"Decido eu mesma engendrar lendas e episódios que me são atribuídos. Sempre tendo como desculpa a condição de escritora, a quem é dado o privilégio de inventar sem sofrer sanções morais". - Nélida Pinon
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
MOMENTO POESIA
Uns usam palavras curtas.
Outros usam roupa em excesso.
Existem os que jogam palavra fora.
Pior são os que usam em desalinho.
Uns usam palavras caras.
Poucos ostentam palavras raras.
Tem quem nunca troca.
Tem quem usa a dos outros.
A maioria não sabe o que veste.
Alguns sabem mas fingem que não.
E tem quem nunca
usa a roupa certa para a ocasião.
Tem os que se ajeitam bem
com poucas peças.
Outros se enrolam
em um vocabulário de muitas .
Tem gente que estraga tudo que usa.
E você, com quais palavras se veste?
Com quais palavras você se despe?
- A palavra é uma roupa /Viviane Mosé
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Dilemas de Amor / AG
Não os que derram errado,
mas aqueles desencontrados,
os não correspondidos?
Será que vão fora,
se perdem no dia-a-dia
ou estão na Aurora,
em forma de poesia?
Os amores do passado
(Dos nossos tempos de criança)
São reciclados
qual sementes de esperança?
Ontem parei e fiquei pensando
Procurei muito, procurei...
Acho que continuo amando
os amores que amei.
sábado, 18 de setembro de 2010
SEM AMIZADE E NEM CHOPE
De vez em quando o assunto acaba e a gente finge que não percebe, aí fala de coisas que já falou, pergunto quanto foi o jogo e de repente lembro de alguma coisa engraçada que a gente fez naquele dia.
Ele reclama de tédio, me fala que não faz fisioterapia há não sei quantos meses e eu digo que tá errado. Depois falo que isso é problema dele e não vou mais me meter. Mas me meto perguntando se tem feito exercício pro pulmão. Ele diz que o papo tá chato e fala que lembrou de mim outro dia. Aí eu derreto.
De vez em quando esqueço que tem coisas que não se deve perguntar e quando vi, já perguntei. "Tem saído com alguém?" E fecho os olhos (que nem retardada, confesso) com medo de ouvir que sim, que eu não faço mais parte da vida dele. Mas ele sabe que eu morro de ciúmes de quem já não é mais meu e quebra meu galho: diz que não, que não tem saído com ninguém. Derreto de novo.
De vez em quando ele some. Semanas sem nem ao menos um telefonema e eu penso que deve ter conhecido uma vadia qualquer, uma idiota qualquer que não vai entender as manias chatas dele, que eu aprendi gostar.
Eu sei que deveria reclamar do sumiço, mas, quer saber?, nem reparei que já fazia tanto tempo desde a última vez que nos vimos. Aí penso que ele tá tão presente em mim, no que eu faço, que nem deu tempo de morrer de saudade. Logo eu, que vivo morrendo de saudades.
Mas a grande verdade é que nem os sumiços ou a demora em nos ver de novo, nada disso atrapalha a gente, que não tem nem um relacionamento e nem consegue ficar mais de 1 mês sem se falar. A gente não tem nada um com o outro. Nem um pau há entre nós dois. E olha que não sou daquelas que acreditam que dá pra viver numa boa sem um bom sexo.
Tem gente que acha que dá pra ter um "pinto amigo", que é aquele amigo que te liga de vez em quando, que vem na nossa casa todo cheirosinho, só pra dar uma trepadinha e vai embora me deixando com um sorriso feliz no rosto.
Ok, confesso que com esse "tem gente" aí de cima eu quis dizer: eu acho que dá pra ter um amigo e transar de vez em quando com ele sem esperar que ele me ligue no dia seguinte. Mas a verdade é que de um tempo pra cá ando romântica e descobri que dá pra viver um tempo sem pau. Sem homem, nunca. Mas sem pau dá pra viver. Pelo menos por um tempo. Eu acho.
Tenho preferido ele, que me liga e me faz esquecer o resto do mundo naquelas duas horinhas em que somos amigos e às vezes falamos que nem dois namoradinhos. Namorados que se cuidam bem mas ainda não foram pra cama. Volto a ter 16 anos. Eita tempo bom aquele: beijo na boca, de vez em quando uma mão mais ousada e só. Afinal, tá cedo pro resto. E o resto, no caso, é sexo. Tem hora que é cedo pro sexo.
