quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Ainda não sei o que vou ser quando crescer



Fiz aniversário há pouco tempo e ainda não me acostumei com minha nova idade.

O que tem me incomodado é que não me vejo dentro desses tantos anos. Sou fútil, ingênua, tenho umas bobagens que não cabem em mulheres da minha idade. Já sobrevivi a situações que muita gente mais velha teria tombado.

O fato é que daqui a pouco vai ser meu aniverário de novo e não estou preparada. Ando pensando em mentir a idade. O problema é que sei que vou dar risada na hora. Tá vendo? Todas as mulheres fazem isso algum dia na vida e acham normal. Eu não, eu dou risada e conto a verdade. Tá vendo? Qual a vantagem de ficar mais velha se não fico madura?

Ta aí uma coisa que eu queria pra caramba: ficar madura. Como se consegue isso? Força de vontade? Pensamento positivo? Mentalização? E se eu ler "O Segredo"? Dizem que faz milagres. Bem que eu podia me submeter a isso, afinal, já li Benjamim, Machado, Clarice Lispector e não amadureci meio centímetro.

Quem sabe eu devesse conviver com as amigas da minha idade e absorver o jeito delas? Ai, mas eu acho um saco ouvir sobre qual a melhor escola pro filho, ou sobre como é difícil conciliar marido, filhos, encontrar uma boa empregada e decidir o que fazer para o jantar. Outro dia minha amiga disse que ficou 4 horas no supermercado, fazendo a compra do mês. Não dormi direito aquela noite: me imaginei no lugar dela e depois arrumando toda aquela compra (foram 4 carrinhos) da dispensa, na geladeira... Socorro! É isso ter "trinta e uns anos"? Acho que sim, pois outras amigas falam coisas parecidas.

Ou então fazer o contrário e só ter amigas que tenham uma vida mais parecida com a minha: já casou, não teve filhos, mora sozinha. Mas sabe o que desanima? É o jeito meio amargo delas. Conheço duas ou três que só sabem falar mal dos homens, dizer que se sentem sozinhas e que já perderam a esperança de serem felizes. Ficar amarga não resolve e nem faz bem pra pele.

Não tenho muito talento pra ser feliz 24 horas por dia, mas, apesar dessa minha alma melancólica, adoro acreditar que ainda vou ser muito mais feliz do que já sou. Adoro o fato de já ter me apaixonado perdidamente incontáveis vezes, de já quase ter morrido de amor. E peço a Deus com todas as minhas forças que isso me aconteça muitas outras vezes.

Quando penso em aniversários e idades um pensamento quase compulsivo me assombra e fala ao meu ouvido: “Defina-se, Aline. Quem é você, afinal?”.

E é aí que começa a fodição: eu tenho que me definir, me enturmar, me reconhecer num grupo. Mas como, se não me encaixo em grupo nenhum? Porra! Eu nunca tive grupinhos de amigos. Sou desenturmada desde o berçário.

Então aniversário é isso. Chegou a hora de dizer quem eu sou. Mas pra quem? Aposto 10 contra 1 que não tem ninguém a fim de saber quem eu sou de verdade. Que bom, afinal, não to muito a fim de saber o que pensam ou esperam de mim. E a explicação é muito simples: alguém acredita que vou mudar a essa altura do campeonato?

Como me definir sem ser injusta comigo mesma? Como me definir sem enganar quem me vê? Maior bobeira falar do meu mal humor, falar da minha obsessão por leitura, do meu medo de dentista. Nada disso me define. Nada me define.

Essa minha cara de quem tá pensando eternamente na morte da bezerra faz muita gente achar que sou esnobe. Minha incapacidade de ser feliz quando minha unha quebra me faz ter fama de fútil. Não dou pistas de quem eu sou. Gostaria de ser mais óbvia, mais transparente.

Eu queria, de verdade, encontrar meu lugar no mundo, encontrar minha turma. Saber o que eu quero pra poder escolher que caminho seguir.

Mas isso é muito complicado. Pra ser muito sincera, sou só uma menina que mais uma vez ganhou um bolo com um monte de velas.