamente para você (só servia você) entrar, invadir ou chegar? Sua falta de jeito com a delicadeza era parecida com a minha e achei tão bonitinho isso. Nem grosso demais e nem polido demais, porque pisar em ovos é um saco. Não te pedi nada, só que me tratasse bem. Até hoje não te cobro e nem peço nada que seja esquisito demais ou dê muito trabalho. Não grite comigo porque eu também sou pavio curto. Respeite minha preguiça matutina e eu entro no seu ritmo também preguiçoso. Conte suas novidades, faça massagens nos meus pés e não tenha medo de quem toma Rivotril pra dormir. Virei presa fácil, barata até, você se esforçará pouco para me ter para sempre. Acredite quando eu digo que é melhor com você. Não duvide do que eu digo mas prometo que se a verdade for chata, feia e boba, eu escondo. Não me conte as suas tristezas porque eu também disfarço as minhas. Prometo segurar o choro, mas se ele vier, fica do meu lado, segura a minha mão. Tem hora, que nem hoje, que eu só preciso que você segure na minha mão. Não tente me agradar porque eu odeio gente boazinha. Seja mais inteligente do que os outros e diga as coisas de que gosto de ouvir. Vou te achar o máximo. Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a mesmice, xingue a vida doméstica e também os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes. Me enlouqueça não ligando de vez em quando. Mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua família... isso a gente vê depois ... Nunca deixe eu dirigir o seu carro, diga que não confia, só pra eu ficar meia hora com raiva de você. Seja só um pouquinho canalha e olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Me trate como uma rameira, mas só quando estivermos deitados. No dia-a-dia fale palavras doces, principalmente hoje. Não me magoe com ironias porque não sou nem um pouco altruísta e posso sentir raiva por ter deixado a porta aberta."

terça-feira, 24 de março de 2009

Hoje, 24 de março



Hoje é aniversário de uma pessoa muito, muito querida, minha amada prima Gabriela Mello (é que tem a Gabriella Gouveia, que também é muito amada e também fez aniversário há 2 dias).

Gab, a única forma de expressar o que sinto por você é registrar aqui, neste cantinho tão importante para mim, que hoje passarei o dia inteirinho mandando beijos e abraços cheios de carinho, amizade, admiração e energia positiva.


Te amo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O LIVRO DA VEZ: DOIDAS E SANTAS/ MARTHA MEDEIROS


Doidas e Santas reúne cem crônicas que falam direto ao coração de suas leitoras e seus leitores. Nelas, Martha expõe os anseios de sua geração e de sua época, tornando-se uma das vozes mais importantes entre as recentemente surgidas no cenário nacional. As alegrias e as desilusões, os dramas e as delícias da vida adulta, as neuroses da vida urbana, o prazer que se esconde no dia-a-dia, o poder transformador do afeto, os mistérios da maternidade, enfim, o cotidiano de cada um de nós tornou-se o principal tema da autora. Como toda grande artista, ela consuma o sortilégio da literatura:
Traduzir e expressar o que vai na alma de sua enorme legião de admiradores.
Dona de uma sensibilidade incomum, Martha Medeiros tem para tudo um olhar, uma reflexão e uma reação fresca, nova, de alguém que pela primeira vez se depara com o inesperado, seja o assunto o Dia dos Namorados, a decisão de se começar a fumar, um sentimento de desconforto por qualquer coisa, uma paranóia que se imiscui sub-repticiamente ou um amor que acaba. Sempre terna e indignada, amantíssima da cultura contemporânea e dona de um imbatível senso de humor, em suas crônicas - assim como em sua poesia - Martha torna, para todos nós e com muita destreza, mais palatável o imponderável da vida.

domingo, 22 de março de 2009

Eu, trabalhando no blog


Eu, trabalhando no blog.
É... a cara não é das melhores. Mesmo pra escrever textos com pitadas de ironia, é preciso suar, pensar muito.
E isso justifica meu fascínio pelo poema Catar Feijão, do magistral João Cabral de Mello Netto. Lembro-me até hoje quando, na faculdade, li a 1a estrofe. Naquele momento entendi o significado da palavara catarse.


