terça-feira, 30 de abril de 2013

DE PROPÓSITO. SÓ DE SACANAGEM. SÓ PRA CONTRARIAR

Outro dia uma amiga minha falou de como é importante - diria vital - a gente ser teimosa e, em vez de dizer simplesmente "é o destino", a gente ir lá e fazer o que tem que ser feito.
É muito cômodo cruzarmos os braços, fazer cara de coitadinha e dizer "não tenho sorte". Ok, eu sei que quebro a cara com um monte de coisa que faço, que não concretizei metade de meus sonhos. Mas eu tento. E assim consegui um monte de coisa que nem imaginava. Fiz e tenho coisas que nunca me passaram pela cabeça, mas que hoje me preenchem e me dão ainda mais vontade e coragem de chegar aonde eu já desejei, de conquistar aquilo que sonho desde sempre.
E quando tudo dá errado, em vez de me lamentar, reclamar com Deus ou dizer "não era pra ser", eu digo pra mim mesma "Vou conseguir de propósito".
E é isso que tenho feito. Se estou meio tristinha, sem vontade de sair, mas é sábado à noite, pego o telefone, ligo pra minha amiga e falo "Vamos, né? Hoje vamos sair de propósito, só pra contrariar".
Olha, renderiam mil histórias (legais, engraçadas, tragicômicas) aqui no blog os desfechos dessa nossa teimosia em ser feliz, desses dias em que a gente sai só pra sacanear a vontade de ficar em casa, vendo TV.

sábado, 30 de março de 2013

A DONA DA BOLA




NÃO POSTEI ESTAS FOTOS PARA ESCREVER SOBRE ISSO OU AQUILO. O MOTIVO É UM SÓ: ESTOU ME SENTINDO FEIA. ENTÃO, EM VEZ DE OLHAR PARA O ESPELHO, OLHO PRA TELA DO COMPUTADOR. 
O BOM DE SER DONA DE BLOG É ISSO: FAÇO O QUE EU QUERO. E HOJE EU QUERO ME VER BONITA.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Qualquer Lua

Por motivos desconhecidos, eu adoro a Lua.
É um baita clichê e certamente meu lado metido a fashion e vanguarda torce o nariz para meu hábito de olhar pro céu "só pra ver como a Lua tá hoje". Faço isso quase todas as noites.
Detesto essas coisas melosas que, de tanto ser romântico, vira brega.
Não tem nada de original gostar da Lua e eu adoro ser original. Que mico! Acabei aqui, escrevendo sobre o que qualquer um escreveria.
Mas o que eu posso fazer se uma Lua, seja qual for, me hipnotiza?
Já tentei entender o porquê disso: me lembro de algo? de alguém? Não, não me vem nenhuma memória especial à mente quando vejo a Lua.
Sendo bem honesta, só sei distinguir a Lua Cheia das demais e nunca tive paciência para aprender qual é a Nova, a Minguante ou a Crescente.
Um dia li um poema do Manuel Bandeira e desisti que encontrar sentido para o poder que este satélite tem sobre mim. Bandeira não era de ficar enfeitando as coisas, adoçando o que não tem doce.
Eu tinha uns 14 ou 15 anos e lembro que achei a coisa mais linda do mundo ele descrevê-la como "demissionária de atribuições românticas". No alvo!
Uma Lua sem frescura. Era essa a Lua que eu queria. É essa que me fascina porque adoro não precisar de explicações. Adoro os verbos intransitivos. Meus sentimentos são intransitivos.
Desde então, passei só a curtir o efeito da Lua em mim. Não quero explicações de onde vem essa atração, esse fascínio.
E mesmo que, num ataque de cafonice, eu já tenha quase morrido de nostalgia olhando da minha janela a Lua mais bonita do mundo, pra mim ela nunca é triste. Ela é só a Lua, minha grande paixão.

"(...)Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite."

- Manuel Bandeira

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SOBRE EXIGÊNCIAS, PREGUIÇAS E O QUE NÃO SEI FAZER.


