domingo, 1 de fevereiro de 2015

A Bunda da Paolla Oliveira e a Mulher Insegura


Qualquer ser humano que não esteve em coma esta semana ouviu (os mais sortudos viram) a repercussão da cena da bunda da Paolla Oliveira. Não foi mais uma bunda na TV. Não foi só uma bunda na TV. Foi a bunda mais deslumbrante que já se viu na TV. Foi espetacular, um evento. Eu adorei. A torcida do Flamengo também. Aliás, quem não gostou? Bem, houve, sim, gente que torceu o nariz. Sei disso por causa da minha "pesquisa informal" (um nome bonitinho que dei à mania de prestar atenção à conversa dos outros. Acontece geralmente assim: no restaurante ou no ônibus, por exemplo, abro um livro e finjo estar concentrada, mas estou mesmo é ouvindo conversas e confissões alheias. Um monte de gente faz isso. Uns se assumem fofoqueiros, outros - meu caso - dizem que estão observando o comportamento. A diferença é o que fazem com a informação. Os fofoqueiros espalham os segredos; eu, muitas vezes, escrevo sobre. Por isso, se eu fosse você, não levaria tão a sério tudo o que conto aqui em 1a pessoa: nem tudo é sobre mim). Voltando: segundo minha pesquisa informal, inúmeras mulheres não gostaram nadinha da tal cena. E mais: quase metade das descontentes é feia.


Para uma Mulher Feia, aquele "derrière" na telinha foi um tapa na cara. Compreensível: já não basta a coitada ser feia, ainda precisam mostrar, em cadeia nacional, o que é lindo?! Eu ficaria irada, se feia fosse.


Outras tantas são mulheres machistas. Dessas eu não falo. São amargas demais, detestam os homens demais e se permitem prazeres de menos.


O restante do grupo que de-tes-tou ver tanta beleza numa única bunda é composto por mulher insegura ela. Os comentários da Mulher Insegura são, em suma, estes:


a) Foi a luz que favoreceu;

b) Mas ela tem celulite que eu vi, eu vi!;

c) Agora entendi porque ela está na Globo;

d) Só pode ser Photoshop;

d) Homem é tudo bobo mesmo, não pode ver uma bunda.

A Mulher Insegura não conseguiu dormir aquela noite. A visão de uma Bunda (você há de concorda que aquela lá merece ser um substantivo próprio, merece uma letra maiúscula) redonda na medida certa, no tamanho exato, tão perfeita que parecia milimetricamente desenhada e -fantasia das fantasias - coberta/descoberta por uma calcinha mínima mexeu muito com a auto-estima da Mulher Insegura. No dia seguinte, ela dobrou as séries para o bumbum na academia. Malhou furiosamente, pediu aos deuses para serem justos e fazerem valer cada pingo de suor.Desde terça-feira passada a Mulher Insegura tem como objetivo de vida ter aquela Bunda.

Ao contrário da Mulher Feia, a Mulher Insegura ainda vai ficar muito mal, péssima mesmo, enquanto falarem da bunda da Paolla Oliveira. É que a Mulher Feia já está acostumada, resignada, a ser feia. E por isso aprendeu, ao longo da vida, a valorizar algo em si mesma que não seja tão horrendo. Nos casos de feiura extrema, todos sabemos, há ainda a opção de se destacar pelo humor, pelo intelecto.

A Mulher Insegura, não. Para ela, ser bonitinha, charmosinha, não vale: ela precisa ser linda. A Mulher Insegura, aliás, nem é feia. E sabe disso: ela olha para o espelho e vê um corpo bonito, um rosto bem feito, os cabelos bem cuidados. O problema é que ela precisa que o namorado/ marido também a ache linda. Precisa que a amiga a ache linda. Que a irmã, a vizinha, a mãe, o ex, a atual do ex (bem, esta principalmente) a achem linda.

Mas ela sabe que depois de verem a bunda da Paolla Oliveira, ninguém nunca mais vai achá-la, ao menos, bonitinha. E sem a aprovação do outro, a Mulher Insegura vale o quê?

E, ciente de tão pouco valor físico, acaba desprezando também seus outros atributos: não é culta o suficiente; não fez todas as viagens que planejou; seu emprego é sem graça. A Mulher Insegura é, sem dúvida, a derrota em pessoa. 

Mas ela é persistente: dobrou sua série na academia e vai - ela tem fé! - ter uma bunda igualzinha àquela que você viu na TV e ficou babando. Afinal, ela não tinha cintura e a lipoaspiração resolveu isso. Não tinha peito mas o silicone resolveu isso. Não tinha cabelo liso e a escova progressiva resolveu isso. 

