segunda-feira, 28 de julho de 2014

O que é bullying? E porque fazem isso?

Esta semana tive um sonho pesadelo bem desagradável: meu gatinho deu em cima de minha prima e ela correspondeu. Começaram a namorar.

Acordei assustada, voltei a dormir e... o pesadelo continuou.

Sofri tanto. Acho que, na verdade, "re-sofri": era um Déjà Vu. 
Mas desta vez havia um agravante. A prima era diferente, era a Gab e a Gab não faria isso comigo.

Tive amigas que eram as "figurinhas carimbadas", mestras em fazer isso comigo. E não era por se tratar de um carinha interessante. Era pelo prazer de me atingir. 
Mas a Gab, não. Era como se fosse algo do tipo "pô, só faltava você. E você não podia. A gente se ama, Gab". Mesmo que uma vez ou outra você tenha debochado por eu ser gorda, essa baixaria você não faria comigo.


Pronto. Toquei no assunto chave. Fui uma adolescente gorda e, como todos sabem, gordas são feitas para serem zoadas, virarem piadinhas, não serem paqueradas e terem seus eventuais namorados roubados pelas magras. Na adolescência, então, esta é uma regra sem qualquer exceção. 


Todas estas regras foram aplicadas em mim: fui menosprezada diversas vezes por ser gorda. Quando ficava a fim de um cara e ele não queria nada comigo (99% das vezes), ouvia - direta ou indiretamente - que o motivo era mais do que óbvio: como o cara vai gostar de você, Aline? Você é gorda.


De uns tempos para cá deram um nome para essa zoação/ maldade: bullying. E não tenho muita certeza de que os tantos estudos que fazem sobre o tema conseguem dimensionar a ferida que fica na alma, para sempre, de quem sofre.


Sofri isso na escola, na família. A única pessoa que nunca debochou ou me repreendeu por ser gorda foi meu pai. Todos os outros - íntimos ou não- deram, ao menos uma vez, uma cutucadinha. Acho que vem daí minha vocação a ter amigos homens, embora tenha ouvido muitas coisas chatas de alguns meninos.

Mesmo sem querer, lembro das piadinhas das "amigas" e uma pergunta fica martelando: o que leva uma pessoa, que supostamente te quer bem - afinal, frequenta sua casa, participa de sua vida - ser tão malvada? Tão cruel?


Que estranha forma de obter prazer: menosprezar uma adolescente ao chamá-la de gorda. "Chamar" não é o verbo certo. Acho que o mais apropriado é "ofender", porque ser gordo não deveria ser xingamento, mas é usado como tal
.


Não entendo o sádico prazer que uma amiga tinha em "roubar" qualquer carinha por quem eu estivesse interessada. Não era autoafirmação, afinal, disputar um cara comigo era como chutar cachorro morto: eu não tinha chances. Eu era gorda e isso eliminava em 132% minhas chances. Era maldade, pura e simples. O porquê talvez eu nunca entenda mas a consequência disso contribuiu muito para meu complexo eterno de inferioridade.


Nem todas as amigas eram agressivas, algumas me tratavam como "café com leite", ou seja, eu era aquela que não representava qualquer perigo: podiam ir à uma festa comigo sem correr o perigo de eu receber uma cantada do garoto de quem ela estava a fim. Era doído ser tratada assim. Era uma espécie de "certificado de não atraente". Mas era uma maldade mais branda, passiva até. Acho só que elas esqueciam que eu tinha coração, sentimentos. Mas para elas era super coerente: sou gorda, logo nenhum carinha vai se interessar por mim. Por minha parte, para não bancar a ridícula, não deveria ousar me interessar por ninguém, afinal, sabia meu lugar na cadeia alimentar da sedução. 


Até hoje trago consequências psicológicas desses "maus tratos". Claro que terapia e maturidade me fizeram superar muita coisa, mas ainda tem muito, muito complexo latente em mim. Eu tenho vergonha de ter sido gorda na adolescência, eu tenho vergonha de ser gorda, mesmo quando visto manequim 40. Meus complexos nascidos na adolescência me fazem travar e colocam mil empecilhos na hora de sair em uma foto, experimentar uma roupa ou pensar em me aproximar de um rapaz. 


Não sei se um dia vou superar isso. Certamente, o
 jamais entenderei é o porquê de algumas pessoas sentirem tanto prazer em diminuir o outro. Sadismo, maldade, repetição de comportamento do senso comum?


O irônico disso tudo é que muitas daquelas pessoas que me zoavam, e ofendiam, e riam de mim, atualmente deram uma bela "embarangada": as meninas ganharam alguns (vários) quilos, os rapazes ficaram carecas e vários ficaram parados no tempo, estáticos em suas vidinhas casamento-filhos-chopp-trabalho-e-só. 


Prato cheio para uma revanche, né? Mas além de não entender o prazer de magoar o outro, em absoluto eu teria coragem de fazer qualquer menção a isso. Não sou santa: às vezes me vem aquele diabinho e fala "dá uma zoada", fala "envelheceu mal, hein?". Mas o que isso iria me acrescentar como pessoa? 


Sigo em frente, com meus inúmeros complexos de inferioridade mas com a certeza de que não me renderei ao jogo baixo do deboche, do escárnio.


Up date: Esta foto aqui poderia ser para "sambar" na cara de quem já se deliciou tanto me "xingando" de gorda. Mas eu prefiro dizer que é um registro de mais uma FLIP da qual participei.




sábado, 12 de julho de 2014

ANIVERSÁRIO DE AMIGO


Sabe quando você olha para uma pessoa e sente como se ela tivesse uma espécie de imã, algo que faz você se sentir ligado a ela imediatamente?

Não há muitas explicações para isso. Será que é isso o tal do "amor à primeira vista"? Talvez sim, porque esta expressão não deve ser aplicada somente ao amor entre homem e mulher. Pode muito bem ser aplicada no que se refere à amizade.

Pois é, a primeira vez que vi o Ronaldo foi assim. Olhei pra ele e pensei "seremos amigos". Não me enganei: tornamo-nos amigos quase imediatamente. Eu apenas não sabia o quão forte esta amizade se tornaria. E a quanto ela resistiria: distância geográfica, males-entendidos, rotinas diferentes...

