domingo, 29 de março de 2009

TEM COISA QUE EXISTE SÓ PRA SACANEAR

To tentando colocar em prática aquela história de não colocar minha felicidade nas mãos de ninguém. Espero conseguir, porque é a atitude mais sensata e também o melhor jeito de se viver em paz.
Quero também acabar com aquela palhaçada de fantasiar, de fazer planos e saber que um beijo quente não tem absolutamente nada a ver com afeto.
Não vou bancar a "analisada" e resolvida dizendo que posso muito bem viver sem alguém do meu lado porque eu sou feliz comigo mesmo. Mas vou fazer um esforço bem grande pra parar com essa mania de fantasiar. Não quero endurecer meu coração e nem fazer como algumas mulheres que dizem que aprenderam a viver o momento, aproveitar o momento do prazer e depois "see you, baby". Não acredito nesse discurso. Pra mim, é tudo mentira: elas até se divertem um pouquinho mas tomam remédio pra dormir só pra não terem de pensar se aquilo as está fazendo feliz. São umas mentirosas descaradas que mentem para elas mesmas enquanto contam suas façanhas sexuais para as amigas. Mas eu pretendo nunca mais encher os ouvidos de minhas amigas com dores de cotovelo.
Não minto dizendo que posso ser feliz sem alguém ao meu lado. Todo mundo quer isso desde que o mundo é mundo. Só que quero continuar aprendendo a ser feliz sozinha para então abrir as portas para o outro. E então sermos felizes juntos.
Se você perceber que estou sentada na janela esperando por ele (qualquer um), te dou autorização para enumerar os vários tombos que levei. Você está autorizado a me dar até uns tapas e falar toda a verdade: o quanto aquele ali não presta atenção em mim, o quanto o outro de lá é frio e evasivo. Também fique à vontade para me lembrar há quanto tempo aquele cretino não me convida para ir ao barzinho da moda e nem mesmo uma água de coco: os convites são sempre para irmos pra cama. Fale sem anestesia, por favor, levando em conta nossa intimidade, que ele nunca cogitou um passeio na praia ou na Lagoa, à tarde, de mãos dadas. Muitíssimo pelo contrário: programas entre mim e ele são sempre à noite. Na minha ou na casa dele. Me diga a verdade. Mas, por favor, leve em consideração que o coração não ouve conselho algum, ok?
Também farei minha parte lembrando sempre que até agora ninguém me preencheu o vazio eterno da minha alma, aquele que me faz achar que sempre falta alguma coisa mesmo quando tudo está tão direitinho na minha vida.
Sim, eu tenho um vazio imenso em mim. Um vazio que ja me intrigou muito: não entendia porque mesmo tendo tudo pra ser feliz, eu sentia que faltava algo.Durante muito tempo isso me aborreceu, me deprimiu, fodeu minha cabeça.
Vou lembrar 3 vezes ao dia que quando fiz 30 anos decidi que ou eu me aceitava do jeito que era ou seria uma daquelas amargas, que não têm esperança e que acabam ficando com a aura cinza. Deus me livre ter a aura cinza!
Resolvi que ia me aceitar do jeitinho esquisitinho e único que eu era desde sempre. E entendi que tem coisas que existem só pra sacanear a gente. Esse meu vazio é uma dessas coisas. O propósito dele não é ser preenchido, nem por carreira brilhante, nem por filhos lindos de bochechas rosadas e nem por um grande amor. O vazio existe só pra me sacanear, e o destino dele é ser vazio.
O meu vazio vai sempre existir e, por mais que meu lado pisciniano insista em acreditar que qualquer hora vou ser amada do jeito que todos querem ser, vou é dar atenção ao meu lado capricorniano, pois ele sabe perfeitamente que não vai ser um namoradinho que vai me dar aquilo que sempre me faltou.
Sei que um ou outro pode me fazer feliz com uma coisinha boba ou com várias coisas bobas. Mas não será ele e nem ninguém que vai preencher o vazio que mora aqui no meu peito ou na minha alma, sei lá.
Então é isso, vou parar já com fantasias sobre o dia que serei feliz por completo, afinal, pra falar a verdade, nem acredito que alguém possa ser feliz por completo. Imagine eu, que tenho um vazio que adora gritar bem alto que nasceu comigo e só me livrarei dele quando morrer.
Ah, claro, equanto isso, vou vivendo um dia de cada vez e descobrindo felicidades por aí...

Pós-bazar...


Ainda estou sob os efeitos do bazar Hoje Vou Assim Off.
Comprei "algumas" coisinhas lindas, conheci pessoas bacanas e vi que, definitivamente, AMO moda.

sábado, 28 de março de 2009

Sucesso

O Bazar "Hoje Vou Assim Off" foi um sucesso!
Mas vez de eu ficar a falar o quanto tinha roupa bacana, gente bonita e tal e tal, é melhor ver as fotos.


Ana Carolina deu até entrevista pra TVE

sexta-feira, 27 de março de 2009

Amanhã eu vou assim.



A palavra é uma roupa que a gente veste.
Uns usam palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.

Uns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.

A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem mas fingem que não.
E tem quem nunca
usa a roupa certa para a ocasião.

Tem os que se ajeitam bem
com poucas peças.
Outros se enrolam
em um vocabulário de muitas .
Tem gente que estraga tudo que usa.

E você, com quais palavras se veste?
Com quais palavras você se despe?

- A palavra é uma roupa /Viviane Mosé





Sábado vai ser dia de Bazar do Hoje Vou Assim OFF http://hojevouassimoff.blogspot.com/, gente!

Ana trabalhou feito louca: etiquetou e catalogou 700 peças. Não foi tarefa fácil, mas com seu sorriso lindo que contagia qualquer um, contou com a ajuda de "voluntários": amigos antigos e novos que embarcaram no sonho dela. Como já escreveu Cazuza: QUEM TEM UM SONHO NÃO DANÇA.

