"Decido eu mesma engendrar lendas e episódios que me são atribuídos. Sempre tendo como desculpa a condição de escritora, a quem é dado o privilégio de inventar sem sofrer sanções morais". - Nélida Pinon
sábado, 20 de agosto de 2011
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
CONTROL C/ CONTROL V
Há mais de um ano escrevi o texto abaixo, sobre "cópias" de textos meus. Hoje, mais uma vez, me deparei com situação parecida. Sou inteligente e sem vaidade o bastante para falar que muito do que escrevo sofre influência de autores a quem admiro. Mas influência é bem diferente de cópia, né? E cópia inclui mudar a ordem da frase, usar sinônimos e outros "truques baratos" para dar uma disfarçada e não confessar que rolou um "Control C/ Control V". À pergunta que já me intriga há tempos ("Qual a graça de ser uma mera copiadora de textos alheios?") acrescento: como se sente a pessoa que recebe o elogio por algo que ela não fez?
Dias desses encontrei um blog que é praticamente a cópia deste aqui. Vários textos são quase uma cópia dos meus.
Talvez devesse me sentir orgulhosa por saber que tem alguém que curte tanto o que escrevo a ponto de copiar parágrafos inteiros. Mas não, não vejo como uma "homenagem". Apenas pergunto: qual a graça de fingir que um texto é seu?
Uma das motivações que me levam a manter este espacinho é que vira e mexe recebo comentários do tipo "Aline, você escreveu exatamente o que eu sempre tive vontade" ou "Menina, você colocou em palavras todos os meus conflitos". Isso significa que os assuntos, dilemas e paranoias não são exclusividades minhas. Ao contrário: escrevo sobre minhas experiências e impressões que são também a de muitas mulheres.
Escrever é tarefa solitária e por vezes sofrida. É preciso confrontar monstros internos, relembrar assuntos que pareciam esquecidos mas que ainda assombram. Porém, com o uso da criatividade é possível encontrar algo gostoso: falar de uma maneira diferente sobre assuntos tão batidos, tão frequentes. Usando criatividade e, claro,bom humor.
Ser escritora é dolorido, pois exige entrega, exposição e confrontos. Qual a graça de ser uma mera copiadora de textos alheios?
PEQUENO GRANDE AMOR/ MARTHA MEDEIROS
Porque não é fácil esquecer você, deixo meu lado romantiquinha falar e publico este poema da Martha Medeiros:
Pequeno grande amor
que gerou toda sorte de reflexão
Se fosse apenas um pequeno amor
passaria longe do meu epicentro
Se fosse um grandíssimo amor
estaria tudo ao meu redor devastado
Mas foi um pequeno grande amor
daqueles que têm tamanhos para todos os lados
e só podem ser medidos por dentro.
Pequeno grande amor
que gerou toda sorte de reflexão
Se fosse apenas um pequeno amor
passaria longe do meu epicentro
Se fosse um grandíssimo amor
estaria tudo ao meu redor devastado
Mas foi um pequeno grande amor
daqueles que têm tamanhos para todos os lados
e só podem ser medidos por dentro.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
DELICADAS, AS AMIZADES - AFFONSO ROMANO DE SANT´ANNA
"Pode-se dizer tudo o que se pensa a um amigo?"
"Quanto de verdade suporta um amigo?"
"Aliás, o que é a verdade?", já indagava Pilatos antes de crucificar o outro.
"Como combinar, articular, fazer coabitar a verdade nossa com a verdade do amigo?"
São muito delicados os amigos. Ou se quiserem, as amizades. São delicadíssimas. E é por isso que convém aceitar que cada amizade tem suas fragilidades.
Bom, se o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, então, melhor seria que de diamante fosse. Este, inquebrantável.
A gente pensa que amizade é coisa só de seres humanos. Não é. Os animais curtem amizades; alguns, o amor, e outros chegam à paixão extrema por seus donos. E, no entanto, amigos, alguns cães se mordem, quase se arrancam as orelhas num ou noutro embate, às vezes por uma cadela no cio, às vezes por nada.
Pode-se perder uma amizade por excesso de zelo, como se ao esfregar demais o tecido o rompêssemos. Cuidado, portanto, com o excesso, às vezes excessivo. Claro, também se perde amigo pela escassez de socorro ou de sinalizações afetivas. Também pela fala mal desferida. Ou mal ouvida. A gente fala ou escreve uma coisa, o outro ouve outra coisa. Se não der para desentortar a frase ou o ouvido alheio, a amizade fica torta.
Diz o apóstolo Paulo que o amor tudo suporta, tudo espera, tudo perdoa.
- Será assim a amizade?
Até hoje não ficou muito clara a diferença entre amor e amizade. Mesmo porque muito amor termina se metamorfoseando em amizade; uma amizade pode virar amor, e podemos inimizar a quem amamos e nos esforçamos por ser amigo de quem nos despreza. De resto, para matizar ainda mais as coisas, os franceses costumam falar de "amizade amorosa", algo parecido com que aqui há tempos se chamou de "amizade colorida".