Sempre houve um carinho muito especial entre nós. No início ele era o "Ronaldo da Cesgranrio", depois virou "melhor amigo do meu namorado", foi também o "padrinho de casamento". Hoje somos amigos e parceiros, para o bem e para o mal. Ele é o "O amigo". Um amigo que esteve ao meu lado em momentos muito felizes e também em episódios chatos. Sempre lá, sorrisão no rosto, palavra amiga, piadas para quebrarem o clima...

Faz 17 anos que o conheço. E desde o primeiro instante percebi que ele é uma daquelas pessoas que têm vocação para amizade, vocação para agregar as pessoas. 

Ronaldo, hoje é seu aniversário e não tenho muitas novidades para falar para você. Pelo menos nada que já não tenha dito pessoalmente. O que desejo para você também é mais do que notório: TUDO aquilo que você merece. E você merece muito.

Só mesmo o Rei para falar o que sinto:
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino, aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou
que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o
mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos
de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca
estive sozinho
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é omais
certo das horas incertas
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber,
que você é meu amigo
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber
que eu tenho um grande amigo

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Marina Gouvêa, a poeta

Minha tia Marina já nasceu poeta mas só hoje ela lança seu primeiro livro. Então, esqueça aquilo que te ensinaram sobre não julgar um livro pela capa. Esta capa é um aperitivo do conteúdo e deve ser saboreado pois também é obra dela (originalmente um bordado que ficou em 1º lugar num concurso. Preciso falar mais sobre sua sensibilidade?).




Tenho o orgulho de ser leitora dela desde criança e certamente vem daí minha paixão pelas letras. Sempre ia (vou) à casa dela. E quando era criança, tipo oito ou nove anos, amava entrar em seu quarto para olhar os livros, muitos, muitos deles. Todos em uma estante de madeira escura, alinhados lado a lado. Cada dia admirava uma prateleira. Admirava as cores, os títulos.


Aleatoriamente escolhia um e lia a introdução... Mas não tinha nem idade e nem vocabulário para entender nenhum deles. Aí, ela ia até mim, falava um pouco sobre o autor, e sutilmente pegava um exemplar de literatura infantil (e depois infanto-juvenil) e me indicava. Na maioria das vezes eu lia lá mesmo, deitada em sua cama. Sempre fui muito abusada na casa da minha tia. E meu tio Zé Luiz (meu segundo pai) também não se importava. É certo que nem ele, nem meus pais e muito menos os primos - que brincavam na rua ou jogavam video game na sala - entendiam o que me levava a "perder tanto tempo" devorando aqueles livros. A primaiada toda lá tocando o terror, brincando horrores - na época o sucesso era o Atari. A galera lá se matando para avançar a fase do Pac Man e do Super Mario Bross e eu lendo. Sem entender nada, mas lendo. Como eu gostava daquele ritual...


De vez em quando, lia também suas poesias. Escritas a mão ou datilografadas. Tinha a do passarinho machucado, a do Ricardo, a do dia chuvoso em Paraty... Não me peça para indicar meu poema preferido - são todos lindos, suaves, profundos. Sou apaixonada por tudo - seja verso, seja prosa - que ela escreve. Minha poeta predileta transforma, com ajuda das palavras e com precisão cirúrgica, o fato mais banal, mais cotidiano em emoção, sentimento. Fruto de seu olhar puro, doce e carinhoso (reflexo de sua alma). Um exemplo aqui: bordar é, para muitos, atividade simples, um passatempo, para outros, ganha pão, expressão de criatividade. Para tia Marina, é poesia:





BORDANDO A VIDA


Por entre agulhas e linhas
Eu sigo bordando sonhos.
Colorindo as histórias da vida,
Faço o mundo mais risonho.

São muitos os pontos que uso
numa combinação feliz:
Ponto haste, mosca ou cheio
Espinha-de-peixe ou ponto nó
Ponto atrás, nó português
Ponto areia ou rococó
Ponto aranha, alinhavo
Falso matiz, nó francês.

Com o entra e sai da agulha
Construo castelos, pontes
Crio aves, flores, lagos
Vales, florestas e montes.
Se não acerto o bordado
Fecho os olhos, conto até três,
Desmancho ponto por ponto
E, com muita paciência
Começo tudo outra vez.

Quando os fios se embaralham
Não desanimo e, de repente,
Desato o nó com cuidado
E, confiante, sigo em frente.
Com a maciez das delicadas linhas
E os matizes de cada cor
Expresso as belas emoções sentidas.
Vejo o bordado com olhos de pintor

Porque bordar é pintar
Com linhas coloridas.
Com mãos de artista e carinho.
Em seda, itamine, algodão,
Fina cambraia ou puro linho


Eu sigo bordando a vida.
Até quando? Isso eu não sei.
Ao terminar, corto a linha
E digo baixinho: – Pronto, acabei!


Como já falei, ela nasceu poeta. E quem garante isso é minha mãe. Tem uma história que eu adoro: as três irmãs (Mammy, tia Marina e Dinda Verinha) arrumavam a casa (vovó Arquimínia fez a viagem muito cedo e deixou as meninas bem novinhas, então elas - sob o comando da minha mãe - eram as responsáveis pela casa). Naquela época, era comum passar cera no piso e cobri-lo com jornais (acho que era para o brilho durar mais). Minha mãe conta que tia Marina começava a colocar os jornais e ia aos pouquinhos se esquecendo do que tinha de fazer... Começa a ler as notícias, se desligava do mundo e lia, lia, se deixassem, lia a tarde inteira.


Minha mãe, elétrica que é, sempre achava a coisa mais estranha e bonita a tia fazer duas coisas tão aparentemente opostas ao mesmo tempo: embalar um filho bebê e ler. Era comum vê-la com um livro em uma mão e o filho sendo embalado na outra. Leitura e afeto sempre se misturaram nela.


Também nasceu com alma de professora: aos 14, 15 anos já tinha aluninhos, a quem alfabetizava em casa mesmo. Depois fez Faculdade de Letras e nunca mais parou de lecionar. Mesmo quando se aposentou continuava com alunos particulares que queriam prestar vestibular ou concurso.


