"Decido eu mesma engendrar lendas e episódios que me são atribuídos. Sempre tendo como desculpa a condição de escritora, a quem é dado o privilégio de inventar sem sofrer sanções morais". - Nélida Pinon
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terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
O seu baseado
Aquele baseadinho que você fumou, bem despretensiosamente, ajudou a comprar a arma que matou o Marco.
domingo, 30 de novembro de 2014
30 de novembro. Aniversário do Marco Antonio Gripp
Aquele baseadinho que você fumou, bem despretensiosamente, ajudou a comprar a arma que matou o Marco.
sábado, 12 de julho de 2014
ANIVERSÁRIO DE AMIGO

Sabe quando você olha para uma pessoa e sente como se ela tivesse uma espécie de imã, algo que faz você se sentir ligado a ela imediatamente?
Não há muitas explicações para isso. Será que é isso o tal do "amor à primeira vista"? Talvez sim, porque esta expressão não deve ser aplicada somente ao amor entre homem e mulher. Pode muito bem ser aplicada no que se refere à amizade.
Pois é, a primeira vez que vi o Ronaldo foi assim. Olhei pra ele e pensei "seremos amigos". Não me enganei: tornamo-nos amigos quase imediatamente. Eu apenas não sabia o quão forte esta amizade se tornaria. E a quanto ela resistiria: distância geográfica, males-entendidos, rotinas diferentes...
Sempre houve um carinho muito especial entre nós. No início ele era o "Ronaldo da Cesgranrio", depois virou "melhor amigo do meu namorado", foi também o "padrinho de casamento". Hoje somos amigos e parceiros, para o bem e para o mal. Ele é o "O amigo". Um amigo que esteve ao meu lado em momentos muito felizes e também em episódios chatos. Sempre lá, sorrisão no rosto, palavra amiga, piadas para quebrarem o clima...
Faz 17 anos que o conheço. E desde o primeiro instante percebi que ele é uma daquelas pessoas que têm vocação para amizade, vocação para agregar as pessoas.
Ronaldo, hoje é seu aniversário e não tenho muitas novidades para falar para você. Pelo menos nada que já não tenha dito pessoalmente. O que desejo para você também é mais do que notório: TUDO aquilo que você merece. E você merece muito.
Só mesmo o Rei para falar o que sinto:
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino, aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou
que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o
mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos
de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca
estive sozinho
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é omais
certo das horas incertas
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber,
que você é meu amigo
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber
que eu tenho um grande amigo
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
DIA DE FESTA

Hoje é aniversário de uma daquelas pessoas que eu nem sei definir se é amiga, irmã ou se é parte de mim mesma: SABRINA.
Sabe quando você tem certeza absoluta de que sua vida seria menos alegre se esta pessoa não fizesse parte dela? Pois é.
Sá,
eu e Guigui fizemos esta foto com tanto carinho que ficamos até emocionada na hora. É só mais uma das muitas provas de que você está sempre nos nossos corações.
Que sua vida seja tão bonita quanto esse sorrisão que conquista todo mundo. Te amo.
Você é minha amiga de fé, minha irmã camarada,
amiga de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de mulher mas um coração de menina,
aquela que está ao meu lado
em qualquer caminhada
O seu coração é uma casa de portas abertas,
Amiga, você é a mais certa das horas incertas.
Às vezes em certos momentos difíceis da vida,
em que precisamosde alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força, de fé e de carinho,
me dá a certeza de que eu nunca estive sozinha.
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo,
mas é muito bom saber que você é minha amiga
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
QUANDO SE VIVE UM GRANDE AMOR

Uma amiga minha se formou em Letras recentemente e ela é daquelas que a gente sabe que vai ser uma excelente Professora. Fiquei tão feliz por ela, por esta conquista, este grande passo e principalmente pelo sentimento de realização que ela deve estar vivendo. Aí resolvi escrever sobre esse curso que causa tanto espanto e admiração:
Eu sempre gostei de escrever (e se você lê meu blog já sabe disso), então, a 1a faculdade que pensei em fazer foi Comunicação. Fiz 3 períodos e me sentia perdida: aquilo não era pra mim. Faltava algo, sei lá o quê. Na verdade, sei sim: em 1o lugar faltava quem ensinasse não só a mim, mas aos outros alunos a escrever direito. Era um tal de "pra mim fazer", "se eu ver você, eu chamo". E cada texto tão sofrível que dava vontade de denunciar ao MEC. Não a faculdade, que aceita qualquer um, mas o próprio aluno, que chegou ao 3o Grau e não sabe nem falar (muito menos escrever) Português. Pedi pra sair.
Por puro acaso, fui trabalhar com Comércio Exterior e comecei faculdade de Relações Internacionais. Bola fora de novo!
Um dia, acordei muito certa do que faltava na minha vida: meter a cara no mundo da Literatura. E fui fazer Letras.
Tantas pessoas torceram o nariz pra minha escolha. Uma pessoa chegou até a fazer o seguinte comentário "Você é tão inteligente pra estudar Letras". Eu juro que até esse tipo de comentário ouvi. Sem contar os "Vai morrer de fome". Mas não ligava, afinal, não pedi conselho pra ninguém, eu apenas segui meu coração. Ok, não é a maneira mais certa de se escolher uma profissão, mas... quem disse que aquela seria minha profissão? Emprego eu já tinha, salário bom eu já tinha. Eu queria era poder responder a pergunta: VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
Sem sombra de dúvidas, fui a melhor aluna da turma, não por ser inteligente, e sim por amar aquilo. Eu sabia que não seria Professora (não levo jeito) e aquele curso não era pra me profissionalizar e sim pra me realizar.
Exceto as matérias que me preparariam para ir para a sala de aula (Pedagogia, Estatística, Estágio etc), todas as outras eu estudava com o coração, com a alma. Várias vezes saí de sala chorando depois de analisar uma poesia que me tocava. Outras vezes algum Professor me falava "Aline, cuidado com tal autor: ele mexe muito com pessoas como você". E eu entendia o que ele queria dizer com "pessoas como você": pessoas que sabem que a Literatura (a arte, de uma forma em geral) deixa cicatrizes.
Quem sai impune de uma leitura de, por exemplo, Florbela Spanca. Li "A imitação da Rosa", da Clarice Lispector, e tatuei uma rosa vermelha na nuca: foi meu jeito de me lembrar para sempre da espécie de transe que fiquei por 2 ou 3 dias.
Gente, em qual outra faculdade eu viveria essas emoções? Essas catarses? Uma vez perguntei pra minha terapeuta se isso não era "coisa de maluco". Ela perguntou se me incomodava sentir tudo isso e eu disse que era uma sensação estranha e boa, na mesma medida. Até hoje não descobri se é coisa de maluco ou não, mas que me faz um bem danado, isso faz.