A Mulher Insegura não desiste e corre atrás de seu sonho: se tornar igualzinha àquelas tantas mulheres das capas de revista, tão diferentes do que ela é. 



sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O mundo está ficando esquisito

Esta semana fui à abertura da exposição do Kandinsky, "Tudo começa num ponto" (recomendo!) no CCBB e fiquei impressionada com a quantidade de fotos que muitos faziam.
Era um tal de parar em frente a um quadro, dar uma olhadinha para o lado (para certificar-se de que o segurança não olhava) e ... "clique!", partir para a outra obra, "clique!". A maioria não apreciava o que via, sequer se dava ao trabalho de ler as informações: urgia clicar e publicar nos feissibruquis e enstagrans da vida (digital, é claro, porque esta é que conta).

Como cada um faz o que quer da vida, me restringi a comentar com minha amiga o quão esquisito o mundo está se tornando: mostrar aos zilhões de amigos que se foi a uma exposição é muito mais importante do que apreciar o valor (cultural ou emocional) de uma obra de arte. Mas não resisti e dei boas gargalhadas com a ignorância desse pessoalzinho.





A exposição de Kandinsky fica no CCBB do Rio até 28/03.


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Chá de sumiço - Marian Keyes

Quando eu crescer quero ser a Marian Keyes e ponto final.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Bons amigos de 2014

  1. A força - Ian Mecler
  2. A mulher que não queria acreditar - Fernanda Takai
  3. A vida financeira dos poetas - Jess Walter
  4. Aqui, agora - Ian Mecler
  5. Chá de sumiço - Maryan Keyes
  6. Cheio de charme - Maryan Keyes
  7. Fim - Fernanda Torres 
  8. O místico - Ian Mecler
  9. Por que como tanto, doutor? - Alfredo Halpern
  10. Tecendo poesias - Marina Gouvêa    (sim, ela: tia Marina!)



Livros que reli em 2014

  1. A cabana - Willian Young
  2. A grande próxima sensação
  3. À espera do sol - Michael Greenberg 
  4. A verdade da Tropa - Mario Sérgio Duarte 
  5. Bridget Jhones: No limite da razão - Helen Fielding
  6. Budapeste - Chico Buarque 
  7. Comer, Amar, Rezar - Elizabeth Gilbert
  8. Confie em mim - Harlen Coben
  9. Coração Andarilho - Nélida Pinon 
  10. Delírios de Consumo de Becky Bloom
  11. Doidas e santas - Martha Medeiros
  12. Foi apenas um sonho - Richards Yates
  13. Leite derramado - Chico Buarque 
  14. Lembra de mim? Sophie Kinsela 
  15. Meu caminho - Adriana Bragança
  16. Mulheres, por que será que elas...? - Leila Ferreira
  17. Ninguém é de ninguém - Zíbia Gaspareto
  18. Nunca subestime uma mulherzinha - Fernanda Takai
  19. O diário de Bridget Jhones - Helen Fielding
  20. O convidado surpresa - Gregoire Bouillier 
  21. O clube das chocólatras - Carole Mathews
  22. Pessoas como nós - Margarida Rebelo Pinto 
  23. Vencendo o passado - Zíbia Gaspareto
  24. Trem Bala - Martha Medeiros

sábado, 20 de dezembro de 2014

IRMÃ MAIS VELHA PRA QUÊ?

Geralmente as meninas têm vontade de ter uma irmã mais velha, aquela que elas acham mais bonita do que qualquer outra, aquela em que elas se espelham, a quem admiram e que, geralmente, são as mais populares no colégio. Eu só tenho uma irmã mais nova e nunca senti falta de uma mais velha. Afinal, eu tenho uma PRIMA MAIS VELHA, que sempre foi a mais linda de todas as meninas, meu exemplo de garota legal, descolada, de quem eu queria ser quando crescer, que sempre foi popular. E a quem eu sempre desejei muita felicidade. Hoje é aniversário dela e só me vem uma frase à cabeça : Guízela, TODO AMOR QUE HOUVER NESSA VIDA.

sábado, 13 de dezembro de 2014

A queda Ou: o que aprendi com uma cicatriz


Há exatos 10 anos, tive um dia como tantos outros: trabalhei, paguei contas, li o jornal, vi uns roteiros de viagem, mandei beijo para o namorado, falei com um ou outro amigo. Os dias, por mais que a gente não perceba, são quase sempre quase iguais. 
Na saída do trabalho, dei alguns "até amanhã" para quem estava perto e segui para a academia. De moto, uma grande paixão.