Certamente amanhã vamos ver que, com boa vontade e muita determinação, é possível criar algo legal e diferente no Rio. Quem sabe um futuro palco de encontros, oportunidades e novos projetos? Nós, que embarcamos no sonho dela, vamos nos realizar com o sucesso certo do Bazar.

Portanto, amanhã, já sabemos qual vai ser nosso ponto de encontro:

28/03 de 14h às 21h
Centro de Cultura Hombu, na Av. Mem de Sá, 33, Lapa, de 14h às 21h.
A poucos minutos do metrô da Cinelândia. Próximo aos Arcos da Lapa. Na mesma calçada da Pizzaria Guanabara da Lapa. Tem vários pontos de ônibus perto. Para estacionar, usem os estacionamentos da rua Teotônio Regadas, ao lado da Sala Cecília Meireles, que é a rua do restaurante Ernesto e da Escadaria da Lapa.

Ninguém é só uma coisa...

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
As sensações renascem de si mesmas sem repouso,
Ôh espelhos, ôh! Pirineus! ôh caiçaras!
Si um deus morrer, irei no Piauí buscar outro!

Abraço no meu leito as milhores palavras,
E os suspiros que dou são violinos alheios;
Eu piso a terra como quem descobre a furto
Nas esquinas, nos táxis, nas camarinhas seus próprios beijos!

Eu sou trezentos, sou trezentos-e-cincoenta,
Mas um dia afinal eu toparei comigo...
Tenhamos paciência, andorinhas curtas,
Só o esquecimento é que condensa,
E então minha alma servirá de abrigo.



Mário Raul de Morais de Andrade, Mário de Andrade (São Paulo - 9 de outubro de 1893 - São Paulo 25 de fevereiro de 1945), foi escritor, poeta, crítico de arte, musicólogo e ensaista. Foi uma das figuras mais importantes para o modernismo brasileiro, junto com Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti e outros, com participação fundamental na Semana de arte moderna de 22. Mário é considerado o maior intelectual brasileiro do século XX. Estudou profundamente o folclore e as raizes brasileiras. É o autor de Macunaíma e Paulicéia Desvairada.

É AMANHÃ!


MULHER PENSA?

PIOR DO QUE UMA MULHER QUE PENSA, É UMA MULHER QUE ESCREVE AQUILO QUE PENSA.
- TATI BERNARDI

quinta-feira, 26 de março de 2009

OBRIGADA, MÃE




"Eu já sabia". É a melhor frase pra definir o agradecimento que faço à minha Mãe do Céu, Nossa Senhora Aparecida:

A CIRURGIA DA MINHA MÃE DA TERRA CORREU ÀS MIL MARAVILHAS E ESTAMOS TODOS ALIVIADOS E AGRADECIDOS POR MAIS ESTA GRAÇA.

Ou eu estou muito frágil ou você não foi lá muito gentil comigo

RECEBI ESTE TEXTO COMO SENDO DE AUTORIA DA MARTHA MEDEIROS. NÃO TIVE TEMPO DE PESQUISAR PRA SABER SE É MESMO DELA, MAS CAIU COMO UM LUVA PARA O DIA DE HOJE, QUE ESTOU FRÁGIL E VOCÊ FALOU COISAS QUE, DE CERTA FORMA ME MAGORAM. COMO DETESTO MÁGOAS OU MALES-ENTENDIDOS, PUBLIQUEI.
SE EXISTE UM TEXTO NESTE BLOG INTEIRINHO DEDICADO A UMA PESSOA, É ESTE. NÃO FOI ESCRITO POR MIM, MAS SINTO COMO SE FOSSE ESCRITO PRA MIM. DE MIM PRA VOCÊ. COM O CARINHO DE SEMPRE. SIM, CARINHO, AFETO E QUERER BEM NÃO SE DILUEM DE UMA HORA PRA OUTRA.

"Deixei a porta aberta e você entrou. Ou será que abri a porta justamente para você (só servia você) entrar, invadir ou chegar? Sua falta de jeito com a delicadeza era parecida com a minha e achei tão bonitinho isso. Nem grosso demais e nem polido demais, porque pisar em ovos é um saco.
Não te pedi nada, só que me tratasse bem. Até hoje não te cobro e nem peço nada que seja esquisito demais ou dê muito trabalho. Não grite comigo porque eu também sou pavio curto. Respeite minha preguiça matutina e eu entro no seu ritmo também preguiçoso. Conte suas novidades, faça massagens nos meus pés e não tenha medo de quem toma Rivotril pra dormir.
Virei presa fácil, barata até, você se esforçará pouco para me ter para sempre. Acredite quando eu digo que é melhor com você. Não duvide do que eu digo mas prometo que se a verdade for chata, feia e boba, eu escondo. Não me conte as suas tristezas porque eu também disfarço as minhas. Prometo segurar o choro, mas se ele vier, fica do meu lado, segura a minha mão. Tem hora, quem hoje, que eu só preciso que você segure na minha mão.
Não tente me agradar porque eu odeio gente boazinha. Seja mais inteligente do que os outros e diga as coisas de que gosto de ouvir. Vou te achar o máximo. Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a mesmice, xingue a vida doméstica e também os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes. Me enlouqueça não ligando de vez em quando. Mas me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... Nunca deixe eu dirigir o seu carro, diga que não confia, só pra eu ficar meia hora com raiva de você. Seja só um pouquinho canalha e olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos.
Me trate como uma rameira, mas só quando estivermos deitados. No dia-a-dia fale palavras doces, principalmente hoje. Não me magoe com ironias porque não sou nem um pouco altruísta e posso sentir raiva por ter deixado a porta aberta."

terça-feira, 24 de março de 2009

Hoje, 24 de março



Hoje é aniversário de uma pessoa muito, muito querida, minha amada prima Gabriela Mello (é que tem a Gabriella Gouveia, que também é muito amada e também fez aniversário há 2 dias).