Sou a pessoa mais feliz do mundo quando digo "Sou formada em Letras", pois é como se eu dissesse: vivi um grande amor.
Viva seu grande amor. Seja no Estadão, se você for jornalista; seja na W Brasil, se você for publicitário, seja na Comlurb se você for gari; seja onde for, seja lá quem você é. Só não deixe de viver um amor por medo do que vem depois.
Eu sempre gostei de escrever (e se você lê meu blog já sabe disso), então, a 1a faculdade que pensei em fazer foi Comunicação. Fiz 3 períodos e me sentia perdida: aquilo não era pra mim. Faltava algo, sei lá o quê. Na verdade, sei sim: em 1o lugar faltava quem ensinasse não só a mim, mas aos outros alunos a escrever direito. Era um tal de "pra mim fazer", "se eu ver você, eu chamo". E cada texto tão sofrível que dava vontade de denunciar ao MEC. Não a faculdade, que aceita qualquer um, mas o próprio aluno, que chegou ao 3o Grau e não sabe nem falar (muito menos escrever) Português. Pedi pra sair.
Por puro acaso, fui trabalhar com Comércio Exterior e comecei faculdade de Relações Internacionais. Bola fora de novo!
Um dia, acordei muito certa do que faltava na minha vida: meter a cara no mundo da Literatura. E fui fazer Letras.
Tantas pessoas torceram o nariz pra minha escolha. Uma pessoa chegou até a fazer o seguinte comentário "Você é tão inteligente pra estudar Letras". Eu juro que até esse tipo de comentário ouvi. Sem contar os "Vai morrer de fome". Mas não ligava, afinal, não pedi conselho pra ninguém, eu apenas segui meu coração. Ok, não é a maneira mais certa de se escolher uma profissão, mas... quem disse que aquela seria minha profissão? Emprego eu já tinha, salário bom eu já tinha. Eu queria era poder responder a pergunta: VOCÊ TEM FOME DE QUÊ?
Sem sombra de dúvidas, fui a melhor aluna da turma, não por ser inteligente, e sim por amar aquilo. Eu sabia que não seria Professora (não levo jeito) e aquele curso não era pra me profissionalizar e sim pra me realizar.
Exceto as matérias que me preparariam para ir para a sala de aula (Pedagogia, Estatística, Estágio etc), todas as outras eu estudava com o coração, com a alma. Várias vezes saí de sala chorando depois de analisar uma poesia que me tocava. Outras vezes algum Professor me falava "Aline, cuidado com tal autor: ele mexe muito com pessoas como você". E eu entendia o que ele queria dizer com "pessoas como você": pessoas que sabem que a Literatura (a arte, de uma forma em geral) deixa cicatrizes.
Quem sai impune de uma leitura de, por exemplo, Florbela Spanca. Li "A imitação da Rosa", da Clarice Lispector, e tatuei uma rosa vermelha na nuca: foi meu jeito de me lembrar para sempre da espécie de transe que fiquei por 2 ou 3 dias.
Gente, em qual outra faculdade eu viveria essas emoções? Essas catarses? Uma vez perguntei pra minha terapeuta se isso não era "coisa de maluco". Ela perguntou se me incomodava sentir tudo isso e eu disse que era uma sensação estranha e boa, na mesma medida. Até hoje não descobri se é coisa de maluco ou não, mas que me faz um bem danado, isso faz.
Sou a pessoa mais feliz do mundo quando digo "Sou formada em Letras", pois é como se eu dissesse: vivi um grande amor.
Viva seu grande amor. Seja no Estadão, se você for jornalista; seja na W Brasil, se você for publicitário, seja na Comlurb se você for gari; seja onde for, seja lá quem você é. Só não deixe de viver um amor por medo do que vem depois.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
DIA DO MESTRE
Hoje meu coração está em festa: passarei o dia inteirinho mandando beijos aos meus eternos professores.
Fica registrada aqui minha admiração e gratidão à Tia Marina e Tereza (Literatura), Adélia (Português), Maurício (Inglês), Marita e Copinho (História) e Pedro Macário (Oficina de texto). E também àqueles que não me deram aula mas me ensinaram muito: minha avó Cininha e a querida leitora Mônica.
Sou uma eterna apaixonada pelo assunto EDUCAÇÃO e por isso valorizo tanto estes Mestres que passaram por meu caminho e me fizeram uma pessoa um pouco mais culta.
Fica registrada aqui minha admiração e gratidão à Tia Marina e Tereza (Literatura), Adélia (Português), Maurício (Inglês), Marita e Copinho (História) e Pedro Macário (Oficina de texto). E também àqueles que não me deram aula mas me ensinaram muito: minha avó Cininha e a querida leitora Mônica.
Sou uma eterna apaixonada pelo assunto EDUCAÇÃO e por isso valorizo tanto estes Mestres que passaram por meu caminho e me fizeram uma pessoa um pouco mais culta.
terça-feira, 12 de outubro de 2010
DIA DE FESTA II: ANIVERSÁRIO DA MINHA IRMÃ
Hoje, além de ser Dia de Nossa Senhora Aparecida, é também aniversário da minha amada irmã Gisele. Nada que eu escrevesse diria metade do amor e admiração por ela. Por isso, mais uma vez, recorro a uma canção do Rei Roberto Carlos, porque nem mesmo o céu ou as estrelas, nem o mar ou o infinito é maior que meu amor, nem mais bonito. Gi, te amo pra sempre e mais um dia.
DIA DE FESTA: SALVE NOSSA SENHORA APARECIDA
Senhora Aparecida, eu renovo, neste momento a minha consagração.Eu vos consagro os meus trabalhos, sofrimentos e alegrias, o meu corpo, a minha alma e toda a minha vida. Eu vos consagro a minha família! Ó Senhora Aparecida, livrai-nos de todo o mal, das doenças e do pecado. Abençoai as nossas famílias, os doentes, as criancinhas. Abençoai a Santa Igreja, o Papa e os bispos, os sacerdotes e ministros, religiosos e leigos. Abençoai a nossa paróquia, o nosso pároco. Senhora Aparecida, lembrai-vos que sois Padroeira poderosa da nossa Pátria! Abençoai o nosso governo. Abençoai, protegei, salvai o vosso Brasil! E dai-nos a vossa bênção.
domingo, 12 de setembro de 2010
ANIVERSÁRIO DA MULHER DA MINHA VIDA
Mãe, na falta de palavras mais exatas, recorro à poesia do Rei Roberto. Te amo.
Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você
Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
E me conte uma história bonita
E me faça dormir
Só queria ouvir sua voz
Me dizendo sorrindo
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino
Apesar de distância e do tempo
Eu não posso esconder
Tudo isso eu às vezes preciso escutar de você
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Quantas vezes me sinto perdido
No meio da noite
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem
Me afagando os cabelos
Você certamente diria
Amanhã de manhã você vai se sair muito bem
Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição
Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado, eu sorria
E, nas horas difíceis
Podia apertar sua mão
Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conta uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura
Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
Muito embora você sempre acha que eu ainda sou
Toda vez que eu te abraço e te beijo
Sem nada dizer
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você...
domingo, 8 de agosto de 2010
amigos

Não fui à Flip deste ano. Senti falta da injeção de magia que esta Feira Literária me dá anualmente. Estou estudando para um concurso público e, caso seja aprovada, terei estabilidade financeira e viverei a burocracia do serviço público diariamente. Tenho medo de perder-me de mim mesma e ser engolida pelo trabalho mecânico. Mas isso é outro assunto.
Hoje vim aqui para registrar que me recuso a morrer de tédio dentre as apostilas de Direito Constitucional ou Legislação e esqueci, por uma tarde inteira, do mundo e suas exigências: reli meus poetas e escritores amados.
Diante de um texto (do Affonso Romano de Santana, comigo na foto), senti uma vontade imensa de dar um abraço na minha amiga de infância, Glícia, uma vocacionada à amizade.Hoje vim aqui para registrar que me recuso a morrer de tédio dentre as apostilas de Direito Constitucional ou Legislação e esqueci, por uma tarde inteira, do mundo e suas exigências: reli meus poetas e escritores amados.
DELICADAS, AS AMIZADES
- Affonso Romano de Santanna
"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"
"Quanto de verdade suporta um amigo?"
"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
Mas amizade, convenhamos, é coisa humanamente frágil. E a gente pensa que ela está aí para sempre. Mas não tem a durabilidade centenária das sequoias, que ficam se alongando e nos ofertando sombra acima de tudo. Às vezes, as amizades são essas orquídeas, carentes de um tronco alheio onde se alimentar e florescer.- Affonso Romano de Santanna
"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"
"Quanto de verdade suporta um amigo?"
"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
A gente pensa que amizade é coisa só de seres humanos. Não é. Os animais curtem amizades; alguns, o amor, e outros chegam à paixão extrema por seus donos. E, no entanto, amigos, alguns cães se mordem, quase se arrancam as orelhas num ou noutro embate, às vezes por uma cadela no cio, às vezes por nada.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.
O homem da minha vida. Ou O MELHOR PAI DO MUNDO É MEU
Hoje é Dia dos Pais registro aqui minha homenagem a todos aqueles que sabem ser pais de verdade. Costumo dizer que meço o caráter de um homem pelo amor e dedicação aos seus filhos. E, sempre que posso, aconselho: seja um pai presente e você vai ver o quanto isso compensa.
Acho mesmo que uma pessoa que tem um bom pai tem mais chances de ser feliz.
Eu tenho o pai que toda pessoa merecia ter. Seria bom se você pudesse ser, por um dia ao menos, filho/ filha dele. Pai-amigo, pai-pai, pai-filho, Pai. Com todos os significados que cabem dentro desta palavra.
Poderia ficar horas falando sobre como ele é bom, carinhoso, mas pensar nele me emociona e olha o resultado: já estou com os olhos cheios d´agua. Então, o melhor a fazer é transcrever a letra de uma das músicas que está no CD que dei de presente pra ele certa vez. A canção diz quase tudo.
"Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esta canção
Fiz bem mais pela beleza
de um senhor com uma grandeza
além da imaginação.
Não é porque ele é meu pai
Que eu o exalto tanto assim.
É que pela minha idade
esse anjo de bondade
Ainda cuida bem de mim:
Me aconselha a todo instante,
Me dá carinho, dá amor
Ele é um raro diamante
de indiscutível valor
É meu amigo do peito e
Eu tenho orgulho de falar:
Esse homem tão direito
Diplomado em respeito
É um exemplo em nosso lar.
Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esses versos
É que ele se sobressai
Entre os pais do Universo.
Queria ser mais que um poeta
Nessa rima que se encerra
E essa canção ser um troféu,
Pois pra mim é Deus no céu
E o meu pai aqui na Terra."
Cléber de Oliveira Mello, meu pai. Meu amor. Meu amigo. Meu tudo na vida.
Serei sempre sua filhinha, menina carente e indefesa que, mesmo sendo já uma mulher, uma batalhadora, ainda precisa do seu abraço e seu colo.
Acho mesmo que uma pessoa que tem um bom pai tem mais chances de ser feliz.
Eu tenho o pai que toda pessoa merecia ter. Seria bom se você pudesse ser, por um dia ao menos, filho/ filha dele. Pai-amigo, pai-pai, pai-filho, Pai. Com todos os significados que cabem dentro desta palavra.
Poderia ficar horas falando sobre como ele é bom, carinhoso, mas pensar nele me emociona e olha o resultado: já estou com os olhos cheios d´agua. Então, o melhor a fazer é transcrever a letra de uma das músicas que está no CD que dei de presente pra ele certa vez. A canção diz quase tudo.
"Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esta canção
Fiz bem mais pela beleza
de um senhor com uma grandeza
além da imaginação.
Não é porque ele é meu pai
Que eu o exalto tanto assim.
É que pela minha idade
esse anjo de bondade
Ainda cuida bem de mim:
Me aconselha a todo instante,
Me dá carinho, dá amor
Ele é um raro diamante
de indiscutível valor
É meu amigo do peito e
Eu tenho orgulho de falar:
Esse homem tão direito
Diplomado em respeito
É um exemplo em nosso lar.
Não é porque ele é meu pai
Que eu escrevi esses versos
É que ele se sobressai
Entre os pais do Universo.
Queria ser mais que um poeta
Nessa rima que se encerra
E essa canção ser um troféu,
Pois pra mim é Deus no céu
E o meu pai aqui na Terra."
Cléber de Oliveira Mello, meu pai. Meu amor. Meu amigo. Meu tudo na vida.
Serei sempre sua filhinha, menina carente e indefesa que, mesmo sendo já uma mulher, uma batalhadora, ainda precisa do seu abraço e seu colo.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Heranças
Gosto de escrever isso é óbvio, caso contrário não teria criado este espacinho aqui. Às vezes me perguntam de quem "herdei" este dom. A resposta está sempre na ponta da língua: tenho escritores na minha família.
Na verdade, a gente é uma soma de nossos ancestrais. De um herdamos o jeito de pensar, de agir, o gosto por isso ou por aquilo. De outro, herdamos o formato dos olhos, a altura e por aí vai.
No meu caso, herdei muitos aspectos físicos da família do meu paizinho: o tipo de corpo, os olhos, a pele branquinha, o nariz e até os precoces cabelos brancos. E se Deus me ajudar, hei de ter o gene que faz a pele da minha avó e das minhas tias paternas. Pele que só conhece rugas depois dos 70 anos. Colágeno puro! Coisa de matar de inveja.