Com ele eu tenho 15, 16 anos, sou virgem e só vou deixar de sê-lo quando tiver certeza de que apareceu o homem certo. E todo mundo sabe que o homem certo não aparece nunca. Então, aproveito pra curtir e falar com ele por telefone sem pressa de dar pra ninguém.
Ele me liga sempre na hora da novela mas eu não tô nem aí. Ele me faz morrer de rir, diz que minha voz é bonita por telefone e que um dia vai me chamar pra tomar um chopp num bar super transado, aqui pertinho de casa. E eu não vou a esse bar com nenhum outro cara do mundo, porque este bar tá reservado pra eu ir com ele. Um dia.
Se eu contar, ninguém acredita, mas curto muito tudo o que ele faz pra mim. É praticamente nada, mas é pra mim, e mulher gosta dessas coisas de exclusividade. Me derreto.
Não que eu fique na janela esperando o telefone tocar, tenho lá minhas recaídas por um ex que me visita de vez em quando. Mas com ele tudo é mais legal, porque eu sei que não vai doer. Não vou chorar por ele. Não vou ter um ataque de ciúmes se o vir com uma vadia qualquer num bar qualquer da Lapa. Não existiu pau entre nós dois, portanto, não vai havar o sentimento de posse e nem aquela vozinha no ouvido "desgraçado, me comeu e agora tá aí com essa biscate".
Mulher não segura a onda de ver outra ao lado do dono do pau que passou duas horas com ela, bricando na cama (ou no sofá, ou no chuveiro, ou sei lá onde mais), chamando de gostosa e dizendo "ai, que delícia" . Sente logo vontade de tomar satisfação, xingar e puxar os cabelos da vaca. E não adianta insistir: não conto se já fiz isso e nem quantas vezes desejei ter feito. Eu não desço do salto e não conto minhas derrotas.
Não adianta que não vou falar nada dessas intimidades cheias de fluídos e sons. Comecei falando dele, que diz que não é meu amigo mas me liga e diz que me adora, mas não me chama nem prum chope sábado à noite. Um chato, como pode se ver.
domingo, 12 de setembro de 2010
ANIVERSÁRIO DA MULHER DA MINHA VIDA
Mãe, na falta de palavras mais exatas, recorro à poesia do Rei Roberto. Te amo.
Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você
Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
E me conte uma história bonita
E me faça dormir
Só queria ouvir sua voz
Me dizendo sorrindo
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino
Apesar de distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso escutar de você
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem
Me afagando os cabelos
Você certamente diria
Amanhã de manhã você vai se sair muito bem
Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição
Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado, eu sorria
E, nas horas difíceis
Podia apertar sua mão
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
Muito embora você sempre acha que eu ainda sou
Toda vez que eu te abraço e te beijo
Sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você...
sábado, 11 de setembro de 2010
Eu não sei esperar. Eu não acredito em bruxo.
Eu que já não sentia saudade, sinto falta de deitar com você e de me perder em você.
Eu não sei se minha vida tem a ver com a sua e não vou perder meu tempo pensando nessas coisas que as cartas de algum tarot podem me responder. Eu não acredito em pra sempre e desprezo o que dizem os bruxos.
Eu, que quero sempre tanto, não vou pra janela esperar um novo amor: há amor demais onde estou. Eu estou em você.
Minha natureza é sozinha, preciso de momentos que são só meus e disso não abro mão. E não abro mão de te querer. Eu te procuro demais. Eu me precipito demais. Eu me mostro demais. Eu te quero demais.
Não vou deixar o tempo te trazer: eu não sei esperar. Minhas palavras mal contidas não te servem e nem me servem mais.
Eu não sei fingir ter calma, olhar você ir e não voltar. Eu não sei ver você ir embora de mim. A vontade me apressa e vai me fazer gritar seu nome, feito louca, movida pela minha razão. Quem sabe assim você olha pra mim.
Não escondo a vontade, eu já esperei demais. Vou chegar na sua casa, tarde da noite, fazer barulho na sua porta, sem roupa e sem juízo: quem sabe assim você olha pra mim.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Confio no outro. Sempre.
Eu só me importo com o que fazem comigo, com meu coração ou com minha alma. Porque não me escondo e assim estou exposta. Sou presa fácil, mas me recuso a desconfiar do próximo. Confio no outro como um menino confia no pai.