Os dias, porém, por mais que pareçam ser sempre iguais, vez ou outra mudam um pouco. Sim, Drummond estava certo: existem pedras no meio do caminho. 
Naquele dia, no meio do meu caminho apareceu uma pedra e não deu tempo de desviar. Sofri um acidente com minha moto, uma Tornado (pra quem não sabe, é uma moto bem pesadinha, viu?), me estatelei na Av. Epitácio Pessoa, na Lagoa. Beijo no asfalto. Numa hora dessas, não há o menor clima para poesia e o que me veio à cabeça foi um sonoro "puta que pariu!".

Os bombeiros chegaram bem rápido e foram muito atenciosos: dentro da ambulância, percebendo que eu chorava de dor, um deles segurou minha mão e disse que tudo ia ficar bem. Fui levada ao Hospital Miguel Couto (em acidentes de trânsito, o primeiro atendimento deve ser em um hospital público. Vai entender). Antes, porém, liguei para dois "anjos da guarda": um grande amigo policial (é que a PM apareceu pra fazer o registro e achei melhor me orientar com um policial de confiança) e o ex marido, que foi imediatamente me dar assistência.


No dia seguinte fui a um hospital "de verdade", um particular onde fui bem atendida. O prognóstico médico, porém, não foi dos mais agradáveis: pelo menos 3 meses de molho. Quando ouvi isso, me bateu uma ansiedade, um medo de este tempo se arrastar e uma sensação de que eu ia perder um tempão da minha vida até ficar boa de novo. Passaria Natal, Reveillon, meu aniversário e Carnaval em casa, de perninha pra cima. Levando em conta que neste meu amado Rio, o Verão só é agradável pra quem gosta de sofrer, saquei logo que aquelas férias forçadas não seriam muito agradáveis.

Felizmente minha mãe me ensinou que "tudo acontece com todo mundo". Cresci ouvindo isso dela - que perdeu a mãe aos 15 anos mas nunca se fez de coitadinha, nunca reclamou da vida. Ela conta que chegou do cemitério e falou "Pai, vamos chorar tudo hoje porque amanhã a gente tem de voltar a viver". Quando ouvi isso pela primeira vez falei "Mãe, você não sofreu? Retomou a vida assim, tão fácil?". Sua resposta foi uma lição que trago como uma das verdades mais absolutas do mundo: Filha, mamãe já tinha morrido e eu não podia fazer mais nada por ela. Não ia adiantar sentar e chorar. Papai estava devastado, suas tias - elas tinham 13 e 16 anos - então, nem se fala. Alguém tinha de reagir. Se eu me entregasse, o sofrimento ia durar para sempre". Em vez de amaldiçoar a vida e se achar uma pobrezinha órfã, ela escolheu viver, cuidar dela mesma e, principalmente, do Vovô Gouvêa e das minhas tias.

Cheguei em casa e combinei duas coisas comigo mesma: a 1a foi não fazer aquela clássica pergunta "Por que eu?". Já que "tudo acontece com todo mundo", não fazia sentido eu bancar a vítima, reclamar e sofrer. Sem contar que entendo que quando perguntamos coisas do tipo "logo comigo?" é como se falássemos "Pô! Sou tão boazinha, é injusto! Aquele fulano, sim, merecia um acidente desses". É uma baita falta de humildade. 

A 2a decisão foi fazer que nem naqueles programas tipo AA: "SÓ POR HOJE" e assim não ficar fazendo uma contagem regressiva para o dia que voltaria a andar sem muletas e pudesse levar minha vida normalmente.

Essas duas posturas me deram uma serenidade danada (e vou contar uma coisa pra vocês: serenidade é uma coisa que experimentei pouquíssimas vezes na vida) e me ajudaram bastante. 


Minha condição de "dodói" me trouxe várias descobertas. Vi que eu dependo, sim, de muita gente: pra tomar banho, pra levantar da cama, pra me levar ao médico. Eu, que sempre tentei fazer tudo sozinha, tive de acionar várias pessoas para me ajudar nas tarefas mais simples, desde fazer um curativo na imensa ferida que o asfalto quente abriu, até comprar um chocolate quando a vontade batia.