Nunca estudei com ela no colégio. No colégio, é bom frisar, porque amava ter aulas particulares. Nunca fui má aluna em Português, mas não resistia a ter uma explicaçãozinha extra antes de uma prova. Foi com ela que aprendi as regras da crase. E nunca, nunca as esqueci. Ênclise, mesóclise e próclise também aprendi com ela. Ah, a primeira poesia que decorei foi na casa dela, da Alice Ruiz:


Assim que vi você

Logo vi que ia dar coisa

coisa feita pra durar,

(...)

Agora não tem mais jeito,

Carrego você no peito

Poema na camiseta

Com a tua assinatura

Já nem sei se é você mesmo

Ou se sou eu que virei alguma coisa tua


Eu teria uma infinidade de outras passagens para falar, mas meu coração está apertado demais por eu não ter podido ir ao lançamento do livro. Estou um pouquinho triste. No final do mês vou vê-la e dar o costumeiro abraço. Abraço de leitora, sobrinha, fã e quase filha.


PS: esta não é a primeira vez que falo da minha tia. Há cinco anos publiquei um conto (premiado, obviamente) aqui.


PS2: E esta aqui é a foto dela recebendo o prêmio pelo conto de que falei acima. Pra vocês verem que, além de poeta, sensível, inteligente, ainda é linda!



                                                      Fã              Poeta        Amigas

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Girassol - Ira!

Tento me erguer
Às próprias custas
E caio sempre nos seus braços
Um pobre diabo é o que sou
Um girassol sem sol
Um navio sem direção
Apenas a lembrança
Do seu sermão
Você é meu sol
Um metro e sessenta oitenta e cinco de sol
E quase o ano inteiro
Os dias foram noites
Noites para mim
Meu sorriso se foi
Minha canção também
Eu jurei por Deus
Não morrer por amor
E continuar a viver
Como eu sou um girassol
Você é meu sol
Eu tento me erguer
Às próprias custas
E caio sempre nos seus braços
Um pobre diabo é o que sou
Um girassol sem sol
Um navio sem direção
Apenas a lembrança
Do seu sermão
Morro de amor e vivo por aí
Nenhum santo tem pena de mim
Sou agora um frágil cristal
Um pobre diabo
Que não sabe esquecer
Que não sabe esquecer
Como eu sou um girassol
Você é meu sol

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Superação é o cacete

Aconteceu um episódio comigo que me fez (re) pensar a vida e nas surpresas que ela nos apresenta. Surpresas boas e outras nem tanto. E é sobre as "nem tão boas" que tenho me concentrado. Não que esteja em algum momento ruim, negativo ou a fim de me fazer de vítima.
É comum, num bate papo com amigos, ouvir alguém falar numa grande perda e vir com aquele discurso “sofri e dei a volta por cima". Geralmente quem "deu a volta por cima" não fala mais sobre isso.
Em muitos casos, quando uma tragédia se abate na nossa vida, a vontade é ficar em casa e nunca, mas nunquinha mesmo, sair dali. E isso adianta? Vai por mim: não adianta porra nenhuma. Mas é necessário sofrer um pouquinho, seja a sequela de um acidente, seja a perda de um amor ou até mesmo a morte de alguém querido. Passado o momento do "luto", o lance é continuar a viver. Do jeito que dá.
Se você é uma pessoa que sabe que a vida não é feita só de momentos felizes, que não entra numas de achar que a vida do vizinho é mais fácil do que a sua, você vai certamente seguir adiante, sem lamentações.
A vida é assim: leva embora um jovem saudável num acidente de carro, te sacaneia com um namorado infiel, te surpreende com uma demissão... Mas e aí? Vai ficar em casa chorando? Vai querer sair na porrada com o destino? Tudo perda de tempo.
Quem entra nessa de se revoltar não sai do lugar. Perde coisa pra caramba e nem se dá conta.
Várias vezes vi algo acontecendo com alguém e pensei "eu não aguentaria". Bobagem: a gente aguenta muito mais do que pensa. O que não dá é ficar pensando em coisas do tipo "por que comigo?". Quando olho atentamente para minha própria história de vida, vejo que também tenho meu quinhão de dor e sofrimento. E da mesma forma como recebo muito bem minhas vitórias, acho que tenho de aceitar meus tombos. E vou em frente, machucada, às vezes, mas se eu parar, passam por cima de mim.
Não me sinto nenhuma heroína por superar meus problemas. Acho isso uma bobeira danada. Não sou diferente de você, do meu amigo, da minha prima, do desconhecido que se senta ao meu lado no metrô.

Outro dia conheci um rapaz que ficou paraplégico há 4 anos, quando tinha 32 anos. Ele falou várias vezes que odeia quando o único assunto que puxam com ele é sobre as limitações: será que não dá pra conversar com uma pessoa legal, só isso? Por que a necessidade de ficar falando sobre um momento da vida dele? Ele tem vários momentos, e sua personalidade é formada por todos eles. O cara tem uma história de vida diferente da minha, mas certamente uma vida como a de todos nós: com grandes alegrias e algumas dores. Ele não é herói e achei o maior barato quando disse que não suporta quando chegam pra ele dizendo que ele vai superar, que é um guerreiro. Não! Ele não é nem quer ser. Não quer ser tratado como coitadinho assim como não quer ser modelo de nada pra ninguém. Quer ser feliz, aprendendo a viver com as limitações que a vida lhe impôs.

Essa história de "exemplo de superação" é coisa pra Globo Repórter, a vida é muito mais prática: ou você segue em frente, ou perde a sensibilidade e nunca mais aproveita a delícia que é olhar uma Lua linda no céu. 