Gab, a única forma de expressar o que sinto por você é registrar aqui, neste cantinho tão importante para mim, que hoje passarei o dia inteirinho mandando beijos e abraços cheios de carinho, amizade, admiração e energia positiva.


Te amo.

segunda-feira, 23 de março de 2009

O LIVRO DA VEZ: DOIDAS E SANTAS/ MARTHA MEDEIROS


Doidas e Santas reúne cem crônicas que falam direto ao coração de suas leitoras e seus leitores. Nelas, Martha expõe os anseios de sua geração e de sua época, tornando-se uma das vozes mais importantes entre as recentemente surgidas no cenário nacional. As alegrias e as desilusões, os dramas e as delícias da vida adulta, as neuroses da vida urbana, o prazer que se esconde no dia-a-dia, o poder transformador do afeto, os mistérios da maternidade, enfim, o cotidiano de cada um de nós tornou-se o principal tema da autora. Como toda grande artista, ela consuma o sortilégio da literatura:
Traduzir e expressar o que vai na alma de sua enorme legião de admiradores.
Dona de uma sensibilidade incomum, Martha Medeiros tem para tudo um olhar, uma reflexão e uma reação fresca, nova, de alguém que pela primeira vez se depara com o inesperado, seja o assunto o Dia dos Namorados, a decisão de se começar a fumar, um sentimento de desconforto por qualquer coisa, uma paranóia que se imiscui sub-repticiamente ou um amor que acaba. Sempre terna e indignada, amantíssima da cultura contemporânea e dona de um imbatível senso de humor, em suas crônicas - assim como em sua poesia - Martha torna, para todos nós e com muita destreza, mais palatável o imponderável da vida.

domingo, 22 de março de 2009

Eu, trabalhando no blog


Eu, trabalhando no blog.
É... a cara não é das melhores. Mesmo pra escrever textos com pitadas de ironia, é preciso suar, pensar muito.
E isso justifica meu fascínio pelo poema Catar Feijão, do magistral João Cabral de Mello Netto. Lembro-me até hoje quando, na faculdade, li a 1a estrofe. Naquele momento entendi o significado da palavara catarse.


Catar feijão se limita com escrever:
Jogam-se os grãos na água do alguidar
E as palavras na da folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo;
pois catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

Ora, nesse catar feijão entra um, risco
o de que entre os grão pesados entre
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a com risco

(do livro "A educação pela pedra'')



22 de Março


Gab,

minha prima, minha irmã, minha amiga, minha psicóloga, minha alma gêmea, enfim, você é tão importante na minha vida que faltam-me palavras.

Deus é muito generoso comigo, viu? Colocou logo a pessoa mais maravilhosa para ser minha prima. Nossa amizade é bem maior do que o Oceano que nos separa. Na verdade, acho que ela vem de outras vidas.

E haja encarnação para tanto assunto madrugada a fora, né?


TE AMO. Sem você eu não seria metade dessa pessoa determinada que sou. Você é responsável pela parte boa que habita em mim.


Sua sempre irmã e fã,

Aline

sábado, 21 de março de 2009

Olha o Bazar no O Dia aí, gente!




















Matéria que saiu hoje no jornal O Dia sobre o bazar! O espaço no jornal não deu pra creditar a todos que apareceram e os que estão ajudando na realização desse bazar, então aqui vai a relação

quarta-feira, 18 de março de 2009

Mandem presentes para mim / um poema do Antonio Calloni

mandem presentes para mim
muitos presentes
muitas caixas
volumosas
pequenas
com laços
ou sem

mandem presentes para mim

muitos presentes
artesanais
industriais
com afeto
com defeitos

mandem presentes para mim

com embrulhos originais
comuns também servem
leves
pesados
perecíveis
eternos

mandem presentes para mim

mandem a espingarda paterna inutilizada
o Santo Antonio da mãe
a casa eterna da infância
as irmãs restituídas
a avenida de nome Iraí
onde a merda da rima nasceu
lugar onde eu cresci

mandem presentes para mim

do céu
do inferno
do pai
do filho
do espírito nem sempre santo

mandem presentes para mim

mandem caixas
e mais caixas
mantimentos
coisas inúteis
(fundamentais para o bom funcionamento
da alma)
objetos com design moderno
um sentimento

mandem presentes para mim

mandem desespero
tempero
um par de alegrias
alergia eu já tenho
mandem um teto solar
o sexo da puta
mandem dinheiro
relógios de ouro
mandem meu reflexo
uma armadilha
mandem a história de Narciso
para eu embrulhar o peixe

mandem presentes para mim

muitas caixas
brinquedos
bonecos do Star Wars
quero viver com sorte!

mandem presentes para mim

se não mandar eu mesmo compro
sem parar
que a tristeza é tão indecentemente óbvia
quem falar em carência leva um tiro!
quem falar em sublimação é um bosta!
meu desejo é legítimo!
quero vencer a morte!
quero vencer a morte!
quero vencer a morte!

mandem presentes para mim

Sem palavras

Num outro post, falei que venho de uma família de escritores. Na verdade, são escritores amadores, não tem nenhum profissional. Mas isso não tira o mérito de ninguém,né?
No post falei somente de minha Avó e de minha Tia Marina, mas há inúmeros outros, incluindo o Tio Val, irmão da minha avó.
Abaixo transcrevo um poeminha recente dele, de 04/03, dia do aniversário da Vovó Cininha:

Cininha, você não sabe
O quanto eu gosto de você
Estou de férias no sítio
Mas vim aqui pra te ver

Trago minhas mãos vazias
Pois não encontrei pra comprar
As rosas que desejava
Trazer para ofertá-la

Mas trago os braços abertos
Para abraçá-la, querida,
Você é peça importante
Na estrada da minha vida.


Norival Rubem de Oliveira
Paraty, 4/3/2009

terça-feira, 17 de março de 2009

Texto do Antônio Prata sobre a urgência desesperada de muitas mulheres de se casarem, em vez de serem felizes.


