Li uma crônica da Martha Medeiros sobre o livro do Francisco Bosco, Banalogias. Entre outros comentários, um me chamou atenção. No livro, o filho do João Bosco fala de como uma dança pode perder toda a leveza e o prazer por causa das exigências: o cavalheiro tem de conduzir a dama, ambos tem de pensar no próximo passo e estar atentos ao ritmo. Caramba! É muita coisa pra pensar enquanto se quer só se divertir.
Eu, que sou a falta de ritmo em pessoa, sempre me recusei a fazer aulas de dança. Adoro dançar, embora não saiba fazê-lo. Eu mexo o corpo, sinto o ritmo da música, e pra mim isto é dançar. Se não com o corpo, pelo menos com a alma, que é onde a música me toca. Danem-se minhas saídas do ritmo ou a falta de um passo bonito. Dançar me faz sentir livre e vamos combinar que não dá pra ser livre pensando se a coreografia está certa, se acertei o passo, se quem me olha tá achando bonito.
Já perdemos tanto de nossa espontaneidade no dia a dia, será que não dá pra esquecer regras na hora de dançar? Bem, eu esqueço (de propósito) regras a toda hora. E isso me dá um prazer danado. Claro que não sou nenhuma irresponsável que avança o sinal vermelho ou que fura fila. Isso não é deixar as regras de lado, é ser educado, gentil. Depois da liberdade, uma das coisas que mais gosto é de gentilezas. Mas como tava falando, adoro esquecer regras, principalmente aquelas que me fazem parecer ser outra pessoa. Não gosto quando uma pessoa se contrai tanto que eu acabo pensando que ela é de um jeito tão diferente do que é.
Eu sou o avesso de um monte de coisa e juro que não é de propósito. Talvez seja até por preguiça. Tenho preguiça de ser a melhor em tudo, tenho preguiça de ser organizadinha, tenho preguiça de ser intelectual. Tenho horror de pessoas boas em tudo, daquelas que se sentavam na 1ª carteira da classe, que tiravam 10 em todas as matérias e nunca esqueciam o material em casa. Pra dar uma noção de como não fui uma aluna aplicada, tinha uma época que eu não tinha nem mochila: guardava meu material na mochila do meu primo. Lápis eu nunca tive mesmo, aliás, nem lápis, nem borracha e quase nunca caneta. Pedia emprestado e juro que todos os dias ouvia um sermão de um ou outro colega "A Aline nunca tem nada". E olha que meu pai tinha papelaria, hein? Eu tinha tudo, mas deixava em casa. Por quê? Porque eu escrevia pra caramba antes de dormir. Escrevia que nem escrevo aqui, só que na época era no caderno. Aí, na manhã seguinte, esquecia de juntar o material.
Eu ria quando via aquelas meninas com estojos cheios de lapiseiras, canetas coloridas, borrachas perfumadas, réguas, liquid paper. Gente, quando escrevia algo errado eu riscava a palavra. Liquid paper era o fim da picada, atestado de organização máxima, daquela que lá pelos 40 anos vira TOC.
Sou preguiçosa e desorganizada para aprender a dançar, para aprender a cozinhar pratos especiais e muito mais para seguir modismos e fazer o que dizem que é fashion. Das imposições de fora, a única que me contaminou foi a mania de querer ser magra. As outras não tem a menor chance comigo. Sabe por quê? Porque eu gosto de desperdiçar tempo livre, gosto de não ler o livro que é Best seller , gosto até de não saber dançar como dizem que é o certo. Porque nem sempre o certo faz bem, muitas vezes é o errado que dá mais prazer.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

