segunda-feira, 28 de julho de 2014

O que é bullying? E porque fazem isso?

Esta semana tive um sonho pesadelo bem desagradável: meu gatinho deu em cima de minha prima e ela correspondeu. Começaram a namorar.

Acordei assustada, voltei a dormir e... o pesadelo continuou.

Sofri tanto. Acho que, na verdade, "re-sofri": era um Déjà Vu. 
Mas desta vez havia um agravante. A prima era diferente, era a Gab e a Gab não faria isso comigo.

Tive amigas que eram as "figurinhas carimbadas", mestras em fazer isso comigo. E não era por se tratar de um carinha interessante. Era pelo prazer de me atingir. 
Mas a Gab, não. Era como se fosse algo do tipo "pô, só faltava você. E você não podia. A gente se ama, Gab". Mesmo que uma vez ou outra você tenha debochado por eu ser gorda, essa baixaria você não faria comigo.


Pronto. Toquei no assunto chave. Fui uma adolescente gorda e, como todos sabem, gordas são feitas para serem zoadas, virarem piadinhas, não serem paqueradas e terem seus eventuais namorados roubados pelas magras. Na adolescência, então, esta é uma regra sem qualquer exceção. 


Todas estas regras foram aplicadas em mim: fui menosprezada diversas vezes por ser gorda. Quando ficava a fim de um cara e ele não queria nada comigo (99% das vezes), ouvia - direta ou indiretamente - que o motivo era mais do que óbvio: como o cara vai gostar de você, Aline? Você é gorda.


De uns tempos para cá deram um nome para essa zoação/ maldade: bullying. E não tenho muita certeza de que os tantos estudos que fazem sobre o tema conseguem dimensionar a ferida que fica na alma, para sempre, de quem sofre.


Sofri isso na escola, na família. A única pessoa que nunca debochou ou me repreendeu por ser gorda foi meu pai. Todos os outros - íntimos ou não- deram, ao menos uma vez, uma cutucadinha. Acho que vem daí minha vocação a ter amigos homens, embora tenha ouvido muitas coisas chatas de alguns meninos.

Mesmo sem querer, lembro das piadinhas das "amigas" e uma pergunta fica martelando: o que leva uma pessoa, que supostamente te quer bem - afinal, frequenta sua casa, participa de sua vida - ser tão malvada? Tão cruel?


Que estranha forma de obter prazer: menosprezar uma adolescente ao chamá-la de gorda. "Chamar" não é o verbo certo. Acho que o mais apropriado é "ofender", porque ser gordo não deveria ser xingamento, mas é usado como tal
.


Não entendo o sádico prazer que uma amiga tinha em "roubar" qualquer carinha por quem eu estivesse interessada. Não era autoafirmação, afinal, disputar um cara comigo era como chutar cachorro morto: eu não tinha chances. Eu era gorda e isso eliminava em 132% minhas chances. Era maldade, pura e simples. O porquê talvez eu nunca entenda mas a consequência disso contribuiu muito para meu complexo eterno de inferioridade.


Nem todas as amigas eram agressivas, algumas me tratavam como "café com leite", ou seja, eu era aquela que não representava qualquer perigo: podiam ir à uma festa comigo sem correr o perigo de eu receber uma cantada do garoto de quem ela estava a fim. Era doído ser tratada assim. Era uma espécie de "certificado de não atraente". Mas era uma maldade mais branda, passiva até. Acho só que elas esqueciam que eu tinha coração, sentimentos. Mas para elas era super coerente: sou gorda, logo nenhum carinha vai se interessar por mim. Por minha parte, para não bancar a ridícula, não deveria ousar me interessar por ninguém, afinal, sabia meu lugar na cadeia alimentar da sedução. 


Até hoje trago consequências psicológicas desses "maus tratos". Claro que terapia e maturidade me fizeram superar muita coisa, mas ainda tem muito, muito complexo latente em mim. Eu tenho vergonha de ter sido gorda na adolescência, eu tenho vergonha de ser gorda, mesmo quando visto manequim 40. Meus complexos nascidos na adolescência me fazem travar e colocam mil empecilhos na hora de sair em uma foto, experimentar uma roupa ou pensar em me aproximar de um rapaz. 


