sábado, 20 de setembro de 2014

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Moço, me dá aí dois quilos de humildade, por favor.

Tem hora que só a razão e os bons modos que aprendi (aprendi?) me impedem de bater em alguém. Ou em mim mesma, já que o problema é comigo. Embora eu ache que o mundo todo esteja errado.
Só meu lado racional não me deixa fazer o que mais desejo de vez em quando: pular da janela, me jogar na frente de um ônibus. Ou dormir por muito, muito tempo, até a tristeza passar. E como ela não passa, me vejo por aí desejando quebrar tudo pela casa, atropelar alguém, me lixar pro que pensam de mim. A consciência me freia e, resignada, passo meu blush e um batom cor de boca e vou por aí com a tristeza camuflada.
Quando sinto essa tristeza de agora, quase não suporto acordar. Detesto o sol entrando pela minha janela e sinto que vou explodir em lágrimas. Mas já não choro há tanto tempo. Não adianta chorar quando a tristeza é daquelas muito, muito grandes. Chorar, nessas horas, só aumenta o desespero, porque me faz lembrar que não vai resolver porra nenhuma.
Além de saber que não resolve, ainda tem o agravante: como uma criatura nariz empinado como eu, arrogante como eu vai explicar que passou horas chorando? Arrogância é isso aí: esconder até o que mora em mim, o que é tatuado em mim. Meu nariz empinado, meu ar de quem vence todas jamais me permite dizer nem que peguei o caminho errado. Imagine deixar que vejam como sou quase só tristeza. Tem gente que vive experiência de quase morte; eu vivo experiência de quase vida, que é quando dou um jeito de maquiar minha tristeza. Seja gastando uma grana no shopping, seja viajando pela Europa ou só dizendo que tá tudo bem. Mas quase nunca tá tudo bem.
O bombeiro consertou o vazamento do banheiro e paguei com cheque. Chegaram as cortinas novas e ficaram ótimas. O marceneiro fez uma mesinha de centro linda, do jeito que eu desenhei. Mas e daí? Não sorri de verdade. Não senti nem uma pontinha de alegria.
Ontem fui à uma festa ótima. Hoje vou ver uma peça de teatro cujo texto já conheço e adoro. Pode ser que fique quase feliz, afinal, teatro com ele tem tudo pra ser o melhor programa do mundo. Pode ser que me alegre. Mas só de pensar que posso ficar felizinha, já fico mais triste do que antes, porque depois de um surto de alegria vem a tristeza de sempre. Vem como nunca. Dá vontade de não ir só pra não ter que voltar. Amanhã tenho dentista, e me parece um programa bem mais animador, afinal, à minha tristeza somam-se o desconforto da anestesia e a dor (física) de quando o efeito passa. Sentir dor não me faz lembrar da tristeza que sempre volta. Ou que nunca vai.
Tá decidido: não vou ao teatro. Ele nem vai se importar e isso me deixa triste pra cacete. Vou ficar aqui, de frente pra TV, letárgica. Triste profissional.
Ser adulto é isso. É dar bom dia pro vizinho no elevador, pagar conta pelo site do banco, esquecer da consulta com o médico. Fazer tudo isso com uma vontade tremenda de morrer, de dormir um tempão, de atropelar alguém. É viver com uma tristeza involuntária sempre renascendo no peito. E não deixar a vida parar: tenho livros pra ler, gaveta pra arrumar.
Se ao menos eu conseguisse chorar. Sei lá pra quê, mas só pra aliviar um pouco. Talvez fosse um caminho, já tentei tanta coisa: bebida, exercício, jogo.... Sou dispersa demais para me concentrar num jogo e cartas e partidas de buraco são eternas e me deixam aflita. Bebida me dá ressaca, sem contar que é sempre assim : beber e ligar pra ele. Por isso a corrida me agrada. Quando pego o tênis, eu quero mesmo é fugir de mim. É na hora da corrida que fico um pouco mais esperançosa, porque botei na cabeça que um dia vou conseguir mesmo correr tanto, mas tanto que vou me deixar pra trás. E quando eu estiver bem longe de mim, vou ser igual àquelas pessoas que são mais vivas do que eu, que tem sempre alguma coisa pra comemorar
Quem sabe um dia não vou acordar cinco vezes no meio da noite pra pensar. Nem vou deitar pensando, acordar pensando. Outro sinal da minha arrogância: eu penso porque quero entender. Mas não entendo nada e isso me enche de mais tristeza, de tanta tristeza que me dá vontade de sair daqui de mim. Eu quero ir embora de mim e pensar menos, e ser humilde e deixar que os outros entendam aquilo tudo que não é feito pra ser entendido.