QUATRO MULHERES

Tá, uma vida inteira reclamando que não conhecia ninguém interessante, alguém que fizesse o coração dela bater mais forte e todas essas coisas tão comuns no que se refere à vida amorosa, principalmente, das mulheres da casa dos 30. Essa legião de mulheres inteligentes, mais ou menos bem resolvida, com carreira definida, bom emprego, alguma bagagem cultural, vaidosas, que sabe-se lá o motivo, continuam sozinhas. Bem, continuam sozinhas aquelas que não aceitam "qualquer um" só pra não dizer que está sem namorado. Parece coisa do século passado, mas ainda existe mulher que se envolve com o primeiro tranqueira que aparece só pra poder dizer "o meu namorado".
Até que um dia aconteceu: um cara legal, bonito, inteligente, educado e interessado nela. Um cidadão com um Currículo impecável. Era só correr pro abraço.
Conversas longas no msn, recadinhos no Orkut, saídas agradáveis, telefonemas diários. Mas e aí? O coração dela continua lá, daquele mesmo jeito: no piloto automático.
Reclamar que o cara liga o dia todo não pode, porque já reclamou muito de cara que não liga nunca. Dizer que não houve "química" não cola também porque o beijo dos dois se encaixou. É... o problema não é com ele. É com ela, que apesar de ter encontrado um cara legal, não se empolgou com ele. Fazer o quê?
Reunião urgente com as amigas mais próximas, aquelas que sabem os segredos mais cabeludos da outra.
Desabafo : meninas, o cara é gente boa demais, tem tudo o que eu gosto, mas eu tô aqui, sem a menor vontade de vê-lo de novo.
Mulher não consegue escutar um desabafo desses e ficar quieta: tem que palpitar. E palpite de amiga é melhor do que consulta com cartomante. Palpite de amiga leva em consideração nossa personalidade, nossas chatices, nossas carências. E mais: sabe nosso passado. O que conta muitos, muitos pontos na hora de dar um conselho.
Algumas taças de vinho ajudam ainda mais a clarividência de nossas queridas companheiras. "E então, gente, por que eu não gosto do cara que é tudo o que eu queria? Eu devia estar feliz da vida, apaixonadona. Mas tô aqui, comendo pizza, tomando vinho e daqui a 2 minutos vou reclamar que não tenho sorte no amor. O que eu faço?".
As opiniões foram contraditórias: uma falou que ela tem de insistir, o famoso "dar uma chance", quem sabe assim ela não se empolga? É muito melhor ir gostando aos poucos. A outra foi categórica: não balançou o coração no primeiro encontro, não balança mais. Sai fora, vira a página!
Enquanto ela ouvia os argumentos de cada uma, pois ambas tinham suas opiniões embasadas, tentava organizar os pensamentos dentro da cabeça. Até uma espécie "exercício" ela fez: lembrou-se daquela noite que ele não ligou e tentou lembrar se ela sentiu saudade. Mas as amigas falavam todas ao mesmo tempo e não dava pra se concentrar.
De repente, elas notaram que uma delas não abrira a boca em nenhum momento. Que estranho: logo aquela lá? A que fala até do que não conhece, logo ela tava lá quietona, com o olhar perdido?
- O que você acha? Ela deve dar uma segunda chance pro Sr. Perfeitinho ou mandá-lo passear?
- Desculpa gente, não prestei atenção na conversa.
E continuou com os olhos colados ao celular, esperando o carinha do final de semana retrasado ligar.
Naquela sala havia 4 mulheres: duas com opiniões diferentes e duas com situações totalmente opostas.
Parodiando Caetano: e quem há de negar que o problema de uma é superior?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dia do Mestre

Hoje meu coração está em festa: passarei o dia inteirinho mandando beijos aos meus eternos professores.
Fica registrada aqui minha admiração e gratidão à Tia Marina e Tereza (Literatura), Adélia (Português), Maurício (Inglês), Marita e Copinho (História) e Pedro Macário (Oficina de texto). E também àqueles que não me deram aula mas me ensinaram muito: minha avó Cininha e a querida leitora Mônica.Sou uma eterna apaixonada pelo assunto EDUCAÇÃO e por isso valorizo tanto estes Mestres que passaram por meu caminho e me fizeram uma pessoa um pouco mais culta.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

