terça-feira, 3 de março de 2009

Foram viajar e deixaram tanta bagagem

Ontem duas pessoas muito queridas foram lá pra cima.
Uma foi a Dona Nazaré, que eu conheci na Cesgranrio. Trabalhamos por quase 10 anos juntas e ela sempre foi muito carinhosa comigo. Duas gentilezas, em especial, me marcaram: quando ela me concedeu uma bolsa de estudos para o Curso de Letras e a foi quando sofri o acidente. Queria saber como eu estava e se ofereceu para pagar minhas despesas médicas. Estou escrevendo e as lágrimas brotando, pois algumas (poucas) pessoas da minha família nem se deram ao trabalho de me telefonar e ela ainda se preocupou com despesas. Achei tão fofo.
Naza, sei que você descansou, pois os últimos meses por aqui foram sofridos. Queria te mandar um beijo. Não no corpo que fui visitar no cemitério, mas na alma. Que foi onde você me tocou várias vezes. Tenha uma linda viagem, sob as bençãos de N.Sra.de Nazaré.
A outra querida foi a Dona Coleta. Dela não posso falar muito pra não chorar em pleno expediente. Sabe aquele tipo de pessoa que você se sente bem estando ao lado, nem precisa conversar? Ela era assim. Quando eu era pequena, várias vezes mudava meu trajeto só pra passar em frente à casa dela e falar "Oi, Dona Coleta. Tudo bem?" e ver o sorriso dela. Sorriso de gente boa, de gente que sabe o valor do sorriso.
Ela também foi tão importante quando minhas tias, meu avô e minha mãe se mudaram pra Paraty. Meus pais se casaram e foram morar numa casinha dela. A Dinda Verinha e o Vovô Gouveia moravam na casa ao lado. Foi na casa dela que meus pais avisaram à família que tinha bebê a caminho. Veio uma menininha cabeluda, de olhinho puxado e que adora ouvir essa história da minha mãe. Nasci na casa da Dona Coleta. Estudei pintura com ela. Assisti à algumas palestras da FLIP de 2006 com ela. Mas eu acho que o que mais me ligava a ela, era o amor que minha Dinda dedicava a ela. Sabem como é: quem dá açúcar a quem eu amo, minha boca adoça, né?
Dona Coleta, a senhora já estava dormindo havia tanto tempo,né? Viaja em paz agora. Vai demorar um tempão pra aquela rua ser a "Rua do Comércio". Pra mim e pra todos os que a conheceram, será sempre a "Rua da Dona Coleta, do Seu Antônio Mello".

Quando alguém querido vai embora, fico meio sensível, mas não gosto de ficar triste. Afinal, penso no que elas puderam me ensinar e tenho certeza de que de uma forma ou de outra, elas viam no meu sorriso o carinho enorme.