PS: Se houver alguma identificação com esse texto, meu telefone continua o mesmo. E nem meu parceiro ou sua parceira precisam ficar com ciúmes. De vez em quando, eu preciso de um "oi" de um amigo sumido. Só isso. Sem intenções carnais.
"Decido eu mesma engendrar lendas e episódios que me são atribuídos. Sempre tendo como desculpa a condição de escritora, a quem é dado o privilégio de inventar sem sofrer sanções morais". - Nélida Pinon
terça-feira, 12 de janeiro de 2021
SOBRE QUEM VAI E QUEM FICA
Não é comum a gente ter um amigo, seja na escola, na faculdade, ou até de infância, e ter certeza de que ele (ou ela) é seu grande amigo, aquele que entende você só pelo olhar. Aquele que sabe seus mais íntimos segredos. Mas um dia, bem, não é do dia para a noite, mas aos poucos, o contato vai rareando e, quando percebemos, já estamos tão afastados que num possível encontro há pouca coisa em comum e o papo não flui tão bem. Percebe-se, com um pouco de tristeza, que sua vida e a de seu melhor amigo tomaram um rumo diferente, ambos seguiram por caminhos distintos e já não existe tanta coisa em comum. É chato mas acontece.
Mas há aqueles amigos que mesmo depois de um longo período de afastamento - geográfico ou pelo eterno corre-corre da vida - quando nos encontramos, é como se nem a distância e nem a falta de notícias existisse. Você sente o mesmo carinho, a mesma identificação, a mesma intimidade de antes. Outras vezes, um amigo desaparece de um dia para a noite. Esse afastamento é o que mais me dói, mais me intriga: como pode alguém simplesmente sumir da nossa vida?
Eu teria meia dúzia de exemplos de amigos queridos de quem o destino me afastou. Tenho outros poucos com quem, embora o contato seja pouco, consigo conversar com a mesma confiança e admiração de outrora.
E, claro, tenho alguns amigos que evaporaram da minha vida. Não adianta tentar telefonar, tentar contato pelas redes sociais da vida e garanto que se contratasse um detetive, a tentativa de reaproximação seria um fiasco. Não me acostumo com isso, embora já devesse ter-me acostumado.
Dias desses precisava conversar com um amigo querido, de quem sempre ouvi os conselhos atentamente. Estava com mil dúvidas sobre uma escolha a fazer e ele era, pelo menos na minha classificação, a pessoa mais sensata para me falar sobre tudo o que eu precisava ouvir.
Tal como quem procura um livro importante, ou a chave da porta, revirei gavetas (mentira: é claro que ele não estava em gaveta alguma. Então, tentei telefonar para ele algumas vezes) e constatei: é, perdi. Onde será que deixei? Ou melhor: para onde ele foi? Lembrei de um poemina do Mário Quintana em que o poeta fala sobre o mistério dos guarda-chuvas esquecido por aí (será que existe um céu para este e outros objetos perdidos?). Tomara que exista uma terra dos amigos sumidos. E tomara que um dia eu consiga contato com este estranho planeta. Neste dia, vou dar um abraço apertado e fraterno em cada um deles e dizer que minha primeira reação foi ficar decepcionada, mas depois o que ficou mesmo foi um vazio do tamanho exato do meu carinho por eles.
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