Não sei se um dia vou superar isso. Certamente, o
 jamais entenderei é o porquê de algumas pessoas sentirem tanto prazer em diminuir o outro. Sadismo, maldade, repetição de comportamento do senso comum?


O irônico disso tudo é que muitas daquelas pessoas que me zoavam, e ofendiam, e riam de mim, atualmente deram uma bela "embarangada": as meninas ganharam alguns (vários) quilos, os rapazes ficaram carecas e vários ficaram parados no tempo, estáticos em suas vidinhas casamento-filhos-chopp-trabalho-e-só. 


Prato cheio para uma revanche, né? Mas além de não entender o prazer de magoar o outro, em absoluto eu teria coragem de fazer qualquer menção a isso. Não sou santa: às vezes me vem aquele diabinho e fala "dá uma zoada", fala "envelheceu mal, hein?". Mas o que isso iria me acrescentar como pessoa? 


Sigo em frente, com meus inúmeros complexos de inferioridade mas com a certeza de que não me renderei ao jogo baixo do deboche, do escárnio.


Up date: Esta foto aqui poderia ser para "sambar" na cara de quem já se deliciou tanto me "xingando" de gorda. Mas eu prefiro dizer que é um registro de mais uma FLIP da qual participei.




sábado, 12 de julho de 2014

ANIVERSÁRIO DE AMIGO


Sabe quando você olha para uma pessoa e sente como se ela tivesse uma espécie de imã, algo que faz você se sentir ligado a ela imediatamente?

Não há muitas explicações para isso. Será que é isso o tal do "amor à primeira vista"? Talvez sim, porque esta expressão não deve ser aplicada somente ao amor entre homem e mulher. Pode muito bem ser aplicada no que se refere à amizade.

Pois é, a primeira vez que vi o Ronaldo foi assim. Olhei pra ele e pensei "seremos amigos". Não me enganei: tornamo-nos amigos quase imediatamente. Eu apenas não sabia o quão forte esta amizade se tornaria. E a quanto ela resistiria: distância geográfica, males-entendidos, rotinas diferentes...

Sempre houve um carinho muito especial entre nós. No início ele era o "Ronaldo da Cesgranrio", depois virou "melhor amigo do meu namorado", foi também o "padrinho de casamento". Hoje somos amigos e parceiros, para o bem e para o mal. Ele é o "O amigo". Um amigo que esteve ao meu lado em momentos muito felizes e também em episódios chatos. Sempre lá, sorrisão no rosto, palavra amiga, piadas para quebrarem o clima...

Faz 17 anos que o conheço. E desde o primeiro instante percebi que ele é uma daquelas pessoas que têm vocação para amizade, vocação para agregar as pessoas. 

Ronaldo, hoje é seu aniversário e não tenho muitas novidades para falar para você. Pelo menos nada que já não tenha dito pessoalmente. O que desejo para você também é mais do que notório: TUDO aquilo que você merece. E você merece muito.

Só mesmo o Rei para falar o que sinto:
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, amigo de tantos caminhos
de tantas jornadas
Cabeça de homem mas o coração de menino, aquele que está do meu lado
em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas meu bom companheiro, você tantas vezes provou
que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas, amigo você é o
mais certo das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida, em que precisamos
de alguém para ajudar na saída
A sua palavra de força de fé e de carinho, me dá a certeza de que eu nunca
estive sozinho
Você meu amigo de fé meu irmão camarada, sorriso e abraço festivo da minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é omais
certo das horas incertas
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber,
que você é meu amigo
Não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber
que eu tenho um grande amigo

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Marina Gouvêa, a poeta

Minha tia Marina já nasceu poeta mas só hoje ela lança seu primeiro livro. Então, esqueça aquilo que te ensinaram sobre não julgar um livro pela capa. Esta capa é um aperitivo do conteúdo e deve ser saboreado pois também é obra dela (originalmente um bordado que ficou em 1º lugar num concurso. Preciso falar mais sobre sua sensibilidade?).