Perder a sensibilidade das pernas é uma coisa. Devastador, de verdade, é perder a sensibilidade da alma.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Coisa de vagabunda - Clara Averbuck

Isso é coisa de vagabunda. Mulher que se dá o respeito não anda assim. Não faz isso. Não bebe, não anda pela rua com homem. Mulher que se dá o respeito não fala assim. É feio. É sujo. Mulher não pode ser suja, mulher tem que ser delicada, tem que ser comportada. Mas sensual. Mas não muito. Tem que saber fazer o jogo do esconde-revela. Tem que saber seduzir, a mulher. As que são lindas é só ser mesmo, né? Não precisa exagerar com salto e maquiagem, salto e muita maquiagem deixa a mulher vulgar, homem nenhum vai querer mulher assim ao seu lado, só pra usar e jogar fora. E as gordinhas, até elas têm vez, é claro que tem lugar pra todos nesse mundo, tem quem goste das gordinhas, tem quem goste de tudo, mas tem que se cuidar, gordona também não pode. Mulher tem que se cuidar. Mulher tem que. Mulher tem que se vestir bem, tem que se cuidar. Mulher tem que. Tem que. Tem que. Mulher não pode. Mulher tem que. Depois reclamam, né. Saem assim, andam por aí e depois reclamam quando acontece alguma coisa. O mundo não vai mudar porque vocês querem, o mundo é assim, mulher tem que se cuidar, se resguardar. Depois que a mulher pega fama, já sabe. Depois não reclama. Fazem o que fazem, vão pra rua mostrar os peitos, querem topiléssi na praia e depois reclamam. Não pode. Assim vocês não conseguem nada. Não pode, mulher não pode. Ensinam as filhas assim, depois reclamam quando aparecem grávidas, depois querem abortar, depois reclamam que os pais fogem. Fazem o que fazem e ainda querem arrumar marido. Assim ninguém respeita. Mulher tem que se cuidar. É só a mulher se cuidar que fica tudo bem. Mulher que se cuida, que fica em casa, que não sai por aí, vai acontecer o que? Mulher tem que se dar o respeito. Quer ser livre? Aguenta. Mulher que se respeita sabe que liberdade não é tudo isso. Liberdade, isso aí é papo de vagabunda, de feminista que quer estragar as mulheres. Estava tudo muito bem com as mulheres em seu lugar, até que veio uma querendo revolução e olha aí. Se tivessem homem pra proteger, não estavam querendo liberdade nenhuma. Mulher que se dá o respeito não quer liberdade. Liberdade é coisa de vagabunda.


*Clara Averbuck é escritora

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Flor Amarela


Que eu sou compulsiva eu sempre soube. Não gosto de nada "pouco", tudo meu é sempre "muito": não gosto mais ou menos de alguém, não leio de vez em quando, não como só um pedacinho. Sou exagerada e quero sempre mais, mais. Em tudo.
E essa parada de escrever vicia, é uma compulsão. Claro que não descobri isso agora, pois eu sempre escrevi (e que bom que optei por escrever, porque era bem capaz de optar por beber. Aí, meu bem, eu já seria uma Renatinha Hoitman desde criancinha). Mas há fases que os assuntos são mais profundos, outros menos, e tem época que simplesmente eu morro de preguiça. Sou de extemos, lembra?
Assim como nunca vou ler todos os livros que eu gostaria (sim, porque eu gostaria de ler todos os livros do mundo!), também não vou conseguir escrever tudo o que está aqui na minha cabeça, esta coisa lotada de idéias, de assuntos. Devo ter até uns parágrafos inteirinhos prontos. Mas não vai dar, porque falta tempo (eu trabalho um pouquinho,né? E meu chefe não viaja tanto assim, aquele ordinário. Custava?) e também porque daria um trabalho imenso... Aí, me lembrei de um poeminha que escrevi há uns 2 ou 3 séculos. Cabe direitinho aqui:



Flor Amarela

Tem muita notícia por aí
neste mundo louco.
Tem muita coisa
acontecendo nas ruas e esquinas.

Tem gente, tem show
tem briga e descoberta

Tem tiro, tem lei
tem tanta coisa por aí
que meus olhos se enchem
de uma preguiça marota.
Uma preguiça de pensar sério
nos assuntos sérios da vida.

Uma preguiça moleca
que me faz prestar atenção
no flor amarela do vestido da vitrine
.

domingo, 22 de dezembro de 2013

COMPANHEIROS DE 2013

Atualização da lista de LIVROS LIDOS (EM 2013)

* Melancia - Marian Keys - jan
* Sushi - Marian Keys - -março
* A Senhora das Velas - Agnaldo Silva - abril
* Casório? - Marian Keys - abril
* O mundo de Sofia - NÃO TERMINEI PORQUE ACHEI CHAAAATO
* As cinco pessoas que você encontra no céu -Mitch Albom - maio
* Travessia - maio
* Mas ele diz que me ama - maio
* O manual do canalha - vários autores - maio
* O caçador de pipas - Khaled Hosseini - junho
* Gordas e gostosas - junho (enésima vez. Praticamente um livro de cabeçeira)
* Elite da Tropa - Luis E. Soares, o gostoso do Capitão Pimentel e Andre Oliveira - junho (li pela 2a vez)
* A menina que roubava livros - Markus Zusak- julho
* Meninas Inseparáveis - Lori Lansens - julho
* É agora ou nunca! - Marian Keys - agosto (li pela 2a vez)
* Olga - Fernando Morais - agosto
* Eu estou OK, Você está OK - agosto
* Hoje Acordei gorda - Stella Florence - agosto (enésima vez, devo admitir)
* A caixa preta - Amoz Oz - agosto/ setembro
* Mamãe, por que sou gorda? - outubro
* Correndo com tesouras - Outubro


LIVROS QUE QUERO LER:
* Na praia
* Muito longe de casa - Ishmael Beah
* O Anjo pornográfico - Ruy Castro
* Férias
* Vergonha dos pés - Fernanda Young

sábado, 12 de outubro de 2013

Minha oração a Nossa Senhora Aparecida

Nasci em Aparecida, no Estado de SP. Meu nascimento estava previsto para o dia 14 de Fevereiro, mas no dia 3 de Janeiro, mamãe começou a "sentir o bebê mexer muito" e foi levada ao médico que a acompanhava, em Guaratinguetá (o hospital de Paraty era - ainda é - um lixo). Pois bem, o médico naquele dia não estava na cidade. Naquele dia ele atendia em Aparecida. Foram meus pais, minha Dinda Marina e meu Tio Zé Luiz para lá. 40 dias antes do esperado, cheguei ao mundo. Todo nascimento é especial, é, por si, um milagre da vida. O meu, modéstia às favas, foi um bocadinho mais milagroso, pois foi na cidade onde fica o Santuário de Nossa Senhora Aparecida. Sou abençoada por ela, tenho absoluta certeza.
E hoje é o dia dedicado a ela, minha Mãezinha preta. Minha oração a ela é pessoal, informal e sucinta:
"Obrigada, Mãezinha" e "Mãezinha, me cubra com seu manto". Não é falta de respeito, é a informalidade que os próximos se permitem. E meu amor a Ela não precisa de rituais.
Hoje, 12 de Outubro de 2013, falarei o dia todo: Mãezinha, obrigada por todos os momentos que, mesmo sem pedir, você me cobriu com seu manto. Obrigada pela mãe que aqui na Terra toma conta de mim e cumpre o Seu papel. Obrigada porque eu tenho tudo aquilo que preciso para ser feliz. E obrigada, sobretudo, pelos momentos difíceis por que passo de vez em quando, porque são nestas horas que minha fé se renova e eu me entrego à sua proteção".