A REFORMA ORTOGRÁFICA EXPLICADINHA
Os autores são o Mauricio de Sousa e sua irmã, a poetisa Yara Maura Silva, autora dos versos. O livro é da Editora Abril, custa apenas R$ 9,95, tem 48 páginas, e é recomendado para crianças entre 7 e 11 anos. Ou para aqueles que querem entender melhor as novas regras que o polêmico (e desnecessário, segundo minha humilde opinião) Acordo Ortográfico.No livro, os personagens da Turma da Mônica explicam as novas regras ortográficas da lingua portuguesa de maneira divertida, através de versinhos e lindas ilustrações. E mostram quais outros países também falam o português.
Aliás, vocês sabem que países também têm o Português como língua oficial?
* Portugal;
* Ilha da Madeira:
* Arquipélago dos Açores;
* Brasil;
* Moçambique;
* Angola;
* Guiné-Bissau;
*Cabo Verde e
* São Tomé e Príncipe.
Existem ainda lugares que utilizam a língua de forma não oficial, assim o idioma é falado por uma restrita parcela da população, são eles: Macau, Goa (um estado da Índia) e Timor Leste na Oceania. (fonte: Mundo Educação)
Obrigada à Ny pela dica, que repasso a vocês.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Passos/ AG
Quando passa na calçada
nunca passa em branco espaço.
Há sempre um
"não sei o quê"
que, se não passa despercebido,
passa pela emoção.
Hoje (e talvez sempre!)
se passo próximo de um amor passado,
acho graça,
acho engraçado.
Fico embaraçado.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Mulheres comuns que vestem manequim GG assumem papel de Top Model no Dia de Modelo promovido pelo Blog Mulherão
Encontro de 15 gordinhas acontece em um estúdio no bairro do Botafogo no dia 25 de setembro, sábado. Muito sutiã bordado, plumas e autoestima e a presença da consagrada modelo plus size Andrea Boschim
Dia 25 de setembro acontece no Rio de Janeiro a terceira edição do Dia de Modelo Plus Size promovido pelo Blog Mulherão. A proposta do evento é reunir 15 mulheres comuns, que usam do manequim 44 ao 56, para uma sessão de fotos que inclui cliques de lingerie e plumas.
domingo, 5 de setembro de 2010
Geração "Sex and the City"
Durante esta semana o tema esteve na minha cabeça mais do que nunca, embora deva adiantar que não me considero, em absoluto, uma "mulher independente".
Há alguns meses uma queria amiga minha, a Aline Souza, escreveu sobre as desventuras de fazer parte da ''geração Sex and the City". Ela se questionava se valeu a pena ter investido tanto em estudo e nunca ter aprendido a fazer arroz se hoje, na casa dos "30" está sozinha.
Assim como ela, também faço parte dessa geração que compra o sapato que está a fim, tem um emprego legal, sai com o cara que está a fim e não precisa ficar se explicando pra ninguém.
Só que o glamou dessa vida acaba na página 2. Pelo que percebo, saindo às ruas, em vez de Carries e Samanthas Jhones, esbarramos mesmo nas várias mocinhas em busca de seu Príncipe encantado. E se ele não for assim tão príncipe, tudo bem: ela já não é tão mocinha e por isso acha que não dá pra escolher muito. É que nem fim de feira.
Acho isso o fim do mundo. Sei lá, nunca tive sonho de me casar e ter filhos. Nada contra, só nunca fui de pensar muito no assunto. Já fui casada e posso dizer que não é a minha praia. Há outras formas de viver com o cara que eu amo.
Sendo honesta, no fundo, meu sonho mesmo sempre foi viver um grande amor. Sabe daqueles que você fica tonta? Perde o sono, a fome, a voz. Esse mesmo. E quando coincide de ele também viver este grande amor comigo, aí então é bom demais.
Claro que às vezes rola de um dos dois não sentir coisa de jeito igual. Mesmo assim tá valendo: eu gosto pra caramba de viver paixões.
Aliás, depois que faz 30 anos, a gente descobre que o grande amor da nossa vida é a gente mesma. E isso faz toda diferença em nossas escolhas e definições.
Minha mãe não me criou nem para ser livre e nem para ser dona de casa. Minha mãe me criou para ser feliz.
Com marido, sem marido, com ou sem carteira assinada, o importante era estar confortável com as escolhas que eu fizesse.
Como toda mãe, a minha é muito sábia e sempre disse que eu deveria, sim, aprender a cozinhar: para mim mesma ou para quem quer que fosse. Deveria também aprender a limpar a casa, afinal, morar numa casa imunda não é nada inteligente. Dentro desse compromisso de "apenas’’ ser feliz, fui vivendo: aprendi outras línguas, estudei e li pra caramba! Acabei (adivinhe!) me tornando uma “mulher independente”.