Então as meninas que nasceram supostamente libertas dos grilhões da falocracia chegam à maioridade e, em vez de se ajoelharem diante de uma foto de Simone de Beauvoir, acendem velas para Branca de Neve?
Não estou falando do desejo de se apaixonar, de viver uma história arrebatadora, de ter as pernas trêmulas e a voz gaga quando o cara surge. O que vejo, no fundo dos olhos de algumas mulheres, é muito mais o desejo de encontrar alguém para dividir um título familiar do Clube Pinheiros do que para tomar champanhe em Paris, e acho isso triste. Porque o título familiar, as idas à Alô bebê e a união dos FGTSs para comprarem uma casa juntos, onde crianças aprenderão a andar embaixo de uma jabuticabeira e ganharão um cachorrinho (labrador ou border collie?) só pode dar certo – na visão desse ignorante, que nem sabe o que é um vestidinho wrap dress de jersei, que também quer ser feliz com uma mulher e sofre quando está sozinho, não só aos domingos – se for a conseqüência inevitável do amor arrebatador, das pernas trêmulas, do desejo incontrolável e recorrente de tomar champanhe em Paris.
O amor e o tesão são forças por demais poderosas – e, no entanto, delicadas – para serem trocadas pela serenidade de uma jabuticabeira. Viva Dionísio! Abaixo a planilha Excel! Eu vejo por aí os casais precocemente infelizes, que nasceram da fuga da solidão, e quase não acredito. Quando tivermos netos poderemos aceitar que o companheirismo tenha brotado ali onde antes crescia o desejo. Não agora. Esqueçam o locutor. Não comprem na promoção.

Balanço/ AG

Tenho saudade da menina no parque
e do palhaço no circo.
Fecho os olhos e
a cena nítida
fere quem sou.

Abri os olhos
e vi um picadeiro
sem graça e
sem riso.
Vi um balanço
indo-vindo, sozinho.

Não tem palhaço,
A menina cresceu.

Da série: Futebol também é coisa de mulher

Hoje, 17 de Março é o aniversário de 50 de um dos maiores jogadores que vi jogar: Leandro, do Mengão.

O cara foi o maior lateral-direito da história do clube e um símbolo de amor ao Flamengo: mega habilidoso, defendia e atacava de forma mágica.

Fez parte da Geração de Ouro do meu Mengão e, detalhe que me faz admirá-lo ainda mais: SÓ jogou pelo Flamengo. Defendeu o time por 14 anos e nunca, nunca aceitou vestir outra camisa que não fosse o Manto-Sagrado.

É daqueles jogadores que foram da arquibancada para a linha.

E a história do cara é tão ligada à do Mengo que ele se firmou no time titular exatamente no ano de 81, o ano mágico para qualquer torcedor do Mais Querido do Brasil: ano das conquistas da Taça Libertadores da América e do Mundial Interclubes. Foi também presença marcante no tricampeonato brasileiro de 1982, 1983 e 1987.

Por causa da formação arqueada de suas pernas, sofreu muitas lesões e ainda bem jovem, aos 24 anos foi vítima de artrose forte. Em 87 mudou de posição: saiu da lateral para virar zagueiro (posição que exige correr menos). Talento puro na zaga.

Ah! Até nisso o cara foi craque: abriu caminho para um novo ídolo na lateral : Jorginho.
Salve, Leandro!


Essa foto é de um álbum de figurinha do Campeonato Brasileiro (1990) que eu colecionava.

Prá você, que não se esquece de mim.

Fernada Young sempre desperta amor e ódio em seus leitores.
De vez em quando exagera. E acho qué é por isso que eu gosto: adoro exageros.

Vamos ao texto: PRA VOCÊ, QUE ME ODEIA

Eu te amo. E não seria metade do que sou sem você, juro. É seu ódio profundo que me dá forças para continuar em frente, exatamente da minha maneira.Prometa que nunca vai deixar de me odiar ou não sei se a vida continuaria tendo sentido para mim.
Eu vagaria pelas ruas insegura, sem saber o que fiz de tão errado. Se alguém como você não me odeia, é porque, no mínimo, não estou me expressando direito. Ser amada por alguém como você acabaria com minha reputação.
Sei que você vive falando de mim por aí sempre que tem oportunidade, e esse tipo de propaganda boca a boca não tem preço. Ainda mais quando é enfática como a sua - todos ficam interessados em conhecer uma pessoa que é assim, tão o oposto de você.
E convenhamos: não existe elogio maior do que ser odiado pelos odientos, pelos mais odiosos motivos.
Olha, a minha gratidão não tem limites, pois sei que você poderia muito bem estar fazendo outras coisas em vez de me odiar - cuidando da sua própria vida, dedicando-se mais ao seu trabalho, estudando um pouco. Mas não: você prefere gastar seu precioso tempo me detestando. Não sei nem se sou merecedora de tamanha consideração.
Bom, como você deve ter percebido, esta é uma carta de amor. E, já que toda boa carta de amor termina cheia de promessas, eis as minhas:
* Prometo nunca te decepcionar fazendo algo de que você goste. Ao contrário, continuarei a mesma esnobe, de ar blazé, com língua afiada e resposta pra tudoo. Aquele sorriso irônico também não mudou. Talvez até tenha se aperfeiçoado.
Prometo continuar não te responder à altura quando você for, eventualmente, grosseira comigo. Pois sei que isso te faria ficar feliz com uma atitude minha, sendo uma ameaça para o sentimento tão puro que você me dedica.Prometo, por último, que, se algum dia, numa dessas voltas que a vida dá, você deixar de me odiar sem motivo, mesmo assim continuarei esnobe. Porque eu não sou daquelas que esquece de quem contribuiu para seu sucesso.
Graças a Deus você não está me vendo agora, pois ando tão bem, tão realizada - e me odiaria ainda mais.
Com amor, da sua eterna menina detestável"

ps:peguei o texto de outro autor porque não gastaria meus neurônios escrevendo um especialmente para você, que não merece nem meu "olá". No entanto, achei que poderia soar deselegante eu não dar nenhum sinal de vida, uma vez que você, apesar dos anos, ainda perde seu tempo comigo.