Aos mais formais, deixo aqui registrada também a "oração oficial". Que as benção da Virgem Maria possam abençoar a todos que leem este blog.


Senhora Aparecida, eu renovo, neste momento a minha consagração.Eu vos consagro os meus trabalhos, sofrimentos e alegrias, o meu corpo, a minha alma e toda a minha vida. Eu vos consagro a minha família! Ó Senhora Aparecida, livrai-nos de todo o mal, das doenças e do pecado. Abençoai as nossas famílias, os doentes, as criancinhas. Abençoai a Santa Igreja, o Papa e os bispos, os sacerdotes e ministros, religiosos e leigos. Abençoai a nossa paróquia, o nosso pároco. Senhora Aparecida, lembrai-vos que sois Padroeira poderosa da nossa Pátria! Abençoai o nosso governo. Abençoai, protegei, salvai o vosso Brasil! E dai-nos a vossa bênção.

terça-feira, 23 de julho de 2013

terça-feira, 9 de julho de 2013

MEDO DE (A)MAR



Outro dia escrevi sobre o mar e o fascínio que ele exerce sobre mim. Aí a Lisa deixou um comentário falando de um filme, MAR ADENTRO . Na hora não me lembrei se já tinha visto, mas dias depois uma pessoa me fez lembrar do filme. Embora a condição seja parecida, felizmente o desejo dele não é igual ao do protagonista. Fiquei com as lembranças do filme, que vi há algum tempo, o fato de a Lisa tê-lo mencionado, enfim, um monte de assunto martelando na cabeça. SÃO TANTOS OS MISTÉRIOS DESSA VIDA, né?


A Lisa falou também que tem medo de morrer afogada e por isso prefere contemplar o mar de longe. Outra curiosidade: desde criancinha eu tinha um pesadelo que envolvia o mar. Um pesadelo recorrente, daqueles que Freud deve explicar direitinho. Eram ondas e mais ondas destruindo a praia em que eu estava com minha família ou amigos.

Um dia, estava numa locadora com um namorado e apontei para um DVD, Mar em fúria. Ele fez uma cara séria e falou "esse não".

Filminho, pipoca, vinho e uns beijinhos depois, ele disse que queria me falar uma coisa. Disse que desde criança tinha pesadelos horríveis com ondas gigantes que destruíam a praia onde ele estava. Pra ele foi uma confissão, um desabafo, já que nunca falara sobre isso com ninguém (e só estava me falando porque só de olhar para a capa do DVD ele se lembrou da sensação de medo que sentia quando tinha os tais sonhos). Pra mim foi uma baita surpresa, afinal, eu também tinha isso e detalhamos um para o outro o cenário e a sensação.

Demos risada, pois geralmente os casais constroem os sonhos juntos. Com a gente foi diferente: a gente compartilhava um pesadelo, desde a infância.

A carinha linda dele ficou ainda mais espantada quando expliquei como dei fim àquela sensação chata: fui ver o filme Mar em fúria, pois sabia que ia ter muita onda gigante, muita tempestade. Ou eu não aguentaria e sairia no primeiro relâmpago, ou ficaria "curada". Me chamou de louca, claro. Quando o filme estava em cartaz, o "namorido" também me achou louca, pois era testemunha das inúmeras noites em que eu acordava falando "aquele pesadelo de novo".

Bem, pra resumir a história, foi uma terapia de choque mas deu resultado.

Hoje em dia tenho medo da violência, medo de que aconteça algo ruim com aqueles que amo, enfim, medos "normais". Tenho também um pouquinho de amar e não ser amada. Medo do mar? Nem em sonho eu tolero.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

SOBRE FINGIMENTOS E MACHISMOS

Amiga,

tenho imenso respeito por você, mas fiquei meio chocada com aquele seu papo de ontem. Quanto machismo, menina moderna e carioca! Jura que você acredita que toda mulher tem de se fazer de frágil e dependente para manter um homem ao lado? Você acha fácil deixar de ter opinião própria e jogar as responsabilidades na mão dele?
Dessa vez eu não vou seguir seu conselho. Imagine você, logo eu que vivo te perguntando as coisas! Mas desta vez não vai dar. Pra mim, cada pessoa tem um dom diferente: umas gostam de matemática, outras adoram trabalhar com vendas, outras preferem trabalhar sozinhas. Umas optam por viver sob as asas dos pais, outras querem ganhar o mundo. Vovô Gouvêa dizia sempre: existe muita qualidade de gente por aí.
Ouvindo você defender com tanto afinco sua vida de esposa-mãe-dona de casa, percebi que seus conselhos são muito bons, mas para quem pretende ter filhos e viver da mesada do marido. Não é meu caso, já que tenho carteira assinada e diploma.
Ser esposa exemplar ou ter uma profissão não é mérito e nem demérito, é apenas questão de escolhas. E há de se respeitá-las, pois toda escolha demanda em consequências e cobra um preço. Você sabe disso. Eu também pago um preço por não ter sido uma esposa mais dedicada. É que aquilo não era pra mim e não consegui fingir mais do que 3 dias. Por mais que eu quisesse tentar, não dava pra esconder minhas frustrações. Eu sempre fui assim, minhas infelicidades sempre foram sardas em minha pele branca.
Ontem, mesmo que eu não falasse nada, você perceberia minha fisionomia de horror enquanto você provava, quase cientificamente, que o homem gosta de mulher submissa e fútil. Mulher que pensa, segundo sua teoria, dá trabalho demais e assusta os homens.
Amiga, tive uma vontade louca de te matar. Ou de me matar, porque naquela hora tive certeza de que vou morrer sem nunca mais ouvir um homem dizer que me ama.
Em relação àquele comentário sobre mim, tenho uma correção a fazer: não preciso fazer de conta, deixar o homem achar que sou frágil. Sabe por quê? Porque sou mesmo a pessoa mais frágil do mundo. E se você fosse um dos homens com quem me relacionei, veria que isso assusta muito mais do a tendência a ser indepedente que já nasceu comigo. Você ficaria espantada em saber como minhas fragilidades e carências são infinitas. Curiosamente elas não me fazem acreditar que minha felicidade está na mão do outro.
Não dá pra julgar nossas escolhas ou objetivos, por isso me sinto obrigada a repetir TENHO IMENSO RESPEITO POR VOCÊ. Mesmo estando ainda meio atordoada por ver tanto machismo no seu estilo de vida, que eu considerava o melhor way of life do mundo.
Nunca, nem naquele momento extremamente delicado que passei uns 5 anos atrás, me envolvi com um cara só para falar "o meu namorado". Não sei se isso é graças ao meu medo de homens machistas ou à terapia. Só sei que sempre evitei homens que preferiam meus peitos às minhas conversas. Claro que adoro que meu homem me ache gostosa, mas ele também tem que me admirar. Não viveria bem com um cara que pensasse que sou tão fragilzinha a ponto de não saber tomar decisões. Odeio quem me subestima.
Fico curiosa: você vive numa boa assim? Não lhe parece meio constrangedor saber que seu marido não confia no seu intelecto? E, mais importante, não rola uma dose de culpa por ser mais um dos ítens com que ele precisa se preocupar?
Eu tenho um grande medo de ser um motivo a mais de preocupação para meu companheiro. Talvez fale sobre isso na terapia hoje à noite.
Outra correção a meu respeito: não estou por aí beijando várias bocas procurando o cara certo. Estou, sim, disponível para viver uma paixão. Acredite: eu procuro um grande amor. Marido já tive.