Enquanto ele não chega



Sou a favor do amor. Sempre. Sou daquelas que precisa estar apaixonada o tempo todo. Claro que na maioria das vezes o alvo da minha paixão é um rapaz mais ou menos alto, com cara de homem e que beija bem. Mas algumas vezes me apaixono também por um livro, por um trabalho novo. Até por novelas eu sou apaixonada.


Minha última paixão durou 10 meses. Quase um ano de adrenalina pura: frio no estômago, downloads de música para ele, contagem regressiva para o próximo encontro. Uma delícia de vida. Até que a chama foi apagando. A chama dele, é bom deixar claro. Comecei a perceber aqueles sinais que a gente adora fingir que não estão ali, acenando pra gente a fim de mostrar que o outro não está na mesma sintonia. Por sorte os percebi e tratei de fazer o que era preciso: me afastei. Certa vez ouvi que uma dama sempre sabe a hora de se retirar e, mesmo sem ser assim tão dama, tão fina, agi como se fosse. Doeu? Pra caramba, mas doeria muito mais ver aquela história tão gostosa ir morrendo aos poucos. Enchi-me de coragem e falei "acabou, né?". Ele ficou atônito, sem palavras e eu continuei: neguinho, lembra o que combinamos no início? Que só ficaríamos juntos para sermos felizes, nossos momentos juntos seriam os melhores do mundo. Nossa história foi incrível, mas você não está mais a fim, então é hora de acabar.


Acabamos eu e ele, a paixão continuou. Mas meu lado capricorniano fala alto de vez em quando e me faz usar a razão: não vale a pena estar com alguém que não vai feliz da vida ao cinema comigo. Não vale a pena fazer-me cega para a falta de paixão do outro. Semanas de choro e muito colinho de amigas depois, reencontrei meu eixo e fiquei feliz por saber que fiz algo tão bom para minha autoestima, para meu amor próprio. E, principalmente, por ver que não deixei uma linda história de paixão, sexo e desejo virar uma coisa mais ou menos. Nosso romance teve um infarto fulminante, não precisou ir pra UTI, não agonizou. E hoje é uma linda lembrança.


Ok, eu sei que você vai pensar "pô, Aline, você deveria ter investido mais" ou "Ai, você desiste muito fácil". Não, eu não desisto fácil, eu só aprendi que para mim "pouco" nunca é o bastante. Eu quero tudo, eu quero muito. Sim, você advinhou: eu sou exigente. Estar com alguém que não está comigo me faz um mal imenso. E há algum tempo aprendi que sou eu que preciso cuidar de mim, não posso deixar esta responsabilidade nas mãos do outro. É muita responsabilidade para ele e muita burrice da minha parte.


Geralmente condicionar a felicidade ao fato de ter um namorado faz mal à minha saúde mental, à minha autoestima. E quando a paixão vai ladeira abaixo, me dá uma vontade imensa de desistir do amor. E se tem uma coisa a que me recuso é endurecer meu coração. O dia que isto acontecer vou perder o que tenho de mais bonito em mim: a capacidade de amar. Então, prefiro eu mesma cuidar de mim, ser seletiva, ser cuidadosa. Sou especial demais para me entregar a qualquer um. Da mesma forma que abandono um livro ruim, não uso uma roupa que não me caia bem, também dispenso um namoro morno. Sou especial demais e qualquer hora vai pintar um carinha apaixonado por mim. Enquanto isso, vou curtindo outras paixões: meus livros, meus textos, meus amigos.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Notícias de uma guerra particular

Não gosto de ser gorda. Algumas pessoas ficam bonitas gordas (e lá no blog Mulherão tem um monte de exemplo). Mas eu não me acho bonita quando estou acima do peso. Sei que tem muitas raízes por baixo desta minha briga com a balança, mas o fato é que fico mais bonita, mais de bem com a vida e, por consequência, mais legal com o mundo quando estou mais magra. 