PS2: Só uma mente pequena como a sua pra não perceber que retirei-me da festa há muito tempo. Ou, como diz um primo meu "não bato palmas pra maluco dançar".

segunda-feira, 16 de março de 2009

Anatomia do poeta/ AG

O poeta:
sujeito alto
Chapéu na cabeça
Bigode no rosto
Terno escuro no corpo
E na alma,
um coração.

domingo, 15 de março de 2009

DICA DE PROGRAMA : Prosa nas Livrarias: Nélida Piñon e Tatiana Salem Levy

As duas autoras participam do projeto Prosa nas Livrarias e estarão na Travessa para um debate em homengem ao mês da Mulher. A entrada é gratuita.

Terça-feira dia 17
Local: Shopping Leblon
Horário: 19:30



Vale lembrar que Nélida Pinon acaba de lançar "Coração Andarilho", um livro de memórias no qual conta sobre sua infância, juventudo, amores, carreira e viagens. Resumindo: imperdível.



No caderno Prosa e Poesia, do O Globo, tem uma entrevista bem bacana com ela: http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/post.asp?t=as-memorias-de-nelida&cod_Post=166613&a=96

sexta-feira, 13 de março de 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Andarilha




Comprei o livro da Nelida Pinon, Coração Andarilho. Só por ler o prefácio já senti que vou gostar da história e passar a admirar essa escritora mais ainda.
"Decido eu mesma engendrar lendas e episódios que me são atribuídos. Sempre tendo como desculpa a condição de escritora, a quem é dado o privilégio de inventar sem sofer sanções morais".

Nunca entendi o porquê de eu querer ser escritora. Acabo de encontrar a resposta.

terça-feira, 10 de março de 2009

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE)

Por que eu vivo procurando um motivo de viver,
Se a vida às vezes parece de mim esquecer?

Procuro em todas, mas todas não são você.
Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você.

Mas às vezes você parece me ignorar,
Sem nem ao menos me olhar,
Me machucando pra valer.

Atrás dos meus sonhos eu vou correr...
Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder.

Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê?

Será que esse mundo tem jeito?
Esse mundo cheio de preconceito.

Quando estou só, preso na minha solidão,
Juntando pedaços de mim que caíam ao chão,
Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou.

Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho.

Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor.

Para carregar junto ao peito,
E crer que esse mundo ainda tem jeito.

E como príncipe sonhador...
Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.




Este poema foi escrito por um aluno da APAE,
chamado, pela sociedade, de excepcional. Excepcional é a sua sensibilidade!
Ele tem 28 anos, com idade mental de 15.

domingo, 8 de março de 2009

Só um dia?

Hoje é o Dia Internacional da Mulher e todo mundo sabe. Será que isso toca alguém de verdade? A mim, num primeiro momento não diz muita coisa. É que sou daquelas que acham que datas para homenagear "minorias e excluídos" cumprem direitinho o papel de enfatizar que eles são só isso: minorias e excluídos.
O que eu acho bonito sobre o Dia da Mulher é a origem (a reivindicação que um grupo de inglesas fez. Foram punidas e muitas morreram. Isso foi num dia 08 de março, daí a homenagem).
Não gosto desses debates sobre os papéis dos homens ou das mulheres. Acho careta, retrógado e inútil. A mulher chega do trabalho e vai direto pra cozinha enquanto o marido toma um banho relaxante e assiste TV enquanto isso? Ok, é uma cena comum. Mas vamos deixar de hipocrisia: de quem é a culpa? Da mulher que se submete a isso. Bem, a "burra inicial" foi a mãe do cidadão que não o ensinou a ajudá-la nos deveres de casa. Mas isso a gente não vai mudar. Já com o maridão, dá pra fazer diferente, sim. E o ideal é que isso seja feito enquanto ele ainda é namorado.
Quando percebi que um relacionamento ia virar uma parada mais séria, deixei muito claro. Falei exatamente isso: Meu amor, se você procura uma mulher pra substituir sua mãe, pra cuidar da casa sozinha, e abrir mão de momentos de descanso, é melhor pararmos por aqui. Agora, se por outro lado, você procura uma mulher que seja sua companheira, que te incentive, que queira crescer profissionalmente e ser, mais do que esposa, sua companheira, bem, aí você encontrou a mulher da sua vida.
E vivemos o (pouco) tempo que durou nosso casamento dessa forma. Faxina na casa? Os dois faziam. Jantar? Fazia quem chegasse primeiro (geralmente ele chegava, pois eu fazia faculdade e chegava tarde). Os dois viajávamos muito a trabalho, então, quem ficava em casa cuidava dela. Fomos felizes assim e garanto a vocês: nossa separação não teve nada a ver com isso.
Já faz alguns anos que me separei e tive alguns candidatos a namorados. Ao menor sinal que eu percebesse neste sentido ("gatinha, você não varreu a casa hoje?", "branquinha, o que custava você colocar meu uniforme do futebol pra lavar?") eu falava coisa do tipo: eu não jogo futebol. Ou dizia que a faxineira faltou e se ele estivesse muito incomodado, a vassou está ali. Sabe por que faço isso? Porque eu trabalho pra caramba, que nem ele.
Uma vez, minha comadre, quando soube que sábado era dia de faxina na minha casa e do ex, ela falou "Por isso que separou. Homem não gosta disso, trabalho de casa é coisa pra mulher". Fiquei assustada (ela tem a minha idade! Faça-me o favor: vir com discurso da época da minha avó não dá, né? Ah! Só um esclarecimento: minha avó é totalmente contra a mulher ficar em casa e só o homem trabalhar. Vovó Cininha sempre foi vanguarda) e perguntei: homem não gosta? e mulher gosta? Ah! E trabalho de casa é coisa de quem mora na casa.
Não tenho nada contra quem escolhe ficar em casa pra cuidar dos filhos e do marido, eu só acho que jamais seria feliz desse jeito. E ser feliz é prioridade na minha vida.
Bem, com esse discurso todo, parece que sou uma insensível. Que nada! Adoro cuidar do meu gatinho. Se vou, por exemplo, comprar lençois pra mim e se ele estiver precisando (ou só pra fazer um mimo mesmo) compro um pra ele também. Ele tá aborrecido, fico na minha, não o encho de perguntas. Só dou um jeitinho, que pode ser um bilhete, um e-mail ou um SMS de dizer "se precisar conversar, estou aqui". Ou até sugiro: por que não sai com os amigos pra tomar um chopp? Isso pra mim é cuidar dele. É ser carinhosa.
Adoro estar junto do cara de quem eu gosto, mas não todos os dias. Preciso do meu tempinho, do meu silêncio e imagino que ele também precise disso. Por isso, combinamos uma coisa: se um dos dois invadir o espaço do outro rola um aviso. Aprendi isso com um namorado e foi um dos melhores relacinamentos que já vivi (foi aquele do bilhete cujo título do post é "Acredito em quem gosta de mim").
Não me ligo muito, volto a dizer, a este Dia da Mulher, mesmo assim, vai uma mensagem para elas: Viva a mulher que adora cuidar da casa! Viva a mulher que viaja sozinha pra Europa. Viva a mulher que escolheu ser feliz.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Eu não ando só, só ando em boa companhia

