sábado, 23 de janeiro de 2010

Doidas e Santas / Martha Medeiros

Semana passada, o Pedro Bial, num daqueles discursos pré eliminação do BBB 10 citou um texto da Martha Medeiros, que está no livro "Doidas e Santas". Foi um trecho bonito e muita (mas muita mesmo) gente deve ter ficado fascinado e, sem pensar duas vezes, correu para o "dicionário" da Internet: o Google.
Na pesquisa por "Doidas e Santas Martha Medeiros", este blog aqui aparece como a 2a indicação
para se conhecer um pouquinho da sutileza, da poesia que essa fera de escritora.
Gente, fiquei impressionada: o marcador de usuários on line aqui disparou, assim como o contador de visitas. Foram visitas de todas as regiões do país. E também fora (eita! Aquilo que não falei international? Amo muito tudo isso!) do Brasil. Visitas de Portugal eu já recebo há algum tempo, mas são visitas da minha Dinda e da prima-irmã-amiga-alma gêmea, a Gab.
Interessante (e até meio assustador pra uma criatura tímida e cheia de receios de exposição como eu) como "sangue da Globo tem poder".
Espero do fundo do coração que pelo menos metade (agora é a porção modesta da blogueira que se manifesta) dos visitantes que passaram aqui para conhecer um pouquinho da Martha Medeiros (conterrânea da minha doce inquieta Lisa) tenha lido outros posts (da Martha e meus, claro) e gostado do meu trabalho;
Ah! e por favor, não façam comparações entre mim e ela, que é uma daquelas pessoas que realmente sabem usar bem as palavras.
E fica aqui a dica: Martha Medeiros escreve, entre outros, aos domingos no Jornal O Globo. E tem uns livros classificados como prosa mas que são poesia no estado mais elogioso da palavra.

Pra quem não leu ainda, segue aqui o trechinho que eu havia publicado no ano passado, quando li hipnotizada o livro citado:


...se ela tiver coragem de passar por mais alegrias e desilusões – e a gente sabe como as desilusões devastam - , terá que ser meio doida. Se preferir se abster de emoções fortes e apaziguar seu coração, então a santidade é a opção. Eu nem preciso dizer o que penso sobre isso, preciso? Mas vamos lá. Pra começo de conversa, não acredito que haja uma única mulher no mundo que seja santa. Os marmanjos devem estar de cabelo em pé: como assim, e a minha mãe??? Nem ela caríssimos, nem ela. Existe mulher cansada, que é outra coisa. Ela deu tanto azar em suas relações que desanimou. Ela ficou tão sem dinheiro de uns tempos pra cá que deixou de ter vaidade. Ela perdeu tanto a fé em dias melhores que passou a se contentar com dias medíocres. Guardou sua loucura em alguma gaveta e nem lembra mais. Toda mulher é doida. Impossível não ser. A gente nasce com um dispositivo interno que nos informa desde cedo que, sem amor, a vida não vale a pena ser vivida, e dá-lhe usar nosso poder de sedução para encontrar the big one, aquele que será inteligente, másculo, se importará com nossos sentimentos e não nos deixará na mão jamais. Uma tarefa que dá para ocupar uma vida, não é mesmo? Eu só conheço mulher louca. Pense em qualquer uma que você conhece e me diga se ela não tem ao menos três dessas qualificações: exagerada, dramática, verborrágica, maníaca, fantasiosa, apaixonada, delirante. Pois então. Também é louca. E fascina a todos. Todas as mulheres estão dispostas a abrir a janela, não importa a idade que tenham. Nossa insanidade tem nome: chama-se Vontade de Viver até a Última Gota. Só as cansadas é que se recusam a levantar da cadeira para ver quem está chamando lá fora. E santa, fica combinado, não existe. Uma mulher que só reze, que tenha desistido dos prazeres da inquietude, que não deseje mais nada? Você vai concordar comigo: só se for louca de pedra.
Martha Medeiros
(texto abreviado)

SOLIDÃO

Houve um tempo que eu ficava muito triste quando um rapaz com quem eu me relacionava se afastava de mim. Esta tristeza durava 40 minutos, no máximo.
Hoje, que sumidos estão aqueles que eu julgava amigos de verdade, entendo o real significado da palavra solidão.