Mas o que fazer quando algo nos incomoda no outro e a gente sente que, se não falar, a amizade vai começar a ratear?
Não há amizade assim solta no ar. Cada amizade tem sua usança e sua pertinência.
Deveríamos então criar um manual, algo assim como "Amizade, modo de usar?". Ah, sim! mas isso já existe, está, lá naquele best-seller Como fazer amigos e influenciar pessoas. Está?
Drummond tinha razão, uma triste razão, é verdade, ao dizer que as pessoas deveriam manter entre si a mesma relação que entre si mantêm a ilha e o continente, um certo distanciamento e uma não muito estouvada confraternização.
Mas aí a amizade vira algo pouco tropical, e como Thomas Merton dizia que nenhum homem é uma ilha, o que fazer com os que não têm a fleuma mineiro-britânica e não suportam viver num frio ou morno relacionamento?
Há pilotos que pousam pesados Jumbos com uma suavidade angelical, e por isso merecem aplausos.
Há médicos que fazem incisões profundas para manter o outro vivo.
Como dizer o que se deve dizer sem sangue ou náusea?
Um dia um ex-amigo me disse: "No princípio tentei te imitar, depois resolvi te destruir."
Tive de me proteger.
Quem, como José Martí, dirá que "cultivo a rosa branca em junho e em janeiro para o amigo sincero que me dá sua mão franca, e para o cruel que me arranca o coração com que vivo, nem cardo ou urtiga cultivo, cultivo a rosa branca"!?
Delicadas, as amizades. Uns porque se aproximando do poder esquecem os que no poder não estão. Neste caso não se pode nada. Outros porque viajam de formas várias e absolutamente impenetráveis ao redor do próprio umbigo. Retornarão algum dia?
Neste caso, como dizia Neruda, os de então já não seremos os mesmos.
Há vocacionados para amizade. Têm um dom natural. Árvores copadas onde se reúne o rebanho. Quando você vê, está todo mundo ali ouvindo, curtindo ou simplesmente estando.
Qual o grau de resistência de uma amizade? De um metal podemos dizer: derrete-se a tal ou qual temperatura.
São delicadas, as amizades. E mesmo as mais sólidas às vezes se desmancham no ar.
quarta-feira, 20 de julho de 2011
CONCURSO "EU AMO ESCREVER"/ SEUS PROBLEMAS ACABARAM!!!!
LEITORES AMADOS,
COLOQUEI NOVAMENTE ESTE POST PORQUE MEUS VOTINHOS ESTÃO TÃO MINGUADOS...
VOCÊS TÊM FEITO A "LIÇÃO DE CASA"? BORA TODO MUNDO VOTANDO EM MIM (PODE VOTAR TODO DIA!!!!) E DIVULGANDO PROS AMIGOS, AMIGAS, INIMIGOS, CHEFES, EMPREGADOS...
Você já sabe que me inscrevi num concurso de contos promovido pelo site "Eu amo escrever" e que preciso de muitos, muitos votos.
No início, estava meio complicado para votar - o site enfrentou problemas, além de ter colocado um sistema de votação meio chatinho.
Você tentou votar nesta blogueira aqui e não conseguiu? Seus problemas acabaram: bastar acessar este link e votar no conto Sob Medida clicando nos coraçõezinhos que estão abaixo do título.
Ah! tem também o texto Hei, me tira daqui! que bateu os recordes de comentários aqui no blog. Para votar nele, adivinhe, clique neste link.
É possível votar mais de uma vez, mas não no mesmo dia. Isto quer dizer que: VOUENCHER LEMBRAR VOCÊS VÁRIAS VEZES, TÁ? Quem sabe não venço pelo cansaço? hehehehe
Se você também gosta de escrever, se inscreve lá! Um dos prêmios é ter o conto publicado. Chique, né? Veja as informações aqui.
COLOQUEI NOVAMENTE ESTE POST PORQUE MEUS VOTINHOS ESTÃO TÃO MINGUADOS...
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Você já sabe que me inscrevi num concurso de contos promovido pelo site "Eu amo escrever" e que preciso de muitos, muitos votos.
No início, estava meio complicado para votar - o site enfrentou problemas, além de ter colocado um sistema de votação meio chatinho.
Você tentou votar nesta blogueira aqui e não conseguiu? Seus problemas acabaram: bastar acessar este link e votar no conto Sob Medida clicando nos coraçõezinhos que estão abaixo do título.
Ah! tem também o texto Hei, me tira daqui! que bateu os recordes de comentários aqui no blog. Para votar nele, adivinhe, clique neste link.
É possível votar mais de uma vez, mas não no mesmo dia. Isto quer dizer que: VOU
Se você também gosta de escrever, se inscreve lá! Um dos prêmios é ter o conto publicado. Chique, né? Veja as informações aqui.
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Tenho o maior medo de me comportar co...
Tenho o maior medo de me comportar como aquelas mulheres que imploram por amor, fazem chantagem emocional e usam todas as armas (baixas) pro cara voltar. Meu nariz empinado não me deixaria jamais fazer nada parecido, mas que eu tinha vontade de um dia ter essa coragem, isso eu tinha.