Adoro esse trechinho da música do Vinícius de Morais. E foi exatamente isso que veio à minha cabeça agora que li um comentário da Andrea.
Sim, eu tenho leitoras que me são ótimas companhias. E são mineiras!
Eu amo Minas Gerais. Sei lá, sinto uma coisa tão especial quando estou em BH, quando fui pela 1a vez a Ouro Preto, senti um arrepio danado. Amo Passa Quatro e minha maezinha mineira.
Amo Milton Nascimento; amo Pato Fu; amo Adélia Prado; amo ouvir "uai".
Será que é por isso que eu adoro pão de queijo?
Viva Minas. Viva a tecnologia que me coloca em contato com os mineiros de forma tão fácil...

BILHETE - MÁRIO QUINTANA

"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda

Família: AMO MUITO TUDO ISSO

Minha querida leitora (gente, como eu to ficando metida: tenho leitora assídua. Quem diria!) disse que adorou meu post contando um pouquinho da minha família.
Sei que é fácil gostar dessa história. Não por ela ser bem escrita, mas é que escrevi com o coração. E tudo o que se faz desse jeito cativa as pessoas. E quando eu falo de minhas tias, meus pais, de meus primos e de meus sobrinhos, falo com o coração. É onde eles moram
Resolvi colocar algumas fotos aqui de momentos-família. Homenagem às pessoas que me fazem feliz desde quando nasci. Estar ao lado deles é felicidade em estado puro.







terça-feira, 3 de março de 2009

Foram viajar e deixaram tanta bagagem

Ontem duas pessoas muito queridas foram lá pra cima.
Uma foi a Dona Nazaré, que eu conheci na Cesgranrio. Trabalhamos por quase 10 anos juntas e ela sempre foi muito carinhosa comigo. Duas gentilezas, em especial, me marcaram: quando ela me concedeu uma bolsa de estudos para o Curso de Letras e a foi quando sofri o acidente. Queria saber como eu estava e se ofereceu para pagar minhas despesas médicas. Estou escrevendo e as lágrimas brotando, pois algumas (poucas) pessoas da minha família nem se deram ao trabalho de me telefonar e ela ainda se preocupou com despesas. Achei tão fofo.
Naza, sei que você descansou, pois os últimos meses por aqui foram sofridos. Queria te mandar um beijo. Não no corpo que fui visitar no cemitério, mas na alma. Que foi onde você me tocou várias vezes. Tenha uma linda viagem, sob as bençãos de N.Sra.de Nazaré.
A outra querida foi a Dona Coleta. Dela não posso falar muito pra não chorar em pleno expediente. Sabe aquele tipo de pessoa que você se sente bem estando ao lado, nem precisa conversar? Ela era assim. Quando eu era pequena, várias vezes mudava meu trajeto só pra passar em frente à casa dela e falar "Oi, Dona Coleta. Tudo bem?" e ver o sorriso dela. Sorriso de gente boa, de gente que sabe o valor do sorriso.
Ela também foi tão importante quando minhas tias, meu avô e minha mãe se mudaram pra Paraty. Meus pais se casaram e foram morar numa casinha dela. A Dinda Verinha e o Vovô Gouveia moravam na casa ao lado. Foi na casa dela que meus pais avisaram à família que tinha bebê a caminho. Veio uma menininha cabeluda, de olhinho puxado e que adora ouvir essa história da minha mãe. Nasci na casa da Dona Coleta. Estudei pintura com ela. Assisti à algumas palestras da FLIP de 2006 com ela. Mas eu acho que o que mais me ligava a ela, era o amor que minha Dinda dedicava a ela. Sabem como é: quem dá açúcar a quem eu amo, minha boca adoça, né?
Dona Coleta, a senhora já estava dormindo havia tanto tempo,né? Viaja em paz agora. Vai demorar um tempão pra aquela rua ser a "Rua do Comércio". Pra mim e pra todos os que a conheceram, será sempre a "Rua da Dona Coleta, do Seu Antônio Mello".

Quando alguém querido vai embora, fico meio sensível, mas não gosto de ficar triste. Afinal, penso no que elas puderam me ensinar e tenho certeza de que de uma forma ou de outra, elas viam no meu sorriso o carinho enorme.

segunda-feira, 2 de março de 2009

O outro/ Tati Bernardi

Ele me espera no restaurante das árvores. (...) Ele me espera, pede mais pãezinhos, ensaia um bom vinho para mim, limpa o suor da cara no guardanapo. E vai esperar por toda a noite.