Mas a ligação com a escrita vem tanto do lado paterno quanto do materno. Pra ser mais exata, o que eu trago das duas famílias é o hábito da leitura. Afinal, só escreve bem quem lê. Bons autores e bastante. No meu caso, ler despertou a vontade de escrever. E como pretendo escrever melhor, procuro sempre ler.
Na hora de escolher o que cursar na faculdade, sempre tive em mente fazer Letras. Por curiosidades do destino, tentei outros três cursos antes de, finalmente, estudar o que sempre desejei. Entrei primeiro no curso de Comércio Exterior. Adorava toda a parte teórica (política, sociologia e Inglês), mas chorava nas aulas de Matemática Financeira. Desisti porque não era minha praia. Fui cursar Comunicação, crente que estava no caminho certo, mas, apesar de escrever bastante, sentia falta da teoria do "bem escrever" e me desiludi com alguns professores que maltratavam nossa Língua (pecado sem perdão pra mim). Depois fiz 1 semana de Administração de Empresas. Não me pergunte o motivo. Deve ter sido algum chá de cogumelo que tomei sem saber.
Finalmente, em 2001, ingressei na Faculdade de Letras. Sabe quando você para e pensa "é isso"? Pois é, eu pensei assim mesmo: é disso o que eu preciso. Fiz Português-Literatura, pois já falava um Inglês e o fato de ter contato com as teorias da Literatura me fascinava.
Mas minha ligação com a escrita vem desde sempre. Minha mãe conta que eu escrevia "livros" toda semana. No colégio sempre participava de concurso de Redação (e ficava bem colocada). Aliás, minha amada professora de Português, Adélia, até hoje guarda redações que eu escrevia.
Como morava em Paraty, cidade pequena, todas as professoras sabiam que eu era sobrinha de uma professora de Português e de Literatura que até hoje é muito querida, tanto por sua doçura quanto por sua capacidade de transformar o fato mais bobo, mais cotidiano (como diria Bandeira), em um conto, em uma crônica ou um poema de arrepiar qualquer um. Infelizmente não tive aulas com ela. Bem, não tive aula com ela no colégio, porque conversar sobre o livro que ela está lendo é melhor do que muita aula que já tive com professores de Universidade. O nome dela é Marina. A minha Tia Marina, minha Dinda Marina, a primeira poeta que conheci. Nasceu poeta, segundo minha mãe conta.
Lá em Paraty todos sabiam também que eu era neta de uma outra professora muito querida e respeitada, a Dona Cininha. Pra mim, Vovó Cininha.
Dizem que eu não tinha como fugir da paixão pelos livros e pelas letras, uma vez que carrego (pelo menos eu torço pra caramba pra isso) os gens dessas mulheres que parecem amigas das palavras. Se você ouvisse um discurso da Vovó Cininha ou da Dinda Marina você saberia o porquê de eu torcer para a genética falar alto. Claro que rola um medinho das comparações, mas como sempre digo, não me levo muito a sério e não escrevo para os outros, escrevo principalmente para mim.
Pois bem, formei-me em Letras, embora certa de que não iria seguir os passos delas, que exerceram uma das profissões que mais admiro : o magistério. Nunca me senti preparada para ir para a sala de aula. Cursei Letras por uma necessidade quase física mesmo. Foi por pura realização pessoal que ralei cinco anos estudando. Realizei um sonho e tenho orgulho de dizer qual minha formação.
Há uns dois anos fiz uma montagem de duas fotografias: a do 1a dia de aula, no Pré-Escolar (nem existe mais isso) e a famosa foto de Beca. Ficou um trabalho legal e achei que minha avó iria gostar de tê-la. Mandei pra ela com um bilhete.
Gente, a velha chorou, vocês não tem noção do quanto. O mais engraçado é que dias depois ela pediu pro meu pai fazer um quadro, não com a foto (que foi para um lindo portarretrato), mas com o bilhete. Eu já sabia disso: me saio melhor com as palavras do que nas fotografias. Mas quem quer ser bonita quando é capaz de seduzir com a escrita? Brincadeiras à parte, achei curioso aquilo e perguntei o porquê "É que você me homenageou de uma forma tão bonita que senti vontade que todos que entrassem na minha casa lessem aquilo. Queria que vissem como você escreve bem e como, de uma certa forma, eu a influenciei" foi a resposta da Vovó Cininha. Não somos, definitivamente, humildes nessa família.
Meses depois, Vovó Cininha escreveu suas memórias num livro. Falou sobre algumas histórias da família, colocou fotos dos pais, dos irmãos e assim registrou mais de 80 anos de lembranças, ainda fresquinhas.
Quando peguei o meu exemplar, fiquei uns 5 minutos sem saber o que dizer. Foi emoção pura: minha avó transformou o presente que dei a ela numa homenagem a mim. Ela diz que a homenageada foi ela, mas eu bato o pé e digo que fui eu.
Como também herdei dela a personalidade forte, que defende seu ponto de vista mesmo que o mundo prove que é o oposto, combinamos de não falar mais no assunto. E num longo e afetuoso abraço nos agradecemos mutuamente uma à outra.
PS: Meus pais não são assim, como dizer?, muito chegados a livros. Mas foram meus maiores incentivadores. Minha mãe tem um orgulho danado de dizer que em vez de comprar o lanche na escola, eu comprava gibis da Turma da Mônica. Já o meu pai comprava todas as coleções de livros infantis que ele visse. E também me dava dinheiro para comprar mais gibis.
CAPA DO LIVRO DA VOVÓ CININHA

COMENTÁRIO DA MINHA AVÓ SOBRE O BILHETE QUE ESCREVI

HOMENAGEM DA NETA PARA A AVÓ E DA AVÓ PARA A NETA

Na verdade, a gente é uma soma de nossos ancestrais. De um herdamos o jeito de pensar, de agir, o gosto por isso ou por aquilo. De outro, herdamos o formato dos olhos, a altura e por aí vai.
No meu caso, herdei muitos aspectos físicos da família do meu paizinho: o tipo de corpo, os olhos, a pele branquinha, o nariz e até os precoces cabelos brancos. E se Deus me ajudar, hei de ter o gene que faz a pele da minha avó e das minhas tias paternas. Pele que só conhece rugas depois dos 70 anos. Colágeno puro! Coisa de matar de inveja.
Mas a ligação com a escrita vem tanto do lado paterno quanto do materno. Pra ser mais exata, o que eu trago das duas famílias é o hábito da leitura. Afinal, só escreve bem quem lê. Bons autores e bastante. No meu caso, ler despertou a vontade de escrever. E como pretendo escrever melhor, procuro sempre ler.