E desde o início de julho comecei a Dieta Nota 10 e estou bem satisfeita com o resultado. Tanto do espelho quanto da balança.




sábado, 6 de setembro de 2014

Ele, o machismo

Na primeira vez que ele me falou para não confiar em mulheres, dei risada e levei na brincadeira. À noite, porém, fiquei pensando naquilo e perdi o sono.
Ouvi de novo e de novo e de novo: "mulheres são as piores inimigas delas mesmas", "amiga sempre tem inveja de amiga" ou "mulheres só sabem competir entre si".
De certa forma, aquelas palavras faziam algum sentido, afinal, era super comum ver as amigas falando mal umas das outras. Será que ele estava certo? Reparando bem, tinha um monte de menina metida na minha classe.
Aí um dia cheguei em casa falando para minha mãe que não sei quem se achava a menina mais bonita da cidade, era insuportável e eu tinha muita raiva dela. Acho que ganhei uma medalha dele naquele dia. 
E, para não desapontá-lo - até porque ele esteve certo o tempo todo - passei a evitar turminhas de amigas e também comecei a dizer que elas eram todas fúteis e burras.
Um dia, uma "grande amiga" minha, deu em cima do meu primeiro namorado. Bem que ele me avisou: mulheres são sempre grandes ameaças umas às outras e comecei a perceber que as amigas, primas, irmãs, todas elas eram muito melhores do que eu. "Vagabundas!". Ele sorriu satisfeito e explicou direitinho que todas as minhas inseguranças vinham delas, as outras mulheres. Sempre haveria outras mulheres muito mais bonitas do que eu, muito mais interessantes do que eu e certamente elas estava a postos para me passar a perna.
Fui uma excelente aluna dele, o machismo.  
Aí, um dia eu estava muito triste, cheia de questionamentos e a amiga mais bonita que eu tinha me deu uns conselhos tão bacanas, sabe? Por causa dessa preocupação (carinho?) dela passei a repreender as outras amigas que debochavam dela, que era bonita mas estudava em faculdade particular; que era muito bonita mas o peito era de silicone. 
Foi naquele dia que o machismo teve um ataque de fúria para cima de mim porque eu saquei que não sentia ciúmes da amiga bonita e com isso parei de ver as outras mulheres como inimigas em potencial. Ele me atacou, disse coisas horríveis e até - confesso - me desestabilizou um pouco. Mas lá estava a amiga bonita, novamente, me dando carinho e dizendo que eu podia contar com ela.
Ele se desesperou, me xingou, disse coisas horríveis porque se eu me tornasse amiga de outras e outras mulheres nós teríamos muito mais força para brigar com ele.
Então, de vez em quando ele me mandava uns recados e dizia que me falava aquelas coisas para o meu bem, para eu não me "desvirtuar" e passar a pensar que poderia ser diferente, ser moderninha. E que se um dia eu pusesse em prática aquele meu discurso de igualdade entre homens e mulheres - aquela palhaçada, nas palavras dele, de que homem tem de respeitar a mulher, tem de ajudar em casa, com os filhos - ah, se eu ousasse colocar em prática esse meu discursinho feminista eu ia me dar muito, muito mal na vida. Se calhar, nem me casaria. 
O machismo acha que mulher tem de seguir os exemplos de nossas avós, tem de ficar em casa cozinhando, lavando e tal. E se quiser trabalhar, pode até trabalhar, mas tem de fazer os deveres de casa também. E mulher que não encaixa muito nestes moldes e resolve, sei lá, não ter filhos, nossa! esse tipo de mulher é uma vadia e quer destruir a sociedade, a família. É uma egoísta que vai sofrer muito na velhice. Vai morrer de solidão.
É, o machismo é feroz: fala umas coisas que assustam a gente, às vezes dá até medo me não seguir sua cartilha. Mas percebi como ele perigoso e cruel, e joga sujo, porque joga com suposições, usa do passado como exemplo para nós, que estamos aqui, tão contemporâneas e dizem que o futuro vai ser sombrio por causa de mulher assim, que nem eu. 
O machismo não gosta da mulher, embora o machista adore se gabar de ser tão macho, tão hétero. O machismo só admite mulher posição de fácil dominação: sem estudo, sem um bom emprego, dependente dele. 
Entendo o objetivo do machismo - por mais que não compactue, eu entendo: ele quer colocar o homem no papel do fodão, do indispensável. E sua sobrevivência está garantida enquanto meninas continuarem acreditando no que ouvem se tornando, por isso, mulheres inimigas de outras mulheres. Enquanto houver uma disputa, uma única que seja - quem tem o cabelo mais liso? quem tem a bunda mais dura? - o machismo está garantido, vai procriar feito coelho. A estratégia desse cara senil é ensinar que a gente tem de ser magra e jovem e passiva. Seu ego doentio se alimenta do que ele nos ensinou ser as nossas fragilidades: cabelo sem chapinha, celulite, peito caído. 
Mas o que, definitivamente, nunca, nunquinha, vou entender é o papel do machista. Por que tanto medo de uma mulher ao lado, em pés de igualdade?  