De implorar pra você ficar comigo hoje. De chorar pra você não atender mais os telefonemas dela. De fazer birra pra você voltar pra mim.
Mas isso é pra mulher que tem coragem de se expor, pra mulher que não tem medo de parecer ridícula implorando amor. Eu, com esse racionalismo capricorniano embutido no meu DNA, não consigo fazer nada disso. Por um único motivo: aprendi que amor não se pede e nem se cobra.
Você é que deveria deixar de ser tonto e perceber que eu faria qualquer loucura por você, por seu amor. Mas você nem presta atenção direito em mim.
Mas se um dia eu tivesse coragem, faria uma cena daquelas. Ligaria pra você no meio da madrugada e falaria "hei, você deveria estar aqui comigo, já que me fez virar um bichinho apaixonado".
Hei, seu idiota, dá pra olhar pra mim como mulher, apesar da minha falta de jeito em ser feminina e delicada?
Hei, você fez eu me apaixonar e agora é muito eu pedir um abraço carinhoso?
Faz um favor? Me beija com mais carinho e menos tesão. Me beija sem descer logo essa boca pros meus peitos, seu idiota. Eu quero carinho. O seu carinho.
Mas amor é coisa que vem sem cobrança e se cobrança houver, não é amor.
E eu sinto raiva de mim porque sei que tem coisa que a gente só descobre que é bom depois de provar. E eu não dou chance de você provar meu lado carente, meu lado que quer mais do que tesão. Eu não dou chance pra você me ver como uma mulherzinha apaixonada, ansiosa por carinho e que sonha com um grande amor.
Coisa complicada esse lance de amor. E eu não levo muito jeito com isso, ou passo por cima ou puxo o freio muito antes da hora. Tudo porque eu tenho o maior medo de me comportar com uma mulherzinha apaixonada.
De implorar pra você ficar comigo hoje. De chorar pra você não atender mais os telefonemas dela. De fazer birra pra você voltar pra mim.
Mas isso é pra mulher que tem coragem de se expor, pra mulher que não tem medo de parecer ridícula implorando amor. Eu, com esse racionalismo capricorniano embutido no meu DNA, não consigo fazer nada disso. Por um único motivo: aprendi que amor não se pede e nem se cobra.
Você é que deveria deixar de ser tonto e perceber que eu faria qualquer loucura por você, por seu amor. Mas você nem presta atenção direito em mim.
Mas se um dia eu tivesse coragem, faria uma cena daquelas. Ligaria pra você no meio da madrugada e falaria "hei, você deveria estar aqui comigo, já que me fez virar um bichinho apaixonado".
Hei, seu idiota, dá pra olhar pra mim como mulher, apesar da minha falta de jeito em ser feminina e delicada?
Hei, você fez eu me apaixonar e agora é muito eu pedir um abraço carinhoso?
Faz um favor? Me beija com mais carinho e menos tesão. Me beija sem descer logo essa boca pros meus peitos, seu idiota. Eu quero carinho. O seu carinho.
Mas amor é coisa que vem sem cobrança e se cobrança houver, não é amor.
E eu sinto raiva de mim porque sei que tem coisa que a gente só descobre que é bom depois de provar. E eu não dou chance de você provar meu lado carente, meu lado que quer mais do que tesão. Eu não dou chance pra você me ver como uma mulherzinha apaixonada, ansiosa por carinho e que sonha com um grande amor.
Coisa complicada esse lance de amor. E eu não levo muito jeito com isso, ou passo por cima ou puxo o freio muito antes da hora. Tudo porque eu tenho o maior medo de me comportar com uma mulherzinha apaixonada.
sábado, 9 de julho de 2011
FLIP 2011
A Flip 2011 começou 4a-feira, dia 06, e desde então muita coisa já aconteceu por aqui em Paraty.
Neste ano houve mudanças estruturais (os palcos não estão no Centro Histórico) e também há uma ampla (e ótima) programação paralela. Seguem algumas dicas (clique no nome para ver o link com a programação completa):
A Folha de São Paulo tem um espaço para debates, a Casa Folha, instalada na rua da Matriz, no centro histórico. Os destaques são Ferreira Goular, Xico Sá, Laerte e Antônio Prata;
A Casa Sesc (na Rua do Comércio) apresenta os projetos Palco Giratório e Sonora Brasil, com apresentações de teatro e música, além de sessões de vídeos, programação infantil e o lançamento dos livros vencedores do Prêmio SESC de Literatura 2010;
Na mesma rua a Casa do Instituto Moreira Salles na Flip, que trará ao público uma exposição de fotos de Thomaz Farkas - recorte da exposição realizada esse ano no IMS-SP – e a gravação do primeiro programa Prefácios, da Rádio Batuta, que entrevistará autores presentes na Flip como João Ubal Ribeiro, Laura Restrepo, valter hugo mãe e Pola Oloixarac.
Ah, tem também a Off Flip, que já é tão tradicional quanto a "prima" oficial.