Eu, recebendo o carinho da minha linda e amada sobrinha Mariana.
Os primeiros pedidos de ajuda foram difíceis de fazer. E foi um soco no estômago descobrir na terapia que isso se devia ao fato de eu ser muito controladora e achar que não precisava de ajuda pra nada. Aliás, minha prepotência me fazia acreditar que o outros é que precisavam de minha ajuda. Eu? Ah, eu era boa o suficiente para dar conta de mim e de todos os outros. O acidente me mostrou que não é bem assim. Foi bom aprender a pedir colo, principalmente à minha família e aos amigos próximos. 

Outro grande aprendizado foi perceber que a mesma pessoa que te fez um dia sofrer muito pode ser aquela que te dá a mão numa hora extrema. Não dá pra definir o caráter de uma pessoa ou o seu sentimento por ela (e o dela por você) em situações isoladas, é preciso nunca se esquecer do contexto. Há pessoas que são seu céu e seu inferno. E isso é uma constatação, não um sentimento.


Fiquei emocionada algumas vezes quando o telefone tocava e era um colega de trabalho que nem era tão íntimo meu e, mesmo assim, se colocava à disposição para uma possível ajuda. Da mesma forma, alguns que eu julgava serem companheiros, não se deram ao trabalho de saber como eu estava. Ótima oportunidade para reciclar as amizades. 

Durante o longo tempo que fiquei afastada daquilo que julgava ser a vida real (a mesma vida que eu achava que estaria deixando de viver enquanto me recuperava) percebi que vida é vida. Esteja eu trabalhando, doente em casa ou de mal com o mundo. As coisas não param e sou eu quem devo me adaptar ao ritmo desta dança. As coisas continuam, esteja eu lá ou não.

Meses depois, voltei a trabalhar, ainda com alguma dificuldade para andar e tinha sempre alguém para me ajudar. Achava tão fofo receber este tipo de carinho. 


Uma pessoa me perguntou se era muito difícil me olhar no espelho e ver minha perna "deformada": enquanto a esquerda estava grossa e malhada, a direita estava fina, sem firmeza, com uma cicatriz berrante, feia mesmo. Respondi apenas "Dá para andar, então estou no lucro". 

Quando você passa pelo que eu passei, fica caída numa autopista tão movimentada em pleno horário de "rush", é socorrida por bombeiros, se depara com a emergência de um hospital público, ah, meu filho, quando você passa por isso, começa a olhar a vida com olhos menos críticos, as prioridades mudam.

Um dia, na terapia, concluí que aquele acidente era meu, era eu quem devia passar por tanta privação, dor. E, principalmente, que cabia somente a mim a decisão de ficar meses de repouso apenas ou refletir sobre minhas condutas, minhas prioridades e, sobretudo, sobre a fragilidade da vida.

Hoje, as pernas já estão com a mesma medida, ando normalmente e tenho uma pequena cicatriz no joelho. O engraçado é que sou super vaidosa, tenho mil cremes, adoro uma novidade da cosmética mas NUNCA, nunquinha, usei creme algum para tirar esta marca. Gosto de olhar para ela porque me faz lembrar o quanto fui forte.

Tombos, por mais violentos que sejam, não vencem os fortes, os decididos. De lá pra cá, já levei outros vários tombos. Alguns deles me pareciam ser o derradeiro. Que nada! De um jeito ou de outro, acabei me levantando.


Por tudo isso adoro cada uma das cicatrizes que trago - no corpo ou na alma.


OBS: Este texto foi publicado originalmente em 13/12/2008.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Que dia é hoje? Ah! É dia de ser feliz...




Na época de escola, eu e meu primo Adriano (e a torcida do Flamengo) adorávamos matar aulas. Se a conta tão alta (repetência!) não chegasse no final do ano, mataríamos aula de 2a a 6a-feira.
Então, a mente brilhante do Adriano chegou à uma conclusão: matar aula às 4as-feiras. Motivo: deixar de ir ao colégio neste dia "quebrava" a semana, tornando-a mais curta. Era uma espécie de fim de semana durante a semana.
Peguei a mania: na faculdade eu tentava de toda forma não me inscrever em matérias neste dia, que passou a ser sagrado, o dia do não fazer nada, ou melhor, fazer o que agrada.
Até a dieta ganha folga neste dia. Quarta-feira é dia de comer brigadeiro ou torta de morango.
Não sou muito chegada a grandes extravagâncias, do tipo ir pra noitada, beber todas. Não, não é nada disso. É só um dia cujo único objetivo é ter folga, relaxar e ser feliz, posto que a felicidade está nas simplicidades.
Tenho um horário flexível no trabalho e adivinhe o que faço no meu dia da semana predileto? Tiro umas três horas de "almoço" e vou ao salão, marco massagem ou simplesmente fico lá embaixo lendo. Virou hábito e dos mais prazerosos.
E não é que um rapazinho muito querido me mostrou uma poesia do mestre Mário de Andrade que tem tudo a ver com este meu "estilo de vida"?