Mal sabe ele que acabo de responder a uma mensagem de texto dizendo que vou chegar em minutos. Ele me espera com a porta do banheiro aberta, enquanto esfrega seu centro num ato de pureza. Ele quer sacanagem comigo, mas daquele tipo de sacanagem pura com direito a perguntar baixinho "tá doendo"?

(...)

Ele pede a conta e vai embora. Jantou sozinho, o coitado. Se tenho pena? Nenhuma. Nenhuma. Cavoco meu ser até quase me virar do avesso para resgatar um pouco de bonitinho em minha alma, mas descubro que não tenho nenhuma pena dele. Não gosto de quem não amo e ponto final.

(...)

Eu espero comportada do lado de fora enquanto ele termina de se esfregar. Desde que ele me contou numa noite besta que queria salvar o mundo e isso não me soou mais um papinho furado sobre salvar o mundo, fiquei assim. Tenho vontade que meu sangue e o dele passeiem juntos.

Nós vamos mais uma vez nos olhar querendo transar até amanhã, mas vamos apenas assistir à novela e tentar adivinhar as falas. Nós vamos mais uma vez querer atravessar as ruas de mãos dadas, mas vamos brincar de dar ombradas um no outro. Eu prefiro morrer sua amiga do que quebrar algum elo misterioso e te perder para sempre. Te perder como sempre.

Ele escuta uma dessas músicas da modinha ao estilo Madeleine Peyroux antes de dormir e tenta entender qual é o meu problema. Será que eu não fui porque ainda sofro por aquele amor mal resolvido? Será que eu não fui porque tenho medo do amor? Será que eu não fui porque tenho medo de sofrer? Ahhh, os homens apaixonados. Ainda mais burros que as mulheres que acreditam na dor irônica. Eu não fui apenas por uma razão: eu não gosto de quem eu não amo e fim de papo.

Adoro sua virilha, sou obcecada por ela. Adoro seus amigos fortes. Adoro tudo o que dói nele, como diria aquela fala do filme "Closer" que eu adoro. Adoro que posso encontrá-lo sempre depois das três da manhã, sempre depois dos jantares que eu não vou e das transas que eu não faço. Adoro que posso morrer por ele ou nem lembrar que ele existe. Amor de pica é assim mesmo: o maior e o mais leviano de todos.

Ele acabou de me descobrir pela Internet e dorme tentando me encontrar, tentando me encaixar. Sente uma pontada no peito e uma pontada lá embaixo. Deve ser engraçado ser homem e amar assim de maneiras tão opostas e complementares. Ele não sabe que tudo o que eu mais quero é casar e ser mãe de um casalzinho que dança pelado antes do banho. Mas esse meu querer está esquecido em algum canto de mim, está esquecido depois de tanto eu querer isso e a vida me dizer que eu ainda não podia.

Ganhei a porra da dor irônica. Ainda que seja estupidez acreditar nela. Agora o que eu quero é saber que o outro se esfrega no banho, que o outro se fode no restaurante, que o outro me espera sempre depois das três e tem amigos deliciosos. Que o outro é especial demais, mas talvez ainda não seja o personagem principal daquela festa de final de novela, com todos os personagens de bem.

Está acabando a história, mas ainda dá tempo de não amar mais um pouquinho. Mando uma mensagem para ele, que a essa altura dorme abraçado a uma menina que já encheu o saco, achando que encontrou a mulher da vida. Mando uma mensagem para ele, que a essa altura dorme demais como sempre e já deve ter me esquecido, mesmo lembrando de mim em todos os intervalos de coisa melhor pra pensar. Mando uma mensagem para ele, ainda que ele já tenha desistido do amor e prefira o cheiro de chiclete com chulé da nuca da sua filha.

Durmo com mais de trinta homens, e mais uma vez sozinha. Mas esse texto, juro, é uma comemoração a isso. No fundo, no fundo, eu gosto. Ainda que eu me sacaneie com pureza e me pergunte baixinho: tá doendo?


Era uma vez

ERA UMA VEZ...
Três irmãs: Nina, Nim e Vera. Elas se amavam muito, muito, muito


Aí, quando a Nina foi morar num lugar muito bonito e mágico, Nim e Vera também foram. Ah! E o pai delas também, o S. Gouvêa.

As três moças se casaram e tiveram filhos: ao todo eram 7 , igual conto de mentiroso. Sete primos sempre unidos, sempre juntos. Ricardo, Adriano, Aline, Gabriella, Gisele, Leonardo e Fabiano.




Ai, como eram felizes esses primos, como eram amados e como se amavam... Toda criança merecia ter uma infância tão feliz quanto a deles.

Eles viviam sempre unidos e às vezes até se confundiam, não sabiam quem era mãe, quem era tia, quem era irmão e quem era primo. Bem, não posso contar tudo o que eles faziam, porque não eram exatamente modelos a serem seguidos: eram bem bagunceiros os netos do S. Gouvêa.


Essas crianças cresceram. Mas não cresceram de qualquer jeito, não! Cresceram de mãos dadas, pois entre elas, havia o sentimento mais forte que existe e, mesmo sendo uma palavra pequena, tem um tamanho sem fim: o AMOR.

Um dia, o Leo foi morar num país chamado Estados Unidos. A Gabriella e o Adriano também foram morar bem longe, lá em Portugal. Mas se você acha que essa distância grandona os afastou, você errou feio, viu? Aquela palavrinha que falei lá em cima é mágica: faz ficar perto o que é longe; faz parecer hoje o que aconteceu há um tempão. E mantém colado no nosso coração um retratinho de todas as pessoas importantes na nossa vida.

O Ricardo era o mais velho e foi também o primeiro que teve um filho lindo, o Hugo, que já torceu para o Fluminense mas agora é Flamengo.
Depois o filhinho do Fabiano também nasceu: o Luan. Que menino esperto! Acho que ele vai ser cientista quando crescer.