1 beijo imenso da sua amiga,

domingo, 30 de junho de 2013

Já no clima da FLIP


Nem literatura é coisa para intelectual e nem a Flip é só para adultos.
Flipinha é destinada aos leitores mirins e tem uma programação "de gente grande". 
E esta foto ilustra direitinho o astral da festa dos pequenos.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

O QUE TE FAZ FELIZ?


Eu não preciso de muitas coisas pra ser feliz. Não que eu seja daquelas criaturas iluminadas que se contentem com "uma casinha, um cachorro, um jardim e um amor pra dormir juntinho". Eu preciso de bem mais do que isso, claro. Mas minhas necessidades são pequenas, poucas, furtivas.

Um final de tarde na Lagoa me faz feliz pra sempre. Um dia sem compromissos, ouvindo "Onde brilhem os olhos seus" é um dia feliz pra mim. Horas conversando com minhas amigas, bebendo um chopinho ou uma coca light me embriaga de tanta felicidade.

Já fui mais exigente. Já desejei conhecer o mundo inteiro, sair todos os sábados à noite, dançar até as pernas doerem. Já quis viver um grande amor, já quis viver para sempre ao lado do meu grande amor. Ai... como eu já quis coisas que me pareciam ser o auge da felicidade.

Hoje gosto de tranquilidade, de um bom livro e, claro, uns beijinhos dados por alguém que saiba me beijar. Sim, porque apesar de mais modesta, não fiquei menos exigente: beijo de quem não sabe beijar do jeito que eu gosto não entra na lista daquilo que me faz feliz.

Quando eu queria tudo, geralmente conseguia. Mas continuava com aquela sensação de que faltava alguma coisa: faltava o sol mais quente no final de semana na praia. Faltava uma lareira no chalé na serra. Faltava o vinho pra combinar com aquele prato.

Todas essas faltas me faziam sentir um vazio, um vazio tão grande que não me deixava curtir todo o resto.

Tive um namorado que me amava tanto e fazia coisinhas tão fofas pra me agradar: bilhetinhos escondidos na minha bolsa. Chocolate ao leite na mesa do escritório. Eram tantos os agrados, os mimos que eu até me sentia feliz. Mas eu tinha sempre a impressão de que faltava alguma coisa. Então, aquele amor todo que ele tinha por mim acabava me deixando meio triste.

Várias vezes quando saía de férias, eu me pegava pensando: mas é só isso? Era uma parada incompreensível, porque eu passava meses escolhendo o roteiro da viagem, os programas que não podia perder de jeito nenhum, levava as roupas mais transadas do meu já transado guarda-roupa. Mas a pergunta insatisfeita sempre me pegava de surpresa: mas é só isso?

Quando recebi o diploma da Cultura Inglesa, um dos grandes objetivos que almejei conseguir antes dos 25 anos (eu tenho essa mania de traçar metas "antes de tal coisa". Me formei na Cultura aos 22), pensei "o que tem demais nisso?". Minhas conquistas pareciam aquela música do Raul Seixas : mas foi tão fácil conseguir e eu me pergunto e agora e daí?

Olha, não pense que eu era aquela eterna insatisfeita que não vê graça em nada. Eu só queria mais. Mais do que aquilo, mais do que a vitória do momento.

Sei lá como, acho que foi aos poucos, entendi que vitórias não são necessariamente passaporte para a felicidade. E, contraditoriamente, passei a achar o máximo realizar sonhos. Embora seja muito fácil realizar um sonho, me peguei valorizando pra caramba cada uma de minhas conquistas.

Ainda tenho sonhos pra caramba pra realizar, mas saí daquela paranoia de que só seria feliz quando todos eles estivessem ali, concretinhos, palpáveis. Passei a admirar o processo que envolve a realização de um grande desejo.

Embora não seja uma pessoa de alma zen, hoje sou muito mais calma. Nossa! Isso foi uma grande mentira: calma, eu? Não engano ninguém,né? Mas estou menos ansiosa em busca dos meus objetivos. Até porque não faço a menor ideia do que eu quero, não sei qual caminho quero seguir.

E, ironia das ironias, essa minha minha falta de rota me faz ver o mundo de um jeito mais gostoso. Mais simples.

Se antes eu achava que faltava algo em tudo o que fazia, hoje vejo muito mais graça e alegria no dia a dia: terminar uma aula de corrida me faz feliz. Fazer toda minha série de musculação me faz feliz. E é uma felicidade interna, daquelas que quase me completam o vazio que nasceu comigo.