"Que bobagem falar que é nas grandes ocasiões
que se conhece os amigos!
Nas grandes ocasiões é que não faltam amigos.
Principalmente neste Brasil
de coração mole e escorrendo.
E a compaixão, a piedade,
a pena se confundem com amizade.
Por isso tenho horror das grandes ocasiões.
Prefiro as quartas-feiras."

Um viva às 4as-feiras, dia que só os muito observadores enxergam a inutilidade que é o compromisso de esperar o final de semana para se divertir.

domingo, 30 de novembro de 2014

30 de novembro. Aniversário do Marco Antonio Gripp

Aquele baseadinho que você fumou, bem despretensiosamente, ajudou a comprar a arma que matou o Marco.



domingo, 2 de novembro de 2014

Flor amarela



Flor Amarela

Tem muita notícia por aí
neste mundo louco.
Tem muita coisa
acontecendo nas ruas e esquinas.

Tem gente, tem show
tem briga e descoberta

Tem tiro, tem lei
tem tanta coisa por aí
que meus olhos se enchem
de uma preguiça marota.
Uma preguiça de pensar sério
nos assuntos sérios da vida.

Uma preguiça moleca
que me faz prestar atenção
no flor amarela do vestido da vitrine.

Aline Mello

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

PRA ELE, COM CARINHO E SAUDADE. OU: PARA TUDO HÁ UMA CANÇÃO

Paixão que é paixão não se explica e eu sou completamente apaixonada (em todos os sentidos da palavra - e do sentimento) pelo Milton Nascimento.
Há alguns anos conheci um (mais um!) mineirinho muito querido, o Elder Costa, que é cantor e compositor.
Conversa vai, conversa vem e ele me disse que compôs com o Milton a música "Outro lugar". Fiquei muda. Pálida. Ele percebeu minha reação e falou "conhece?". Se eu conheço? Essa música é linda! É uma canção de amor, e das mais bonitas. Ele achou que era exagero e só se convenceu que eu não estava rasgando seda quando falei em qual CD do Milton ela estava (Pietà). Ah! E tive de cantar alguns trechos.
Pronto, Elder convencido de que eu adorava aquela canção, pegou o violão e cantou pra mim.
Isso foi lá em Passa Quatro e estávamos no restaurante de umas amigas nossas.
O restaurante não é mais da Suzy e da Mônica (já foi do meu amigo Gugu e da minha "mãe mineira", Júlia e hoje não sei se ainda existe), faz tempo que não vejo o Élder e também não tenho ido a Passa Quatro. Mas... as canções, assim como alguns sentimentos, são marcantes demais e parecem tatuagem.
Essa semana foi aniversário de um rapazinho muito, muito querido, cujos momentos que passamos juntos ainda habitam meu coração. E lembrei desta música.


Cê sabe que as canções são todas feitas pra você
E vivo porque acredito nesse nosso doido amor

Não vê que tá errado,
tá errado me querer quando convém
E se eu não estou enganado
acho que você me ama também

O dia amanheceu chovendo e a saudade me contém
O céu já tá estrelado e tá cansado de zelar pelo meu bem.

Vem logo que esse trem já tá na hora, tá na hora de partir
E eu já tô molhado, tô molhado de esperar você aqui

Amor, eu gosto tanto, eu amo, amo tanto o seu olhar
Andei por esse mundo louco, doido, solto com sede de amar
Igual a um beija-flor, que beija a flor,
De flor em flor eu quis beijar.

Por isso não demora que a história passa e pode me levar
E eu não quero ir, não posso ir pra lado algum
Enquanto não voltar.

Não quero que isso aqui dentro de mim
Vá embora e tome outro lugar
Talvez a vida mude e nossa estrada pode se cruzar
Amor, meu grande amor, estou sentindo
Que está chegando a hora de dormir


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dia da amizade

Hoje minha amada amiga-irmã-parceira faz aniversário. E tudo o que eu disser que desejo a ela será incompleto porque só eu sei como Deus foi bom e generoso ao colocar uma pessoa tão doce no meu caminho.

Gui, não há uma única vez que eu ouça a palavra "amizade" que não me lembre de você. A associação é imediata porque eu acho que aprendi a ser amiga com você.

