quarta-feira, 17 de junho de 2009

PELICA, UM BEIJO DA ALINE MELLO

Tenho um grande amigo, o Henrique Pelissari. Trabalhamos juntos por 10 anos e, mesmo fora da empresa há 3 anos, mantemos contato. Ele me chama de Aline Mello e eu o chamo de Pelica.
Nós fazemos aniversário no mesmo dia, só que ele nasceu 10 anos antes de mim, então brincávamos dizendo somos "gêmeos atrasados".
Ele é aquele tipo de pessoa que dá orgulho ter como amigo, sabe? Um cara batalhador, honesto, esforçado. Sempre me dava conselhos úteis e carinhosos.
Há uns 8 anos, conheceu uma menina muito legal e os dois se casaram. Ele me disse que tinha medo de casar, pois conheceu muitas garotas que não pensavam no futuro, que só estavam a fim de zoação e ele não queria isso pra ele. De fato, a Patrícia parece ter nascido pra ele. E eu sempre admirei o jeito que eles encaram o compromisso do casamento, os sonhos que conquistaram juntos.
Um dos conselhos que ele me dava (e ainda dá!) é para eu ter cuidado ao me relacionar com alguém. Eles diz que tem muito "aproveitador querendo se dar bem com uma mulher como você". Quando arrumo um namorado, ele me faz mil perguntas sobre o cara, parece irmão mesmo, quer saber se o cara é sério, se isso, se aquilo. Dou risada mas sei que esse é o jeito de ele mostrar o quanto me quer bem.
Desde que se casaram, ele e a Patty tentavam engravidar. Fizeram tratamento e um monte de coisa, mas nada acontecia. Até que em Janeiro passado, fizeram uma viagem e... bingo! Patty engravidou.
Nossa! Como ficamos felizes. Todos os amigos do trabalho acompanhavam a gravidez com uma euforia, pois sabiam o quanto aquele bebê era desejado.
Há uns 2 meses ele me falou todo contente que seria uma menina. Teve até churrasco pra comemorar a notícia.
Ontem à noite, um amigo me ligou pra dizer que a Patty teve complicações e precisou fazer uma cesárea às pressas. A Lívia nasceu com apenas 5 meses, na 4a-feira passada. Apesar de todo recurso da maternidade, o bebê não resistiu e faleceu ontem.
Passei a noite em claro, rezei pela alma da pequena Lívia, pedi a Deus para dar força ao casal... mas o que eu queria mesmo era poder ajudá-los, fazer alguma coisa. Como não há nada que eu possa fazer, tô aqui escrevendo, que é a única coisa que sei fazer.
Dessa forma, eu sinto que tô abraçando esse casal tão querido. Com a vantagem de eles não me verem chorando, que é o que tô fazendo desde a hora que recebi o telefonema.
Nem minhas lágrimas e muito menos minhas palavras vão ajudar ninguém a superar essa dor, mas é meu jeito de dizer que estou solidária, que deve haver uma explicação para isso tudo.
Ah, se eu pudesse reescrever esta história...
Pelica, receba todo o carinho dessa sua amiga aqui. Da mesma forma que você foi solidário e ficou ao meu lado naquele momento triste da minha vida, eu estou aqui, à disposição e fazendo o que você fez: pedindo a Deus que dias melhores venham logo.