Então é isso: tem programação para todo mundo e não vale se lamentar por não ter conseguido comprar ingresso.
PS: Minhas sobrinhas se apresentaram ontem na Flipinha. A tia-coruja aqui ainda está emocionada.
terça-feira, 28 de junho de 2011
Eu também não sei
Como se eu já não fosse complicada o suficiente, você ainda faz isso comigo. Faz um monte de coisas comigo. Só coisa pra me deixar mais complicada, mais doida, mais boba, mais cega. Se essas coisas que você faz comigo não fossem tão boas às vezes, eu ia te odiar. O problema é que de vez em quando, por tudo isso que eu sinto por você, eu sei que ainda tô viva e nessas horas eu acho uma delícia essa náusea que você me dá. E a vertigem que eu sinto quando eu penso em você, e a risada de vergonha que eu dou quando eu vejo que você me viu. Até a saudade que eu tenho quando você vai embora, até isso eu acho melhor do que não sentir nada.
Eu passei tanto tempo não sentindo nada e parece que resolvi sentir tudo, de uma vez só. É por isso que eu sinto tanto medo do jeito que você me olha, do jeito que você me lê. Você nunca vai me ler do jeito certo, do jeito que era pra ler, porque você não entrou nessa porra desse barco junto comigo. Eu entrei sozinha e porque quis. Só que agora tá me dando vertigem e não tem ninguém que me convença a sair fora. E você, o que faz? Você não me ajuda a parar. Você vai lá, remexe mais o mar e a onda fica maior e meu barco balança ainda mais. O aceno que você me dá de longe só me faz ver que eu tô sempre do lado errado de tudo.
Aí você me pergunta, minha amiga me pergunta, um monte de amigo me pergunta "por que você continua aí?". Porque eu não sei como se volta, eu não sei ir embora na hora certa, eu sempre passo da medida. Tento convencer todo mundo que tá tudo sob controle e você não manda em mim e eu só vim porque eu quis. Só que ninguém acredita mais em mim. Nem eu mesma esperava me ver assim, com cara de quem descobriu um segredo, com jeito de quem tá sempre na boa. Eu e meus amigos nos acostumamos a me ver na merda, entendeu? Sem reclamar, sem brigar com o mundo inteiro, sempre com alguém ao lado, mas na merda. E agora ninguém entende o que aconteceu e ninguém pode me ajudar. E eu também não quero que ninguém me ajude, que ninguém me tire daqui. Deixa eu ficar na sua janela mais um pouco. Não me faz repetir, não me faz implorar pra ficar aqui. Deixa eu ir ficando, ficando, até ir descendo aos poucos. Nada de solavancos, nada de repente. Deixa eu sair suave da sua vida, não me empurra.
O Otimismo e a Esperança
Estou num momento meio chatinho, uma experiência que nunca vivi.
A primeira reação à notícia que me pegou totalmente desprevenida foi o choque. Aí, o meu "querido de plantão" falou uma frase que mexeu bastante comigo e me deu um gás danado. Ele disse assim "Algumas vezes as coisas acontecem na vida da gente para nos tirar da zona de conforto". Bingo! Estava mesmo nesta tal zona de conforto que tem dois lados: o positivo é que é um caminho que já conhecemos, um lugar que já nos é familiar, portanto nos deixa tranquilos. O lado negativo é que algumas vezes estacionamos, nos acostumamos e não nos sentimos motivados. Continuamos como autômatos, fazendo tudo no piloto automático.
Para uma alma agitada como a minha, isso é meio tedioso. Mas para a necessidade que tenho de me sentir segura, é tudo o que preciso.
Na primeira noite pós-notícia, dormi pouco. Só conseguia cochilar quando me lembrava das palavras desse meu amigo. Nas noites seguintes voltei ao bom e velho Rivotril.
Tenho andado muito ansiosa, agitada e com uma vontade louca de adiantar o relógio, fazer o calendário disparar e resolver logo o que tem de ser resolvido.
De vez em quando tenho certeza de que vou tirar de letra: eu sempre tirei de letra esse setor da minha vida. Em outras... ah, em outras me sinto pra baixo, pessimista, quase paranoica.
O meu equivalente a livros de auto-ajuda é a (boa) literatura, e foi a ela a quem recorri em busca de algo que pudesse sossegar, ao menos momentaneamente, meu coração ansioso por natureza.
Achei um texto que uma Professora da faculdade me deu de presente, junto com um bilhetinho. Acho que foi na época da formatura. Penso que será uma espécie de oração para estes dias conturbados e cheios de expectativa.
"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto de otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: e no meio do inverno eu descobri um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural.
Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos (...): morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança..."
Trecho da crônica o Otimismo e a esperança, de Rubens Alves, publicado no livro Conserto Para Corpo e Alma.