E isso é bom? Não sei: nunca fui de outro jeito.
Sim, eu sei, dizem as más línguas que “homem tem medo de mulher independente”. E daí? Eu não me relacionaria mesmo com homens medrosos ou que tentassem mudar minha personalidade.
Pô! Deu um trabalhão me transformar em quem eu sou hoje... não vou mudar só pra agradar alguém. Pra falar a verdade, não quero nem agradar. Só quero poder ser eu mesma, expor minhas idéias, seja com minhas amigas ou com um carinha interessante.
Não gosto quando dizem que eu deveria agir assim, ou ser menos assim, ou sei lá o quê. Porque pra mim ter um emprego com salário bom e poder ir aos lugares com os próprios pés não é defeito.
Já ouvi algumas vezes que sou "distante", que deveria ser mais romântica. Puxa, logo eu que adoro um colo, um cafuné do meu gatinho! Também gosto quando abrem a porta do carro, dou valor às datas. Isso não é ser romântica?
E já que comecei a falar de mim, vou entregar o jogo: assisto programa de fofoca, prefiro não dividir conta de restaurante, não pego no chinelo pra matar barata. Viu? Talvez não haja tanta diferença entre mim (e milhares de mulheres desta geração) e outras mulheres que optaram por serem mães, donas-de-casa ou simplesmente viverem para o marido e para os filhos. A pequena diferença entre nós não é motivo nem de orgulho e nem de vergonha.
Se eu vou me arrepender de não ter filhos? Não tenho como saber agora.
Também sei que não vou morrer de solidão por não envelhecer ao lado de alguém: quem tem amigos, família boa e muitos livros não tem tempo para se sentir sozinha.
E quem gosta da própria companhia dá risada quando perguntam se você não se sente só.
Solidão para mim seria me perder de mim mesma.
sábado, 4 de setembro de 2010
DE REPENTE, VOCÊ NEM ACONTECEU

Que bom que você pensava que eu me entregava a você como a qualquer outro. Que bom que você não levou a sério o "eu te amo" dito depois de algumas taças de vinho. Que bom que certamente você nem se lembra disso. Que bom que você já esqueceu meus segredos. Que bom que você não sabe que eu não consegui beijar ninguém mais enquanto havia algo entre nós.
Que bom que você não tem fotos minhas no seu álbum. Que bom que você não entendeu o quanto eu gostei de você. Que bom que você estava dormindo naquela vez que eu chorei porque percebi já havia acabado o encanto.
Que bom que você não me viu triste ontem, antes de ontem e nem em outros dias.
Que bom que você não se lembra mais do meu corpo. Que bom que você não se deu conta do quanto era forte e verdadeiro os carinhos que eu fazia em você.
Que bom que você não vem mais aqui. Que bom que eu não existo mais.
Quem sabe assim, qualquer hora, eu perceba que nenhuma das minhas lembranças tenham acontecido e que minha saudade não faz sentido.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
Nunca por inteiro
domingo, 29 de agosto de 2010
DOS NOSSOS MALES (Quintana outra vez)
Que a ninguém sua cruz é pequenina.
Por pior que seja a situação da China,
Os nossos calos doem muito mais...
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
BOM DEMAIS PRA SER VERDADE

Dia 04/09 vai rolar um programa imperdível: o BAZAR BOM DEMAIS PRA SER VERDADE.
Depois de dois dias de triagens das roupas, as organizadoras Ana, do Hoje Vou Assim Off , a Patrícia Kolinski, blogueira e apresentadora do programa Tamanho Único do canal GNT e a Julia Moralez, do Nosso Armário (só fera, hein?) reuniram peças incríveis! Só pra dar um gostinho, vai ter roupinhas de marcas como Alexandre Herchcovitch, Victor Dzenk, Forum, Farm, Leeloo, Espaço Fashion, Homem de Barro, saias e blusas lindas da Maria Garcia, Huis Clois, Isabela Capeto, Maria Bonita Extra, Cantão, Shop 126, Ellus; além de bolsas e sapatos lindos...e tudo com preços inacreditáveis!! E tem pra todos os tamanhos: P, M e G, pra ninguém ficar de fora!
Então é isso: anota na agenda e avisa para as amigas : dia 04 de setembro, na Casa da Matriz, de 14:oo às 20h.
Parte da renda do bazar será destinada a Associação Viva Cazuza, que cuida de portadores de HIV. Uma ótima desculpa pra comprar, comprar e comprar, não é?