SOLTEIRO, SEDENTÁRIO E HUMILHADO NO RIO DE JANEIRO


UM TEXTO DO XICO SÁ

Nada mais humilhante para um boêmio sedentário ou semi-sedentário do que acordar no Rio de Janeiro.
É abrir a janela, com aquela amada ressaquinha tão familiar e íntima, e quase ter um infarto de tanto ver os cariocas se bulirem.
O abdominal, assim como a vírgula, não nasceu para humilhar ninguém, amigo, mas confesso que me faz um mal tremendo ver essa gente sarada mostrando seu valor.
Ô brava gente que não para quieta.
Parece que a cidade toda está chacoalhando o esqueleto.
Que saúde. Que hora esse povo dormiu?, minha linda e enxuta sexagenária que passa aqui abaixo da janela a mil por hora!
A esta altura somente este cronista, o ator Otávio Augusto e o Jorge Kajuru, que sempre me dão a honra de um pileque na Cobal do Humaitá, estamos parados, paradíssimos, contemplando a academia de ginástica a céu aberto.
Uns pedalam, outros puxam ferro, minha gostosa Tereza, bote gostosa nisso, já se encontra no Arpoador a essa altura, até o Cristo faz exercícios para o endurecer o eternamente exposto “músculo do tchauzinho”.
Uma beleza.
Será que o Zeca Pagodinho também tá nessa?
O Chico Buarque vai passar daqui a pouco. Mas não exageremos. Só lá pelas 11, 11 e tanto. O poeta cuida das melopeias e do corpinho.
O aterro do Flamengo está repleto de gente saudável, Botafogo idem, em volta da Lagoa nem se fala, em Ipanena gatinhas jogam futevôlei, no  Leblon até os rosados bebês fazem alongamento para o encanto das belas mamães saídas da costela do novelista Manoel Carlos.
Deixa quieto.
A situação me faz lembrar aquela diálogo de Vinícius de Moraes e o genial Antônio Maria –“ninguém me ama, ninguém me quer…”- na saída de uma boate de Copacabana, lá pelas seis da manhã, óbvio.
Saem do inferninho e testemunham um grupo de homens, homens maduros, fazendo ginástica na praia. “Lamentável”, dizem, em uníssono.
— Vamos fazer um pacto, sugeriu Maria, em tom grave.
— Juramos neste momento que jamais participaremos de uma calhordice como a desses sujeitos. Jamais faremos qualquer esforço físico desnecessário. Topa?
Firmam o pacto e gritam, às gargalhadas, para os tiozinhos:
— Seus calhordas! Seus calhordas!
É o que li no ótimo “Um Homem chamado Maria” (Ed.Objetiva), de Joaquim Ferreira dos Santos .
Em tempos mais corretos e saudáveis, confesso, covardemente, não tenho coragem de repetir esse grito de independência.
Sofro calado a humilhação dessa gente toda que se bole, se mexe. Dou toda força, amigos cariocas, até sinto uma certa inveja por não conseguir tal gana apolínea. Parece que não nasci mesmo para morrer com tanta saúde.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

DIA DE FESTA



Hoje é aniversário de uma daquelas pessoas que eu nem sei definir se é amiga, irmã ou se é parte de mim mesma: SABRINA.
Sabe quando você tem certeza absoluta de que sua vida seria menos alegre se esta pessoa não fizesse parte dela? Pois é.
Sá,
eu e Guigui fizemos esta foto com tanto carinho que ficamos até emocionada na hora. É só mais uma das muitas provas de que você está sempre nos nossos corações.
Que sua vida seja tão bonita quanto esse sorrisão que conquista todo mundo. Te amo.

Você é minha amiga de fé, minha irmã camarada,
amiga de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de mulher mas um coração de menina,
aquela que está ao meu lado
em qualquer caminhada

O seu coração é uma casa de portas abertas,
Amiga, você é a mais certa das horas incertas.
Às vezes em certos momentos difíceis da vida,
em que precisamosde alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força, de fé e de carinho,
me dá a certeza de que eu nunca estive sozinha.

Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo,
mas é muito bom saber que você é minha amiga

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Rota


























Aquele barco que parte
leva um mundo.
E deixa a impressão
de que o mundo é bem menor
do que minhas dores.

Aquele barco segue a rota.

Eu sigo
meio tonto,
sem rumo
nessa embriagada busca
de mim.

     (Foto: Alexandre Camerini)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

SOBRE TEMPORAIS E PROTEÇÕES



Tem sido difícil sair de casa nestes dias de tempestade. Chove em muitas ruas da minha vida. Outro dia tentei me abrigar numa longa capa de chuva mas me senti sufocada. Depois, experimentei o guarda-chuva. Molharam-se meus pés e pernas.
Olhei para o céu de manhã havia muitas nuvens negras, carregadas. Mas era preciso sair de casa porque a opção era trancar-me em mim mesma, e isso é inútil, às vezes.
Saí sem capa e sem guarda-chuva, totalmente sem proteção. A chuva veio - eu a esperava ansiosa. Foi libertador me molhar daquele jeito. A boa e velha coragem me abraçou e disse baixinho ao meu ouvido "saudade de você". Segurei em suas mãos. Não largo mais.
Agora não consulto mais a meteorologia: quero banhar-me de toda chuva que vier
E entre um temporal e outro, cito Frida Kahlo: PRA QUE PERNAS, SE POSSO VOAR?

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O QUE FAZ VOCÊ FELIZ?


Fala-se muito em FELICIDADE. Tem gente que escreve livro pra ensinar o outro a ser feliz, tem um monte de gente que compra livro na esperança de aprender a ser feliz. Tem gente que vai à igreja, que medita, que paga, que compra, que come, que para de comer.

Quanto blablablá: vá por aqui, siga pelo caminho do meio, faça assim, pense desse jeito...

Olha bem, a felicidade pode estar por aí, disfarçada de flor, por exemplo.


sábado, 14 de julho de 2012

QUEM QUER SER UM HERÓI?