Na hora de escolher o que cursar na faculdade, sempre tive em mente fazer Letras. Por curiosidades do destino, tentei outros três cursos antes de, finalmente, estudar o que sempre desejei. Entrei primeiro no curso de Comércio Exterior. Adorava toda a parte teórica (política, sociologia e Inglês), mas chorava nas aulas de Matemática Financeira. Desisti porque não era minha praia. Fui cursar Comunicação, crente que estava no caminho certo, mas, apesar de escrever bastante, sentia falta da teoria do "bem escrever" e me desiludi com alguns professores que maltratavam nossa Língua (pecado sem perdão pra mim). Depois fiz 1 semana de Administração de Empresas. Não me pergunte o motivo. Deve ter sido algum chá de cogumelo que tomei sem saber.
Finalmente, em 2001, ingressei na Faculdade de Letras. Sabe quando você para e pensa "é isso"? Pois é, eu pensei assim mesmo: é disso o que eu preciso. Fiz Português-Literatura, pois já falava um Inglês e o fato de ter contato com as teorias da Literatura me fascinava.
Mas minha ligação com a escrita vem desde sempre. Minha mãe conta que eu escrevia "livros" toda semana. No colégio sempre participava de concurso de Redação (e ficava bem colocada). Aliás, minha amada professora de Português, Adélia, até hoje guarda redações que eu escrevia.
Como morava em Paraty, cidade pequena, todas as professoras sabiam que eu era sobrinha de uma professora de Português e de Literatura que até hoje é muito querida, tanto por sua doçura quanto por sua capacidade de transformar o fato mais bobo, mais cotidiano (como diria Bandeira), em um conto, em uma crônica ou um poema de arrepiar qualquer um. Infelizmente não tive aulas com ela. Bem, não tive aula com ela no colégio, porque conversar sobre o livro que ela está lendo é melhor do que muita aula que já tive com professores de Universidade. O nome dela é Marina. A minha Tia Marina, minha Dinda Marina, a primeira poeta que conheci. Nasceu poeta, segundo minha mãe conta.
Lá em Paraty todos sabiam também que eu era neta de uma outra professora muito querida e respeitada, a Dona Cininha. Pra mim, Vovó Cininha.
Dizem que eu não tinha como fugir da paixão pelos livros e pelas letras, uma vez que carrego (pelo menos eu torço pra caramba pra isso) os gens dessas mulheres que parecem amigas das palavras. Se você ouvisse um discurso da Vovó Cininha ou da Dinda Marina você saberia o porquê de eu torcer para a genética falar alto. Claro que rola um medinho das comparações, mas como sempre digo, não me levo muito a sério e não escrevo para os outros, escrevo principalmente para mim.
Pois bem, formei-me em Letras, embora certa de que não iria seguir os passos delas, que exerceram uma das profissões que mais admiro : o magistério. Nunca me senti preparada para ir para a sala de aula. Cursei Letras por uma necessidade quase física mesmo. Foi por pura realização pessoal que ralei cinco anos estudando. Realizei um sonho e tenho orgulho de dizer qual minha formação.
Há uns dois anos fiz uma montagem de duas fotografias: a do 1a dia de aula, no Pré-Escolar (nem existe mais isso) e a famosa foto de Beca. Ficou um trabalho legal e achei que minha avó iria gostar de tê-la. Mandei pra ela com um bilhete.
Gente, a velha chorou, vocês não tem noção do quanto. O mais engraçado é que dias depois ela pediu pro meu pai fazer um quadro, não com a foto (que foi para um lindo portarretrato), mas com o bilhete. Eu já sabia disso: me saio melhor com as palavras do que nas fotografias. Mas quem quer ser bonita quando é capaz de seduzir com a escrita? Brincadeiras à parte, achei curioso aquilo e perguntei o porquê "É que você me homenageou de uma forma tão bonita que senti vontade que todos que entrassem na minha casa lessem aquilo. Queria que vissem como você escreve bem e como, de uma certa forma, eu a influenciei" foi a resposta da Vovó Cininha. Não somos, definitivamente, humildes nessa família.
Meses depois, Vovó Cininha escreveu suas memórias num livro. Falou sobre algumas histórias da família, colocou fotos dos pais, dos irmãos e assim registrou mais de 80 anos de lembranças, ainda fresquinhas.
Quando peguei o meu exemplar, fiquei uns 5 minutos sem saber o que dizer. Foi emoção pura: minha avó transformou o presente que dei a ela numa homenagem a mim. Ela diz que a homenageada foi ela, mas eu bato o pé e digo que fui eu.
Como também herdei dela a personalidade forte, que defende seu ponto de vista mesmo que o mundo prove que é o oposto, combinamos de não falar mais no assunto. E num longo e afetuoso abraço nos agradecemos mutuamente uma à outra.
PS: Meus pais não são assim, como dizer?, muito chegados a livros. Mas foram meus maiores incentivadores. Minha mãe tem um orgulho danado de dizer que em vez de comprar o lanche na escola, eu comprava gibis da Turma da Mônica. Já o meu pai comprava todas as coleções de livros infantis que ele visse. E também me dava dinheiro para comprar mais gibis.
CAPA DO LIVRO DA VOVÓ CININHA

COMENTÁRIO DA MINHA AVÓ SOBRE O BILHETE QUE ESCREVI

HOMENAGEM DA NETA PARA A AVÓ E DA AVÓ PARA A NETA

quarta-feira, 21 de abril de 2010
"Por que você escreve essas coisas?" ou PARA A MÔNICA, COM CARINHO
Um dia me perguntaram o que me levou a escrever um blog. Não soube responder, confesso.
Aí pensei que era só mais uma das coisas estranhas que faço todo dia, a vida toda. Mais uma esquisitice minha.
Meu senso crítico feroz sugeriu que eu parasse de escrever e de perder tempo. Meu lado que não tá nem aí para o que pensam falou que, se eu já perco tempo com tanta coisa, por que não perder com uma coisa que me dá prazer?
Escrevo desde muito novinha, desde que fui alfabetizada. Escrevia estorinha em quadrinhos, bilhetinhos para meus pais, redações na escola. Depois passei a participar de todo e qualquer concurso de redação ou frases. Fosse sobre o que fosse. Lembro até de ter mandado uma frase para a Revista Capricho sobre o filme "Dicky Trace" . Ganhei LP do filme, meia com a personagem do filme, adesivo do filme, enfim, uma festa. Foi a premiação que mais marcou, afinal, eu não vi o filme. Mas eu sempre ganhava alguma coisinha nos concursos.
Depois que eu cresci, fiquei muito mais crítica comigo e, embora saiba que escrevo de um jeito legal, tenho consciência de que não sou nada excepcional. Só que isso não me tira o gosto. Claro que eu adoraria ser uma escritora ótima, acrescentar algo à nossa literatura que anda tão pobre. Mas honestamente falando, o que eu escrevo é o que a maioria das mulheres da minha idade gostariam de escrever. Ou seja, não há nada de novo em meus textos. E não vejo contribuição literária neste aspecto. Sim, sou exigente pra caramba comigo mesma.