E se quiser levar marido, filho, namorado, aproveite que no segundo andar tem duas máquinas antigas de flipper para distrair a ala masculina além do bar. Pronto! Programão pra família toda.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
DESEJOS
Quero a leveza dos que não se importam,
a certeza dos que dizem sim,
a segurança de quem tem um colo.
A coragem dos suicidas.
terça-feira, 17 de agosto de 2010
SOBRE MULHERES E O QUE ELAS ACHAM QUE SABEM
Há alguns dias estava com um grupo de amigas e amigas de amigas. Falamos sobre o que um grupo de mulheres fala: não sei quem pôs silicone; fulana se separou; aquela outra viajou; uma ta de dieta; a outra não beija na boca há dois meses. Quando começamos a falar sobre relacionamentos, o assunto rendeu.
É claro que eu falei (eu falo pra caramba!) mas também prestei atenção e depois fiquei pensando sobre tudo o que foi falado ali. Dá pra resumir assim: homens e mulheres, que já deixaram de falar a mesma língua há um tempão, agora também estão morando em planetas diferentes. É sério: havia umas 8 mulheres ali e ninguém tava se entendendo com o parceiro. E isso me chamou muita atenção, porque eu tinha umas teorias e vi muitas delas se desfarelando.
Uma das minhas teorias é de que mulher bonita (muito bonita, sabe?) tem sempre um namorado (marido, ficante) muito apaixonado. Pois naquele grupinho estava uma das mulheres mais gatas que conheço (e conheço há muito tempo, portanto sei que além de linda, é gente boa, inteligente) e eu sempre achei que os caras eram doidos por ela. Aí ela fala uma meia dúzia de grosserias que um ex fez com ela nos 2 anos de namoro e eu pensei "esse homem é louco! Tinha de rastejar aos pés dela.". Teoria 1 foi pras cucuias mesmo quando ela disse que não tem dado sorte com os caras e que eles somem depois do 3º ou 4º encontro. Ou depois de transar, o que vier primeiro.
Teoria 2: mulher da minha geração não cai mais naquelas coisas antigas, do tipo "tenho de me fazer de difícil ou ele vai me achar uma galinha" ou "tenho certeza de que ele vai se separar da mulher e ficar comigo". Pois eu ouvi essas e outras pérolas em pouco mais de 2 horas de conversa com mulheres mais ou menos da minha idade, com roupas da moda e todas com nível superior completíssimo, algumas até com MBA. Fiquei com vontade de ligar para todos os jornais e fazer um anúncio: É TUDO MENTIRA ESSE PAPO DE EMANCIPAÇÃO FEMININA. AS MULHERES DE HOJE PENSAM IGUALZINHO PENSAVAM AS DE 30, 40, 50 ANOS ATRÁS! E quanto mais eu penso em tudo o que falamos naquele dia, mais eu tenho certeza de que não existe essa porra de "mulher independente" de que tanto falam. Não existe sequer o papo de "direitos iguais". E isso porque elas próprias não aprenderam nada sobre a vida e continuam ouvindo os ecos do que diziam nossas avós.
Saí do restaurante meio chateada, mas aí lembrei da amiga linda e sem sorte. Senti um misto de perplexidade e identificação: isso também acontece comigo. E finalmente pensei "bom, então a culpa não é minha, né?". Constatação redentora essa, viu?
Já estava achando que estava me sentindo mais leve depois de perceber que eles somem sempre, não importa se é comigo ou com a mulher mais gata do pedaço... Parei em frente a uma banca de revistas e levei um susto: para qualquer capa que eu olhasse, o assunto era sexo e relacionamento. E os títulos das matérias eram mais ou menos assim "Dicas para ele ligar no dia seguinte"; "Sexo quentíssimo sempre"; "O segredo de uma superpaqueradora para fisgar o gato". Fui pra casa achando que o mundo ta muito complicado.
Não resisti e fui para o site de uma das revistas. Aí é que o bicho pegou mesmo! Era tanto "truque", tantas dicas, tanto manual... Esquece tudo: eu tenho sorte no amor, sim. Afinal, nunca precisei fazer nada daquilo pra ter um namorado legal ao meu lado. Ainda bem, pois não sei o que seria de mim se tivesse de passar azeite trufado como perfume para chamar atenção de um cara que gosta de cozinhar. Verdade! Tá lá na matérias sobre "superpaqueradoras".