Meu beijo cheio de amor e admiração. 

sábado, 20 de setembro de 2014

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Notícias de uma guerra particular

Não gosto de ser gorda. Algumas pessoas ficam bonitas gordas (e lá no blog Mulherão tem um monte de exemplo). Mas eu não me acho bonita quando estou acima do peso. Sei que tem muitas raízes por baixo desta minha briga com a balança, mas o fato é que fico mais bonita, mais de bem com a vida e, por consequência, mais legal com o mundo quando estou mais magra. 

E desde o início de julho comecei a Dieta Nota 10 e estou bem satisfeita com o resultado. Tanto do espelho quanto da balança.




sábado, 6 de setembro de 2014

Ele, o machismo

Na primeira vez que ele me falou para não confiar em mulheres, dei risada e levei na brincadeira. À noite, porém, fiquei pensando naquilo e perdi o sono.
Ouvi de novo e de novo e de novo: "mulheres são as piores inimigas delas mesmas", "amiga sempre tem inveja de amiga" ou "mulheres só sabem competir entre si".
De certa forma, aquelas palavras faziam algum sentido, afinal, era super comum ver as amigas falando mal umas das outras. Será que ele estava certo? Reparando bem, tinha um monte de menina metida na minha classe.
Aí um dia cheguei em casa falando para minha mãe que não sei quem se achava a menina mais bonita da cidade, era insuportável e eu tinha muita raiva dela. Acho que ganhei uma medalha dele naquele dia. 
E, para não desapontá-lo - até porque ele esteve certo o tempo todo - passei a evitar turminhas de amigas e também comecei a dizer que elas eram todas fúteis e burras.
Um dia, uma "grande amiga" minha, deu em cima do meu primeiro namorado. Bem que ele me avisou: mulheres são sempre grandes ameaças umas às outras e comecei a perceber que as amigas, primas, irmãs, todas elas eram muito melhores do que eu. "Vagabundas!". Ele sorriu satisfeito e explicou direitinho que todas as minhas inseguranças vinham delas, as outras mulheres. Sempre haveria outras mulheres muito mais bonitas do que eu, muito mais interessantes do que eu e certamente elas estava a postos para me passar a perna.
Fui uma excelente aluna dele, o machismo.  
Aí, um dia eu estava muito triste, cheia de questionamentos e a amiga mais bonita que eu tinha me deu uns conselhos tão bacanas, sabe? Por causa dessa preocupação (carinho?) dela passei a repreender as outras amigas que debochavam dela, que era bonita mas estudava em faculdade particular; que era muito bonita mas o peito era de silicone. 
Foi naquele dia que o machismo teve um ataque de fúria para cima de mim porque eu saquei que não sentia ciúmes da amiga bonita e com isso parei de ver as outras mulheres como inimigas em potencial. Ele me atacou, disse coisas horríveis e até - confesso - me desestabilizou um pouco. Mas lá estava a amiga bonita, novamente, me dando carinho e dizendo que eu podia contar com ela.
Ele se desesperou, me xingou, disse coisas horríveis porque se eu me tornasse amiga de outras e outras mulheres nós teríamos muito mais força para brigar com ele.
Então, de vez em quando ele me mandava uns recados e dizia que me falava aquelas coisas para o meu bem, para eu não me "desvirtuar" e passar a pensar que poderia ser diferente, ser moderninha. E que se um dia eu pusesse em prática aquele meu discurso de igualdade entre homens e mulheres - aquela palhaçada, nas palavras dele, de que homem tem de respeitar a mulher, tem de ajudar em casa, com os filhos - ah, se eu ousasse colocar em prática esse meu discursinho feminista eu ia me dar muito, muito mal na vida. Se calhar, nem me casaria. 
O machismo acha que mulher tem de seguir os exemplos de nossas avós, tem de ficar em casa cozinhando, lavando e tal. E se quiser trabalhar, pode até trabalhar, mas tem de fazer os deveres de casa também. E mulher que não encaixa muito nestes moldes e resolve, sei lá, não ter filhos, nossa! esse tipo de mulher é uma vadia e quer destruir a sociedade, a família. É uma egoísta que vai sofrer muito na velhice. Vai morrer de solidão.
É, o machismo é feroz: fala umas coisas que assustam a gente, às vezes dá até medo me não seguir sua cartilha. Mas percebi como ele perigoso e cruel, e joga sujo, porque joga com suposições, usa do passado como exemplo para nós, que estamos aqui, tão contemporâneas e dizem que o futuro vai ser sombrio por causa de mulher assim, que nem eu. 
O machismo não gosta da mulher, embora o machista adore se gabar de ser tão macho, tão hétero. O machismo só admite mulher posição de fácil dominação: sem estudo, sem um bom emprego, dependente dele. 
Entendo o objetivo do machismo - por mais que não compactue, eu entendo: ele quer colocar o homem no papel do fodão, do indispensável. E sua sobrevivência está garantida enquanto meninas continuarem acreditando no que ouvem se tornando, por isso, mulheres inimigas de outras mulheres. Enquanto houver uma disputa, uma única que seja - quem tem o cabelo mais liso? quem tem a bunda mais dura? - o machismo está garantido, vai procriar feito coelho. A estratégia desse cara senil é ensinar que a gente tem de ser magra e jovem e passiva. Seu ego doentio se alimenta do que ele nos ensinou ser as nossas fragilidades: cabelo sem chapinha, celulite, peito caído. 
Mas o que, definitivamente, nunca, nunquinha, vou entender é o papel do machista. Por que tanto medo de uma mulher ao lado, em pés de igualdade?  