Tenho o orgulho de ser leitora dela desde criança e certamente vem daí minha paixão pelas letras. Sempre ia (vou) à casa dela. E quando era criança, tipo oito ou nove anos, amava entrar em seu quarto para olhar os livros, muitos, muitos deles. Todos em uma estante de madeira escura, alinhados lado a lado. Cada dia admirava uma prateleira. Admirava as cores, os títulos.


Aleatoriamente escolhia um e lia a introdução... Mas não tinha nem idade e nem vocabulário para entender nenhum deles. Aí, ela ia até mim, falava um pouco sobre o autor, e sutilmente pegava um exemplar de literatura infantil (e depois infanto-juvenil) e me indicava. Na maioria das vezes eu lia lá mesmo, deitada em sua cama. Sempre fui muito abusada na casa da minha tia. E meu tio Zé Luiz (meu segundo pai) também não se importava. É certo que nem ele, nem meus pais e muito menos os primos - que brincavam na rua ou jogavam video game na sala - entendiam o que me levava a "perder tanto tempo" devorando aqueles livros. A primaiada toda lá tocando o terror, brincando horrores - na época o sucesso era o Atari. A galera lá se matando para avançar a fase do Pac Man e do Super Mario Bross e eu lendo. Sem entender nada, mas lendo. Como eu gostava daquele ritual...


De vez em quando, lia também suas poesias. Escritas a mão ou datilografadas. Tinha a do passarinho machucado, a do Ricardo, a do dia chuvoso em Paraty... Não me peça para indicar meu poema preferido - são todos lindos, suaves, profundos. Sou apaixonada por tudo - seja verso, seja prosa - que ela escreve. Minha poeta predileta transforma, com ajuda das palavras e com precisão cirúrgica, o fato mais banal, mais cotidiano em emoção, sentimento. Fruto de seu olhar puro, doce e carinhoso (reflexo de sua alma). Um exemplo aqui: bordar é, para muitos, atividade simples, um passatempo, para outros, ganha pão, expressão de criatividade. Para tia Marina, é poesia:





BORDANDO A VIDA


Por entre agulhas e linhas
Eu sigo bordando sonhos.
Colorindo as histórias da vida,
Faço o mundo mais risonho.

São muitos os pontos que uso
numa combinação feliz:
Ponto haste, mosca ou cheio
Espinha-de-peixe ou ponto nó
Ponto atrás, nó português
Ponto areia ou rococó
Ponto aranha, alinhavo
Falso matiz, nó francês.

Com o entra e sai da agulha
Construo castelos, pontes
Crio aves, flores, lagos
Vales, florestas e montes.
Se não acerto o bordado
Fecho os olhos, conto até três,
Desmancho ponto por ponto
E, com muita paciência
Começo tudo outra vez.

Quando os fios se embaralham
Não desanimo e, de repente,
Desato o nó com cuidado
E, confiante, sigo em frente.
Com a maciez das delicadas linhas
E os matizes de cada cor
Expresso as belas emoções sentidas.
Vejo o bordado com olhos de pintor

Porque bordar é pintar
Com linhas coloridas.
Com mãos de artista e carinho.
Em seda, itamine, algodão,
Fina cambraia ou puro linho


Eu sigo bordando a vida.
Até quando? Isso eu não sei.
Ao terminar, corto a linha
E digo baixinho: – Pronto, acabei!


Como já falei, ela nasceu poeta. E quem garante isso é minha mãe. Tem uma história que eu adoro: as três irmãs (Mammy, tia Marina e Dinda Verinha) arrumavam a casa (vovó Arquimínia fez a viagem muito cedo e deixou as meninas bem novinhas, então elas - sob o comando da minha mãe - eram as responsáveis pela casa). Naquela época, era comum passar cera no piso e cobri-lo com jornais (acho que era para o brilho durar mais). Minha mãe conta que tia Marina começava a colocar os jornais e ia aos pouquinhos se esquecendo do que tinha de fazer... Começa a ler as notícias, se desligava do mundo e lia, lia, se deixassem, lia a tarde inteira.