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Eu tenho um melhor amigo


Todo mundo tem um melhor amigo ou amiga. Eu tenho duas melhores amigas. Acho que sabem tudo sobre mim. Aliás, e ai está o problema das melhores amigas, elas sabem mais de mim do que eu mesma. Tenho um medo fodido de um dia elas me jogarem tudo na cara. Será? No posto de melhores amigas elas não deveriam fazer isso, mas sei lá se eu faço alguma merda federal e elas falem, de verdade, quem eu sou. Prefiro nem pensar nisso.
Tenho também um melhor amigo homem. E tenho meu melhor amigo virtual. Nos conhecemos num destes sites que prometem te fazer conhecer o grande amor da sua vida. A gente se comunica há mais de 1 ano, mas faltou, na mesma proporção, coragem e oportunidade para nos conhecer pessoalmente. Acho até bom, por um lado. Pode ser que o "ao vivo" nos fizesse ter reservas um com o outro. Para quem eu ia falar todas minhas esquisitices? A tela do computador é uma espécie de proteção, que nem aquele sorriso forçado que a gente dá mesmo quando tomou aquele pé na bunda mas sabe que o mundo não tem nada com isso. E também porque é preciso manter a dignidade. Ou, pelo menos, a pose.
Quem não conhece o mundo virtual talvez não entenda a relação estreita que se cria nas trocas infinitas de e-mails ou nos skypes da vida. É uma coisa absurda o quanto a gente se expõe, se abre, se confessa. Até se apaixona e morre de dor de corno por um alguém virtual.
Eu e ele somos do tipo que jamais poderia mesmo se conhecer pessoalmente, jamais poderia conviver. Eu vivo na merda, ele também. De vez em quando, rolam uns papos que parecem guerrinhas do tipo "sou mais fodido do que você". Mas ele sempre perde, não que eu seja sempre a mais fodida, mas é que escrevo muito mais do que ele. Sou a boca da relação, ele é o ouvido. De vez em quando me dá uns cutucões e mando ele ficar quieto porque eu já sei aquilo e ouvir só piora as coisas. Ele é um fofo e me entende. Ou finge que entende. Sempre me chama de maluca. Ele pode me chamar de maluca quantas vezes quiser, porque ele conhece cada uma das minhas manias loucas. Ele sabe tudo sobre mim, aliás, dos últimos 2 ou 3 anos da minha vida, ele sabe muito mais do que minhas melhores amigas.
A gente fala muita besteira, claro. Mas rolam uns papos-cabeça. Outro dia falamos sobre nossa fodição primordial, nossa "Fodição Capital" : pensar muito. Ele questiona tudo na vida, eu também sou assim. Penso muito e o dia todo. Eu nunca tinha pensado nisso, mas o irmão dele falou pra ele que o pior defeito dele é esse e ele se lembrou de mim.
Concluímos que grande parte de nossos problemas nasce dessa mania esquisita de pensar muito, o dia todo, sem parar. Isso não pode acabar bem.
O final do ano está quase chegando e isso me arrepia: é hora de repensar a vida. Sabe lá o que é uma pessoa que pensa compulsivamente o ano todo entrar numas de "repensar"? Estou fingindo que ainda é fevereiro.
É curioso que essa maquininha aqui consiga fazer uma pessoa como eu ser amiga de outra, como ele. É que nós dois temos implicância com gente. Ele é esquisitão, tem jeito de que, quando bebe umas e outras, aperta o braço da namorada. Eu sou esquisita até dizer chega. De tão esquisita, estranha, fiz amizade com um blogueiro cujo lema dos posts é "Estranho? Bizarro? Esquisito? Conte pra nós".
Meu amigo fala pouco, já disse. Mas faz umas observações brilhantes. E tem uma paciência comigo... De vez em quando diz que está ocupado (a gente tecla do trabalho) mas deve ser cansaço. Eu também ficaria cansada de mim. Eu fico cansada de mim.
Tomei um pé na bunda outro dia e ele, que acompanhou minha "paixonite" desde o início, falou "cantei a pedra". Quando alguém fala isso pra mim, eu mando logo tomar no cu. Mas ele eu não mandei,não. Não que eu nunca o tenha mandado se foder ou outras gentilezas afins, mas dessa vez eu dei razão a ele. E agora ele está incumbido de ser meu "personal lover": vai dizer o que eu posso ou não fazer, o que devo falar, o que jamais devo dizer. Tenho de avisá-lo sobre esse novo cargo.
Vamos ver se dessa vez eu aprendo. Porque vou te contar uma coisa: já estou de saco cheio de chorar minhas dores de cotovelo pra ele. Bem, estou é cansada de dor de cotovelo.
Será que dá certo isso? Um "virtual friend" acumulando a função com "personal lover"? Pelo sim, pelo não, amanhã eu tenho aula marcada com um, advinhe, "personal trainner"! É isso aí: o ano já se encaminha para o fim e vai ser duro me aturar repensando a vida. Tenho de me ocupar e exercício físico serve pra isso: me deixa exausta e não penso tanto. Ah! essa paranoia de final de ano me atinge mais particularmente porque tem o agravante de eu fazer aniversário no 4º dia do ano. Começar Ano Novo com idade nova é um carma, é muito sofrimento. Então, que seja um sofrimento com uma bundinha dura e perninha sarada.
PS1: Será que corpinho sarado é garantia de final feliz? Quero acreditar que sim. Mas e se não for? Vou pensar no assunto e amanhã o amigo virtual vai se cansar de tanto ouvir esse papo.
PS2: Que bom que a gente nunca vai se conhecer: a bunda não vai ficar dura em 2, 3 meses, a perna não vai ficar sarada e eu vou continuar deprimida como sempre. Então, o que eu menos vou precisar é de um olhar reprovador: mas é só isso? Você falou que estava se esforçando...
PS3: Se ele falar isso, mando ele pra puta que pariu. E vamos rir 3 dias seguidos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Racismo no futebol