Hoje eu responderia à tal pergunta "Por que você escreve essas coisas?" com duas respostas. A primeira é "Porque eu gosto de escrever". A segunda resposta seria "de que outra maneira eu tocaria tão fundo o coração de uma pessoa senão através da escrita? De que outra forma eu receberia um carinho tão grande senão através da escrita?".
Exagero? Juro que eu também achava que meu texto nunca tocaria o coração de ninguém. Pois a Mônica Paiva foi bem mais sensível.
Eis o que ela escreveu pra mim.
"Aline,
Voce é o meu intervalo das leituras dos livros. Agora estou uma comilona de livros (...)
Eu sempre adorei escrever: respondia e escrevia para 50 ex amigas, na epoca de Natal. Fazia curso , passeava de excursão e assim que tinha uma brecha escrevia. E era uma decepção porque em 50 tinha resposta de tres. Mas não desanimava e no outro Natal fazia a mesma coisa.
(...)
Seu blog me encantou. É como se voce fosse a minha outra irmãzinha. Tenho quatro encantadoras irmãs. Torço por voce como torço pela felicidade delas. (...)
Internet é descoberta de um ano. E voce me respodendo é a melhor coisa do mundo.São as cartas que me eram devolvidas e que agora as recebo aos montes atraves de seus textos.
Desculpe as vezes que não entendo mas escrevo assim mesmo, só para ter o gostinho de saber que será lido.
Voce é minha amiga. E nos meus terços já a acrescento (...) Pois rezo o terço todo dia e em cada ave maria coloco uma de minha familia. Começo pelo meus irmãos, sobrinhos, cunhadas e cunhados. Voce já está incluida como uma cunhadinha, mesmo não tendo outro irmão para casá-la.
Depois é que vem minhas primas.
Desculpe ter escrito tanto.
Com carinho, Monica"
Aí pensei que era só mais uma das coisas estranhas que faço todo dia, a vida toda. Mais uma esquisitice minha.
Meu senso crítico feroz sugeriu que eu parasse de escrever e de perder tempo. Meu lado que não tá nem aí para o que pensam falou que, se eu já perco tempo com tanta coisa, por que não perder com uma coisa que me dá prazer?
Escrevo desde muito novinha, desde que fui alfabetizada. Escrevia estorinha em quadrinhos, bilhetinhos para meus pais, redações na escola. Depois passei a participar de todo e qualquer concurso de redação ou frases. Fosse sobre o que fosse. Lembro até de ter mandado uma frase para a Revista Capricho sobre o filme "Dicky Trace" . Ganhei LP do filme, meia com a personagem do filme, adesivo do filme, enfim, uma festa. Foi a premiação que mais marcou, afinal, eu não vi o filme. Mas eu sempre ganhava alguma coisinha nos concursos.
Depois que eu cresci, fiquei muito mais crítica comigo e, embora saiba que escrevo de um jeito legal, tenho consciência de que não sou nada excepcional. Só que isso não me tira o gosto. Claro que eu adoraria ser uma escritora ótima, acrescentar algo à nossa literatura que anda tão pobre. Mas honestamente falando, o que eu escrevo é o que a maioria das mulheres da minha idade gostariam de escrever. Ou seja, não há nada de novo em meus textos. E não vejo contribuição literária neste aspecto. Sim, sou exigente pra caramba comigo mesma.
Hoje eu responderia à tal pergunta "Por que você escreve essas coisas?" com duas respostas. A primeira é "Porque eu gosto de escrever". A segunda resposta seria "de que outra maneira eu tocaria tão fundo o coração de uma pessoa senão através da escrita? De que outra forma eu receberia um carinho tão grande senão através da escrita?".
Exagero? Juro que eu também achava que meu texto nunca tocaria o coração de ninguém. Pois a Mônica Paiva foi bem mais sensível.
Eis o que ela escreveu pra mim.
"Aline,
Voce é o meu intervalo das leituras dos livros. Agora estou uma comilona de livros (...)
Eu sempre adorei escrever: respondia e escrevia para 50 ex amigas, na epoca de Natal. Fazia curso , passeava de excursão e assim que tinha uma brecha escrevia. E era uma decepção porque em 50 tinha resposta de tres. Mas não desanimava e no outro Natal fazia a mesma coisa.
(...)
Seu blog me encantou. É como se voce fosse a minha outra irmãzinha. Tenho quatro encantadoras irmãs. Torço por voce como torço pela felicidade delas. (...)
Internet é descoberta de um ano. E voce me respodendo é a melhor coisa do mundo.São as cartas que me eram devolvidas e que agora as recebo aos montes atraves de seus textos.
Desculpe as vezes que não entendo mas escrevo assim mesmo, só para ter o gostinho de saber que será lido.
Voce é minha amiga. E nos meus terços já a acrescento (...) Pois rezo o terço todo dia e em cada ave maria coloco uma de minha familia. Começo pelo meus irmãos, sobrinhos, cunhadas e cunhados. Voce já está incluida como uma cunhadinha, mesmo não tendo outro irmão para casá-la.
Depois é que vem minhas primas.
Desculpe ter escrito tanto.
Com carinho, Monica"
domingo, 28 de fevereiro de 2010
A BELA ADORMECIDA/ Jose Kleber*
Quando a sonhar me vejo na cidade
A bela adormecida ao pé do mar
E bebo a tarde e sinto a madrugada
E a noite de permeio é só luar.
É sol e mar, é praia e serenata
São pedras ladrilhando a minha rua
O mar passeia solitário na calçada
Espelhando a lua cheia
nos beirais e nas sacadas!
Vida! Como é boa para a gente viver
Amo! Como é bom a gente amar aqui
Na praça, no cais, na praia...
Tudo isso é Paraty É Paraty, é Paraty
* Zé Kléber , poeta, ator e paratiense ilustre
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
2a-feira de Carnaval
Tem gente que reclama de tudo. E tem gente que sabe, de verdade, viver essa coisa chamada vida. Prefiro esse segundo tipo.
E hoje vou falar de um cara assim. O nome dele é Norival Rubem de Oliveira, 82 anos, 12 filhos e muitos, muitos netos e alguns bisnetos. Para mim, desde criança, ele é a perfeita representação de pessoa alegre, festeira, acolhedora. Ele é irmão da minha avó, portanto, meu tio avô. Ou simplesmente, o tio Val.
Quando meu avô morreu, o tio Val virou uma espécie de pai do meu pai e dos meus tios. Minha avó sempre falou em como ele foi presente na criação dos sobrinhos. Aliás, minha avó fala dele sempre. E sempre com carinho e admiração.