Catar feijão se limita com escrever:
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um, risco
o de que entre os grão pesados entre
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco

(do livro "A educação pela pedra'')



22 de Março


Gab,

minha prima, minha irmã, minha amiga, minha psicóloga, minha alma gêmea, enfim, você é tão importante na minha vida que faltam-me palavras.

Deus é muito generoso comigo, viu? Colocou logo a pessoa mais maravilhosa para ser minha prima. Nossa amizade é bem maior do que o Oceano que nos separa. Na verdade, acho que ela vem de outras vidas.

E haja encarnação para tanto assunto madrugada a fora, né?


TE AMO. Sem você eu não seria metade dessa pessoa determinada que sou. Você é responsável pela parte boa que habita em mim.


Sua sempre irmã e fã,

Aline

sábado, 21 de março de 2009

Olha o Bazar no O Dia aí, gente!




















Matéria que saiu hoje no jornal O Dia sobre o bazar! O espaço no jornal não deu pra creditar a todos que apareceram e os que estão ajudando na realização desse bazar, então aqui vai a relação

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mandem presentes para mim / um poema do Antonio Calloni

mandem presentes para mim
muitos presentes
muitas caixas
volumosas
pequenas
com laços
ou sem

mandem presentes para mim

muitos presentes
artesanais
industriais
com afeto
com defeitos

mandem presentes para mim

com embrulhos originais
comuns também servem
leves
pesados
perecíveis
eternos

mandem presentes para mim

mandem a espingarda paterna inutilizada
o Santo Antonio da mãe
a casa eterna da infância
as irmãs restituídas
a avenida de nome Iraí
onde a merda da rima nasceu
lugar onde eu cresci

mandem presentes para mim

do céu
do inferno
do pai
do filho
do espírito nem sempre santo

mandem presentes para mim

mandem caixas
e mais caixas
mantimentos
coisas inúteis
(fundamentais para o bom funcionamento
da alma)
objetos com design moderno
um sentimento

mandem presentes para mim

mandem desespero
tempero
um par de alegrias
alergia eu já tenho
mandem um teto solar
o sexo da puta
mandem dinheiro
relógios de ouro
mandem meu reflexo
uma armadilha
mandem a história de Narciso
para eu embrulhar o peixe

mandem presentes para mim

muitas caixas
brinquedos
bonecos do Star Wars
quero viver com sorte!

mandem presentes para mim

se não mandar eu mesmo compro
sem parar
que a tristeza é tão indecentemente óbvia
quem falar em carência leva um tiro!
quem falar em sublimação é um bosta!
meu desejo é legítimo!
quero vencer a morte!
quero vencer a morte!
quero vencer a morte!

mandem presentes para mim

Sem palavras

Num outro post, falei que venho de uma família de escritores. Na verdade, são escritores amadores, não tem nenhum profissional. Mas isso não tira o mérito de ninguém,né?
No post falei somente de minha Avó e de minha Tia Marina, mas há inúmeros outros, incluindo o Tio Val, irmão da minha avó.
Abaixo transcrevo um poeminha recente dele, de 04/03, dia do aniversário da Vovó Cininha:

Cininha, você não sabe
O quanto eu gosto de você
Estou de férias no sítio
Mas vim aqui pra te ver

Trago minhas mãos vazias
Pois não encontrei pra comprar
As rosas que desejava
Trazer para ofertá-la

Mas trago os braços abertos
Para abraçá-la, querida,
Você é peça importante
Na estrada da minha vida.


Norival Rubem de Oliveira
Paraty, 4/3/2009

terça-feira, 17 de março de 2009

Texto do Antônio Prata sobre a urgência desesperada de muitas mulheres de se casarem, em vez de serem felizes.


