Tenho umas felicidades engraçadas, quase esquisitas. Sou a pessoa mais feliz do mundo quando a Liv vem se aconchegando no meu colo e fala "coinho da Dida é bom...". Ou então quando a Lara me acorda cedo, deita ao meu lado e fala "acorda Dinda, acorda. Faz meu Toddy". Bem, com não virei santa, invariavelmente quando ela me acorda eu to mal humorada e falo "sai daqui". Mas aí ela me olha nos olhos e ... Lá vou eu fazer a mamadeira da afilhada sentindo que nunca vai haver coisa que me faça mais feliz. E enquanto esquento o leite, penso que o vazio que existiu sempre em mim era o espaço certinho para caber a Liv e a Lara.

E assim começo um dia feliz, com o coração preenchido, e com a certeza de não preciso muito mais do que meus livros, meus cds, minhas amigas de verdade e minhas sobrinhas para ser tão verdadeiramente feliz.


PS: Colo de mãe e de pai não entra na lista, afinal, é hour concurs no quesito É DISSO QUE PRECISO PRA SER COMPLETA.

terça-feira, 30 de abril de 2013

DE PROPÓSITO. SÓ DE SACANAGEM. SÓ PRA CONTRARIAR

Outro dia uma amiga minha falou de como é importante - diria vital - a gente ser teimosa e, em vez de dizer simplesmente "é o destino", a gente ir lá e fazer o que tem que ser feito.
É muito cômodo cruzarmos os braços, fazer cara de coitadinha e dizer "não tenho sorte". Ok, eu sei que quebro a cara com um monte de coisa que faço, que não concretizei metade de meus sonhos. Mas eu tento. E assim consegui um monte de coisa que nem imaginava. Fiz e tenho coisas que nunca me passaram pela cabeça, mas que hoje me preenchem e me dão ainda mais vontade e coragem de chegar aonde eu já desejei, de conquistar aquilo que sonho desde sempre.
E quando tudo dá errado, em vez de me lamentar, reclamar com Deus ou dizer "não era pra ser", eu digo pra mim mesma "Vou conseguir de propósito".
E é isso que tenho feito. Se estou meio tristinha, sem vontade de sair, mas é sábado à noite, pego o telefone, ligo pra minha amiga e falo "Vamos, né? Hoje vamos sair de propósito, só pra contrariar".
Olha, renderiam mil histórias (legais, engraçadas, tragicômicas) aqui no blog os desfechos dessa nossa teimosia em ser feliz, desses dias em que a gente sai só pra sacanear a vontade de ficar em casa, vendo TV.

sábado, 30 de março de 2013

A DONA DA BOLA




NÃO POSTEI ESTAS FOTOS PARA ESCREVER SOBRE ISSO OU AQUILO. O MOTIVO É UM SÓ: ESTOU ME SENTINDO FEIA. ENTÃO, EM VEZ DE OLHAR PARA O ESPELHO, OLHO PRA TELA DO COMPUTADOR. 
O BOM DE SER DONA DE BLOG É ISSO: FAÇO O QUE EU QUERO. E HOJE EU QUERO ME VER BONITA.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Qualquer Lua

Por motivos desconhecidos, eu adoro a Lua.
É um baita clichê e certamente meu lado metido a fashion e vanguarda torce o nariz para meu hábito de olhar pro céu "só pra ver como a Lua tá hoje". Faço isso quase todas as noites.
Detesto essas coisas melosas que, de tanto ser romântico, vira brega.
Não tem nada de original gostar da Lua e eu adoro ser original. Que mico! Acabei aqui, escrevendo sobre o que qualquer um escreveria.
Mas o que eu posso fazer se uma Lua, seja qual for, me hipnotiza?
Já tentei entender o porquê disso: me lembro de algo? de alguém? Não, não me vem nenhuma memória especial à mente quando vejo a Lua.
Sendo bem honesta, só sei distinguir a Lua Cheia das demais e nunca tive paciência para aprender qual é a Nova, a Minguante ou a Crescente.
Um dia li um poema do Manuel Bandeira e desisti que encontrar sentido para o poder que este satélite tem sobre mim. Bandeira não era de ficar enfeitando as coisas, adoçando o que não tem doce.
Eu tinha uns 14 ou 15 anos e lembro que achei a coisa mais linda do mundo ele descrevê-la como "demissionária de atribuições românticas". No alvo!
Uma Lua sem frescura. Era essa a Lua que eu queria. É essa que me fascina porque adoro não precisar de explicações. Adoro os verbos intransitivos. Meus sentimentos são intransitivos.
Desde então, passei só a curtir o efeito da Lua em mim. Não quero explicações de onde vem essa atração, esse fascínio.
E mesmo que, num ataque de cafonice, eu já tenha quase morrido de nostalgia olhando da minha janela a Lua mais bonita do mundo, pra mim ela nunca é triste. Ela é só a Lua, minha grande paixão.

"(...)Ah Lua deste fim de tarde,
Demissionária de atribuições românticas,
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite."

- Manuel Bandeira

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

SOBRE EXIGÊNCIAS, PREGUIÇAS E O QUE NÃO SEI FAZER.


