quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Eu tenho um melhor amigo


Todo mundo tem um melhor amigo ou amiga. Eu tenho duas melhores amigas. Acho que sabem tudo sobre mim. Aliás, e ai está o problema das melhores amigas, elas sabem mais de mim do que eu mesma. Tenho um medo fodido de um dia elas me jogarem tudo na cara. Será? No posto de melhores amigas elas não deveriam fazer isso, mas sei lá se eu faço alguma merda federal e elas falem, de verdade, quem eu sou. Prefiro nem pensar nisso.
Tenho também um melhor amigo homem. E tenho meu melhor amigo virtual. Nos conhecemos num destes sites que prometem te fazer conhecer o grande amor da sua vida. A gente se comunica há mais de 1 ano, mas faltou, na mesma proporção, coragem e oportunidade para nos conhecer pessoalmente. Acho até bom, por um lado. Pode ser que o "ao vivo" nos fizesse ter reservas um com o outro. Para quem eu ia falar todas minhas esquisitices? A tela do computador é uma espécie de proteção, que nem aquele sorriso forçado que a gente dá mesmo quando tomou aquele pé na bunda mas sabe que o mundo não tem nada com isso. E também porque é preciso manter a dignidade. Ou, pelo menos, a pose.
Quem não conhece o mundo virtual talvez não entenda a relação estreita que se cria nas trocas infinitas de e-mails ou nos skypes da vida. É uma coisa absurda o quanto a gente se expõe, se abre, se confessa. Até se apaixona e morre de dor de corno por um alguém virtual.
Eu e ele somos do tipo que jamais poderia mesmo se conhecer pessoalmente, jamais poderia conviver. Eu vivo na merda, ele também. De vez em quando, rolam uns papos que parecem guerrinhas do tipo "sou mais fodido do que você". Mas ele sempre perde, não que eu seja sempre a mais fodida, mas é que escrevo muito mais do que ele. Sou a boca da relação, ele é o ouvido. De vez em quando me dá uns cutucões e mando ele ficar quieto porque eu já sei aquilo e ouvir só piora as coisas. Ele é um fofo e me entende. Ou finge que entende. Sempre me chama de maluca. Ele pode me chamar de maluca quantas vezes quiser, porque ele conhece cada uma das minhas manias loucas. Ele sabe tudo sobre mim, aliás, dos últimos 2 ou 3 anos da minha vida, ele sabe muito mais do que minhas melhores amigas.
A gente fala muita besteira, claro. Mas rolam uns papos-cabeça. Outro dia falamos sobre nossa fodição primordial, nossa "Fodição Capital" : pensar muito. Ele questiona tudo na vida, eu também sou assim. Penso muito e o dia todo. Eu nunca tinha pensado nisso, mas o irmão dele falou pra ele que o pior defeito dele é esse e ele se lembrou de mim.
Concluímos que grande parte de nossos problemas nasce dessa mania esquisita de pensar muito, o dia todo, sem parar. Isso não pode acabar bem.
O final do ano está quase chegando e isso me arrepia: é hora de repensar a vida. Sabe lá o que é uma pessoa que pensa compulsivamente o ano todo entrar numas de "repensar"? Estou fingindo que ainda é fevereiro.
É curioso que essa maquininha aqui consiga fazer uma pessoa como eu ser amiga de outra, como ele. É que nós dois temos implicância com gente. Ele é esquisitão, tem jeito de que, quando bebe umas e outras, aperta o braço da namorada. Eu sou esquisita até dizer chega. De tão esquisita, estranha, fiz amizade com um blogueiro cujo lema dos posts é "Estranho? Bizarro? Esquisito? Conte pra nós".
Meu amigo fala pouco, já disse. Mas faz umas observações brilhantes. E tem uma paciência comigo... De vez em quando diz que está ocupado (a gente tecla do trabalho) mas deve ser cansaço. Eu também ficaria cansada de mim. Eu fico cansada de mim.
Tomei um pé na bunda outro dia e ele, que acompanhou minha "paixonite" desde o início, falou "cantei a pedra". Quando alguém fala isso pra mim, eu mando logo tomar no cu. Mas ele eu não mandei,não. Não que eu nunca o tenha mandado se foder ou outras gentilezas afins, mas dessa vez eu dei razão a ele. E agora ele está incumbido de ser meu "personal lover": vai dizer o que eu posso ou não fazer, o que devo falar, o que jamais devo dizer. Tenho de avisá-lo sobre esse novo cargo.
Vamos ver se dessa vez eu aprendo. Porque vou te contar uma coisa: já estou de saco cheio de chorar minhas dores de cotovelo pra ele. Bem, estou é cansada de dor de cotovelo.
Será que dá certo isso? Um "virtual friend" acumulando a função com "personal lover"? Pelo sim, pelo não, amanhã eu tenho aula marcada com um, advinhe, "personal trainner"! É isso aí: o ano já se encaminha para o fim e vai ser duro me aturar repensando a vida. Tenho de me ocupar e exercício físico serve pra isso: me deixa exausta e não penso tanto. Ah! essa paranoia de final de ano me atinge mais particularmente porque tem o agravante de eu fazer aniversário no 4º dia do ano. Começar Ano Novo com idade nova é um carma, é muito sofrimento. Então, que seja um sofrimento com uma bundinha dura e perninha sarada.
PS1: Será que corpinho sarado é garantia de final feliz? Quero acreditar que sim. Mas e se não for? Vou pensar no assunto e amanhã o amigo virtual vai se cansar de tanto ouvir esse papo.
PS2: Que bom que a gente nunca vai se conhecer: a bunda não vai ficar dura em 2, 3 meses, a perna não vai ficar sarada e eu vou continuar deprimida como sempre. Então, o que eu menos vou precisar é de um olhar reprovador: mas é só isso? Você falou que estava se esforçando...
PS3: Se ele falar isso, mando ele pra puta que pariu. E vamos rir 3 dias seguidos.