Tio Val é daqueles caras que olhamos e pensamos "como eu queria ter metade da força e do alto astral desse cara".
Sua história de vida renderia lágrimas aos pessimistas e admiração aos que sabem que temos mais é que passar por cima dos obstáculos. A vida tem pressa, é preciso viver.
Enquanto escrevo essas linhas, percebo um descuido: os verbos estão quase todos no presente, embora Tio Val tenha nos deixado esta madrugada. Sete meses exatos depois de minha avó.
Hoje é 2a-feira de Carnaval. E uma das pessoas mais festeiras que conheço se despediu da gente. Poderia ser um outro Carnaval com lágrimas e coração apertado de dor, mas desconfio que ele prefere que ninguém chore.
E hoje vou falar de um cara assim. O nome dele é Norival Rubem de Oliveira, 82 anos, 12 filhos e muitos, muitos netos e alguns bisnetos. Para mim, desde criança, ele é a perfeita representação de pessoa alegre, festeira, acolhedora. Ele é irmão da minha avó, portanto, meu tio avô. Ou simplesmente, o tio Val.
Quando meu avô morreu, o tio Val virou uma espécie de pai do meu pai e dos meus tios. Minha avó sempre falou em como ele foi presente na criação dos sobrinhos. Aliás, minha avó fala dele sempre. E sempre com carinho e admiração.
Tio Val é daqueles caras que olhamos e pensamos "como eu queria ter metade da força e do alto astral desse cara".
Sua história de vida renderia lágrimas aos pessimistas e admiração aos que sabem que temos mais é que passar por cima dos obstáculos. A vida tem pressa, é preciso viver.
Enquanto escrevo essas linhas, percebo um descuido: os verbos estão quase todos no presente, embora Tio Val tenha nos deixado esta madrugada. Sete meses exatos depois de minha avó.
Hoje é 2a-feira de Carnaval. E uma das pessoas mais festeiras que conheço se despediu da gente. Poderia ser um outro Carnaval com lágrimas e coração apertado de dor, mas desconfio que ele prefere que ninguém chore.
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
HOMENAGEM E CONFISSÃO
Hoje, Dia do Professor, acordei pensando nas professoras importantes da minha vida: Adélia Oliveira, minha eterna professora de Português. Posso dizer que ela é a grande responsável por eu ter trilhado o caminho que me trouxe aqui a este blog. Ela despertou em mim a vontade de aprender a escrever bem, a gostar de um bom texto.
Outra professora que me ensina até hoje é minha amada tia Marina. Só quem a conhece pode entender a emoção que é ter ter uma aula de Literatura ministrada por ela. Ouvi-la declamar um poema é emoção na certa. O engraçado é que nunca fui aluna ("aluna oficial", registrada no Livro Diário e tal) dela. Mas sempre aprendi muito com suas explicações "informais".
Tanto a tia Marina quanto a Adélia são daquelas pessoas que já nasceram professoras. Sei lá, tem gente que já nasce sendo o que vai ser, que sempre foi o que é hoje.
Eu amava ter aulas particulares de Português com minha tia. Absolutamente tudo sob sua explicação ficava mais leve, mais agradável, ganhava sentido. Tenho tanto orgulho de sermos, nós duas, formadas em Letras / Português-Literatura.
Embora minha formação acadêmica tenha me preparado para dar aulas, nunca me senti capaz de encarar uma turma de alunos. Pra mim, ser professora é algo digno de reverência, de admiração e nunca me senti preparada para isso. É que quando eu penso em um bom professor, lembro dessas duas das quais falei.
Quando fiz cursinho pré-vestibular, a Tereza me fez ter a certeza de que eu queria trilhar o caminho da Literatura. Ela hipnotizava uma turma de 40 adolescentes inquietos e todos nós ficávamos atentos, reverenciosos, às suas palavras.
Hoje é o Dia do Professor. E hoje faz 3 meses que uma das mais respeitadas professoras da minha doce Paraty se foi. Minha avó, a Vovó Cininha. Professora de tantos pais de amigos meus, de tantos paratienses... Aposentada há muitos e muitos anos, nunca deixou de ser uma educadora. E com ela aprendi ter opinião, caráter e prezar pela minha família. Dizem que herdei a oratória dela também. Talvez o DNA explique a facilidade que tenho em falar em público.
Meu diploma está guardado numa gaveta qualquer e, talvez, nunca saia de lá. Mas sinto muito orgulho por ter sido uma boa aluna e ter aprendido ótimas lições, nem sempre acadêmicas. Muitas delas me servem para a vida.
Hoje, no Dia do Mestre, este profissional tão desvalorizado por muitos, rendo minha homenagem e manifesto minha imensa gratidão pelas Marinas, Adélias, Cininhas, Terezas.
Outra professora que me ensina até hoje é minha amada tia Marina. Só quem a conhece pode entender a emoção que é ter ter uma aula de Literatura ministrada por ela. Ouvi-la declamar um poema é emoção na certa. O engraçado é que nunca fui aluna ("aluna oficial", registrada no Livro Diário e tal) dela. Mas sempre aprendi muito com suas explicações "informais".
Tanto a tia Marina quanto a Adélia são daquelas pessoas que já nasceram professoras. Sei lá, tem gente que já nasce sendo o que vai ser, que sempre foi o que é hoje.
Eu amava ter aulas particulares de Português com minha tia. Absolutamente tudo sob sua explicação ficava mais leve, mais agradável, ganhava sentido. Tenho tanto orgulho de sermos, nós duas, formadas em Letras / Português-Literatura.
Embora minha formação acadêmica tenha me preparado para dar aulas, nunca me senti capaz de encarar uma turma de alunos. Pra mim, ser professora é algo digno de reverência, de admiração e nunca me senti preparada para isso. É que quando eu penso em um bom professor, lembro dessas duas das quais falei.
Quando fiz cursinho pré-vestibular, a Tereza me fez ter a certeza de que eu queria trilhar o caminho da Literatura. Ela hipnotizava uma turma de 40 adolescentes inquietos e todos nós ficávamos atentos, reverenciosos, às suas palavras.
Hoje é o Dia do Professor. E hoje faz 3 meses que uma das mais respeitadas professoras da minha doce Paraty se foi. Minha avó, a Vovó Cininha. Professora de tantos pais de amigos meus, de tantos paratienses... Aposentada há muitos e muitos anos, nunca deixou de ser uma educadora. E com ela aprendi ter opinião, caráter e prezar pela minha família. Dizem que herdei a oratória dela também. Talvez o DNA explique a facilidade que tenho em falar em público.
Meu diploma está guardado numa gaveta qualquer e, talvez, nunca saia de lá. Mas sinto muito orgulho por ter sido uma boa aluna e ter aprendido ótimas lições, nem sempre acadêmicas. Muitas delas me servem para a vida.