OS PRÓS E OS CONTRAS DE SER SOLTEIRA




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

ABAIXO O DESPERDÍCIO. DE HORMÔNIOS, DE PRAZERES, DE AMORES

Toda vez que começo um relacionamento, por mais apaixonada que esteja, tento bancar a racional e pergunto a mim mesma "Aline, você seria capaz de dizer 'não' àquele outro rapaz que te desperta tantas emoções (leia-se: tesão)?". Se a resposta for SIM, embarco na nova aventura que é iniciar um namoro.
Faço isso porque não curto traições. Sou meio preguiçosa, aliás, para trair. Dá um trabalhão ter relações paralelas, ainda mais para quem é assim meio desligada como eu. E confundir nomes, convenhamos, é uma gafe danada, né?
Então, acabo parecendo romântica e até careta e até, quem diria, "moça séria". Só namoro quando de fato gosto do rapazinho. Se o sentimento por ele não for suficientemente grande a ponto de dizer ''não" ao(s) outro(s) que rondaram minhas noites solitárias, acho melhor só curtir.
Mas sabe qual é a verdade? Acho uma baita sacanagem a gente ter de abrir mão de uma pessoa só porque apareceu outra na minha vida. Sabe coração de mãe, onde sempre cabe mais um? Acredito que o coração de muita gente é assim.
Se eu pudesse mudar alguma coisa no mundo, certamente seria isso. Acho uma baita sacanagem privação de prazeres.
Tem uma música do Kid Abelha que me faz lembrar disso tudo o que falei. Com uma frase que mata a pau: "(...) prazeres já temos de menos".



Meus amores me querem inteira
em qualquer posição
Meus amores não marcam bobeira
e eu não fico na mão
Escritório, supermercado
banco de condução
Todo canto é apropriado
Eu nunca digo não
Abaixo o enguiço dos neurônios
Abaixo o desperdício de hormônios
prazeres já temos de menos,
produtos já temos demais
vamos ficar
vamos fazer
vocês e eu, eus e você
vamos gozar
vamos viver
vocês e eu, eus e você
O amor o sorriso e as flores
Paraíso de Dante
Meus amores não são implicantes
com meus outros amantes
Corcovado ou escada rolante
tudo isso convém
Todo homem merece um harém
toda mulher também
Abastece de óleo os neurônios
Esquece o monopólio de hormônios
prazeres já temos de menos,
ciúmes já temos demais




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quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Quando o resto não vale a pena

Hoje eu não precisava de muita coisa. Eu só queria um "oi", um "vai ficar tudo bem, você vai ver" ou uma dessas frases que a gente precisa quando o coração está tristinho.
Hoje eu não precisava de muita coisa. Era bem pouco o que eu precisava hoje.
Hoje eu precisava só de um abraço, daqueles que falam tudo-nada e que confortam a gente por muitas horas e nos dão certeza de que vale a pena todo o resto.
Hoje eu precisava de tão pouco.
Hoje eu não ganhei porque eu não pedi: queria que fosse espontaneo. Abraço pedido não faz o mesmo efeito.
Hoje eu não pedi o tão pouco de que eu preciso de vez em quando.
E todo o resto não vale a pena.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Disponível é o cacete!



Quarta-feira, 9:15 da noite. TV ligada. Toca o telefone.

