quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Da série: Só uma mulher sabe o que é - TPM

Não sou de ficar doente, graças a Deus tenho uma saúde bem legal. Apesar de nunca ter tido nenhuma doença muito séria, tomo religiosamente um remédio para tireóide (tenho hipotireoidismo) e um antidepressivo (sim, eu tenho depressão). Quando a coisa "esquenta", recorro a um rivotrilzinho, porque perder sono por causa de problema não tem nada a ver. E sou ligada na tomada 220, então, de vez em quando, um "sossega leão" faz um bem danado.
Bem, esses são os remédios que tomo hoje em dia. Mas por uns 2 ou 3 anos eu tinha praticamente uma farmácia dentro da bolsa. Era diurético, muitas, muitas pílulas naturais, analgésico, relaxante muscular, calmante não-natural, e a lista aumentava a cada dica ou orientação médica. Tudo isso para amenizar a maldita TPM. Tudo em vão: a danada só aumentava.
Passei 1 ano indo a vários médicos, sempre testando uma nova pílula anti-baby. É que entre as substâncias que evitam a concepção, há algumas que ajudam a equilibrar os hormônios e isso poderia diminuir os sintomas TPM. Só que havia 2 problemas: um é que não melhorava porra nenhuma. O outro é que minha TPM não durava "alguns dias". Ela levava uns 15 dias. Inferno! Nem eu me aguentava.
Até que um médico teve a humildade de falar "Aline, já tentamos de tudo. Talvez a solução seja o Dr.Elsimar Coutinho". Quase chorei de emoção, pois já conhecia o nome dele há um tempão e lia tudo o que ele escrevia sobre a suspensão da menstruação.
Detalhe: ele atende no mesmo prédio onde trabalho. No dia da consulta, levei minha listinha de sintomas. Eram todos os listados abaixo. Sim, eu não era humilde: eu tinha TODOS os sintomas que se pode ter. E isos é um inferno.
O Dr. explicou sobre o "tratamento" que ele faz: implante de hormônios subcutâneos que suspende a ovulação e, consequentemente, a menstruação. Troca-se a cada 6 meses ou 1 ano. Minha próxima consulta é em Abril próximo. Depois, mais 1 ano de liberdade.

Abaixo um artigo da Dra. Vera Garcia da Silva - Médica psiquiatra de Adultos e da Infância e adolescência pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ.

A maioria das mulheres apresenta alguma alteração do humor durante o ciclo menstrual, mas somente 3 a 8% delas apresentam sintomas que correspondem a TPM ou, segundo à terminologia médica, Transtorno Disfórico Pré-Menstrual (TDPM).

Esse transtorno se caracteriza por um conjunto de sintomas físicos, comportamentais e do humor que aparecem ou aumentam a sua gravidade na fase lútea tardia do ciclo menstrual ( período de alguns dias, que antecede a menstruação) e que desaparecem, ou retornam ao nível de gravidade anterior, com o início do fluxo menstrual.

Os sintomas mais comuns são:
1) humor deprimido,
2) sentimentos de desesperança;
3) pensamentos autodepreciativos;
4) ansiedade
5) tensão e sensação de “nervos à flor da pele”;
6) instabilidade emocional acentuada;
7) raiva e irritabilidade;
8) desinteresse por atividades habituais (tais como, trabalho, amigos e lazer;
9) dificuldade de concentração;
10)fadiga e falta de energia;
11)alterações do apetite, como avidez por determinados alimentos, por exemplo;
12)alterações do sono, podendo ocorrer insônia ou excesso de sono;
13)sentimento de descontrole emocional;
14)inchaço e/ou sensibilidade nas mamas
15)cefaléias;
16)dor articular ou muscular
17)sensação de” inchaço geral “e ganho de peso.

Para que seja dado o diagnóstico, é necessário observar o quanto esses sintomas interferem na vida da mulher, seja no trabalho, na escola ou na vida social, e que os sintomas tenham ocorrido por, pelo menos dois ciclos menstruais consecutivos, avaliados prospectivamente.

Outro aspecto importante, é distinguir o TDPM de outros transtornos do humor, como o transtorno depressivo maior, a distimia e o transtorno bipolar, onde não encontramos remissão dos sintomas acima citados, após o início da mentruação. Condições ginecológicas que afetam o humor, tais como, dismenorréia (cólica menstrual) e o uso de contraceptivos orais são hipóteses que também precisam ser descartadas.

Atualmente, não há uma causa identificada para o TDPM, mas estudos vêm demonstrando que mulheres, com uma predisposição genética, podem apresentar algum tipo de disfunção associada à neurotrasmissão cerebral, envolvendo principalmente a serotonina, cujos níveis são afetados pelos hormônios esteróides circulantes.

A intervenção terapêutica deve ser programada juntamente com a paciente, de forma a minimizar o desconforto causado pelos sintomas, levando-se em conta, tanto a apresentação clínica, como o grau de interferência na sua vida diária.

Os tratamentos preconizados são técnicas de relaxamento, psicoterapia cognitivo-comportamental, mudanças no padrão alimentar, exercícios físicos regulares e medicamentos antidepressivos, sendo a fluoxetina, o mais eficaz e bem tolerado.