sábado, 20 de junho de 2009

O que é isso? O que é aquilo? Quem dissse que tem que ser assim?

Há dias uma amiga me disse que eu deveria ser mais feminina. Na hora não soube o que responder e fiquei com aquela cara de "como assim?". Tudo bem que não sou o melhor exemplo de "dama", mas daí a ser chamada de "pouco feminina" existe uma imensa distância.
Toda vez que a gente ouve algo inesperado, a resposta foge, né? E a gente só lembra de 332 argumentos depois, geralmente bem depois. Só que dessa vez eu não tive respostas, tive perguntas. Duas, para ser mais exata: O que é ser feminina? O que é ser masculina?
Ser feminina é não ter uma profissão, sonhar em casar com um bom partido, usar laço no cabelo, sapatinho de cristal ou não ter renda própria?
Ser masculina é dividir as contas, morar sozinha e não precisar de ajuda pra trocar lâmpada?
Quem falou que as coisas são assim? Onde tá escrito isso?
Aliás, sabendo que há muita diferença entre homens e mulheres, costumo dizer que há "coisas de menina" (se lembrar da data que conheceu o gatinho, escolher uma música para ser o "tema de nós dois", se desesperar com meio quilo a mais na balança) e "coisa de meninos" (esquecer o aniversário da própria mãe, pegar a 1a camisa da gaveta, não perceber que cortamos o cabelo). Já sofri tanto por ele não se lembrar que em tal dia fazia 3 meses que nos conhecemos. Hoje em dia sei reconhecer que "coisas de meninas" nem sempre são importantes para os meninos. E "coisas de meninos" às vezes assustam as meninas.
E vamos combinar que esse assunto já encheu o saco há muito tempo. Eu, pelo menos, não aguento mais. Mas insistem nisso, fazer o quê?
Então, sigo reafirmando minhas idéias sobre ser feminina, que está muito além dos laços de fita ou da eterna dependência financeira. Ser feminina, ser mulher, está ligado ao que passa no coração.
Hoje em dia confunde-se muito "ser feminina" com "ser inútil" ou, pior ainda, com ser "pegadora".
A gente conquistou, a duras penas, muitos direitos e não me parece inteligente deixá-los todos escorrerem pelo ralo só pra não ter de colocar a mão na massa, não ter de fazer esforço. E muito menos deveríamos desvalorizar o que conquistamos agindo como se fôssemos homens. Não somos.
Tudo tem limite. Inclusive os tais frutos da liberdade. A mulher tem direito de chegar no cara que ela tá a fim? Claro que tem. Tem direito de transar com quantos estiver a fim (um de cada vez ou todos juntos, tanto faz)? Claro que sim.
Só que a maioria não aprendeu a fazer isso direito. Já reparou que a maioria diz que não se importa de o cara nunca mais ligar pra ela, mas na verdade sofre horrorres quando ele some?Outras se transformaram em devoradoras de homens e tem vários aos seus pés. Isso é ser feminina, é ser mulher? Pra mim isso é carência.
Não acredito nesse discurso de "eu pego mas não me apego". Pra mim, é tudo mentira: elas até se divertem um pouquinho mas tomam remédio pra dormir só pra não terem de pensar se aquilo as está fazendo feliz.
Tem muita mulher exagerando na dose, achando que aquilo a torna atraente, fatal, mulherão.
Ou, então, ao contrário: ainda tá esperando pelo príncipe encantado.
Continuo achando que a espontaneidade é fundamental. Por isso, não vou mudar: serei feminina pelo meu jeito de olhar o mundo, de amar meu homem e de me comover com a Lua linda que tá fazendo lá fora.
Os sapatinhos de cristal, as dependências emocionais ou financeiras, as inversões de papel, eu deixo pra quem ainda não descobriu como é bom ser você mesma.