segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

2a-feira de Carnaval

Tem gente que reclama de tudo. E tem gente que sabe, de verdade, viver essa coisa chamada vida. Prefiro esse segundo tipo.
E hoje vou falar de um cara assim. O nome dele é Norival Rubem de Oliveira, 82 anos, 12 filhos e muitos, muitos netos e alguns bisnetos. Para mim, desde criança, ele é a perfeita representação de pessoa alegre, festeira, acolhedora. Ele é irmão da minha avó, portanto, meu tio avô. Ou simplesmente, o tio Val.
Quando meu avô morreu, o tio Val virou uma espécie de pai do meu pai e dos meus tios. Minha avó sempre falou em como ele foi presente na criação dos sobrinhos. Aliás, minha avó fala dele sempre. E sempre com carinho e admiração.
Tio Val é daqueles caras que olhamos e pensamos "como eu queria ter metade da força e do alto astral desse cara".
Sua história de vida renderia lágrimas aos pessimistas e admiração aos que sabem que temos mais é que passar por cima dos obstáculos. A vida tem pressa, é preciso viver.
Enquanto escrevo essas linhas, percebo um descuido: os verbos estão quase todos no presente, embora Tio Val tenha nos deixado esta madrugada. Sete meses exatos depois de minha avó.
Hoje é 2a-feira de Carnaval. E uma das pessoas mais festeiras que conheço se despediu da gente. Poderia ser um outro Carnaval com lágrimas e coração apertado de dor, mas desconfio que ele prefere que ninguém chore.