Leia mais sobre o autor aqui
A primeira reação à notícia que me pegou totalmente desprevenida foi o choque. Aí, o meu "querido de plantão" falou uma frase que mexeu bastante comigo e me deu um gás danado. Ele disse assim "Algumas vezes as coisas acontecem na vida da gente para nos tirar da zona de conforto". Bingo! Estava mesmo nesta tal zona de conforto que tem dois lados: o positivo é que é um caminho que já conhecemos, um lugar que já nos é familiar, portanto nos deixa tranquilos. O lado negativo é que algumas vezes estacionamos, nos acostumamos e não nos sentimos motivados. Continuamos como autômatos, fazendo tudo no piloto automático.
Para uma alma agitada como a minha, isso é meio tedioso. Mas para a necessidade que tenho de me sentir segura, é tudo o que preciso.
Na primeira noite pós-notícia, dormi pouco. Só conseguia cochilar quando me lembrava das palavras desse meu amigo. Nas noites seguintes voltei ao bom e velho Rivotril.
Tenho andado muito ansiosa, agitada e com uma vontade louca de adiantar o relógio, fazer o calendário disparar e resolver logo o que tem de ser resolvido.
De vez em quando tenho certeza de que vou tirar de letra: eu sempre tirei de letra esse setor da minha vida. Em outras... ah, em outras me sinto pra baixo, pessimista, quase paranoica.
O meu equivalente a livros de auto-ajuda é a (boa) literatura, e foi a ela a quem recorri em busca de algo que pudesse sossegar, ao menos momentaneamente, meu coração ansioso por natureza.
Achei um texto que uma Professora da faculdade me deu de presente, junto com um bilhetinho. Acho que foi na época da formatura. Penso que será uma espécie de oração para estes dias conturbados e cheios de expectativa.
"Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança.
Esperança é o oposto de otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro.
Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: e no meio do inverno eu descobri um verão invencível...
Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural.
Esperança é alegria a despeito de: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo.
Hoje, é tudo o que temos (...): morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança..."
Trecho da crônica o Otimismo e a esperança, de Rubens Alves, publicado no livro Conserto Para Corpo e Alma.
Leia mais sobre o autor aqui
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Bourbon Festival Paraty 2011
DIA 17/06 - Sexta-feira
- Palco da Matriz -
21h30 - Roberto Fonseca
23h00 - Richard Bona
00h30 - Funk Como Le Gusta
23h00 - Richard Bona
00h30 - Funk Como Le Gusta
DIA 18/06 - Sábado
- Palco Santa Rita -
16h00 - Danny Vincent Blues Band - part. Guippo, Natália Alvi e Marcos Ottaviano
- Palco da Matriz -
21h30 - Miranda Kassin + André Frateschi
23h00 - Playing for Change
00h30 - Erica Falls
23h00 - Playing for Change
00h30 - Erica Falls
Dia 19/06 - Domingo
- Palco Santa Rita -
16h00 - Rhandal Jazz Trio
17h30 - Paulinho Lima & Super Soul - part. Marcio Eiras
17h30 - Paulinho Lima & Super Soul - part. Marcio Eiras
- Palco da Matriz - 19h00 - Jane Monheit
20h30 - Oito do Bem
22h00 - Maria Gadú
20h30 - Oito do Bem
22h00 - Maria Gadú
FONTE: www.bourbonfestivalparaty.com.br/
segunda-feira, 13 de junho de 2011
HOJE O GOOGLE ME COMOVEU
O Google, aquele danadinho sem o qual não vivemos mais, hoje me comoveu: em vez do logo tradicional, estampou uma gravura do brilhante Fernando Pessoa.
É que hoje, 13 de Junho, é aniversário deste monstro lusitano (de coração) das palavras. E hoje em Portugal a comemoração é dupla: também é feriado por causa de Santo Antônio. Que, aliás, bem podia me dar uma forcinha e me "desencalhar",né?
sábado, 11 de junho de 2011
FLIP 2011 - Oswald de Andrade, o homenageado
A FLIP, em sua 9a. edição, já faz parte do calendário cultural do Brasil e do exterior.
Sua vasta programação não se restringe apenas às palestras e nem à Literatura: Durante cinco dias acontecem shows, apresentações de teatro, dança, oficinas literárias e de desenho... Uma verdadeira festa cultural.
Neste ano o homenageado é o modernista Oswald de Andrade,um dos protagonistas da "Semana de 22".
Precursor da Tropicália e da “poesia marginal” dos anos 70, Oswald escreveu, entre outros, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924), Pau Brasil (1925) e Manifesto Antropófago (1928). Com Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) apresentou a prosa experimental ao Brasil.
A homenagem, claro, abordará a Semana de 22, a Antropofagia e o Nativismo Pau-Brasil, mas não só: visa mostrar que “Ainda há muito a explorar sobre este pensador de uma miscigenação sem nostalgia da identidade (bem à frente, portanto, do atual discurso multicultural), o crítico da civilização técnica e, sobretudo, o criador de uma poética que restaura o arcaico para se libertar do passado”, acrescenta Costa Pinto, curador da Flip, que faz mais comentários sobre a escolha do homenageado no Blog da Flip. É isso aí: já foi dada a largada para esta fantástica Festa Literária, dia 06 passado começaram as vendas dos ingressos (eu já garanti 3 mesas na Tenda dos Autores!), agora é só aguardar (ansiosamente,porque a blogueira aqui é compulsiva e ansiosa) as possíveis desistências, encaixes de última hora e, principalmente, o show de abertura. Vai ficar de fora?
quinta-feira, 2 de junho de 2011
ALGO SE QUEBROU/ AG

Algo se quebrou.