- Oi, tudo bem? Vamos tomar um chopp?
- Hoje não dá, tô corrigindo uns textos.
- Isso é desculpa.
- Não é.
- Claro que é. Você tá sempre ocupada quando te chamo pra sair.
- Então tá, confesso: é desculpa. Eu não to a fim de sair.
- Vai deixar de sair comigo pra ficar de bobeira em casa? Se arruma que vou passar pra te pegar.
- Não, não vou.
- Por quê?
- Porque não.
- Isso não é resposta.
- Tá bom: a resposta é que não tô a fim de sair com você.
- Como assim não quer sair comigo? Você não tá mais namorando, tá?
- Não.
- Então, gata, agora que você tá disponível, vamos sair.
- Eu não tô disponível.
- Mas falou que não tá mais namorando...
- E não tô mesmo. E também não estou disponível. É que ainda não tô legal pra sair com ninguém.
- Por quê?
- Tô chata, não seria uma boa companhia.
- Nada a ver ficar chorando pelos cantos. Vamos dar uma saída, desencana do cara.
- Olha, de verdade, quando eu estiver mais legal a gente toma o chopp.
- Mulher é bicho estranho mesmo, né? Vive reclamando que não tem homem no pedaço. Aí aparece um cara maneiro que nem eu convidando pra sair e aí faz doce.
- Olha só, você entendeu que eu não seria uma boa companhia? Entendeu que eu não tô a fim de conversar e nem de tomar chopp?
- Mas a gente não precisa conversar, só toma alguma coisinha pra ficar legal e depois vai lá pra minha casa.
- ?
- Ah, gata, vai ficar fazendo doce? Tá na maior dor de cotovelo aí, vai recusar um ombro amigo? A gente faz um sexo gostoso e eu garanto, seu astral melhora.
- Tum-tum-tum-tum
- Alô, alô, gata, tá aí? Desligou, a cachorra...

domingo, 10 de janeiro de 2010

MEU ANIVERSÁRIO

Sou ligada na tomada, no 220 total. Tudo meu é pra ontem, não suporto lenga-lenga, sou prática Apressadinha, como dizem alguns.
Gostaria de ser mais serena, mais "easy going", mas fazer o quê? Nasci assim. Sim, até para nascer fui apressada: em vez de nascer em 12 de fevereiro, nasci em 04 de janeiro. Isso aí: resolvi deixar o útero da mammy, com mais de 1 mês de antecedência.
Na prática, meu aniversário já passou, foi 2a-feira passada. Mas quem é que vive só de coisas práticas? Eu, pelo menos, me permito um pouquinho de licenças poéticas em minha vida. E por isso, de uns tempos pra cá, decidi que, entre os dias 04 de janeiro a 12 de fevereiro, estou no direito de comemorar meu aniversário.
Então, vou repetir a letra da música que postei aqui no dia 04, agora acompanhada do presentinho do Victor, do Definologia: o vídeo da música!
Victor, obrigada.Você fez uma blogueira feliz.

Mais um ano que se passa
Mais um ano sem você
Já não tenho a mesma idade
Envelheço na cidade

Essa vida é jogo rápido
Para mim ou pra você
Mais um ano que se passa
Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você

Feliz aniversário
Envelheço na cidade
Feliz aniversário
Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua
As garotas da minha rua
Não os sinto, não os tenho
Mais um ano sem você
As garotas desfilando
Os rapazes a beber
Já não tenho a mesma idade
Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça
Se une pra esquecer
Um feliz aniversário
Para mim ou pra você



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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A CULPA É TODA MINHA