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Eu tenho um melhor amigo


Todo mundo tem um melhor amigo ou amiga. Eu tenho duas melhores amigas. Acho que sabem tudo sobre mim. Aliás, e ai está o problema das melhores amigas, elas sabem mais de mim do que eu mesma. Tenho um medo fodido de um dia elas me jogarem tudo na cara. Será? No posto de melhores amigas elas não deveriam fazer isso, mas sei lá se eu faço alguma merda federal e elas falem, de verdade, quem eu sou. Prefiro nem pensar nisso.
Tenho também um melhor amigo homem. E tenho meu melhor amigo virtual. Nos conhecemos num destes sites que prometem te fazer conhecer o grande amor da sua vida. A gente se comunica há mais de 1 ano, mas faltou, na mesma proporção, coragem e oportunidade para nos conhecer pessoalmente. Acho até bom, por um lado. Pode ser que o "ao vivo" nos fizesse ter reservas um com o outro. Para quem eu ia falar todas minhas esquisitices? A tela do computador é uma espécie de proteção, que nem aquele sorriso forçado que a gente dá mesmo quando tomou aquele pé na bunda mas sabe que o mundo não tem nada com isso. E também porque é preciso manter a dignidade. Ou, pelo menos, a pose.
Quem não conhece o mundo virtual talvez não entenda a relação estreita que se cria nas trocas infinitas de e-mails ou nos skypes da vida. É uma coisa absurda o quanto a gente se expõe, se abre, se confessa. Até se apaixona e morre de dor de corno por um alguém virtual.
Eu e ele somos do tipo que jamais poderia mesmo se conhecer pessoalmente, jamais poderia conviver. Eu vivo na merda, ele também. De vez em quando, rolam uns papos que parecem guerrinhas do tipo "sou mais fodido do que você". Mas ele sempre perde, não que eu seja sempre a mais fodida, mas é que escrevo muito mais do que ele. Sou a boca da relação, ele é o ouvido. De vez em quando me dá uns cutucões e mando ele ficar quieto porque eu já sei aquilo e ouvir só piora as coisas. Ele é um fofo e me entende. Ou finge que entende. Sempre me chama de maluca. Ele pode me chamar de maluca quantas vezes quiser, porque ele conhece cada uma das minhas manias loucas. Ele sabe tudo sobre mim, aliás, dos últimos 2 ou 3 anos da minha vida, ele sabe muito mais do que minhas melhores amigas.
A gente fala muita besteira, claro. Mas rolam uns papos-cabeça. Outro dia falamos sobre nossa fodição primordial, nossa "Fodição Capital" : pensar muito. Ele questiona tudo na vida, eu também sou assim. Penso muito e o dia todo. Eu nunca tinha pensado nisso, mas o irmão dele falou pra ele que o pior defeito dele é esse e ele se lembrou de mim.
Concluímos que grande parte de nossos problemas nasce dessa mania esquisita de pensar muito, o dia todo, sem parar. Isso não pode acabar bem.
O final do ano está quase chegando e isso me arrepia: é hora de repensar a vida. Sabe lá o que é uma pessoa que pensa compulsivamente o ano todo entrar numas de "repensar"? Estou fingindo que ainda é fevereiro.
É curioso que essa maquininha aqui consiga fazer uma pessoa como eu ser amiga de outra, como ele. É que nós dois temos implicância com gente. Ele é esquisitão, tem jeito de que, quando bebe umas e outras, aperta o braço da namorada. Eu sou esquisita até dizer chega. De tão esquisita, estranha, fiz amizade com um blogueiro cujo lema dos posts é "Estranho? Bizarro? Esquisito? Conte pra nós".
Meu amigo fala pouco, já disse. Mas faz umas observações brilhantes. E tem uma paciência comigo... De vez em quando diz que está ocupado (a gente tecla do trabalho) mas deve ser cansaço. Eu também ficaria cansada de mim. Eu fico cansada de mim.
Tomei um pé na bunda outro dia e ele, que acompanhou minha "paixonite" desde o início, falou "cantei a pedra". Quando alguém fala isso pra mim, eu mando logo tomar no cu. Mas ele eu não mandei,não. Não que eu nunca o tenha mandado se foder ou outras gentilezas afins, mas dessa vez eu dei razão a ele. E agora ele está incumbido de ser meu "personal lover": vai dizer o que eu posso ou não fazer, o que devo falar, o que jamais devo dizer. Tenho de avisá-lo sobre esse novo cargo.
Vamos ver se dessa vez eu aprendo. Porque vou te contar uma coisa: já estou de saco cheio de chorar minhas dores de cotovelo pra ele. Bem, estou é cansada de dor de cotovelo.
Será que dá certo isso? Um "virtual friend" acumulando a função com "personal lover"? Pelo sim, pelo não, amanhã eu tenho aula marcada com um, advinhe, "personal trainner"! É isso aí: o ano já se encaminha para o fim e vai ser duro me aturar repensando a vida. Tenho de me ocupar e exercício físico serve pra isso: me deixa exausta e não penso tanto. Ah! essa paranoia de final de ano me atinge mais particularmente porque tem o agravante de eu fazer aniversário no 4º dia do ano. Começar Ano Novo com idade nova é um carma, é muito sofrimento. Então, que seja um sofrimento com uma bundinha dura e perninha sarada.
PS1: Será que corpinho sarado é garantia de final feliz? Quero acreditar que sim. Mas e se não for? Vou pensar no assunto e amanhã o amigo virtual vai se cansar de tanto ouvir esse papo.
PS2: Que bom que a gente nunca vai se conhecer: a bunda não vai ficar dura em 2, 3 meses, a perna não vai ficar sarada e eu vou continuar deprimida como sempre. Então, o que eu menos vou precisar é de um olhar reprovador: mas é só isso? Você falou que estava se esforçando...
PS3: Se ele falar isso, mando ele pra puta que pariu. E vamos rir 3 dias seguidos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Racismo no futebol



