quinta-feira, 29 de abril de 2010

Como é bom saber tocar um instrumento

Tem uma música do Caetano que fala assim "como é bom poder tocar um instrumento ...". Na letra, o cara conhece uma mulher muito bonita e quando chega em casa, corre para o violão para fazer uma música pra ela: como é bom poder tocar um instrumento.
O meu instrumento é a escrita. É através dela que registro momentos, desabafo, divido histórias e tal.
Talvez quem não tenha essa necessidade de expressar-se através da escrita, ou da música ou qualquer outro tipo de arte, não entenda como é bom, como é vital conseguir fazer isso, ter um meio para fazer isso.
Claro que tem dia que a gente não sente tanta vontade assim de escrever, até porque escrever é dolorido. Como disse o poeta Antunes Lobo "ESCREVER É MUITO DIFÍCIL E A CADA VEZ TORNA-SE MAIS DIFÍCIL FAZÊ-LO" (tem mais sobre o Antunes Lobo no post "A última do português" .
Muitas vezes ao escrever a gente mexe com sentimentos que estão lá escondinhos, sabe aquela mágoa que você achou que já tinha passado? Pois é, muitas vezes ela sai do esconderijo na hora que estamos trabalhando um texto. Também aquele assunto proibido, que a gente mesma se proibe de falar pra ver se ele passa não existir mais, é... também ele ganha forma de repente, bem quando estamos digitando. É que escrever mexe com sentimentos. O resultado pode até ser uma porcaria, mas vamos combinar que escrever é, sim, arte, e uma das características da arte é essa: incomodar a gente, cutucar a gente. Ninguém sai ileso de uma exposição de quadros, por exemplo. Ou de uma peça de teatro, ou sei lá de onde mais.
Bom, agora que você já sabe que eu acho difícil pra caramba escrever, vou ao motivo deste texto: tal qual na canção, eu quis registrar um momento que me marcou. Na verdade, que me marca sempre: comentários que eu recebo. É tão bom ter um retorno do trabalho que a gente faz. É tão bom saber que, como diz a Bela, de vez em quando eu "traduzo" um sentimento que alguém tá sentindo.
Puxa, você sabia que a Mônica reza todas as noites por mim? Falando nisso, Mônica, você se lembrou de rezar pro Santo que arruma namorado? (ela me disse que não é Santo Antônio). Tô precisando.
Tem a Juliana, que não entende minha tristeza e queria segurar minha mão pra me alegrar. Falando nela, vou transcrever um pedaço de um depoimento dela aqui: "(...) resolvi te falar algumas coisas que sinto em relação ao blog, eu sinto prazer em ler o que você escreve seja alegre ou triste, a forma que você escreve me faz querer ler mais. Tem blogs em que quando os textos são grandes, eles perdem o sentido no meio ou então simplesmente ficam chatos. Você não, você consegue dar sentindo ao post do inicio ao fim e ainda ficar com gostinho de quero mais. Tanto que a primeira coisa que faço quando chego no trabalho é entrar no seu blog p/ ver as novidades.
Outra coisa que vim te contar, minha mãe adora internet, está sempre no orkut ou baixando músicas, mas ao contrário de mim, ela não gosta muito de ler. Essa semana estava contando para ela sobre o seu blog, falei com ela que eu entro várias vezes ao dia, pq você está sempre atualizando e blá blá blá. Nisso entrei no blog p/ mostrar a ela e você tinha atualizado com esse texto: Sobre exigências, preguiças e o que não sei fazer. Eu li para ela, e ela adorou e se identificou com o texto. Pediu p/ eu colocar o seu blog nos favoritos do computador que ela usa, lá em casa (...)" .
Tem a Marilia que divulga os textos pras amigas que não gostam de acompanhar blogs, tem também aqueles que dão uma olhadinha mas não comentam por falta de tempo ou costume. E, claro, tem aqueles que acharam tudo isso aqui um lixo e nunca mais voltou.
Eu queria dizer que todos vocês são parte essenciais da história da minha vida.
Sabe aquela coisa que acontece enquanto a gente tá fazendo um monte de outra coisa? Então, aquilo é a história da nossa vida. Enquanto me concentro nos cálculos e planilhas financeiras, ou arrumo a casa, ou apenas olho a Lua pela janela, enquanto eu faço "nada demais", minha história de vida tá acontecendo. E o barato de ter esse cantinho aqui é perceber que tem gente sendo tocado por um texto meu. Tem gente me achando fútil por causa de alguma coisa que escrevi. Tem gente amaldiçoando quem inventou os blogs, pois eles possibilitam uma "qualquer uma" como eu escrever as desordens que me passam pela cabeça. Aceito tudo isso, assim eu tô fazendo valer um desejo de muitos: não viver a vida à toa, sem fazer diferença pra ninguém, sem provocar reações em ninguém.
A escrita é o instrumento que tento aprender desde novinha. Mas o que escrevo não é rascunho, é meu jeito torto de fazer Literatura.