Aconteceu um episódio comigo que me fez (re)pensar a vida e nas surpresas que ela nos apresenta. Surpresas boas e outras nem tanto. E é sobre as "nem tão boas" que tenho me concentrado. Não que esteja em algum momento ruim, negativo ou a fim de me fazer de vítima.
É comum, num bate papo com amigos, ouvir alguém falar numa grande perda e vir com aquele discurso “sofri e dei a volta por cima". Geralmente quem "deu a volta por cima" não fala mais sobre isso.
Em muitos casos, quando uma tragédia se abate na nossa vida, a vontade é ficar em casa e nunca, mas nunquinha mesmo, sair dali. E isso adianta? Vai por mim: não adianta porra nenhuma. Mas é necessário sofrer um pouquinho, seja a sequela de um acidente, seja a perda de um amor ou até mesmo a morte de alguém querido. Passado o momento do "luto", o lance é continuar a viver. Do jeito que dá.
Se você é uma pessoa que sabe que a vida não é feita só de momentos felizes, que não entra numas de achar que a vida do vizinho é mais fácil do que a sua, você vai certamente seguir adiante, sem lamentações.
A vida é assim: leva embora um jovem saudável num acidente de carro, te sacaneia com um namorado infiel, te surpreende com uma demissão... Mas e aí? Vai ficar em casa chorando? Vai querer sair na porrada com o destino? Tudo perda de tempo.
Quem entra nessa de se revoltar não sai do lugar. Perde coisa pra caramba e nem se dá conta.
Várias vezes vi algo acontecendo com alguém e pensei "eu não aguentaria". Bobagem: a gente aguenta muito mais do que pensa. O que não dá é ficar pensando em coisas do tipo "por que comigo?". Quando olho atentamente para minha própria história de vida, vejo que também tenho meu quinhão de dor e sofrimento. E da mesma forma como recebo muito bem minhas vitórias, acho que tenho de aceitar meus tombos. E vou em frente, machucada, às vezes, mas se eu parar, passam por cima de mim.
Não me sinto nenhuma heroína por superar meus problemas. Acho isso uma bobeira danada. Não sou diferente de você, do meu amigo, da minha prima, do desconheciddo que se senta ao meu lado no metrô.
Outro dia li uma entrevista com um rapaz que ficou paraplégico há 4 anos, quando tinha 32 anos. Ele falou várias vezes que odeia quando o único assunto que puxam com ele é sobre as limitações: será que não dá pra conversar com uma pessoa legal, só isso? Por que a necessidade de ficar falando sobre um momento da vida dele? Ele tem vários momentos, e sua personalidade é formada por todos eles. O cara tem uma história de vida diferente da minha, mas certamente uma vida como a de todos nós: com grandes alegrias e algumas dores. Ele não é herói e achei o maior barato quando disse que não suporta quando chegam pra ele dizendo que ele vai superar, que é um guerreiro. Não! Ele não é nem quer ser. Não quer ser tratado como coitadinho assim como não quer ser modelo de nada pra ninguém. Quer ser feliz, aprendendo a viver com as limitações que a vida lhe impôs.
Essa história de "exemplo de superação" é coisa pra Globo Repórter, a vida é muito mais prática: ou você segue em frente, ou perde a sensibilidade e nunca mais aproveita a delícia que é olhar uma Lua linda no céu. Perder a sensibilidade das pernas é uma coisa. Devastador de verdade é perder a sensibilidade da alma.

terça-feira, 10 de julho de 2012

AO ANIVERSARIANTE DO DIA. COM O MEU CARINHO

O presente (Affonso Romando de Sant´Anna)

O que te dar neste dia?
O que te daria ontem
quando não te conhecia?
E amanhã,
se hoje não dei o que devia?

O que dou é apenas
sombra do que queria:
dou-te prosa
e o desejo era dar-te poesia.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

SOBRE A BROCHANTE ARTE DO EXCESSO




Há alguns dias estava com um grupo de amigas e amigas de amigas. Falamos sobre o que um grupo de mulheres fala: não sei quem pôs silicone; fulana se separou; aquela outra viajou; uma está de dieta; a outra não beija na boca há dois meses. Quando começamos a falar sobre relacionamentos, o assunto rendeu.


É claro que eu falei (eu falo pra caramba!) mas também prestei atenção e depois fiquei pensando sobre tudo o que foi falado ali. Dá pra resumir assim: homens e mulheres, que já deixaram de falar a mesma língua há um tempão, agora também estão morando em planetas diferentes. É sério: havia umas 8 mulheres ali e ninguém estava se entendendo com o parceiro. E isso me chamou muita atenção, porque eu tinha umas teorias e vi muitas delas se desfarelando.