Este recente caso de xingamento ao jogador Aranha, me fez lembrar de um episódio que aconteceu há poucos dias:


Estava sentada num banco numa praça perto do meu trampo, lendo. Olhei para o relógio e vi que o horário de almoço estava no fim. Fiz menção de levantar e naquele exato momento um rapaz negro estava se sentando perto. Quando me viu levantando, falou bem alto "Você é racista!". Fiquei tão chocada e só consegui falar "Racista? Logo eu? O que você sabe de mim?". Ele falou que só por que ele ia se sentar eu me apressei a levantar.

Recomposta da injustiça, apenas falei "Pois saiba que sou descendente de Teixeira de Gouvêa e se eu cometer qualquer ato racista, mereço uma surra". O rapaz não entendeu nada e ficou me olhando assustado. Falei para ele que, da mesma maneira que ele se sentia ofendido quando sofria algum tipo de discriminação, eu também muito me ofendera naquele momento, ao ser xingada de racista. Sim, porque se algumas pessoas "xingam" um negro de negro, macaco ou sei lá mais o quê, para mim, ser chamada de racista era um xingamento com igual intensidade.

E para explicar : Teixeira de Gouvêa foi um fazendeiro em Macaé e na época pós libertação dos escravos, ele, que havia muito já não tinha mais escravos e sim funcionários, mandou que todas as tardes houvesse uma mesa na fazenda com comidas, frutas e água. Era para os "negros forros", que deixaram de ser escravos e nem por isso viraram cidadãos, poderem se alimentar. Os ex escravos perambulavam pelas estradas, famintos, mas ao final do dia sabiam que havia um lugar onde poderiam matar a fome e a sede. E este lugar era uma fazendo do tio de meu avô.


Em justíssima homenagem, foi inaugurada uma rua com seu nome. E nós da família Gouvêa temos muito orgulho de nosso ancestral e trazemos conosco a responsabilidade de honrá-lo e a forma de fazermos isso é uma só: repudiar toda e qualquer manifestação de ignorância ao repúdio pela cor da pele.