
Minha vizinha entrou numas de me perturbar: reclama do barulho da minha janela, reclama da fumaça do cigarro, reclama da hora que tomo banho e até do incenso que acendo.
Outro dia já passava das 11:00 da noite, quando ela tocou a campainha lá de casa pra reclamar que a fumaça do incenso a estava incomodando. Como eu me conheço, sabia que o normal era mandá-la pra pqp, então, peguei o celular e abri a porta fingindo que estava conversando com alguém muito mais importante do que ela. Enquanto ela falava, eu a olhava. Em vez de me alterar e mandá-la se foder, como merecia, falei apenas "era só o que me faltava: não poder acender um incenso dentro da minha casa...". E fechei a porta.
Ok, coloquei o incenso na janela para irritá-la e tirei para não arrumar mais confusão. Mas quem ela pensa que é? Ou melhor, com quem ela pensa que está se metendo? Eu respeito muito as leis de civilização e vou continuar a respeitá-las, mas dentro da minha casa eu faço o que eu quero. Não sou nenhuma ignorante a ponto de não saber que existem regras de condomínio. Aliás, sou até muito educadinha para respeitar as implícitas regras que nos fazem conviver bem. Mas para tudo existe limite...
Fala sério que vou ter de ficar me policiando até dentro da minha própria casa. Aqueles 10 metros quadrados são meu cantinho e é lá o lugar que tenho pra ser eu mesma sem assustar ninguém.
Ali mando eu ! Tenho espelho combinando com baú e cabideiro rosa-choque porque aquele canto é meu. Não tenho fogão porque aquele canto é meu. Cultivo rosas de plástico e flores de tecido porque aquele canto é meu. Ando sem calcinha lá porque aquele canto é meu.
Ouço música do Roberto Carlos sem medo de parecer cafona porque aquele canto é meu. Resumindo a ópera: eu faço o que bem entender dentro das minhas quatro paredes.