Li uma crônica da Martha Medeiros sobre o livro do Francisco Bosco, Banalogias. Entre outros comentários, um me chamou atenção. No livro, o filho do João Bosco fala de como uma dança pode perder toda a leveza e o prazer por causa das exigências: o cavalheiro tem de conduzir a dama, ambos tem de pensar no próximo passo e estar atentos ao ritmo. Caramba! É muita coisa pra pensar enquanto se quer só se divertir.
Eu, que sou a falta de ritmo em pessoa, sempre me recusei a fazer aulas de dança. Adoro dançar, embora não saiba fazê-lo. Eu mexo o corpo, sinto o ritmo da música, e pra mim isto é dançar. Se não com o corpo, pelo menos com a alma, que é onde a música me toca. Danem-se minhas saídas do ritmo ou a falta de um passo bonito. Dançar me faz sentir livre e vamos combinar que não dá pra ser livre pensando se a coreografia está certa, se acertei o passo, se quem me olha tá achando bonito.
Já perdemos tanto de nossa espontaneidade no dia a dia, será que não dá pra esquecer regras na hora de dançar? Bem, eu esqueço (de propósito) regras a toda hora. E isso me dá um prazer danado. Claro que não sou nenhuma irresponsável que avança o sinal vermelho ou que fura fila. Isso não é deixar as regras de lado, é ser educado, gentil. Depois da liberdade, uma das coisas que mais gosto é de gentilezas. Mas como tava falando, adoro esquecer regras, principalmente aquelas que me fazem parecer ser outra pessoa. Não gosto quando uma pessoa se contrai tanto que eu acabo pensando que ela é de um jeito tão diferente do que é.
Eu sou o avesso de um monte de coisa e juro que não é de propósito. Talvez seja até por preguiça. Tenho preguiça de ser a melhor em tudo, tenho preguiça de ser organizadinha, tenho preguiça de ser intelectual. Tenho horror de pessoas boas em tudo, daquelas que se sentavam na 1ª carteira da classe, que tiravam 10 em todas as matérias e nunca esqueciam o material em casa. Pra dar uma noção de como não fui uma aluna aplicada, tinha uma época que eu não tinha nem mochila: guardava meu material na mochila do meu primo. Lápis eu nunca tive mesmo, aliás, nem lápis, nem borracha e quase nunca caneta. Pedia emprestado e juro que todos os dias ouvia um sermão de um ou outro colega "A Aline nunca tem nada". E olha que meu pai tinha papelaria, hein? Eu tinha tudo, mas deixava em casa. Por quê? Porque eu escrevia pra caramba antes de dormir. Escrevia que nem escrevo aqui, só que na época era no caderno. Aí, na manhã seguinte, esquecia de juntar o material.
Eu ria quando via aquelas meninas com estojos cheios de lapiseiras, canetas coloridas, borrachas perfumadas, réguas, liquid paper. Gente, quando escrevia algo errado eu riscava a palavra. Liquid paper era o fim da picada, atestado de organização máxima, daquela que lá pelos 40 anos vira TOC.
Sou preguiçosa e desorganizada para aprender a dançar, para aprender a cozinhar pratos especiais e muito mais para seguir modismos e fazer o que dizem que é fashion. Das imposições de fora, a única que me contaminou foi a mania de querer ser magra. As outras não tem a menor chance comigo. Sabe por quê? Porque eu gosto de desperdiçar tempo livre, gosto de não ler o livro que é Best seller , gosto até de não saber dançar como dizem que é o certo. Porque nem sempre o certo faz bem, muitas vezes é o errado que dá mais prazer.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

QUATRO MULHERES

Tá, uma vida inteira reclamando que não conhecia ninguém interessante, alguém que fizesse o coração dela bater mais forte e todas essas coisas tão comuns no que se refere à vida amorosa, principalmente, das mulheres da casa dos 30. Essa legião de mulheres inteligentes, mais ou menos bem resolvida, com carreira definida, bom emprego, alguma bagagem cultural, vaidosas, que sabe-se lá o motivo, continuam sozinhas. Bem, continuam sozinhas aquelas que não aceitam "qualquer um" só pra não dizer que está sem namorado. Parece coisa do século passado, mas ainda existe mulher que se envolve com o primeiro tranqueira que aparece só pra poder dizer "o meu namorado".
Até que um dia aconteceu: um cara legal, bonito, inteligente, educado e interessado nela. Um cidadão com um Currículo impecável. Era só correr pro abraço.
Conversas longas no msn, recadinhos no Orkut, saídas agradáveis, telefonemas diários. Mas e aí? O coração dela continua lá, daquele mesmo jeito: no piloto automático.
Reclamar que o cara liga o dia todo não pode, porque já reclamou muito de cara que não liga nunca. Dizer que não houve "química" não cola também porque o beijo dos dois se encaixou. É... o problema não é com ele. É com ela, que apesar de ter encontrado um cara legal, não se empolgou com ele. Fazer o quê?
Reunião urgente com as amigas mais próximas, aquelas que sabem os segredos mais cabeludos da outra.
Desabafo : meninas, o cara é gente boa demais, tem tudo o que eu gosto, mas eu tô aqui, sem a menor vontade de vê-lo de novo.
Mulher não consegue escutar um desabafo desses e ficar quieta: tem que palpitar. E palpite de amiga é melhor do que consulta com cartomante. Palpite de amiga leva em consideração nossa personalidade, nossas chatices, nossas carências. E mais: sabe nosso passado. O que conta muitos, muitos pontos na hora de dar um conselho.
Algumas taças de vinho ajudam ainda mais a clarividência de nossas queridas companheiras. "E então, gente, por que eu não gosto do cara que é tudo o que eu queria? Eu devia estar feliz da vida, apaixonadona. Mas tô aqui, comendo pizza, tomando vinho e daqui a 2 minutos vou reclamar que não tenho sorte no amor. O que eu faço?".
As opiniões foram contraditórias: uma falou que ela tem de insistir, o famoso "dar uma chance", quem sabe assim ela não se empolga? É muito melhor ir gostando aos poucos. A outra foi categórica: não balançou o coração no primeiro encontro, não balança mais. Sai fora, vira a página!
Enquanto ela ouvia os argumentos de cada uma, pois ambas tinham suas opiniões embasadas, tentava organizar os pensamentos dentro da cabeça. Até uma espécie "exercício" ela fez: lembrou-se daquela noite que ele não ligou e tentou lembrar se ela sentiu saudade. Mas as amigas falavam todas ao mesmo tempo e não dava pra se concentrar.
De repente, elas notaram que uma delas não abrira a boca em nenhum momento. Que estranho: logo aquela lá? A que fala até do que não conhece, logo ela tava lá quietona, com o olhar perdido?
- O que você acha? Ela deve dar uma segunda chance pro Sr. Perfeitinho ou mandá-lo passear?
- Desculpa gente, não prestei atenção na conversa.
E continuou com os olhos colados ao celular, esperando o carinha do final de semana retrasado ligar.
Naquela sala havia 4 mulheres: duas com opiniões diferentes e duas com situações totalmente opostas.
Parodiando Caetano: e quem há de negar que o problema de uma é superior?

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A BUNDA, QUE ENGRAÇADA - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.
Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.
A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.
A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.
Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda
redunda.