domingo, 28 de fevereiro de 2010

Parati


Hoje é aniversário da minha cidade amada. Homenageio meu cantinho sagrado com uma linda poesia do querido Zilco.



Parati
onde não nasci.
Parati de anos
quantos? tantos...
Parati com seus encantos

Parati
onde não nasci
Parati
das velhas igrejas desertas
do velho relógio caduco
tocando nas horas certas

Dos mangues, tão perto
onde nunca peguei caranguejos
das matas, das serras distantes
onde nunca peguei passarinho.

Parati
vila donzela
tão bela,toda flores, passarinhos.
Das crianças morenas de sol
loiras de tanto ar
beija-flores a andar.

Parati
dos jovens de nomes bíblicos
a jogar futebol, a cantar ao violão
a pescar a semana inteira
a namorar as doces meninas
quais morenas ondinas.

Parati
da eterna maré, misteriosa
toda recantos, silenciosa
como velha irmã solteirona
ou uma antiga sinhá dona

Parati
cidade amante, caprichosa
sem vizinhos,e, no entanto, dadivosa:
- a quem amas, tudo dás.
Pois tens a dádiva no nome
E o teu nome eu vi:
teu nome é Parati

Reino misterioso de yemanjá
minha rainha plebeia
minha plebeia rainha
meu último Shangrilá

Parati, Parati...
eu quisera ser teu menino,
menino que nunca fui
só para poder dizer
"d´onde você vem menino?'"
"eu venho de parati."

Zilco Ribeiro foi um grande poeta e produtor cultural e um amigo fenomenal.