Minha mãe, elétrica que é, sempre achava a coisa mais estranha e bonita a tia fazer duas coisas tão aparentemente opostas ao mesmo tempo: embalar um filho bebê e ler. Era comum vê-la com um livro em uma mão e o filho sendo embalado na outra. Leitura e afeto sempre se misturaram nela.


Também nasceu com alma de professora: aos 14, 15 anos já tinha aluninhos, a quem alfabetizava em casa mesmo. Depois fez Faculdade de Letras e nunca mais parou de lecionar. Mesmo quando se aposentou continuava com alunos particulares que queriam prestar vestibular ou concurso.


Nunca estudei com ela no colégio. No colégio, é bom frisar, porque amava ter aulas particulares. Nunca fui má aluna em Português, mas não resistia a ter uma explicaçãozinha extra antes de uma prova. Foi com ela que aprendi as regras da crase. E nunca, nunca as esqueci. Ênclise, mesóclise e próclise também aprendi com ela. Ah, a primeira poesia que decorei foi na casa dela, da Alice Ruiz:


Assim que vi você

Logo vi que ia dar coisa

coisa feita pra durar,

(...)

Agora não tem mais jeito,

Carrego você no peito

Poema na camiseta

Com a tua assinatura

Já nem sei se é você mesmo

Ou se sou eu que virei alguma coisa tua


Eu teria uma infinidade de outras passagens para falar, mas meu coração está apertado demais por eu não ter podido ir ao lançamento do livro. Estou um pouquinho triste. No final do mês vou vê-la e dar o costumeiro abraço. Abraço de leitora, sobrinha, fã e quase filha.


PS: esta não é a primeira vez que falo da minha tia. Há cinco anos publiquei um conto (premiado, obviamente) aqui.


PS2: E esta aqui é a foto dela recebendo o prêmio pelo conto de que falei acima. Pra vocês verem que, além de poeta, sensível, inteligente, ainda é linda!



                                                      Fã              Poeta        Amigas

terça-feira, 1 de julho de 2014

MANIAS

Tenho umas lembranças antigas, da época de 1ª série, sabe? Lembro de estar prontinha pra ir pra escola e minha mãe ao me ver arrumada, levantava minha saia para dar uma conferida no que estava usando por baixo. Se a calcinha fosse velha, ela mandava eu trocar.
De tempos em tempos, ela fazia uma varredura nas nossas gavetas de calcinhas, minha e da minha irmã. Se a calcinha não fosse novíssima (ou pelo menos não parecesse assim), não tinha conversa: ia pro lixo.
Desde sempre, se ia viajar ou dormir na casa de alguma amiga, minha mãe perguntava “não tá levando calcinha velha, não, tá?”. Quando ia passear, ouvia “colocou uma calcinha nova?’.
Quando eu reclamava, ela falava “Vai que você leva um tombo na rua e a calcinha aparece?” .
Tinha também o argumento do acidente: já pensou sofrer um acidente e ter de ir pro hospital? Chega lá e tá usando uma calcinha velha. Que vergonha!”.
Uma mania meio doida que passou pra mim. Até hoje não consigo ter aquela calcinha de algodão, com o elástico largo que, dizem, é ótima pra ficar em casa.
De vez em quando eu achava que era exagero ter tanta calcinha tinindo de nova. Sim, porque minha gaveta de lingerie parece mostruário de loja. Mas uma coisa falada tantas vezes desde a infância, sabe como é, fica na cabeça da gente.
Há alguns anos, indo do trabalho para casa, de moto, me acidentei. Levei um tombo que me faria ficar alguns meses em casa. Deitada numa das pistas da Epitácio Pessoa, enquanto esperava os Bombeiros me levarem para o hospital, liguei pro namorado " Caí. Calma, tá tudo bem. Acho que só quebrei a perna. O resto tá inteiro. E a calcinha é nova.”.