Então as meninas que nasceram supostamente libertas dos grilhões da falocracia chegam à maioridade e, em vez de se ajoelharem diante de uma foto de Simone de Beauvoir, acendem velas para Branca de Neve?
Não estou falando do desejo de se apaixonar, de viver uma história arrebatadora, de ter as pernas trêmulas e a voz gaga quando o cara surge. O que vejo, no fundo dos olhos de algumas mulheres, é muito mais o desejo de encontrar alguém para dividir um título familiar do Clube Pinheiros do que para tomar champanhe em Paris, e acho isso triste. Porque o título familiar, as idas à Alô bebê e a união dos FGTSs para comprarem uma casa juntos, onde crianças aprenderão a andar embaixo de uma jabuticabeira e ganharão um cachorrinho (labrador ou border collie?) só pode dar certo – na visão desse ignorante, que nem sabe o que é um vestidinho wrap dress de jersei, que também quer ser feliz com uma mulher e sofre quando está sozinho, não só aos domingos – se for a conseqüência inevitável do amor arrebatador, das pernas trêmulas, do desejo incontrolável e recorrente de tomar champanhe em Paris.
O amor e o tesão são forças por demais poderosas – e, no entanto, delicadas – para serem trocadas pela serenidade de uma jabuticabeira. Viva Dionísio! Abaixo a planilha Excel! Eu vejo por aí os casais precocemente infelizes, que nasceram da fuga da solidão, e quase não acredito. Quando tivermos netos poderemos aceitar que o companheirismo tenha brotado ali onde antes crescia o desejo. Não agora. Esqueçam o locutor. Não comprem na promoção.

Balanço/ AG

Tenho saudade da menina no parque
e do palhaço no circo.
Fecho os olhos e
a cena nítida
fere quem sou.

Abri os olhos
e vi um picadeiro
sem graça e
sem riso.
Vi um balanço
indo-vindo, sozinho.

Não tem palhaço,
A menina cresceu.

Da série: Futebol também é coisa de mulher

Hoje, 17 de Março é o aniversário de 50 de um dos maiores jogadores que vi jogar: Leandro, do Mengão.

O cara foi o maior lateral-direito da história do clube e um símbolo de amor ao Flamengo: mega habilidoso, defendia e atacava de forma mágica.

Fez parte da Geração de Ouro do meu Mengão e, detalhe que me faz admirá-lo ainda mais: SÓ jogou pelo Flamengo. Defendeu o time por 14 anos e nunca, nunca aceitou vestir outra camisa que não fosse o Manto-Sagrado.

É daqueles jogadores que foram da arquibancada para a linha.

E a história do cara é tão ligada à do Mengo que ele se firmou no time titular exatamente no ano de 81, o ano mágico para qualquer torcedor do Mais Querido do Brasil: ano das conquistas da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes. Foi também presença marcante no tricampeonato brasileiro de 1982, 1983 e 1987.

Por causa da formação arqueada de suas pernas, sofreu muitas lesões e ainda bem jovem, aos 24 anos foi vítima de artrose forte. Em 87 mudou de posição: saiu da lateral para virar zagueiro (posição que exige correr menos). Talento puro na zaga.

Ah! Até nisso o cara foi craque: abriu caminho para um novo ídolo na lateral : Jorginho.
Salve, Leandro!


Essa foto é de um álbum de figurinha do Campeonato Brasileiro (1990) que eu colecionava.

Prá você, que não se esquece de mim.

Fernada Young sempre desperta amor e ódio em seus leitores.
De vez em quando exagera. E acho qué é por isso que eu gosto: adoro exageros.

Vamos ao texto: PRA VOCÊ, QUE ME ODEIA

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro. É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado. Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito. Ser amada por alguém como você acabaria com minha reputação.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco. Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando. Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor. E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
* Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, continuarei a mesma esnobe, de ar blazé, com língua afiada e resposta pra tudoo. Aquele sorriso irônico também não mudou. Talvez até tenha se aperfeiçoado.
Prometo continuar não te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseira comigo. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei esnobe. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Graças a Deus você não está me vendo agora, pois ando tão bem, tão realizada - e me odiaria ainda mais.
Com amor, da sua eterna menina detestável"

ps:peguei o texto de outro autor porque não gastaria meus neurônios escrevendo um especialmente para você, que não merece nem meu "olá". No entanto, achei que poderia soar deselegante eu não dar nenhum sinal de vida, uma vez que você, apesar dos anos, ainda perde seu tempo comigo.

PS2: Só uma mente pequena como a sua pra não perceber que retirei-me da festa há muito tempo. Ou, como diz um primo meu "não bato palmas pra maluco dançar".