Dizem que nessa hora, devem-se juntar os cacos.
Pra quê?
Colar o que se partiu não é tê-lo de volta,
é só reformar.
é só reformar.
Um copo quebrado, mesmo que se cole,
não é mais um copo:
é um copo quebrado colado.
Nunca mais apenas um copo.
Não, não vou colar cacos
Vou seguir em frente,
levo na memória o tempo que ele foi inteiro.
E sigo em frente:
num olhar mais atento, encontro,
encontro com certeza,
algo menos frágil.
domingo, 29 de maio de 2011
AO CAZÉ. 20 ANOS DE SAUDADES
Há exatos 20 anos, um cara "alegre e extrovertido" se foi. Eu e meus amigos de Paraty fomos marcados, cada um a seu modo, por esta tragédia.
É bem provável que muitos nem se lembrem desta data, mas o que realmente importa é que suas piadas, seu sorriso cativante e suas histórias engraçadas ainda estão vivas em nossos corações. Mesmo que de vez em quando bata uma saudade danada...
E na falta de palavras mais adequadas, recorro à música da Legião Urbana. Afinal, a Legião compôs todas as trilhas sonoras daquela turma de jovens, felizes, imortais. Até que bebida, direção e uma sucessão de erros se encontraram e levaram o Cazé embora da gente.
É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais
Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora...
Cedo demais!
Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer...
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...
É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais...
Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer
Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou
Cedo demais
- Legião Urbana
É bem provável que muitos nem se lembrem desta data, mas o que realmente importa é que suas piadas, seu sorriso cativante e suas histórias engraçadas ainda estão vivas em nossos corações. Mesmo que de vez em quando bata uma saudade danada...
E na falta de palavras mais adequadas, recorro à música da Legião Urbana. Afinal, a Legião compôs todas as trilhas sonoras daquela turma de jovens, felizes, imortais. Até que bebida, direção e uma sucessão de erros se encontraram e levaram o Cazé embora da gente.
É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais
Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora...
Cedo demais!
Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer...
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...
É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais...
Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz
Do resto não sei dizer
Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou
Cedo demais
- Legião Urbana
quinta-feira, 26 de maio de 2011
NOTÍCIAS SOBRE MIM
Eu que que não senti frio no Inverno passado, não vi flores na Primavera passada e muito menos me bronzeei no Verão que acabou. Meus interesses eram outros e acho que consegui meu maior objetivo: deixei grande parte daquele meu orgulho besta pra trás, me desfiz de tralhas - materiais e em forma de pessoas, provei do meu veneno cruel. Olho pro espelho e vejo uma pessoa bem mais em paz; com o mundo e comigo mesma.
Hoje nem reclamo mais quando dá tudo errado, apenas vou vivendo. Não mudei muito, só o necessário para sorrir diante de uma flor ou da chuva que cai.
Hoje nem reclamo mais quando dá tudo errado, apenas vou vivendo. Não mudei muito, só o necessário para sorrir diante de uma flor ou da chuva que cai.
PARA NACÍLIA
Ando muito sem tempo de escrever, mas recebi um recadinho da Nacília e achei este texto do Xexeo bem apropriado para respondê-la. A ela e a todos que pensam "ué, a Aline sumiu!".
oi Aline sou eu mais uma vezes Nacilia,todos os dias dou uma passadinha aqui pra ler seus post,tenho andado meio preocupa,vejo que pra nossa tristesa(seus seguidores) vc não tem postado.Espero que esteja tudo bem com você,que deus continue iluminando seu caminho.
Abraços de uma grande fã.
"Cronistas escrevem para serem amados. Duvido que algum escreva para irritar o leitor. Para receber mensagens dizendo “como foi medíocre seu texto de hoje”. A gente gosta quando o e-mail, a carta, o encontro na rua termine com “Você escreveu exatamente o que eu pensava”, “Eu me identifiquei muito com o que você disse hoje”, “Como é que você teve essa ideia genial?”.
No domingo passado, achei que tive uma boa ideia, uma ideia genial, e reproduzi, neste espaço, uma briga de casal que tinha captado na rua por meio de uma conversa no telefone celular. O que eu queria era, de uma maneira original, comentar o hábito cada vez mais frequente de as pessoas gritarem ao telefone conversas que deveriam ser particulares.
Definitivamente, não agradei. O primeiro sinal veio de um comentário curto e grosso aqui no blog. “Achei sua crônica muito fraquinha.” Cheguei a pensar que ninguém mais teria tanto poder de síntese, mas só até ler o segundo comentário: “Fraquíssima!”. E, a partir daí, a coisa só desandou: “Qualquer criança faz um negócio melhor do que esse que você escreveu”.
