quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

VIDA QUE VALE A PENA

Ela estava quase irreconhecível: refeiçãozinha leve e saudável, nunca mais do que 4 horas sem comer. E o resultado estava lá: afinou um pouquinho aqui, outro tanto ali.
Ela sempre foi meio preguiçosa, mas estava numa disciplina do cacete desta vez: corrida 3 vezes por semana e personal às 3as e 5as.  Até abdominal ela fazia.Valeu a pena: ganhou umas pernas bacanas e um bumbum durinho.
Aí um dia, reparei que ela estava muito, muito diferente. A gente quase não tinha mais nada a ver: eu na fissura por um chopp e ela ia de Coca Zero. Dia de Luluzinha´s é véspera de ressaca de vinho, claro, todo mundo sabe disso. Mas nem com as Lulus ela saía da dieta: Coca Zero e queijo branco.
A recompensa dela era exatamente proporcional à minha inveja: até biquine branco a danada já usava. Qualquer mulher que compra um biquíne branco sabe que está com a cor linda, com a barriga lisinha e que vai ter dificuldade em ir à praia com as outras amigas. Eu, por exemplo, sou uma que me recuso a ir à praia com uma amiga de biquine branco.
Eu, quando decido perder 5 kg, perco. Aí depois volto pra orgia alimentar que eu adoro. Mas ela, não. Malhava até aos sábados.
Um dia me assustei porque fazia mais de 1 mês que não a via lendo nenhum livro legal. A malhação tirou dela até o tempo pra leitura. E, cá entre nós, acho que viver a base de alface e queijo branco tira a concentração de qualquer mortal.
Ela, que sempre foi meio intelectual, que tinha uma estante de livros tão variada, ficou meio tapada, sabe? Sabia quais os melhores exercícios para o bíceps, para o tórax e até aprendeu a fazer abdominal invertido (gente, isso existe mesmo?). Acho que nunca mais leu jornal, estava lendo só aquelas revistas de dieta e exercícios. Revistas feitas pra deprimir a gente, que é normal, sabe? Ela só lia aqueles trecos.
Aí um dia ela lesionou a perna esquerda. Teve de ficar de repouso por 5 dias. E finalmente nos encontramos, e encontrei um jeito legal de saber com ela o que realmente estava rolando. Fui devagar, com jeitinho e perguntei: você está feliz com essa vida que te isola dos amigos, que te impede até de sair pra jantar com um cara só pra não sair da dieta? Está feliz por puxar tanto ferro a ponto de machucar uma perna? Se você estiver 100% feliz, ok, vai em frente, mas vou te falar: você tá uma chata de galocha. Chata de galocha marombeira e sarada, mas mesmo assim chata de galocha.
Pensei bem e vi que não, eu não estava feliz. E que aquela vida estava me distanciando de mim mesma, da minha essência. Aquela malhadora não era a "boa e velha" EU. Aquela era outra pessoa.
Ufa! Que bom que deu tempo de aproveitar o resto do verão, porque como fez calor este ano, cara.
Tomei vários chopps nos dias quentes, dei um tempo nos exercícios e acabei de comer dois brigadeiros que estavam uma loucura de gostosos. A vida está valendo mais a pena.