Uma das minhas teorias era :mulher bonita (muito bonita, sabe?) tem sempre um namorado (marido, ficante) muito apaixonado. Pois naquele grupinho estava uma das mulheres mais gatas que conheço (e conheço há muito tempo, portanto sei que além de linda, é gente boa, inteligente) e eu sempre achei que os caras eram doidos por ela. Aí ela falou uma meia dúzia de grosserias que um ex fez com ela nos 2 anos de namoro e eu pensei "esse homem é louco! Tinha de rastejar aos pés dela.". E a teoria nº 1 foi pras cucuias de vez quando ela disse que não tem dado sorte com os caras e que eles somem depois do 3º ou 4º encontro. Ou depois de transar, o que vier primeiro.


Teoria nº 2: mulher da minha geração não cai mais naquelas coisas antigas, do tipo "tenho de me fazer de difícil ou ele vai me achar uma galinha" ou "tenho certeza de que ele vai se separar da mulher e ficar comigo". Pois eu ouvi essas e outras pérolas em pouco mais de 2 horas de conversa com mulheres mais ou menos da minha idade, com roupas da moda e todas com nível superior completíssimo - algumas até com MBA. Fiquei com vontade de ligar para todos os jornais e fazer um anúncio: É TUDO MENTIRA ESSE PAPO DE EMANCIPAÇÃO FEMININA. AS MULHERES DE HOJE PENSAM IGUALZINHO PENSAVAM AS DE 30, 40, 50 ANOS ATRÁS! E quanto mais eu penso em tudo o que falamos naquele dia, mais eu tenho certeza de que não existe essa porra de "mulher independente" de que tanto falam. Não existe sequer o papo de "direitos iguais". E isso porque elas próprias não aprenderam nada sobre a vida e continuam ouvindo os ecos do que diziam nossas avós.


Saí do restaurante meio desnorteada, a história da amiga linda e sem sorte me deixou desconsertada. Senti um misto de perplexidade e identificação: isso também acontece comigo. E finalmente pensei "bom, então a culpa não é minha, né?". Constatação redentora.


Comecei a me sentir mais leve depois de perceber que eles somem sempre, não importa se é comigo ou com a mulher mais gata do pedaço. Foi quando parei em frente a uma banca de revistas e levei um susto: para qualquer capa que eu olhasse, o assunto era sexo e relacionamento. E os títulos das matérias eram mais ou menos assim "Dicas para ele ligar no dia seguinte"; "Sexo quentíssimo sempre"; "O segredo de uma superpaqueradora para fisgar o gato". Fui pra casa achando que o mundo está muito complicado.


Não resisti e fui para o site de uma das revistas. Aí é que o bicho pegou mesmo! Eram tantos "truques", tantas dicas, tanto manual... Esquece tudo: eu tenho sorte no amor, sim. Afinal, nunca precisei fazer nada daquilo pra ter um namorado legal ao meu lado. Ainda bem, pois não sei o que seria de mim se tivesse de passar azeite trufado como perfume para chamar atenção de um cara que gosta de cozinhar. Verdade! Tá lá na matérias sobre "superpaqueradoras".


Se mais cedo eu já estava indignada com as mulheres por ainda acreditarem nos discursos de nossas avós, dessa vez fiquei foi muito puta da vida: havia uma enquete (com as respostas) "O que eu fiz para surpreender meu homem". Pô! cair no papo de que o cara vai se separar da mulher com quem está casado há anos é burrice e o amor - se é mesmo amor - faz a gente ficar burra mesmo. Mas vem cá, precisa ficar ridícula? Dá uma olhada nos testemunhos das leitoras: "Amarrei amor com a corda da academia na cama durante a noite. Quando acordou, passou o dia fazendo todas as minhas vontades em troca da liberdade" ; "Preparei um autêntico Ceviche, um prato peruano, e me vesti de deusa inca, com cocar e mantos coloridos. Por baixo da fantasia nadinha"; "Copiei uma cena do filme Cidade de Deus: banana quente nela." Ui.


Fico pensando se essas coisas são verdade ou se é invenção de quem está lá na redação sendo pressionado pelo chefe e tendo de fechar a matéria dentro do prazo. E será que quem escreve isso dá risada? Ou será que acredita? E quem lê? Será que tenta imitar ou acha tudo uma palhaçada sem fim? Gente, será que alguém tenta imitar? Será que existe gente que acha que é de uma corda de academia que precisa pra ser "boa de cama"?


