"Decido eu mesma engendrar lendas e episódios que me são atribuídos. Sempre tendo como desculpa a condição de escritora, a quem é dado o privilégio de inventar sem sofrer sanções morais". - Nélida Pinon
domingo, 30 de janeiro de 2011
SAUDADE
sábado, 29 de janeiro de 2011
QUE TRISTE, NÉ?
QUANDO SE VIVE UM GRANDE AMOR

Eu sempre gostei de escrever (e se você lê meu blog já sabe disso), então, a 1a faculdade que pensei em fazer foi Comunicação. Fiz 3 períodos e me sentia perdida: aquilo não era pra mim. Faltava algo, sei lá o quê. Na verdade, sei sim: em 1o lugar faltava quem ensinasse não só a mim, mas aos outros alunos a escrever direito. Era um tal de "pra mim fazer", "se eu ver você, eu chamo". E cada texto tão sofrível que dava vontade de denunciar ao MEC. Não a faculdade, que aceita qualquer um, mas o próprio aluno, que chegou ao 3o Grau e não sabe nem falar (muito menos escrever) Português. Pedi pra sair.
Por puro acaso, fui trabalhar com Comércio Exterior e comecei faculdade de Relações Internacionais. Bola fora de novo!
Um dia, acordei muito certa do que faltava na minha vida: meter a cara no mundo da Literatura. E fui fazer Letras.
Tantas pessoas torceram o nariz pra minha escolha. Uma pessoa chegou até a fazer o seguinte comentário "Você é tão inteligente pra estudar Letras". Eu juro que até esse tipo de comentário ouvi. Sem contar os "Vai morrer de fome". Mas não ligava, afinal, não pedi conselho pra ninguém, eu apenas segui meu coração. Ok, não é a maneira mais certa de se escolher uma profissão, mas... quem disse que aquela seria minha profissão? Emprego eu já tinha, salário bom eu já tinha. Eu queria era poder responder a pergunta: VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
Sem sombra de dúvidas, fui a melhor aluna da turma, não por ser inteligente, e sim por amar aquilo. Eu sabia que não seria Professora (não levo jeito) e aquele curso não era pra me profissionalizar e sim pra me realizar.
Exceto as matérias que me preparariam para ir para a sala de aula (Pedagogia, Estatística, Estágio etc), todas as outras eu estudava com o coração, com a alma. Várias vezes saí de sala chorando depois de analisar uma poesia que me tocava. Outras vezes algum Professor me falava "Aline, cuidado com tal autor: ele mexe muito com pessoas como você". E eu entendia o que ele queria dizer com "pessoas como você": pessoas que sabem que a Literatura (a arte, de uma forma em geral) deixa cicatrizes.
Quem sai impune de uma leitura de, por exemplo, Florbela Spanca. Li "A imitação da Rosa", da Clarice Lispector, e tatuei uma rosa vermelha na nuca: foi meu jeito de me lembrar para sempre da espécie de transe que fiquei por 2 ou 3 dias.
Gente, em qual outra faculdade eu viveria essas emoções? Essas catarses? Uma vez perguntei pra minha terapeuta se isso não era "coisa de maluco". Ela perguntou se me incomodava sentir tudo isso e eu disse que era uma sensação estranha e boa, na mesma medida. Até hoje não descobri se é coisa de maluco ou não, mas que me faz um bem danado, isso faz.
Sou a pessoa mais feliz do mundo quando digo "Sou formada em Letras", pois é como se eu dissesse: vivi um grande amor.
Viva seu grande amor. Seja no Estadão, se você for jornalista; seja na W Brasil, se você for publicitário, seja na Comlurb se você for gari; seja onde for, seja lá quem você é. Só não deixe de viver um amor por medo do que vem depois.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Recaída
É isso aí: tô abrindo mão de décadas de blablablá feministas e tô disposta a virar uma frágil mulherzinha com um homem ao lado. Um homem que saiba consertar máquina de lavar, instalar ar-condicionado e filtro da Polishop.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
A VOCÊ QUE FOI EMBORA
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
FILTRO SOLAR - PEDRO BIAL
Esta semana tive algumas decepções e estou com aquela sensação de que a vida tem sido dura demais comigo. Mas o "heroi nacional", Capitão Nascimento já disse: QUEM DISSE QUE A VIDA É FÁCIL?
Este texto é antigo, muitas pessoas conhecem, mas eu nunca havia prestado atenção. Ou vai ver que é a fragilidade em que me encontro que me fez ver sentido e conselhos. Em negrito, os trechos que mais me tocaram:
"Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro seria esta: use o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de filtro solar estão provados e comprovados pela ciência;
* Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza da juventude. Ou, então, esquece...
Você nunca vai entender mesmo o poder e a beleza da juventude até que tenham se apagado.
Mas, pode crer, daqui a 20 anos, você vai evocar as suas fotos e perceber de um jeito - que você nem desconfia hoje em dia - quantas, tantas alternativas se escancaravam à sua frente, e como você realmente estava com tudo em cima. Você não está gordo! Ou gorda...