O meu domingo estava acabado, e o cronista que vos fala passou a sofrer aquilo que mais teme: a rejeição. “Utiliza-se um espaço no jornal pra isso?”, indagava um leitor. “O jornalismo brasileiro desde muito tempo tem carência de bons e verdadeiros cronistas”, alertava outro.
“Xexéo já foi bem melhor”, disse um leitor (ex-leitor?) nostálgico. “Que coluna xexelenta!”, avaliou outro, bulindo com meu sobrenome.
Parei de ler o que me chegava logo depois de tomar conhecimento da mais agressiva de todas as mensagens: “Você deve receber um ótimo salário. Mas escreve uma porcaria de crônica como esta, digna de quem realmente não tinha nada para escrever, praticamente um rascunho mal feito no banheiro e que nem para papel higiênico serve. Lamentável!”
Antes de pensar seriamente em aposentadoria ou rascunhar um texto que pedisse desculpa aos leitores por ter sido tão ruim, encontrei uma nesga de carinho em um dos comentários (eu estava mentindo e, na verdade, continuei lendo as críticas): “Essa foi fraca. Digna de quem tinha prazo, mas não tinha ideia. Mas tenha certeza de que você acerta mais do que erra. Vou aguardar a próxima.”
Bem, pelo menos mantive um leitor. Já estava acreditando que aqueles 17 que costumam me acompanhar tinham desistido. Ficou um para “aguardar a próxima”. Não é pouca coisa.
Cronistas não gostam de ser rejeitados. Podem ser incompreendidos, mas fracos, fraquíssimos, nunca. O que poderia conter aquele texto sobre uma briga de casal que irritou tanto os leitores? Só tenho uma explicação. Continuo amado, como todo cronista acha que é. É que naquele domingo, naquele específico domingo, o leitor acordou de mau humor."
oi Aline sou eu mais uma vezes Nacilia,todos os dias dou uma passadinha aqui pra ler seus post,tenho andado meio preocupa,vejo que pra nossa tristesa(seus seguidores) vc não tem postado.Espero que esteja tudo bem com você,que deus continue iluminando seu caminho.
Abraços de uma grande fã.
"Cronistas escrevem para serem amados. Duvido que algum escreva para irritar o leitor. Para receber mensagens dizendo “como foi medíocre seu texto de hoje”. A gente gosta quando o e-mail, a carta, o encontro na rua termine com “Você escreveu exatamente o que eu pensava”, “Eu me identifiquei muito com o que você disse hoje”, “Como é que você teve essa ideia genial?”.
No domingo passado, achei que tive uma boa ideia, uma ideia genial, e reproduzi, neste espaço, uma briga de casal que tinha captado na rua por meio de uma conversa no telefone celular. O que eu queria era, de uma maneira original, comentar o hábito cada vez mais frequente de as pessoas gritarem ao telefone conversas que deveriam ser particulares.
Definitivamente, não agradei. O primeiro sinal veio de um comentário curto e grosso aqui no blog. “Achei sua crônica muito fraquinha.” Cheguei a pensar que ninguém mais teria tanto poder de síntese, mas só até ler o segundo comentário: “Fraquíssima!”. E, a partir daí, a coisa só desandou: “Qualquer criança faz um negócio melhor do que esse que você escreveu”.
O meu domingo estava acabado, e o cronista que vos fala passou a sofrer aquilo que mais teme: a rejeição. “Utiliza-se um espaço no jornal pra isso?”, indagava um leitor. “O jornalismo brasileiro desde muito tempo tem carência de bons e verdadeiros cronistas”, alertava outro.
“Xexéo já foi bem melhor”, disse um leitor (ex-leitor?) nostálgico. “Que coluna xexelenta!”, avaliou outro, bulindo com meu sobrenome.
Parei de ler o que me chegava logo depois de tomar conhecimento da mais agressiva de todas as mensagens: “Você deve receber um ótimo salário. Mas escreve uma porcaria de crônica como esta, digna de quem realmente não tinha nada para escrever, praticamente um rascunho mal feito no banheiro e que nem para papel higiênico serve. Lamentável!”
Antes de pensar seriamente em aposentadoria ou rascunhar um texto que pedisse desculpa aos leitores por ter sido tão ruim, encontrei uma nesga de carinho em um dos comentários (eu estava mentindo e, na verdade, continuei lendo as críticas): “Essa foi fraca. Digna de quem tinha prazo, mas não tinha ideia. Mas tenha certeza de que você acerta mais do que erra. Vou aguardar a próxima.”
Bem, pelo menos mantive um leitor. Já estava acreditando que aqueles 17 que costumam me acompanhar tinham desistido. Ficou um para “aguardar a próxima”. Não é pouca coisa.
Cronistas não gostam de ser rejeitados. Podem ser incompreendidos, mas fracos, fraquíssimos, nunca. O que poderia conter aquele texto sobre uma briga de casal que irritou tanto os leitores? Só tenho uma explicação. Continuo amado, como todo cronista acha que é. É que naquele domingo, naquele específico domingo, o leitor acordou de mau humor."
É isso aí, Nacília, está tudo bem, sim, só que não tenho tido muito assunto interessante nos últimos tempos. Beijos.