Bom, felizmente nunca fui (ou desejei ser) uma "superpaqueradora", nunca tentei fazer nada parecido com as dicas dessas revistas e também acho que o Kama Sutra é útil lá para os indianos (mas eu não preciso). Agora só resta torcer para não começarem a escrever essas baboseiras para os homens. E se escreverem, que nunca nenhum tente fazer nada parecido comigo. Excitante mesmo é um bom beijo na boca cheio de desejo.

domingo, 8 de julho de 2012

SANTO ANTONIO E A FLIP

Por causa deste texto do Xico Sá, aquele fofo, fiz uma brincadeira no Twitter: pedi sua mão em casamento. Ele, obviamente, foi gentil e disse que eu era uma boa candidata (e ainda por cima me chamou de linda!). Educado o cabra, hein? 


E não é que hoje, em plena FLIP, o vi passando na porta da minha loja? Dei um grito, daqueles que damos quando vemos um grande e querido amigo "Xico Sá!".  Falei que era a moça que o tinha pedido em casamento via Twitter. Gente, ganhei um abraço tão carinhoso que, mesmo sem ter visto nenhuma palestra da grande Festa da Literatura, minha alma se encheu de poesia.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

10 ANOS DE FLIP - E VIVA DRUMMOND!

E chegamos à 10a. edição da grande festa literária que acontece em Paraty.
Não tenho nenhum ingresso para nenhuma palestra, mas sempre dá para aproveitar alguma coisa na Tenda da Matriz. 
Vou tentar, como nos anos anteriores, fazer registros interessantes e postar aqui, mas adianto que vou trabalhar bastante (se Deus quiser!!!) e não terei tempo de fazer nada em "tempo real".
Desejo à Casa Azul muito sucesso. Quem curte Paraty e tem a literatura na alma (eu!!!!!) sabe o valor deste encontro com gente bamba.


A programação está aqui mas você também pode ler aqui e geralmente o UOL transmite ao vivo algumas mesas. 


PS: Àqueles que não rotulavam a FLIP como "coisa de intelectual" e que não teria fôlego para passar da 2a ou 3a edição, sugiro trocar a pilha da bola de cristal. 





quarta-feira, 27 de junho de 2012

EU SOU RICA


Fabuloso texto escrito por Catón, jornalista mexicano, que dedico aos meus amigos e leitores amados. E, claro, aos meus familiares. 
 

“Tenho a intenção de processar a revista "Fortune", porque fui vítima de uma omissão inexplicável. Ela publicou uma lista dos homens mais ricos do mundo, e nesta lista eu não apareço. Aparecem: o sultão de Brunei, os herdeiros de Sam Walton e Mori Takichiro. 
Incluem personalidades como a rainha Elizabeth da Inglaterra, Niarkos Stavros, e os mexicanos Carlos Slim e Emilio Azcarraga.
Mas eu não sou mencionado na revista.
E eu sou um homem rico, imensamente rico. Como não,  vou mostrar a vocês: Eu tenho vida, que eu recebi não sei porquê, e saúde, que conservo  não sei como.
Eu tenho uma família, esposa adorável, que ao me entregar sua vida me deu o melhor para a minha; meus filhos maravilhosos dos quais só recebi felicidades, netos com os quais pratico uma nova e boa paternidade.

Eu tenho irmãos que são como meus amigos, e amigos que são como meus irmãos.

Tenho pessoas que sinceramente me amam, apesar dos meus defeitos, e a quem amo apesar dos meus defeitos.

Tenho quatro leitores a cada dia para agradecer-lhes porque eles lêem o que eu mal escrevo.

Eu tenho uma casa, e nela muitos livros (minha esposa iria dizer que tenho muitos livros e entre eles uma casa).

Eu tenho um pouco do mundo na forma de um jardim, que todo ano me dá maçãs que iria reduzir ainda mais a presença de Adão e Eva no Paraíso.

Eu tenho um cachorro que não vai dormir até que eu chegue, e que me recebe como se eu fosse o dono dos céus e da terra.

Eu tenho olhos que vêem e ouvidos para ouvir, pés para andar e mãos que acariciam; cérebro que pensa coisas que já ocorreram a outros, mas que para mim não haviam ocorrido nunca.

Eu sou a herança comum dos homens: alegrias para apreciá-las e compaixão para irmanar-me aos irmãos que estão sofrendo.
E eu tenho fé em Deus que vale para mim amor infinito.