Este recente caso de xingamento ao jogador Aranha, me fez lembrar de um episódio que aconteceu há poucos dias:


Estava sentada num banco numa praça perto do meu trampo, lendo. Olhei para o relógio e vi que o horário de almoço estava no fim. Fiz menção de levantar e naquele exato momento um rapaz negro estava se sentando perto. Quando me viu levantando, falou bem alto "Você é racista!". Fiquei tão chocada e só consegui falar "Racista? Logo eu? O que você sabe de mim?". Ele falou que só por que ele ia se sentar eu me apressei a levantar.

Recomposta da injustiça, apenas falei "Pois saiba que sou descendente de Teixeira de Gouvêa e se eu cometer qualquer ato racista, mereço uma surra". O rapaz não entendeu nada e ficou me olhando assustado. Falei para ele que, da mesma maneira que ele se sentia ofendido quando sofria algum tipo de discriminação, eu também muito me ofendera naquele momento, ao ser xingada de racista. Sim, porque se algumas pessoas "xingam" um negro de negro, macaco ou sei lá mais o quê, para mim, ser chamada de racista era um xingamento com igual intensidade.

E para explicar : Teixeira de Gouvêa foi um fazendeiro em Macaé e na época pós libertação dos escravos, ele, que havia muito já não tinha mais escravos e sim funcionários, mandou que todas as tardes houvesse uma mesa na fazenda com comidas, frutas e água. Era para os "negros forros", que deixaram de ser escravos e nem por isso viraram cidadãos, poderem se alimentar. Os ex escravos perambulavam pelas estradas, famintos, mas ao final do dia sabiam que havia um lugar onde poderiam matar a fome e a sede. E este lugar era uma fazendo do tio de meu avô.


Em justíssima homenagem, foi inaugurada uma rua com seu nome. E nós da família Gouvêa temos muito orgulho de nosso ancestral e trazemos conosco a responsabilidade de honrá-lo e a forma de fazermos isso é uma só: repudiar toda e qualquer manifestação de ignorância ao repúdio pela cor da pele.