A Gisele teve uma menina linda, de olhos cor do céu, cabelos com cachinhos dourados e muito sapecA: a Lara



Logo depois, foi a vez do Léo voltar para o Brasil (porque esta história de morar longe da família é um pouco chata e a gente não gosta de nada chato) para ser pai do Lucas, que já nasceu Rubro-Negro.




Ah! Aí quando a gente nem estava esperando, nasceu uma outra princesa, de olhos vivos e negros, de sorriso encantador: a Liv, outra filhinha da Gisele.




E para provar que quando a gente ama não esquece, a Aline não agüentou de saudade e foi visitar os primos lá em Portugal.



Foi legal porque ela conheceu o marido da Gabriella, o Carlos. E o Carlos tem uma importância muito grande nesta história. Lembra-me de contar, hein?


Gabriella e Carlos vieram visitar os primos aqui no Brasil (viu? O amor nunca diminui). Foi uma oportunidade linda para reunir a família Gouvêa



E então, com a família toda reunida, a gente teve mais uma prova

de que amor de verdade é eterno.

Aliás, ele vai passando de geração para geração: eu aposto que os priminhos da nova geração também serão grandes amigos, que se amarão para sempre.
Você tem alguma dúvida disso?


Mas você está mesmo é curioso para saber a importância do Carlos, né?



Sem ele, a gente não estaria tão feliz e ansioso a espera do Tomás, filho do Carlos e da Gab.

Se você quiser saber mais sobre essa história, tem de esperar um pouco. Até agosto, mais ou menos. E então, certamente haverá mais um capítulo lindo na história dessa família.


PS: Nenhum dos primos ou filhos dos primos conheceu, mas dizem as boas línguas, que por trás desta linda história de uma família que se ama, há uma fada abençoando lá de cima.
Eu não tenho a menor dúvida: todos os dias a Vovó Arquimínia manda beijos e faz afagos em cada uma das personagens que você conheceu aqui.



Esta é uma pequena história da minha querida família e a escrevi em Julho de 2007. Foi uma forma de homenagear pessoas que amo tanto. Também é uma forma de agradecer às irmãs Vera, Geninha e Marina, minhas queridas mães, pela forma como nos criaram. Com elas, aprendi que de tudo o que vivemos, nada é mais importante do que o amor. Amor aos pais, aos irmãos, aos primos e aos sobrinhos.
À minha irmã Gisele, obrigada por ser do jeitinho exato que uma irmã tem de ser. À minha mãezinha, a mulher mais admirável que conheço, agradeço pelos gestos de carinho, que me fazem ser uma pessoa que vê o amor em todas as pessoas.
Aos meus Avôs Gouvêa e Archiminia, pela família linda que vocês criaram.

Que tal me aborrecer um pouco? Não! Melhor, não.

Me mostra os seus defeitos. Me convence de que você é apenas mais um cara legal. E só. Me faz enxergar que nossos momentos são só isso: momentos, com prazo de validade. Momentos.
Faz alguma coisa pra me aborrecer, mesmo que eu me magoe e até chore um pouquinho. Mas me faz perceber que você não é quem eu penso. Se preciso, fala alto comigo, diz que criei e acreditei numa personagem e que você é tão diferente disso.
Da próxima vez, não me beija daquele jeito. Não me toca daquele jeito. Seja prático: nada de abraços depois. De preferência, diga que tá tarde e é melhor ir embora.
Me mostra, te pedirei isso mil vezes se precisar, seus infinitos defeitos. Você os tem aos montes, há de ter. Talvez eu até conheça alguns. Mas por mais que te olhe, eu te olho com o coração e não vejo nada além de um homem que sabe direitinho como me fazer a mulher mais feliz do mundo nos nossos momentos. Não vejo nada além de um homem que me despertou uma vontade danada de andar nessa montanha-russa que é o tal do amor.
Te pedi sutilmente pra não entrar na minha vida. Até tranquei a porta, mas deixei as janelas abertas e você entrou.
Você viu no que deu: acabei dizendo "te amo". Saiu baixinho porque não falava havia anos. Era uma frase enferrujada, que eu tinha certeza que não a usaria mais, exceto para minha família. Mas ela tava tão viva dentro de mim que acabei vencendo o medo de parecer ridícula.
Mas não era só por isso. Também temia constranger você. Existe algo mais constrangedor do que não poder dizer "eu também" quando a gente ouve que alguém ama a gente?
Me fala, assim meio sem querer, que não faço seu tipo, que você ainda não esqueceu uma ex. Se não tiver ex pra ser esquecida, inventa. "Mentiras brancas" são permitidas nessas horas.
Não! Não faz nada disso. Não diz que tem outra, não some, não se afaste. Continua honesto comigo. Continua gostando só esse pouquinho de mim. Quem sabe eu vou enjoando, quem sabe vou deixando de achar tão bom acordar com você? Quem sabe?

domingo, 1 de março de 2009

Paraty comemora 342 anos

Direto do blog do Jomar (http://www.blogdojomar.com.br):
"O Municipio de Paraty está comemorando, neste 28 de Fevereiro, os seus 342 anos de emancipação política administrativa. Entre as festividades comemorativas se incluiu uma entraga de Comendas de Mérito Inconfidente Salvador do Amaral Gurgel à personalidades locais, entre elas o ex-Prefeito Norival Rubem de Oliveira.Também o Governador Sergio Cabral Filho recebeu título de Cidadão Paratyense."

O Jomar tem um blog "de verdade", diferente deste meu espacinho aqui, por isso, seguiu uma das regras do bom jornalismo (regras esquecidas por tantos): a imparcialidade na notícia.

Já eu, blogueira descompromissada (mas sou fã dos meus leitores, hein?) tenho de fazer um comentário: Com todo o respeito ao nosso Governador, tenho certeza de que ele não foi o protagonista do evento. É que quando a gente fala do Tio Val, não tem pra ninguém.
Viva o Tio Val, com suas inúmeras histórias (publicadas ou não). Viva o Tio Val pelo bom humor estampado na alma. Viva o Tio Val pela lição de vida.

FILOSOFIA DE VIDA