* Não se preocupe com o futuro. Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para tentar resolver uma equação de álgebra.
* As encrencas de verdade de sua vida tendem vir de coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada, e te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma terça feira modorrenta.
* Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta medo de verdade.
* Cante.
* Não seja leviano com o coração dos outros. Não ature gente de coração leviano.
* Use o fio dental.
* Não perca tempo com inveja. Às vezes se está por cima, às vezes por baixo. A peleja é longa e, no fim, é só você contra você mesmo.
* Não esqueça os elogios que receber.
* Esqueça as ofensas. Se conseguir isso, me ensine.
* Guarde as antigas cartas de amor.
* Jogue fora os extratos bancários velhos.
* Estique-se.
* Não se sinta culpado por não saber o que fazer da vida: as pessoas mais interessantes que eu conheço não sabiam, aos vinte e dois o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu conheço ainda não sabem.
* Tome bastante cálcio.
* Seja cuidadoso com os joelhos. Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda em suas bodas de diamante.
* Faça o que fizer, não se auto-congratule demais, nem seja severo demais com você. As suas escolhas tem sempre metade da chance de dar certo.
É assim pra todo mundo.
* Desfrute do seu corpo. Use-o de toda a maneira que puder, mesmo. Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras pessoas possam achar dele. É o mais incrível instrumento que você jamais vai possuir.
* Dance. Mesmo que não tenha aonde além do seu próprio quarto.
* Leia as instruções, mesmo que não vá segui-las depois.
* Não leia revistas de beleza. Elas só vão fazer você se achar feio.
* Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever quando eles terão ido embora, de vez.
* Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte com o seu passado e possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no futuro.
* Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de uns poucos e bons. Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais velho você ficar, mais você vai precisar das pessoas que conheceu quando era jovem.
* More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de endurecer.
* More uma vez no Havaí, mas se mande antes de amolecer.
* Viaje.
* Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir. Os políticos vão saracotear.
Você, também, vai envelhecer.
E quando isso acontecer, você vai fantasiar que quando era jovem, os preços eram razoáveis, os políticos eram decentes, e as crianças respeitavam os mais velhos.
* Respeite os mais velhos.
* E não espere que ninguém segure a sua barra.
* Talvez você arrume uma boa aposentadoria.
* Talvez case com um bom partido. Mas não esqueça que um dos dois pode de repente acabar.
* Não mexa demais nos cabelos senão quando você chegar aos 40 vai aparentar 85.
* Cuidado com os conselhos que comprar, mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia. Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado do lixo, esfregá-lo, repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do que vale.
Mas, no filtro solar, acredite.
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
A todos que não foram e não ligaram
Bom, você não foi. E não ligou. A mim, só restou lamentar a sua falta de educação. Imaginando motivos possíveis. Será que você não foi porque realmente não pôde ou simplesmente não quis? Será que não ligou para não me magoar ou justamente o inverso disso?
Estou confusa, claro. Achava que você iria.
Tanto que eu aguardei sua chegada por mais minutos do que deveria, inventando desculpas esfarrapadas para mim mesma. O trânsito, o horário, a meteorologia. Qualquer pneu furado serviria. E até o último instante, juro, achei que você chegaria a qualquer momento. Pedindo perdão pelo terrível atraso. Perdão que você teria, junto com uma cara de quem está acostumada, e assim encerraríamos o assunto. Mas você não foi.
Esperei outro tanto pelo seu telefonema, com todas as esclarecedoras explicações. Para cada razão que houvesse, pensei numa excelente resposta. Para cada silêncio, um suspiro. Para cada sensatez de sua parte, uma loucura específica da minha.
Se você tivesse ligado do celular, eu seria fria. Se tivesse ligado do trabalho, seria levemente avoada. Se a ligação caísse, eu manteria a calma.
Foram muitos dias nessa tortura, então entenda que percorri todas as rotas de fuga. Cheguei a procurar notícias suas pelos jornais, pois só um obituário justificaria tamanha demora em uma ligação.
Enfim, por muito mais tempo do que desejaria, mantive na ponta da língua tudo o que eu devia te dizer, e tudo o que você merecia ouvir, e tudo. Mas você não ligou.
Mando esta carta, portanto, sem esperar resposta. Nem sequer espero mais por nada, em coisa alguma, nesta vida, para ser sincera. No que se refere a você, especialmente, porque o vazio do seu sumiço já me preenche; tenho nele um conforto que motivos não me trarão.
Não me responda, então, mesmo que deseje. Não quero um retorno; quis, um dia, uma ida. Que não aconteceu, assim deixemos para lá.
Estaria, entretanto, mentindo se não dissesse que, aqui dentro, ainda me corrói uma pequena curiosidade. Pois não é todo dia que uma pessoa não vai e não liga, é? As pessoas guardam esses grandes vacilos para momentos especiais, não guardam?
Então, eis a minha única curiosidade: você às vezes pensa nisso, como eu penso? Com um suave aperto no coração? Ou será que você foi apenas esqueceu de ir?