Hoje, no Dia do Mestre, este profissional tão desvalorizado por muitos, rendo minha homenagem e manifesto minha imensa gratidão pelas Marinas, Adélias, Cininhas, Terezas.
terça-feira, 15 de setembro de 2009
2 MESES DE SAUDADE
domingo, 9 de agosto de 2009
AOS MEUS LEONINOS QUERIDOS
E Agosto muitas pessoas queridas fazem aniversário. Então fica aqui um beijinho muito carinhoso aos leoninos que fazem parte da minha vida.
TEM ALGUM LEITOR AQU DESTE SIGNO? DEIXA SEU NOME E SUA DATA DE ANIVERSÁRIO.
TEM ALGUM LEITOR AQU DESTE SIGNO? DEIXA SEU NOME E SUA DATA DE ANIVERSÁRIO.
quarta-feira, 22 de julho de 2009
SOBRE ROSAS E LEMBRANÇAS
Queridos,estou sumida e vocês já devem saber o motivo. Além de estar um pouco sem tempo de escrever (por causa do trabalho), não quero ficar monotemática e só falar de saudade ou a coisas do tipo.
Ainda estou digerindo a perda e também ando meio preocupada com meus tios.
Vou falar um pouquinho sobre minha avó agora, mas pretendo que não vire um texto triste.
Vovó Cininha foi professora por muitos anos e nunca perdeu a pose e nem a maneira de falar dos professores de "antigamente" (aquela época em que esses profissionais eram respeitados, sabe?). A coroa fazia cada discurso (de improviso) que era brincadeira. Quem ouvia ficava babando com o que ela falava, com a facilidade de se comunicar.
Aprendi ser fã da minha avó com o tempo. É que ela era muito séria, muito reservada, meio fria até. E criança não gosta disso, né? Mas conforme fui crescendo, fui vendo que mulher inteligente, culta ela sempre foi. Passou por muito sacrifício na vida, mas sempre foi forte e digna.
Há uns 10 anos houve uma briga de família (afinal, só a bailarina não tem problema na família, né?) e eu me desentendi com minha tia . Claro que minha avó tomou as dores dela e ficou sem falar comigo (mãe é mãe). Mas de todos os muitos defeitos que tenho, guardar rancores não é um deles. Então, mesmo sem falar com minha tia ou com ela, nunca deixei de querer saber notícias. E muito menos as eliminei do meu coração.
Em 2004, liguei pra vovó Cininha. Senti uma necessidade imensa de voltar a ter contato com ela. É que sou muito apegada à família e minha sobrinha acabara de fazer 1 ano e eu queria ser um bom exemplo pra elazinha. Arh! Que exemplo horroroso eu seria se não falasse com minha avó, a matriarca.. Na minha cabeça passava a seguinte ideia: estou sendo hipócrita em falar que amo meu pai, afinal, estou há uns anos sem falar com a mãe dele. Estou sendo hipócrita em dizer que minha família é tudo pra mim, afinal estou sem falar com minha avó" Odeio hipocrisias e não tenho problemas em pedir desculpas. Então, numa noite de setembro, liguei pra ela. Disse o quanto ela era importante para mim e que qualquer mágoa era muito menor do que os laços que nos uniam. Além disso, herdei dela tantas características físicas... de certa forma, ao me olhar no espelho eu a veria sempre. Dona Cininha ficou feliz com isso, mas eu fiquei muito mais. Foi como se eu tivesse feito as pazes entre meus princípios e minhas atitudes.
Desde então eu sempre dava um jeitinho de fazer um agrado a ela, sendo que isso não tinha a nada a ver com ser melosa. Eram agrados "bobos", como imprimir uma poesia ou uma letra de música e mandar pelo correio, dar um telefonema. Coisinhas à toa, mas que a faziam se sentir querida.
Aos poucos me reaproximei da minha tia e vovó Cininha me falou que esse foi o maior presente que ela poderia receber. Lembro que falei assim "Vó, eu briguei com ela um dia. No outro dia já tinha passado. Assim como tenho você como exemplo de mulher forte, tenho ela como exemplo de tia que eu quero ser pras minhas sobrinhas".
Minha avó tinha 5 filhos e tenho relacionamentos diferentes com cada um deles. Meu padrinho é o mais velho e um dos com quem tenho mais afinidades. Ele mora em São Paulo há muitos anos mas não se desvituou: é Flamengo! E essa nossa paixão pelo mesmo time é uma das coisas que nos liga. Essa tia de quem já falei sempre foi aquela que dizia sim pra todos os sobrinhos. Era ela quem deixava a gente falar palavrão, comer fora de hora e essas coisas que "gente grande" não deixa. Quem tem uma tia assim sabe do que estou falando. Quem não tem deve esperar a próxima encarnação para saber como é bom.
Com os outros dois irmãos eu tenho um relacionamento normal, sem grandes afinidades ou diferenças. O elo entre eles 4 é meu pai: todos gostam muito dele. E isso me faz gostar de todos eles, afinal, tratou bem meu paizinho entrou logo no meu coração.
10 dias antes de morrer, ela me ligou. É que imprimi e encadei alguns textos que escrevi aqui e mandei pra ela, Queria que ela conhecesse um pouquinho das bobagens que escrevo, afinal, ela tinha tanto orgulho de dizer que sou formada em Letras... Olha, sem querer me gabar, Dona Cininha ficou com um orgulho danado de mim! Disse que já imaginava que eu escrevesse bem, mas que ficou surpresa com a qualidade dos textos. Aí me disse que os mostrava para todos que ia visitá-la. Pedi por favor que parasse de fazer isso, pois era uma coisa pra ela ler, pra passar o tempo. Mas vai convencer uma mulher de temperamento forte como o dela a fazer o que acha que é certo? Deve ter enchido a paciência de tanta gente ...
No enterro, falei umas palavras sobre ela. Nada que não soubessem , afinal, recebeu tantas homenagens em vida. Mas eu sei que ela gostaria de que um dos netos fizesse isso. Ela era uma mulher de discursos, de palavras. Desceu ao túmulo sob aplausos. E sei que era assim que ela gostaria de ser homenageada.
Ainda é estranho falar dela no passado. Mas fico feliz por tê-la tido como avó e sei que é preciso deixar que sua alma descanse.
A missa de Sétimo Dia foi hoje, na Igreja de Santa Rita, lá em Paraty. Não pude ir, mas o Jomar (sempre ele!) me mandou uma foto que me emocionou muito: no altar hávia várias flores brancas e uma única rosa vermelha. Retirada do jardim que ela cultivava com muito carinho.
Minha sobrinha Lara é apaixonada por rosas vermelhas. Eu tenho uma rosa, também, vermelha tatuada. Quem cultiva tantas boas lembranças nunca parte completamente, não é?
É isso. Foi por isso que andei sumidinha. Beijos.
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