Se mais cedo eu já estava indignada com as mulheres por ainda acreditarem nos discursos de nossas avós, dessa vez fiquei foi muito puta da vida: havia uma enquete (com as respostas) "O que eu fiz para surpreender meu homem". Po! cair no papo de que o cara vai se separar da mulher com quem ta casado há anos é burrice, mas o amor faz a gente mesmo. Mas vem cá, precisa ficar ridícula? Dá uma olhada nos testemunhos das leitoras: "Algemei meu amor na cama durante a noite. Quando acordou, passou o dia fazendo todas as minhas vontades em troca da liberdade" ; "Preparei um autêntico Ceviche, um prato peruano, e me vesti de deusa inca, com cocar e mantos coloridos. Por baixo da fantasia nadinha"; "Copiei uma cena do filme Cidade de Deus: banana quente nela. ui!".
Fico pensando se essas coisas são verdade ou se é invenção de quem ta lá na redação sendo pressionado pelo chefe e tendo de fechar a matéria dentro do prazo. E será que quem escreve isso dá risada? Ou será que acredita? E quem lê? Será que tenta imitar ou acha tudo uma palhaçada sem fim? Gente, será que alguém tenta imitar? Será que existe gente que acha que é de uma corda de academia que precisa pra ser "boa de cama"?
Bom, felizmente nunca fui (ou desejei ser) uma "superpaqueradora", nunca tentei fazer nada parecido com as dicas dessas revistas e também acho que o Kama Sutra é útil lá para os indianos (mas eu não preciso). Agora só resta torcer para não começarem a escrever essas baboseiras para os homens. E se escreverem, que nunca nenhum tente fazer nada parecido comigo. Excitante é ser espontâneo. Simples assim.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
SOBRE 4as-FEIRAS E PIJAMAS DE FLANELA
Então, aqui estou eu mais uma vez a escrever o que deveria falar e aí está você, a ler o que deveria ouvir. E se você não ler, acho ainda melhor: expor-me muito me assusta.
Eu queria dizer que foi bom você aparecer meio assim, do nada. E que gostei do jeito que você me olhava enquanto conversávamos. Mas eu não sei falar isso. Eu tento fazer você perceber isso quebrando as formalidades. "Tá na geladeira, pega lá". Você vai lá e pega e eu me sinto feliz porque te deixei à vontade.
Ficamos os dois à vontade: nem eu arrumei a cama de hóspedes e nem você usou pijama. Pra mim isso é um avanço e tanto, pode acreditar. Tá vendo esse cabelo vermelho, corte moderno, jeito descolado? Tudo isso é só do lado de fora. Sou careta e tenho vergonha de tirar a roupa na frente dos outros. Geralmente leva tempo.
Não tenho grandes segredos pra te contar, meus sentimentos costumam crescer aos poucos, percebendo a reciprocidade. Portanto, não há perigo no que ando sentindo. Uma saudadezinha aqui, uma vontade de te ver numa 4a-feira. E dar risada disso, sem ninguém entender porquê.
Eu não quero me casar com você, muito menos ser sua amiga colorida. Eu não quero dar nome a porra nenhuma entre nós dois.
Não quero fazer gênero, bancar a femme fatale, nada dessas palhaçadas. Eu finjo mal pra caramba e você iria pensar " Gozou porra nenhuma. Tá é querendo me agradar". Mas eu não quero te agradar, quero é ser agradável pra você, de um jeito leve, natural. Ando farta das coisas forçadas, da falta de naturalidade. Não gosto de silicones nas minhas relações. Sejam quais forem.
Eu não te conheço e você não me conhece. Sou uma menina gostosinha e gente boa, com quem você foi gentil, mas até aí nada demais: você é gentil com o flanelinha e, se bobear, com a moça do telemarketing.
Eu queria ter falado mais de mim e ouvido mais de você, mas vinho dá um sono depois, né? Ou será que o "depois" é sonolento sempre: com ou sem vinho?
Por isso eu só te abracei apertado. E quando acordei no meio da noite, fiquei te olhando, tão lindo, dormindo pesado. Tão lindo. E te abracei de leve pra não te acordar. Eu não quero te assustar.
terça-feira, 10 de agosto de 2010
SÓ PRA ESQUECER
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
domingo, 8 de agosto de 2010
amigos

Hoje vim aqui para registrar que me recuso a morrer de tédio dentre as apostilas de Direito Constitucional ou Legislação e esqueci, por uma tarde inteira, do mundo e suas exigências: reli meus poetas e escritores amados.
- Affonso Romano de Santanna
"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"
"Quanto de verdade suporta um amigo?"
"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.