Num dos muitos momentos de tédio durante o recesso entre o Natal e o Reveillon, li uma matéria da psicóloga Cláudya Toledo (cara, um nome cheio de "frufru" deve ser coisa de numerologia! Eu devia ter desconfiado disso e nem ter continuado a leitura) onde ela garante que "todo mundo é capaz de encontrar sua alma gêmea, basta procurar no lugar certo." Gente, será que ela falou isso mesmo ou a repórter fez confusão? Será que sou só eu que fiquei sem a minha? Pô! Eu também quero o chinelão pro meu pé descalço!
Ano Novo, idade nova... uma boa hora de conhecer meu príncipe. Viva a Dra. Clauddia (ou seria Cllaudhia? ou Claudiia? sei lá...)! Segundo ela, nós, mulheres lindas , que estamos sem namorados, devemos parar de esperar e temos de ir à luta, temos de procurar um amor do mesmo jeito que procuramos um apartamento pra alugar ou um emprego novo. Nada de ficar esperando o acaso. E também devemos ser mais sensíveis e menos independentes, pois isso é o que mais atrapalha os relacionamentos. Ela chama isso de "Síndrome da Mulher-Cabeça", pois estamos muito fortes, mentais, pouco sensíveis e femininas.
Pelo que entendi, o lance é o seguinte:
* em vez de trabalhar pra me sustentar, eu tenho de arrumar um emprego bem xinfrim, que me pague uma miséria: ser independente é o pior pecado que uma mulher à caça de um marido pode cometer;
* tenho de parar com mania de estudar-ler-aprender . Se a vontade de ler um livro ou fazer um curso for irresistível, há opções: a Dra.Cupida é autora do "Manual da cara-metade" e ministra cursos como o "Um Dia de Deusa", aula criada para despertar o poder de sedução feminina; Acho que devo jogar fora a listinha dos livros que anotei para ler este ano e decorar esse manual. E quem é que precisa de Mestrado em Literatura Contemporânea? Deve ser muito mais proveitoso aprender a despertar meu poder de sedução (eu tenho isso?).
* preciso esquecer tudo o que aprendi sobre mim mesma em longas sessões de terapia e que me fizeram ser mais centrada, menos emocional e mais objetiva, porque o lance é ser bem sensível, daquelas que choram porque o cara disse que ainda é cedo pra apresentar a família.
A dura conclusão a que cheguei foi : de acordo com as dicas da "Dotôra Clláudhyah", minhas chances de encontrar a cara-metade são perto de zero.
E a culpa é dessa minha mania de gostar de ser eu mesma, de achar que existem outros objetivos na vida, a não ser casar, ter filhos e cuidar da casa.
Eu nunca - nunquinha! vou arrumar um namorado que goste de mim de verdade e a culpa é toda minha, que aprendi mais sobre as teorias de Benjamim e não sei fazer um arroz soltinho. A culpa é minha por não andar por aí com decotão, salto alto e vocabulário reduzido, mostrando que sou uma fêmea à procura de um homem pra chamar de meu. Mereço viver sozinha o resto dos meus dias. Como pude ser tão burra, meu Deus?
Foi dureza constatar que nesses "trinta e poucos" anos eu só fiz merda e por isso não vou ter um cobertor de orelha quando o inverno chegar.
A culpa é minha, claro: como é que eu leio até o fim uma entrevista com uma psicóloga se auto-intitula "a maior cupido do país"? E isso depois de ter visitado o site da cidadã e me deparado com uma foto RIDÍCULA . Que raiva de mim...
Eu só espero que você não deixe de acessar meu blog depois dessa demonstração de estupidez. Juro que não sou sempre assim tão burra.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

ANIVERSÁRIO



Mais um ano que se passa

Mais um ano sem você

Já não tenho a mesma idade

Envelheço na cidade


Essa vida é jogo rápido

Para mim ou pra você

Mais um ano que se passa

Eu não sei o que fazer

Juventude se abraça

Se une pra esquecer

Um feliz aniversário

Para mim ou pra você


Feliz aniversário

Envelheço na cidade

Feliz aniversário

Envelheço na cidade

Meus amigos, minha rua

As garotas da minha rua

Não os sinto, não os tenho

Mais um ano sem você

As garotas desfilando

Os rapazes a beber

Já não tenho a mesma idade

Não pertenço a ninguém

Juventude se abraça

Se une pra esquecer

Um feliz aniversário

Para mim ou pra você

Um trechinho do José Régio, um poeta português mui gira

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: vem por aqui!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!

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ANTOLOGIA POÉTICA
José Régio – Edições Quasi
- Lisboa – Portugal - 2001