Pode haver riquezas maiores do que a minha?

Por que, então, a revista "Fortune" não me colocou na lista dos homens mais ricos do planeta? "

E você, como se considera? Rico ou pobre?

Há pessoas pobres, mas tão pobres, que é a única coisa que possuem é ... DINHEIRO.
 
Armando Fuentes Aguirre (Catón)
 

sábado, 16 de junho de 2012

SEM SENTIDO


Seu lugar não é aqui. Você é maior do que esta cidade. Qualquer um daria emprego para você, volta pra lá.
Ouço estas frases com uma periodicidade bem maior do que posso suportar. Ms finjo prestar atenção.
Fica lá o outro falando e eu fazendo de conta que tô muito da feliz da minha vida vivendo deste jeitinho bege.
Ou então só analiso e tento entender o porquê de tanto confete pra cima de mim. E tudo o que percebo é que isso tudo me faz lembrar que um dia eu já tive uma vida de verdade. Se eu sentisse alguma coisa, tenho certeza de que doeria pra caramba. Vinagre nas minhas chagas.
Então, não falo nada. Só peço aos céus para aquele blábláblá acabar logo.
– Cala essa sua boca porque você não tem a menor ideia do que tá falando.

E as palavras soam como um castigo por todo aquele tempo que eu enganei todo mundo fingindo ser uma profissional super competente, uma garota alegre e de bem com a vida.
- Dá pra calar a boca, cacete? Enganei um monte de gente durante muitos anos e de repente eles descobriram e acabaram com minha festa. Será que só você não sacou isso?

Eu sou uma fraude. Uma ferida que não sangra. É como se eu usasse sandália rasteira porque é moda, mas uso porque não sei andar de salto alto. Eu engano o tempo todo.
Nem escrever, que era mais um jeito que inventei de manter a personagem competente-sensível-cult, eu consigo mais. Fraude. Sou uma fraude que deu certo por um tempão e só você e meia dúzia ainda não percebeu.

Dá vontade de gritar, de pedir pra não reparar bem em mim e perceber que a pele bonitinha é maquiagem. Dá vontade de ligar pra minha melhor amiga e falar “preciso de colo. Tô na merda”. Mas você acha que eu faço isso?
Se nem chorar sozinha eu consigo, imagina abrir o jogo e tirar o blush pra mostrar meu rosto pálido e sem graça, que nem a minha vida.

Ficar triste era coisa que eu fazia no passado, quando eu enganava as pessoas e até a vida. Ficar triste era transitório. Hoje é rotina, normalzão isso. Se eu achasse que valeria a pena ter sentimentos, diria que ando muito triste. Mas eu não sinto necessidade de falar isso. Eu não sinto.

Poderia aproveitar que escrevo direitinho e extravasar todo este vazio aqui do meu peito. Podia inventar estórias dramáticas e ser a mocinha que sempre é salva pelo bondoso e belo mocinho. Ou então ser aquela irônica que transforma as merdas da vida em textos cheios de efeito e muita graça. Mas se eu fizesse isso, se eu me dispusesse a me expressar através da escrita, teria de me defrontar muitas vezes comigo e isto seria o caminho mais curto para um belo surto psicótico e depressivo. Seria também um jeito babaca de fazer poesia, o jeito mais escroto de poesia e eu jamais faria isso: combinar palavras certas e cheias de significado para falar sobre meu vazio e minha solidão. Eu tocaria o coração das pessoas com isso. E daria continuidade ao grande teatro que construí nos últimos anos. Não tenho mais saco pra isso.

Nem falar mais com você eu tenho vontade. E não é falta de amor, é medo. Porque eu já perdi tanta coisa que constatar que também perdi você seria uma dor muito mais forte do que eu poderia sentir.  

E para conseguir levar esta vidinha de passados, precisei parar de sentir. 

terça-feira, 12 de junho de 2012

ATUALIZAÇÃO DE STATUS - CARLOS EMILIO FARACO

PARA UM NAMORADO ALEGRE

Hoje eu te pego
Micheltelonianamente
E te mostro
Coisas do arco
E
Da velha.
Do arco, para tu entenderes
Quem dobra quem.
Da velha,
Para tu entenderes
Como as coisas são
Desde sempre.
Mas o que eu quero mesmo
Te dar
É um arco
Que está dentro da minha íris,
Para, juntos,
Montarmos um cenário-paris
De puro champanhe:
Arco-íris.