terça-feira, 4 de novembro de 2008

Pra minha amiga Alexandra, com carinho. PS: Alexandra, você é tão querida e tão linda...

Auto-estima e a Síndrome dos Três Porquinhos.
De Gisela Rao.


Auto-estima é um assunto tão falado hoje em dia que chega a encher o saco. Dá vontade de dar um peteleco nas pessoas que viram do nada pra você e dizem: “Você precisa se gostar, ter uma auto-estima alta!”. Bom, a ouvinte, que já se acha um pano de prato ambulante, certamente tem vontade de se enfiar mesmo debaixo da pia, afinal parece tão simples se gostar e ela não consegue. Parece que é tão fácil quanto apalpar um mamão na feira ou comprar um moletom do Mickey, na Disneylândia. Mas, não é! Se gostar, enquanto a maré inteira tenta te convencer de que você não é magra o suficiente, não é linda o suficiente, não é sexy o suficiente, não é bem sucedida o suficiente... é dose! É como remar dentro de um caiaque no meio do tsunami. Na minha opinião, auto-estima é um negócio que se constrói de pouquinho, tijolo por tijolo... Não de uma vez só, na porrada.
Gosto de comparar a auto-estima à fábula dos Três Porquinhos.



Às vezes, encontro mulheres com a auto-estima como a casa de palha de Cícero, o porquinho preguiçoso, completamente frágeis e, mesmo assim, arrastando trens por homens que, num simples sopro, as destroem em pedacinhos. Também encontro mulheres como a casa de madeira do porquinho Heitor, com a auto-estima média, um pouco de insegurança, um pouco de firmeza, mas mesmo assim se sabotam facilmente botando muitas coisas a perder, principalmente no amor. Basta um gesto que pareça com rejeição e pronto: é aquele drama. Foram poucas as mulheres que encontrei com a auto-estima de Prático, o porquinho inteligente. São auto-estimas trabalhadas, construídas com cimento e tijolos, praticamente inabaláveis. A má notícia é que posso contar nos dedos essas mulheres. Uma pena mesmo... Vira e mexe transito pela casa de palha, de madeira e, às vezes, de tijolo no amor.
Mas se ainda transito tanto é porque preciso construir melhor o meu gostar, o meu aceitar. A melhor forma de fazer isso é quando você está só, solteira. E a maioria das mulheres pensa exatamente o contrário, que é preciso ter um homem ao lado para se sentir amada, para sentir-se valorizada. Terrível engano. Quando estamos só temos todo o tempo do mundo para a gente, pra se reconstruir, para aumentar nosso autoconhecimento. Quando você se liberta do pavor de ficar sozinha é aí que começa o seu verdadeiro processo de se amar. Dói no começo, mas depois é bom demais. Então, que resposta você se dá? Sua auto-estima é como a casa de palha, de madeira ou de tijolos – dos Três Porquinhos? Se a resposta for a 1 e a 2, minha pergunta é: onde está a sua pá? Chega de drama e vamos botar a mão na massa!
Gisela Rao é cronista do Blônicas.