sexta-feira, 10 de março de 2017

Dois anos sem você

    Hoje faz dois anos que a vida te levou. Dois anos que nossa família passou pela maior dor que jamais podíamos imaginar. Dois anos de muitas lágrimas. Dois anos sem você.
    Até então, eu era sua filhinha, mas um telefonema me transformou em adulta e todos os desgostos e responsabilidades peculiares caíram em meu colo. E, além de tudo, eu tive de aprender a viver sem você. Logo eu, que sempre achei isso impossível: como viver num mundo onde você não existe, pai? 
    Às vezes, acho que isso não é verdade e vou encontrar você ali, deitado na cama, ouvindo seu radinho. Ou você vai chegar aqui em casa dizendo que comprou minha Coca Zero. Mas nada disso vai acontecer. Não vamos mais nos abraçar, assistir o Mengão jogar ou ouvir nossas músicas juntos. Agora eu sou adulta e não tenho mais meu paizinho. Como na canção do Roberto, "sem você minha alegria é triste". Por isso essas lágrimas no rosto de vez em quando. Não fique triste quando isso acontecer. Deve ser o amor transbordando. 
    A gente era uma boa dupla, né? Você me dava sentido à vida e eu te fazia sorrir. Mesmo em meio às suas tristezas, eu te fazia sorrir. E saber disso me fazia grande, importante. Eu era especial para você. 
    E você era meu pai, meu amigo, meu filhinho, meu ídolo. Você sempre será o amor da minha vida. Não importa em qual dimensão esteja. 
    Pai, embora dizer adeus para você tenha sido a coisa mais triste do mundo, eu sabia que fui a melhor filha do mundo, a filha sob medida pra você. Diante de seu corpo eu cantei nossa música, prometi que ia cuidar de seus amados aqui na Terra e jurei que ia continuar sendo aquela mulher forte que você sempre admirou. Sobretudo, diante de seu corpo, eu tive a certeza de que nunca deixei para depois o carinho, o beijo, o abraço. Nunca deixei de dizer e demonstrar o quanto te amo. Eu me despedi de você com o coração limpo.     
   Nestes dois anos sem você aqui, eu tive de ser muito forte, mas muito forte mesmo. Você deve acompanhar daí de cima as minhas lutas e deve se orgulhar. Porque, por mais que a dor seja lancinante, estou lutando. Então, mais uma vez, eu peço: não fique triste quando eu chorar. 
   Continue sua caminhada nesta sua nova condição. Continue sua evolução espiritual. Mas, sempre que der, olha pra mim aqui. E promete que vamos nos reencontrar na próxima vida, porque que nosso amor é grande demais para uma única existência.     
            
     
PS: Dentre tantas canções que me lembram de você, essa é uma. Você não conhecia, sequer escutamos juntos. Mas ela fala muito sobre mim sem você.

" Eu tento me erguer às próprias custas
  E caio sempre em seus braços
  Um pobre diabo é o que sou
  Um girassol sem sol
  Um navio sem direção
  Apenas a lembrança do seu sermão


  Você é meu sol, um metro e sessenta e cinco de sol
  E quase o ano inteiro os dias foram noites
  Noites para mim
  Meu sorriso se foi
  Minha canção também
  E eu jurei por Deus não morrer por amor
  E continuar a viver
  Como eu sou um girassol, você é meu sol  (...)


  Morro de amor e vivo por aí
  Nenhum santo tem pena de mim
  Sou agora um frágil cristal
  Um pobre diabo que não sabe esquecer
  Como eu sou um girassol, você é meu sol "