Um dia
“Foi um dia memorável, pois operou grandes mudanças em mim. Mas isso se dá com qualquer vida. Imagine um dia especial na sua vida e pense como teria sido seu percurso sem ele. Faça uma pausa, você que está lendo, e pense na grande corrente de ferro, de ouro, de espinhos ou flores que jamais o teria prendido não fosse o encadeamento do primeiro elo em um dia memorável.”
Trecho extraído do “Grandes esperanças”, de Charles Dickens
Trecho extraído do “Grandes esperanças”, de Charles Dickens
domingo, 24 de abril de 2011
Encontros
Estou há dias protelando um 1º encontro. Também tenho dados desculpas para um reencontro com um ex.
Primeiros encontros são sempre embaraçantes, é difícil me sentir confortável. Tenho um medo absurdo de acontecerem algumas coisas que detesto, como por exemplo o cara não beber. Encontrar-se a 1ª vez com uma pessoa exige uma certa dose de álcool, pra relaxar. Fico sempre na ansiedade enjoativa de eu estar vestida daquele jeito que os fashionistas dizem “casual”, que é o mesmo que “meio largada”: nada de grandes produções, pouca maquiagem, salto baixo e ele aparecer lá todo produzidinho. Ou o contrário: eu caprichar na produção e o cara aparecer “casualmente” vestido. Ok, é deste tipo de homem que eu gosto: dos que não ficam pensando em qual roupa usar e tal e tal.
Pra mim é sempre chata a hora de me arrumar: odeio o estilo patricinha, mas também não dá pra chegar lá no meu estilo “Babilonia Feira Hypie”. Dizem que homem não gosta. Tenho outro problema: encontrar um vestido ou uma camiseta que não deixe meus peitos saltando e que o façam virar a atração da noite. Este é um outro assunto que me embrulha o estômago: o tipo de homem que conversa com meu peito “Oi, peito da fulana,tudo bem?”.
Detesto aqueles silêncios constrangedores, quando ele se instala, sinto uma vontade doida de ir correndo pra casa. Então, pra não fazer isso e o cara achar que sou uma louca varrida, eu falo, falo qualquer coisa. Muitas vezes ganho fama de faladeira por causa disso. Puxa! É melhor alguém ter o que falar do que deixar aquele silêncio que parece até ter legenda “isso aqui ta um saco, né?”. Ou, o que é meu pior pesadelo: ele me beijar. Odeio beijos no 1º encontro. Sei lá o porquê, mas não gosto.
Outra coisa que me faz odiar ter aceitado o convite é quando o sujeito é metido a entender de vinhos. Puta que pariu! Já reparou como é patético? O cara pega a taça, faz um gestos (sempre muito esnobes) com ela, cheira o conteúdo... e faz um comentário: adocicado, amadeirado. Argh! “Garçom, traz um Plasil, por favor? Vou vomitar.” . É exatamente esse meu pensamento cada vez que isso acontece. Francamente...
Posso dizer que tenho uma certa prática em 1os encontros, então, dou sempre um jeito de saber aonde vamos. Se o cara me chamar pra ir a um restaurante japonês, recuso na hora. E nunca mais atendo telefonema do “homem-clichê”.
Com essa lista imensa do saco que, geralmente, é um 1º encontro, eu não deveria estar há semanas inventando desculpas para o tal ex. Afinal, além de gatinho, ele não comete estes pecados. Só que também tem umas coisas chatas em sair com o ex.
Tem uns que pensam que o tempo não passou e faz umas perguntas tão idiotas: e sua sobrinha, como ela está? Já está andando? Po! Ele conheceu a garotinha com 3 meses de idade e ela agora tem 4 anos. É falta de assunto ou ele pensava que ela tinha alguma deficiência?
Na verdade, a maioria pensa mesmo que o tempo não passou e assim que pede a conta do barzinho ou do restaurante, tem a certeza absoluta de que vamos para onde sempre íamos: ou pro motel ou pro meu apartamento. E faz isso com uma naturalidade irritante, sem nenhum clima de sedução ou coisa do tipo. Parece que faz parte do pacote: chopinho, tira-gosto e cama. Só que, geralmente, eu não sou consultada.
Ok, não sou tão bobinha a ponto de achar que a gente ia ficar só no tira-gosto. E, pra falar a verdade, eu caprichei na lingerie: se o ex não valesse uma transa, não valeria um reencontro. Mas custava a criatura me levar pra um motel diferente? O tempo, afinal, passou, né?
sábado, 23 de abril de 2011
A CULPA NÃO É MINHA!
O Alexandre Camerini, além de ser um fotógrafo nota 10, é tão espirituoso quanto eu. Então me mandou esta frase:
"Calorias são pequenos vermes inescrupulosos que vivem nos guarda-roupas e que durante a noite encolhem as roupas da gente.”
PS: Acho que ele gosta de mim, né? Bem, pelo menos me tirou a culpa: eu me esforço pra ficar em forma, mas o que se pode fazer contra vermes inescrupulosos?
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